Terça-feira, 20 de Setembro de 2011
por Andrea Peniche

 

Quem ontem ouviu Mira Amaral percebeu que também ele alinha pelo diapasão dos cortes salariais como resposta para enfrentar e superar a crise em que vivemos. Apesar da candura e do ar bem disposto com que o disse, percebia-se nele uma certa amargura de quem conhece os sacrifícios que propõe.

 

Para quem não saiba, Mira Amaral sempre foi um homem de vida dura e sacrificada. Já depois de ter sido três vezes ministro de Cavaco, foi explorado durante 18 longos meses enquanto exercia as funções de administrador na CGD. Em troca, esse injusto, despesista e gordo Estado só lhe paga 18 mil euros mensais de reforma. Porém, como não é homem fraco nem desistente, livrou-se da CGD e fez-se de novo à vida. Recusando sempre as cunhas, decidiu gastar uma pipa de massa em selos dos correios no envio do seu currículo. E como quem porfia sempre alcança, lá conseguiu um lugarzinho como presidente do BIC português. É agora assalariado de Américo Amorim e Isabel dos Santos. Farta-se de trabalhar em troca de um magro salário. Fartou-se de fazer horas extraordinárias aquando da compra do BPN pelo BIC.

 

Se é ele quem diz que é preciso cortar nos salários, eu atrevo-me a dar-lhe razão. Afinal, são palavras de quem não só sabe o que são salários baixos como de quem põe o seu próprio salário à disposição dos ditos cortes; além do mais, é um dos maiores conhecedores do que são e do que pesam os sacrifícios na vida das pessoas comuns.


por Andrea Peniche
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50 comentários:
Olhe, estava implicito no comentario anterior que a comparacao que se estava a sugerir se deveria fazer de forma mais ou menos sectorial. De modo que essa sua conversa parece-me carecer de oportunidade. 

Mas tenho ainda uma segunda observacao a apontar-lhe. De onde e que tirou essa ideia de que mais formacao deve implicar salarios mais elevados independentemente da oferta existente. Lamento dizer-lhe mas parece-me muito mais justo pagar mais a um electricista (que ha poucos e sao necessarios) do que a um professor do ensino basico (que os ha em demasia).

De qualquer modo, ha profissoes na funcao publica que nao sao susceptiveis de comparacao com o privado e que mesmo assim deveriam ver os seus salarios reduzidos porque os salarios (e o emprego!!!!) dos privados tem vindo a ser reduzidos substancialmente nos ultimos anos: magistrados, professores universitarios, professores do ensino secundario, enfermeiros, tecnicos superiores, etc etc etc

Faz algum sentido uma pessoa ganhar no estado 1200 euros logo a partida so porque tem uma licenciatura? Quando um licenciado no privado (se conseguir arranjar emprego) vai muitas vezes ganhar o salario minimo nacional. Haja vergonha.

Com o desemprego que vemos todos os dias (e que ja comeca a chegar a quase todas as familias, sobretudo as que tem filhos a iniciar a vida adulta), custa-me muito aceitar que o dinheiro que deveria ser libertado para a economia esteja a pagar salarios regios e a manter um sistema de duas castas, que vai necessariamente resultar no colapso da nossa economia. Uma economia fragil nao pode ser usada para financiar esta distorcao social. O produto disto tudo sao os desempregados sem apoio social e realmente viver com 0 euros a custa dos pais quando ja se devia estar a trabalhar e muito mais penoso do que o salario minimo nacional. Conheco muitos casos...

Um ultimo apontamento: com o salario minimo nacional sem casa propria nao e possivel viver. E possivel viver com o salario minimo nacional vivendo de favor, de outra maneira 'e impossivel. Ha pessoas que ate conseguiriam arranjar trabalhos destes em Lisboa, mas sem casa o que 'e que podem fazer? Optam pelo desemprego. Conheco alguns. O meu texto sob os salarios na funcao publica nao incide sobre esta gente, visa pelo contrario garantir maior equidade para esta gente. 


ugabuga
#1 - "essa ideia de que mais formacao deve implicar salarios mais elevados independentemente da oferta existente"

eu não escrevi em lado nenhum que alguém por ter mais formação deve receber mais. mas estatisticamente 'mais formação' está correlacionada com 'salários mais altos'. por outras palavras, a probabilidade de arranjares um emprego onde ganhas mais é maior se tiveres mais formação. naturalmente, o estado quando contrata médicos, professores, ou investigadores vai a um pote com menos bolas e por isso, e porque a responsabilidade atribuída a estas pessoas é maior do que a um servente de pedreiro, ganham mais.


#2 - "ha profissoes na funcao publica [...] que [...] deveriam ver os seus salarios reduzidos porque os salarios (e o emprego!!!!) dos privados tem vindo a ser reduzidos substancialmente nos ultimos anos"

sabes quais foram os últimos aumentos? o último foi dado pelo sócrates no ano das eleições e antes disso foi o guterres. entretanto tem sido 'aumento zero'. sabes o que isso significa? que na realidade há uma diminuição do valor real do salário, porque a inflação não tem 'aumento zero'...
porque é que achas que os médicos se estão a pirar para o privado? e porque é que achas que os investigadores estão a ir para o estrangeiro? é porque ganham mais no estado?

#3 - "Faz algum sentido uma pessoa ganhar no estado 1200 euros logo a partida so porque tem uma licenciatura?"

essa pergunta é falaciosa. é como perguntar: faz sentido o benfica ser o melhor clube do mundo só porque é vermelho?
obviamente que a premissa 'ter uma licenciatura' não é razão suficiente para estabelecer o valor do salário. da mesma maneira que ter olhos verdes também não é. o que tipo de trabalho e a responsabilidade que implica é que são as razões para se estabelecer o valor do salário.

e já agora, quem é que ganha "1200 logo à partida logo a partida so porque tem uma licenciatura"? onde? e a fazer o quê?

comigo trabalham pessoas com licenciatura (e mestrado) e ganham cerca de 700 euros.


deixado a 21/9/11 às 23:41
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