Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

O ministro da propaganda, o ominoso Relvas, reservou um lugarzinho para si no Telejornal da RTP1, logo a seguir às reportagens sobre a greve. Se isto não é uma espécie de "Conversas em Família", não sei o que possa ser. O pior é que mudamos para a SIC, controlada por uma das principais figuras do PSD, e ainda é pior: a cobertura feita na SIC-N foi vergonhosa, de uma parcialidade imbecil e perigosa. A quantidade de apartes engraçadinhos e despropositados que a principal repórter a acompanhar a manifestação ia fazendo às declarações das pessoas presentes deveria figurar num manual de mau jornalismo. Por outro lado, a histérica repórter da RTP, Rita Marrafa de Carvalho, andou a tarde toda a clamar por "tumultos", e quando finalmente aconteceram (provavelmente instigados por um infiltrado da PSP), fugiu escadarias da Assembleia acima gritando "tumultos! tumultos" e reclamando junto dos polícias por estes estarem a agredir jornalistas (e aconteceu, um fotógrafo está hospitalizado)*. A TVI acabou por fazer a cobertura mais professional e imparcial. 

 

Seja pública ou seja privada, a televisão e os seus funcionários já têm o discurso ensaiado: as medidas de austeridade são necessárias, e quem se opuser é um agitador criminoso. Os repórteres destacados para acompanhar estes acontecimentos levam o disco formatado e não conseguem sair do guião, até porque estão a ser observados pelo patrão. Entre o sensacionalismo, a incompetência e o preconceito, acabam por levar a água ao moinho de quem dirige as estações. A excepção da TVI (que tinha já acontecido em anteriores manifestações) atenua um pouco este estado de coisas. Mas o panorama geral é desolador.

 

*Eu vi em directo a polícia a dar bastonadas em tudo o que se mexia, incluindo quem não tinha nada a ver com a invasão das escadarias e jornalistas que por ali estavam. Na RTP. Curiosamente, essas imagens não passaram na reportagem do Telejornal, nem a agressão a jornalistas foi referida. Mas claro, o ministro da propaganda já estava no estúdio. Não iam querer fazer má figura, certo?

 

Adenda: a Fernanda Câncio, sem ter visto a cobertura da greve nem ter estado nas manifestações (imagino eu) indigna-se com a minha generalização sobre o trabalho dos jornalistas destacados para este tipo de reportagens. Fica-lhe bem a defesa da sua classe, mas prefiro nem sequer responder a tal indignação mal-educada. Eu sei o que vi, e posso imaginar o que está por detrás daquilo; não devemos ser ingénuos: a maioria dos repórteres que acompanhou a manifestação, de cada vez que falava com um dos manifestantes ou directamente para a câmara, espumava de ideias feitas sobre a greve e as intenções de quem ali estava. Um dos exemplos foi a repórter da SIC a insistir com um dos manifestantes, Avenida abaixo, sobre a legitimidade de estar ali e da greve, tendo em conta a situação económica do país. Mas enfim, lá está, só quem viu ontem os canais noticiosos e os telejornais é que pode saber do que eu estou a falar...


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