Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira

Já aqui disse que a receita da austeridade é desastrosa. E já aqui escrevi que em Portugal tem sido mais desastrosa para os pobres. É normal que assim seja. Portugal é o País mais desigual da Europa. E a desigualdade tem a capacidade de se replicar prementemente. Incluindo nas políticas do Estado. Porque maior desigualdade social traduz-se sempre em maior desigualdade política.

 

A Comissão Europeia fez um estudo sobre a aplicação das suas próprias recomendações nos Países em crise. Em análise, as medidas de austeridade entre 2009 e Julho de 2011. Quase tudo antes deste governo. Ou seja, novo estudo só poderia ter resultados ainda mais escandalosos. Analisadas as medidas na Grécia, em Portugal, em Espanha, no Reino Unido, na Irlanda e na Estónia conclui-se isto: Portugal é o único País onde as medidas de austeridade têm exigido um esforço financeiro superior aos pobres do que o que é pedido aos mais ricos.

 

As medidas fizeram os 20% mais pobres perder entre 4,5% e 6% dos seus rendimentos. Quando estes tenham filhos as perdas podem ter ido até aos 9%. Os 20% mais ricos perderam apenas 3% dos seus rendimentos. Isto leva o estado a dizer que "Portugal é o único país com uma distribuição claramente regressiva" dos sacrifícios. E aquele onde a distribuição do esforço é mais assimétrica. Note-se que no estudo não estão incluídos os cortes nos serviços públicos que, como é evidente, afectam muito mais os pobres. Ou seja, as conclusões até serão simpáticas para o Estado português.

 

Este estudo não tem ainda em conta as medidas impostas pela troika. Por isso, temos de concluir duas coisas: que nem a injustiça começou com a troika nem começou com Passos Coelho. Agravou-se. O Partido Socialista tem de fazer um sério exame de consciência ao seu comportamento social. E para criticar o criminoso comportamento deste governo está obrigado a, depois de uma séria autocritica, virar a página.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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17 comentários:
Portugal já era o país mais desigual da união europeia antes de qualquer medida de austeridade e passando 50% do PIB pelas mãos do estado, mostrando de forma inequívoca e global que o intervenção do estado na economia portuguesa gera pobres, não os elimina. Retirar esse poder económico ao estado é a forma de tornar o país mais igual.

Infelizmente, e para ajudar à festa, os 50% do PIB que o estado estoirava não era só dos pobres portugueses, mas também dos outros pobres da Europa. Há anos acumulados de políticas de esquerda para pagar. 

deixado a 5/1/12 às 11:10
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Von
Seu asno, você está a borrifar-se para a desigualdade, aliás, você adora a desigualdade, porque o faz sentir importante. Seu asno!


Mãe!

deixado a 5/1/12 às 14:50
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Quando um país chega ao ponto de pedir ajuda a "uma troika" tem que se sujeitar à medidas cegas impostas.

O que nunca devia ter acontecido era termos chegado aqui, e isso era evitável se há 10 anos atrás o país tivesse aplicado algumas medidas que agora estão a ser impostas sem qualquer tipo de preocupação social.

Mas como dizia Medina Carreira os políticos em Portugal não têm tomates para fazer o que é necessário.

E nisso culpo tanto o PS como o PSD e o CDS.

deixado a 5/1/12 às 11:44
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Slint
Se fosse só há 10 anos... eu acho que este país já está na merda desde o século XIX até hoje

deixado a 5/1/12 às 13:13
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Bonifacio Milhoes

MAMAO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11111

deixado a 5/1/12 às 18:14
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Falta dizer que o "contributo dos mais pobres" é na verdade receberem menos subsídios dado que há menos dinheiro para isso.

Continuo à espera que o Daniel diga qual é a alternativa à austeridade. É pedir ajuda ao tio patinhas, ao harry potter ou aumentar os impostos sobre a única empresa do PSI20 que ainda não se mudou para a Holanda?

deixado a 5/1/12 às 12:19
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Slint
Qual é a alternativa à austeridade? recusar pagar, tal como fez a Argentina, tão simples quanto isso. Recusar negociar com agiotas legais, sim porque se eu fizesse o que nos estão a fazer seria preso e condenado por agiotismo. Pagar apenas aquilo que nos foi emprestado, não esse valor mais juros. 


"Qual é a alternativa à austeridade? recusar pagar,"

E quem nos vai emprestar dinheiro para mantermos um défice de 10% se à partida já sabem que nos vamos recusar a pagar?

deixado a 5/1/12 às 19:06
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PedroM
"o criminoso comportamento deste governo"
Vejamos a esquizofrenia do raciocínio do Daniel: este governo é criminoso porque basicamente assinou e cumpre o "pacto de agressão" da troika, com a preciosa ajuda cúmplice no tal crime de quase 90% do povo português.
Passado um mês de tomar posse já PCP, BE e sindicatos se organizavam e preparavam para as greves e para a "luta nas ruas". Passados 3 meses, começaram as greves e manifestações.

