Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
por Daniel Oliveira

 

Muito se tem falado das mordomias de políticos e ex-políticos. Os subsídios imorais que mantêm. A forma súbita como alguns enriquecem depois de saírem do governo. A revolta dos cidadãos com estes casos pode ser natural, positiva, perigosa, míope ou hipócrita. Ou tudo isto ao mesmo tempo.

 

É natural porque os mesmos que nos exigem sacrifícios, que roubam o 13º mês e o subsídio de férias aos funcionários públicos, que falam das "gorduras do Estado", que aumentam impostos e que, com as suas medidas, destroem o nosso futuro, se isentam sempre a si próprios de qualquer esforço.

 

É positiva porque revela que, apesar de tudo, as pessoas ainda têm a capacidade de se indignar com o que é indigno. Que ainda não desistiram deste País. Que não estão completamente anestesiadas.

 

É perigosa porque demasiadas vezes beneficia o infrator. Pondo todos os políticos no mesmo saco acaba por absolver quem se aproveita da política para interesse próprio. E muitas vezes alimenta e alimenta-se de um discurso contra o papel social e económico do Estado. Um poder político desacreditado é um poder político frágil. Os interesses privados agradecem a sua fraqueza.

 

É míope porque trata o sintoma como se fosse a doença. A nossa democracia foi sequestrada. Comprada pelo poder do dinheiro. O mais grave assalto ao que é de nós todos não são estas "curiosidades". Isto são trocos. Ele é evidente no tratamento fiscal de exceção à banca. Ou quando Ricardo Salgado se dirige à sede do governo horas antes de Pedro Passos Coelho apresentar o Orçamento. Ou nas Parecerias Público-Privado, sempre ruinosas para o Estado e lucrativas para quem dele se aproveita. Ou nos ministros que saltam de empresas para ministérios - para a saúde, Coelho hesitou entre Isabel Vaz, presidente do BES Saúde, e Paulo Macedo, fundador da Médis - e de ministérios para empresas - Jorge Coelho na Mota-Engil, Ferreira do Amaral na Lusoponte. Ou nos ex-políticos que se dedicam, depois de abandonarem as suas funções, ao tráfico de influências económicas junto do poder político. Ou nos financiamentos de empresários a partidos - apesar do financiamento público ser o bombo da festa, não se percebendo que o que se pouparia aí sairia muito mais caro nos favores que os "mecenas" receberiam em troca. Ou nas privatizações de monopólios a saldo que se preparam. Ou no financiamento público a colégios privados no mesmo momento em que se fazem cortes violentos na Escola Pública. Tudo sintomas da mesma coisa: um Estado que é refém do poder económico. A democracia roubada aos cidadãos. Não falta quem tenha bom remédio: menos Estado ou até menos democracia. É como dizer que a melhor forma de atacar um enfisema é arrancar o pulmão ao paciente.

 

É hipócrita porque muitos dos que se revoltam são os primeiros a demitir-se das suas obrigações de cidadão. Se há eleições, não votam porque "eles querem é poleiro". Se há uma greve, nem querem saber porque "a minha política é o trabalho". Se há um protesto, devemos é ficar quietos que isso nunca dá em nada. Indignados sem causa, comportam-se como clientes maldispostos. Como se a democracia fosse uma coisa de políticos. Como se não fossem elas próprias a ter de a defender. E, quando votam, não hesitam em eleger homens como Isaltino Morais ou Alberto João Jardim. A qualidade da nossa democracia é um espelho do que nós somos.

 

Ontem vi, no DocLisboa, um documentário sobre a revolta egípcia. No início, alguns dos que arriscaram a vida naPraça Tahrir queixavam-se da apatia e do medo da maioria dos seus compatriotas. Da sua mesquinhez. Da sua indiferença. Ao fim de trinta anos de ditadura e corrupção, foi preciso a crise bater à porta para que o povo se revoltasse. E, afinal, o que parecia improvável aconteceu. O poder desmoronou-se sem um tiro. Foi preciso que uns tarados corressem todos os riscos para que os restantes acordassem.

