Grécia exclui hipótese de ceder a sua soberania orçamental à UE.
Esperemos que a resistência grega seja duradoura. Mas a questão aqui é: o que irá acontecer quando Merkel se virar para o controlo da nossa soberania? Teremos um Governo à altura das suas, das nossas, responsabilidades? Ou continuará Passos Coelho a ser o caniche do directório franco-alemão?
Bem prega Frei Louçã...
Senhor Carlos Marques:
Eu acho que ela devia ter ido era a pé ou, na melhor das hipóteses, de burro.
Tal como fez o presidente Cavaco e o 1.º ministro Passos, que também lá foram em missão oficial, os 2 a pé.
Porque não procura saber se o que ela fez está enquadrado legalmente, se é uma prática legal e também usual entre os deputados.
O acontecimento em que foi participar, segundo o que li na imprensa, era uma iniciativa oficial do Parlamento.
Há muito por onde cortar, muito deboche, muito roubo às escondidas, é aí que as atenções se devem concentrar. No músculo, não nos ossos.
Mas infelizmente estamos neste clima de «guerra de alecrim e manjerona» Esquerda / Direita, em que as pessoas se entretêm com estes «faits divers» sem significado (tanto muitos da Direita como o senhor como muitos da Esquerda) e esquecem-se do essencial.
Os seus amigos do BPN deram a palmada a 4 ou 5 mil milhões e nós é que pagamos. E a SLN, que tem activos, não foi nacionalizada. Os prejuízos vieram para o Estado e o seu amigo Dias Loureiro continua por aí. Nos EUA o Madoff está de cana ao fim de 6 meses e com um processo judicial de apenas 8 páginas. O caso BPN está em julgamento e veja lá se a imprensa fala nisso, não convém aos amigos do Cavaco (e as acções dele?) e a tantos outros, não se fala disso.
Os vigaristas da Face Oculta deram a palmada a alguns milhões de euros através de empresas do Estado, como a REN, e aquilo nem anda nem desanda e irá acabar como o BPN.
O vigarista do Isaltino de Morais, condenado e transitado em julgado, continua cá fora.
O Freeport (apesar da vigarice político-policial que chegou a condenar um inspector da Judiciária por participar numa farsa contra o Sócrates) emperrou de vez sem que se esclareça o que realmente houve.
E você preocupa-se com os 80 ou 100 euros de gasolina e portagens de uma deputada em viagem oficial ao serviço do Parlamento.
Carlos Marques:
Quando não temos argumentos (poder de finta) atiramos para a linha lateral ou para a de fundo.
Quanto aos milhões, passou ao lado.
Quanto às migalhas (e até parece que não foi nada ilegal ou imoral), aí já chutou (para o lado, nem chegou à linha de fundo).
Mas terá sido a única deputada que fez tal coisa?
Se é uma prática da Assembleia é porque serve todos, porquê questionar-se só esta?
O que tem que se ver é se se justifica tal prática para todos os deputados.
Se não se justificar, acabar com ela, mas PARA TODOS.
E os seus amigos Cavaco e Passos foram a pé a Guimarães, não foi?
Que poupadinhos que são.
Sendo assim, o senhor Carlos Marque é igual a quem?
Nunca se interrogou sobre isso?
Faça-o, ou pensa que é espécime único?
Drang:
Conheço muito bem o processo de construção da lavaria (instalação de lavagem de minério) da mina de Aljustrel, passei juntinho a ela todos os meses durante anos. Fica junto à estrada que liga o IP2 a Aljustrel a partir de Alvalade-Sado, à entrada da vila, do lado direito.
O ministro da Indústria era o vidente (sobre a evolução da indústria, da economia, da banca, do mundo, especialista em energia e em… sacar o dele) Mira Amaral e o 1.º Ministro era Cavaco Silva, estávamos no início da década de 90.
A lavaria foi encomendada aos suecos, custou de facto à volta de 100 milhões de euros (na actual moeda) e quando estava pronta a mina foi encerrada, nunca trabalhou um único dia.
