Anónimo
Olhe, caro Sérgio Lavos, no que a mim toca, só sou amigo de algumas coisas e nenhuma delas é, de certeza absoluta, Moscovo. Eu digo-lhe do que sou amigo: sou amigo de falar do que minimamente conheço; sou amigo de, antes de falar sobre o que ainda não conheço ( e é imenso), informar-me exaustivamente sobre o assunto; sou amigo de tentar separar, o mais que me seja possível, o trigo do joio; sou amigo de pensar e agir livremente; sou amigo ( amicíssimo) da Liberdade ( própria e alheia); sou amigo de aprender com a História e os seus erros; sou amigo da lição de um velho ditado que reza "Nem tudo o que luz é ouro". Como sumário de afinidades, creio que basta.
Por tudo o que atrás escrevi, há coisas que eu jamais faria ( deixo-as a quem tem estômago forte e coluna gelatinosa o suficiente para as praticar): JAMAIS voltaria a perorar sobre ditaduras e ditadores depois de ter embarcado em odes laudatórias de assassinos, ladrões, violadores, racistas e vende-pátrias como aquelas que o senhor por aqui escreveu sobre os seus proclamados heróis revolucionários líbios e os seus criadores da NATO. Dado aquilo que actualmente acontece naquele país norte-africano, seria prudente observar, pelo menos, um período de nojo. E ter o desplante de atirar para as costas do governo angolano a co-autoria de uma rematada imbecilidade do seu governo é uma irracionalidade
sem qualquer sustentação em algo que se pareça vagamente com a realidade. Pensa seriamente que o governo angolano, o dos Santos, os homens de negócios ( corruptos ou não) e o povo desse país se importam com o que aqui se diz e escreve sobre eles? Eu digo-lhe o que todos eles pensam: eles estão-se borrifando; eles sabem que são ( sim, sim- com pobreza, com corrupção, com insuficiências de toda a ordem) uma potência regional, sabem que viveram um inferno e, agora, querem, e vão ter, o Futuro . E o senhor, o que vai ter? Ah, claro: as suas agudas e proféticas análises da geopolítica do continente africano produzidas nessa "terra de ninguém" em que se transformou o seu país.