 

Na verdade, tudo era mais fácil ali do que numa democracia. Ali queriam conquistá-la. Aqui, temos de cuidar dela.Ali só havia esperança. Aqui há desencanto. Ali o inimigo tinha um nome. Aqui nem se sabe bem quem ele é. Mas num e noutro caso, nenhum poder corrupto sobrevive sem a demissão do seu povo. Acham que a nossa democracia foi capturada? Libertem-na! Não é preciso ficar à espera que apareça um salvador. Ele não existe. Só que para correr o risco de assumir uma posição é preciso empenhamento e compromisso. A saúde da nossa democracia não está à distância de um e-mail com muitos pontos de exclamação. Eles só servem de alguma coisa se corresponderem a um pouco mais. Felizmente, não faltam neste País heróis anónimos e generosos que nunca desistiram. No seu bairro, no seu local de trabalho, na sua associação, no seu sindicato. Esses, e não indignados inconsequentes (mesmo que cheios de razão), são a esperança da nossa democracia.

 

A revolta contra quem se serve da política para amealhar uns trocos é justa. Ainda mais em tempo de crise. Masnão é, não pode ser, um programa político. Falta-lhe o programa. Mas, acima de tudo, falta-lhe a política.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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47 comentários:
Nuno
O Estado Social português é como uma mesa de buffet num casamento.


A mesa abre, e os primeiros a chegarem servem-se. 


Normalmente tiram as coisas boas, tipo camarão e leitão, enchem um ou mais pratos, que cheguem para eles e para os amigos, sempre mais do fosse suficiente para saciar a vontade de petiscar.


Há ainda aqueles que, não satisfeitos, colocam umas benesses nos bolsos ou na sacola, não vá a mesa esvaziar antes de uma segunda ronda.


Depois vem a segunda leva, e assim por diante, até que os últimos, só cheiram os restos de uma mesa quase vazia.


No final, todos comeram, uns mais, outros menos, mas todos ficam satisfeitos com o que apanharam.

deixado a 25/10/11 às 11:51
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Lee
Caro Nuno,

A analogia é interessante. Se bem que nesta altura a mesa se esgota rapidamente, até parece haver o efeito de que os primeiros "embolsam" ainda mais para assegurar o periódo longo de "sobrevivência"...

Resta esperar que os últimos, os esfomeados, na escolha vida ou morte, escolham viver e lutar por isso... E que os "seguranças" do belo complexo turístico rural não sejam os acéfalos que se conhecem....

Cumprimentos.

deixado a 25/10/11 às 12:47
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essa analogia é interessante mas de um ponto de vista diferente.


Imaginemos que todos pagam a sua parte para o Buffet, e que as várias levas são as gerações de Portugueses.


Assim os que agora se estão a reformar pagaram e comem à grande !


Os filhos desses vão continuar a pagar e pouco irão comer.


Os netos dos 1ºs pagam igualmente mas só têm ossos para rapar.


PedroM
Com a diferença que a 1ª leva de portugueses conseguiu pagar o buffet a "prestações suaves", ou não tivessem sido eles a engendrr esta espécie de PPP.

deixado a 26/10/11 às 12:14
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Nuno
E bem estaríamos se fossem só os políticos a obter "mordomias".


Como ontem dizia (bem) o MST (personagem que acerta 1 em cada 10 tiros), é impossível saber ao certo o salário real dos FPs, tantas são as alcavalas.


Desde despesas de representação, carro (mais petróleo) à disposição, telemóvel, subsídios variados, vale tudo para engordar o saco.


O resultado é uma despesa incontrolável, e uma disparidade injusta entre os próprios funcionários.

deixado a 25/10/11 às 11:56
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Carlos Marques
"A revolta contra quem se serve da política para amealhar uns trocos é justa."

Para amealhar uns trocos?

Amealhar?

Uns trocos?

É ironia?

deixado a 25/10/11 às 12:15
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PedroM
Sim, porque as grandes riquezas são uma minoria. A maioria saca uns trocos e é feita dos milhares de anónimos que vivem nas catacumbas dos partidos, na esperança de um dia chegarem à boa vida dos grandes chefes.
Cada um vive - perdão, rouba - à medida das suas capacidades.


Obelisco instavel
"Cada um rouba o que pode e tem direito a comitiva" josé jorge Letria em 70 ou 72, não me recordo bem.