Como infelizmente não apareceu nenhum generoso humanista de esquerda como Cháves, Kim ou Castro como alternativa generosa aos bandidos da troika, restava-nos duas opções: aceitar as condições dos únicos que nos emprestavam dinheiro ou dizer não e sofrer as consequências dessa decisão, que nos levaria inevitavelmente à saída imediata do Euro e provavelmente da UE.
Sobre este cenário, até o próprio Daniel escreveu há tempos que seria péssimo a curto/médio prazo. Catastrófico, na opinião de Louçã. Admitiu o DO que estaria-mos pior agora, acreditando porém que a médio/longo prazo seria benéfico. Uma questão de crença, igual à dos troikanos: cada um acredita que a sua solução será a melhor.

Esquizofrénico raciocínio porquê? Imaginemos que o BE/PCP (essa utópica convergência das esquerdas...) tinham ganho as eleições e rasgado o tal "pacto de agressão", rejeitando esse empréstimo.
Ora, como o próprio Daniel admitiu ficarmos pior, passado um ou dois meses, tinha-mos o Daniel, o Louçã, o Jerónimo e o Carvalho da Silva a insultarem-se a si próprios de criminosos para baixo e a convocarem protestos, manifestações, greves e lutas na rua contra si mesmo e as suas próprias políticas! Provavelmente, já o Otelo lhes tinha posto uma bomba no carro...

deixado a 5/1/12 às 12:20
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Slint
A saída do euro e da UE era a melhor coisa que este país poderia fazer, aliás nunca deveria era ter entrado. Não precisamos do resto da europa, aliás a europa é que precisa de nós, para passar férias e para vir cá roubar o peixe da nossa zee. Fazer como faz a Noruega, "ai querem bacalhau? então paguem por ele" Os franceses e outros haviam de pagar 20 ou 30€ por um kg de sardinha que até andavam de lado.


PedroM
"Não precisamos do resto da europa"
Ah, velho saudosista. Orgulhosamente sós...

"
Fazer como faz a Noruega"
Boa, vamos viver à conta do nosso petróleo e gás natural, que para além de dar para sermos auto-suficientes em energia, ainda exportamos aos magotes. Espera lá, afinal não podemos porque não temos nada disso...

"
Os franceses e outros haviam de pagar 20 ou 30€ por um kg de sardinha"
Pois, parece que essa fina iguaria de alta cozinha 5 estrelas da Michelin é um exclusivo das nossas costas.


deixado a 6/1/12 às 11:04
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João Cerqueira
Eis uma boa pergunta.
Suponhamos que uma troika BE\PCP - uma possibilidade que dava um bom romance cor-de-rosa, ou de ficção científica - ganhava as eleições e corria com o FMI.
Acabavam-se os empréstimos e o dinheiro. Muitos empresários descobriam-se Alexandre Soares dos Santos. O desemprego e a inflação aumentavam. A contestação nas ruas iria pois começar - tal como em finais dos anos 70 ou sucede agora em Cuba e na Venezuela.
O que faria então os que criticam este governo?
Passariam também a criticar o novo?
Quem  seria o bode expiatório?
Os sindicatos voltariam a organizar greves e protestos contra tal governo?


PedroM
A acontecer tal delírio, já sabemos o resultado. É rever a história e ver o que aconteceu nas dezenas de países que tiveram a infelicidade de serem governados por partidos com tais ideologias e políticas.

deixado a 6/1/12 às 11:08
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Nightwish
Eu bem quero ver o que vai acontecer com a legião de pessoas que vão morar para o carro ou para rua esta década. Deve ser isso viver de acordo com as suas possibilidades.
Ou isso ou o continente ou a PT começam a reservar umas salas para o pessoal ir para lá todo a monte.

Rumo ao 3º mundo a todo o gás. Colaboracionistas não faltam, porque acham que só vai acontecer aos outros. Para, no fim, ser adoptada a saida do euro e a renegociação da dívida à mesma.

deixado a 5/1/12 às 12:56
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l.custodio
Seria bom que este  senhor tambem referisse os reformados que muitos deles com pensões medias só com o corte do subsidios de ferias e de natal perderam cerca de 14%. Se a isto juntarmos o aumento de IRS( 1 a 1,5%) mais os cortes nas deduções nas despesas de saude e outras poderemos falar à vontade em 16%.Preocupa-se com os que perderam poder de compra de 9 e 3% .Os outros não interessam.

De recordar ainda a este Senhor defensor dos trabalhadores e reformados que muitas das pensões estão congeladas há quatro anos. 

deixado a 5/1/12 às 17:25
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Paulo
« O pobre até ao amigo aborrece!» - aforismo bíblico, muito na tradição mediterrânica de conceder que, o  humano só o é realmente a partir de um determinado status. Até lá partilha-se a sorte com os equídeos, camelos e mulheres. Não deixaram só a nora ou a alfarrobeira, também ficou uma certa "arte de viver" que inclui um desprezo genuíno por quem trabalha com as mãos. Lembro sempre aquela minha amiga comentando, admirada, sobre alguém que conhecera recentemente - « é electricista MAS é um gajo porreiro!»

deixado a 9/1/12 às 00:23
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