Sábado, 5 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Era a grande esperança dos EUA. Um símbolo da luta pelos direitos civis. Poderoso na retórica, carismático dentro e fora de portas, o fim do pesadelo que tinham sido os oito anos de Bush. O primeiro ano foi marcante: conseguiu que a Saúde chegasse a quem nunca tinha tido acesso a ela. A sua eleição também conseguiu que acontecesse algum apaziguamento na política americana, que a dureza do confronto ideológico se desvanecesse. Até que começaram a aparecer as primeiras dificuldades. Na ressaca da crise financeira de 2008, não conseguiu que a economia americana arrancasse nem que o desemprego baixasse. Entretanto, a maioria Democrata foi destronada na câmara dos representantes por um partido Republicano tomado de assalto por uma facção de extrema-direita, radical e racista, o Tea Party. O seu poder enfraqueceu. O carisma quase messiânico era uma coisa do passado. E Guantánamo continua a existir. 

 

O que fazer? O mesmo do que quase todos os presidentes americanos antes dele: virar-se para o exterior, reafirmar os EUA como uma potência em perda, começar uma guerra. O primeiro ensaio foi a intervenção na Líbia - mas quem comandou a operação foi a França, e o conflito parecia ter uma natureza diferente. Agora, a escalada recomeça para os lados do Médio Oriente. A táctica, contudo, parece ser a mesma do que na Líbia: deixar que os aliados no terreno façam o trabalho sujo que as tropas americanas não podem fazer. Há um relatório que supostamente vai provar que o Irão prepara-se para produzir armas nucleares; onde é que já ouvimos isto? O aliado promete bombardear o Irão. O belicismo de uma nação que é origem de grande parte da violência do pós-guerra, directa ou indirectamente, a única nação do mundo que pode afirmar, sem censura generalizada, ir construir novos colonatos em território que não lhe pertence, a única nação, Israel, que coloniza um território, mais de trinta anos depois das últimas colónias africanas terem obtido a independência. 

 

O Médio Oriente é um vespeiro, todos sabemos. Israel parece estar com vontade de cutucar os vizinhos, como se não houvesse já ebulição suficiente no mundo. E Obama, a grande esperança, anui, aceita, incentiva. Mais do que uma desilusão, um sonho desfeito, uma desgraça. Esperemos que não consiga ultrapassar em feitos o seu antecessor, W. Bush. Mas nunca se sabe: as eleições americanas estão perto no tempo. Tudo é possível.


por Sérgio Lavos
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35 comentários:
Gentleman
Precisamente por saber usar o Google é que tinha curiosidade por saber em que fontes o Sérgio se baseou. Agora constato que aquilo em que baseia é muito pouco sólido... 
Não nutro particular simpatia pelo Tea Party. Considero até que muitos dos seus apoiantes são uns maluquinhos pouco recomendáveis. Mas tenho que reconhecer que num movimento mais ou menos espontâneo como o Tea Party, em que qualquer um pode aparecer nas manifestações e comícios envergando o cartaz que ele próprio produziu, é natural que surjam opiniões racistas. Tal como, tenho a certeza, que nas manifestações da "geração à rasca" em Portugal tenham aparecido lá pelo meio uns cartazes um bocado patetas. Se a imprensa portuguesa resolvesse destacar esses cartazes no meio de centenas de outros e depois passasse a ideia que esses cartazes são representativos das ideias dos indignados portugueses, o que é que o Sérgio diria?
Pois é exactamente isso que se passa com o Tea Party.


Não sei em que mundo o senhor vive...
Nem tenho paciência para lhe responder. É tão parcial que não tiraria nenhum proveito da interpelação.
Quando acordar para a vida não se sinta muito chocado com a realidade, está bem?


Adeeeus.


Gentleman
Obrigado pela objectividade e profundidade do comentário. Na linha do melhor que a Esquerda radical nos tem habituado.
Pelos vistos, também acha que o Tea Party é racista. Só se esqueceu de nos mostrar porquê. E porque é que o movimento integra vários militantes negros, alguns dos quais até têm discursado nos seus comícios.

deixado a 6/11/11 às 11:40
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