O país não mudou muito...

deixado a 26/10/11 às 21:53
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É uma vergonha. Estes políticos e ex-políticos virem para a televisão com cara de pouca vergonha pedirem sacrifícios, quando muitos deles recebem subvenções ´vitalícias para além dos seus ordneados chorudos ou dos subsídios de alojamento, deslocação, etc.
Eles acham que os funciona´rios públicos estão bem, por isso, vamos a cortar dois ordenados, privil privilégios segundo eles, logo gordura do  Estado, mas os milhões para subvenções e subsídios de deslocação não são privilégios, depois ainda vêm dizer que t« se tem de acabar com  a subsidiodependência.
Eles querem ´+e continuar a pertencer a uma elite mediocre de privilegiados, mas todos os outros serem um coro de pobres, escravos e subservientes. Haja paciência para os aturar!

deixado a 25/10/11 às 12:21
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Ana
Daniel
Temos de aproveitar a onda que o Passos criou com as subvenções, assim que apareceu nos meios de comunicação resolveu no próximo orçamento eliminar-los. Então ele não sabia que o Mestre Ângelo recebia? Sabia, mas estava a ver se ninguém se lembrava.

Neste clima de sacar o máximo aos funcionários públicos e taxar o máximo a todos os portugueses que trabalham, é Hora de ser denunciado todas as mordomias dos políticos.
Uma divulgação concertada pelos meios de comunicação, numa altura de indignação do povo, levaria a tomada de decisões do governo para eliminar tais mordomias. Findo os políticos poderiam voltar-se para as empresas públicas e ai, penso que seriam incapazes de deixar de ter materia jornalistica nos proximos tempos.


deixado a 25/10/11 às 12:30
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PedroM

"é Hora de ser denunciado todas as mordomias dos políticos"
Cuidado, que isso é "demagogia perigosa"...


Ana
Caro Pedro
Como em tudo, o bom senso tem de ser equacionado mas ao denunciar não implica que seja infracção, nem que seja moralmente inaceitável.
No Setor Público, já não falando do Governo, existem mil e uma mordomias, que os boys and girls auferem, desde cartões de credito, rendas de casa, estadias em hotéis, etc. e depois cortam 15% nas ajudas de custo de quem realmente trabalha e nem lhe chega para pagar o almoço. Até que as denuncias cheguem a ser demagogia perigosa, falta muita mordomia a ser retirada.

deixado a 26/10/11 às 15:26
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PedroM

Tudo isso é verdade mas o que devia preocupar o Daniel é o que diz a certa altura: "E, quando votam, não hesitam em eleger homens como Isaltino Morais ou Alberto João Jardim".
O problema é o Daniel não perceber a razão porque, apesar do que descreve, as pessoas preferirem um Isaltino a um qualquer Louçã, Manuel ou Pinto Coelho. Para 90% dos portugueses, essa gente é uma carta fora do baralho eleitoral e a escolha resume-se aos partidos que defendem a sociedade de mercado das democracias ocidentais. A tal do "estado social".
A luta, Daniel, é forçar a corja que tomou conta desses partidos a desaparecerem da vida política. Não foi nunca, em lado nenhum, com partidos como o BE, PND, PNR ou PCP que alguma sociedade prosperou em riqueza e justiça. Felizmente os Portugueses ainda percebem bem isso.


"No seu bairro, no seu local de trabalho, na sua associação, no seu sindicato"
Esta frase inocente contém no fundo o modelo de sociedade do BE/Daniel: uma sociedade onde o empresário (aquele que cria empregos para o Daniel ganhar bem) é excomungado. Para o Daniel, parece que nos "heróis anónimos e generosos que nunca desistiram neste País" não há empresários, esses demónios. Não é inocente nem um esquecimento: é um sentimento genuíno que por vezes não consegue esconder.
Basta rever o que disse no Eixo do Mal sobre Jobs para percebermos o que pensa e sente. Como é inteligente e não quis fazer a figurinha do Sérgio (também é inteligente mas como ainda não se move no seu mundo nem recebe ao fim do mês dum "fascista", não tem a necessária prudência), escolheu o insulto "à BE"; o da sua esquerda: classificou-o de "empresário", pois sabemos (pela teoria de inspiração ariana que escreveu) que os genes da criatividade (e mais as outras todas virtudes enunciadas) são da sua esquerda e impossibilitam que tal pessoa seja considerada um influente e visionário criativo, com direito a lugar de destaque num museu.
Felizmente há no mundo gente nas artes que conta verdadeiramente, com um papel influente e relevante, que não condiciona a sua análise à ideologia e interesses pessoais. Como no MoMa, por ex.


Bem pode dizer o que a maioria dos que votam PS/PSD/CDS dizem e sabem. Eles sabem bem isso. Eu sei isso tudo e não tenho grande esperança no futuro a médio prazo, é verdade. Mas sei - sabemos - que ainda assim é preferível esta corja de gente às outras corjas ideológicas alternativas. O que é triste.
Como triste ainda é nada disto o fazer pensar nas verdadeiras razões para que numa situação como esta que vivemos, as alternativas que apoia não merecerem qualquer credibilidade dos portugueses. 

deixado a 25/10/11 às 12:51
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LGF Lizard
Subscrevo.

deixado a 26/10/11 às 11:09
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Luis A.
Meu caro Pedro M. esse comentário é o mal do nosso planeta que ficou refém da incapacidade de raciocínio com o que chamo de (pânico politico) que à um século nos faz reféns da esquerda e direita quando as suas praticas não nos demonstram qualquer ligação a tal mas sim a pessoas e partidos que se aproveitam do poder para imporem as suas praticas e denominarem esquerda e direita quando não passam de usurpadores . Hoje em dia só se fala de democracia como sendo as sociedades livres e as pessoas num êxtase global não se dão conta opressão que está a tomar conta do planeta onde só conta o dinheiro e a lei do mais forte é que impera porque o poder das armas nunca foi tão desequilibrado como agora para o mais forte e acham-se no direito de passar por cima de qualquer povo para os fazer reféns das suas praticas ávidas do lucro e ganância sem fim. Por isso quando votar não se esqueça de pensar e não vegetar no (pânico politico )


PedroM
"não se dão conta opressão que está a tomar conta do planeta onde só conta o dinheiro e a lei do mais forte é que impera"
Que saudades dos tempos e séculos passados, onde quem governava nos variados cantos do mundo não se importava com o dinheiro e poder e não fazia impor a lei do mais forte sobre o "seu povo"...

"
porque o poder das armas nunca foi tão desequilibrado como agora para o mais forte"
Pois é, e agora imagine se esse "mais forte" de hoje fizesse o que outros fizeram no passado com menos meios - e fariam hoje, se pudessem ou os deixassem!

"
e acham-se no direito de passar por cima de qualquer povo para os fazer reféns das suas praticas ávidas do lucro e ganância sem fim"
Como disse antes, nunca tal se viu na história da humanidade: uma inovação do capitalismo, presumo.

"
Por isso quando votar não se esqueça de pensar e não vegetar no (pânico politico )"
O que penso escrevi no post mas como não percebeu o que quis dizer, eu resumo: Só tenho 3 opções democráticas por onde escolher e estão todas reféns duma corja de gentinha. As outras duas que restam não são opções sequer: nem interessa que tipo de gente por lá anda; as suas ideologias e modelos de sociedade já mostraram o que valem.



deixado a 20/1/12 às 10:32
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Tito
Caro Daniel,
chama-se a isso CLEPTOCRACIA. Uma realidade que os partidos da esquerda portuguesa fingem não ver, porque continuam a pensar que as lutas eleitorais acabarão por fazer justiça aos seus ideais. Como se pode participar na vida política, na acção parlamentar, nas campanhas eleitorais, se o sistema apenas se reproduz a si próprio, ou seja, à corrupção do sistema? O problema da esquerda em Portugal tem sido esse. E o seu desaparecimento é apenas um sinal.

deixado a 25/10/11 às 14:17
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Hugo
Excelente texto mas penso que o Daniel tem de dar espaço ao livre arbítrio, acusar os indignados por não terem as acções que pensa serem as correctas não me parece o caminho acertado, a conquista dos não indignados e dos conformados parece-me algo mais  premente. Por vezes parece que o Daniel não percebe a importância das pessoas pensarem pela sua própria  cabeça, como sabe a revolução não é um fenómeno de moda, as pessoas enfrentam  situações difíceis o que faz com que estejam mais disponíveis para o confronto mas se este estimulo estiver associado apenas à individualidade de cada um tenho duvidas que seja possível construir o mundo que precisamos.

deixado a 25/10/11 às 15:18
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MetroidSamus
Ó neolibs da minha terra, parece que afinal o pessoal do privado tb anda a ganhar demais. Será que vos vai chegar tb, ou este "esforço de solidariedade" é só para o pessoal das limpezas, refeitórios e afins? http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2080268&seccao=Dinheiro+Vivo (http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2080268&seccao=Dinheiro+Vivo)

deixado a 25/10/11 às 16:06
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Esta coisa de passar a vida a usar a táctica do evangelista por vezes não dá jeito. Sem analogias absurdas para praças egípcias como se estivéssemos numa ditadura, qual é o ponto? Está a apelar que as pessoas se revoltem contra o poder democraticamente eleito mas, por ser crime, não o escreve?

deixado a 25/10/11 às 16:17
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