A mina foi reaberta há pouco, talvez um ano ou um pouco mais, eu deixei de por lá passar, não sei como está a situação, mas esteve pelo menos 20 anos encerrada.
Que grande competência e visão da evolução do mercado mundial do cobre por parte do «melhor governo de Portugal desde que Viriato andou pela Luistânia».
Mais o que são 100 milhões de euros comparados com a viagem de um deputada a Braga?
Uma gota de água no oceano.
Com papas e bolos se enganam os tolos (dos Carlos Marques).
Carlos Marques:
O seu amigo, o impoluto ministro Relvas, apesar de ter 3 motoristas ao serviço da Secretaria-Geral do Ministério dos Assuntos Parlamentares contratou um 4.º por ajuste directo, no valor de 73.446,00 euros/ano (Data de publicação 24/11/2011, n.º de procedimento 381418) e o motorista chama-se Alexandre José Pinheiro Meireles. Quem era este motorista? Era o motorista do Grupo Parlamentar do PSD, exonerado por Despacho n.º 6812/2010, de 12/04/2010, da Secretária-Geral da Assembleia da República, Adelina Sá Carvalho.
Trata-se de uma nomeação encoberta (por ajuste directo) que, por isso, não consta nas listas da Página da Transparência do governo.
Tudo está bem quando acaba bem.
Depois nós é que somos todos iguais.
Continue a barafustar contra os 100 euros da viagem da deputada Drago a Braga, os seus amigos do PSD e do governo agradecem e retribuem-lhe por este fumo para enevoar estas nomeações exemplares.
E é um governo patriota, austero, que faria se não fosse.
Gostaria de o ouvir agora.
Senhor JgMenos:
É evidente que temos responsabilidades nas asneiras que fizemos, mas a nossa situação não decorre só das asneiras que fizemos (nem principalmente das asneiras que fizemos, se se estiver a referir só aos gastos mal feitos); decorre da asneira da entrada no euro, de estarmos a competir na «Liga dos Campeões» com o Casa Pia ou o Sandinense (quando nem o FCP ou o Benfica têm unhas para lá estar). A economia portuguesa, que nunca esteve à altura das economias desenvolvidas da Europa, nunca se portou tão mal como desde que entrámos no euro, uma moeda forte para economias fortes. E quando a economia não produz riqueza tem que se pedir emprestado, foi o que fizemos à fartazana. A única hipótese é produzir o suficiente para viver, mas como se somos fracos e temos que competir com os fortes dentro de uma moeda forte? Essa é a verdadeira razão.
(continua)
(continuação)
Mas ainda há alemães com lucidez para compensar os portugueses tontos como o senhor.
Passou quase despercebido na comunicação social portuguesa, mas pela sua importância sobre a crise na Europa e o papel da Alemanha em tudo isto, vou aqui transcrever em português algumas partes do discurso de Helmut Schmidt (chanceler da RFA entre 1974-1982) no último Congresso do SPD, em Berlim:
«(...) Mas simultaneamente desenvolveu-se um grave erro, nomeadamente os enormes excedentes da nossa balança comercial. Desde há anos que os excedentes representam 5% do nosso PIB. São comparáveis aos excedentes da China. Isto não nos é completamente claro porque os excedentes não se contabilizam em marcos, mas em euros. Mas é necessário que os nossos políticos se consciencializem desta circunstância. Porque todos os nossos excedentes são, na realidade, os défices dos outros. As exigências que temos para com os outros são as suas dívidas. Trata-se de uma violação irritante do que por nós é elevado a ideal legal do «equilíbrio da economia externa». Esta violação tem que inquietar os nossos parceiros. E quando ultimamente aparecem vozes estrangeiras, na maioria dos casos vozes americanas – entretanto vêm de muitos lados – que exigem da Alemanha um papel de condução europeia, então isso desperta nos nossos vizinhos mais desconfiança. E acorda más recordações. Esta evolução económica e a simultânea crise da capacidade de acção dos órgãos da união europeia empurraram de novo a Alemanha para um papel central. A chanceler aceitou solícita este papel juntamente com o presidente francês. Mas há, de novo, em muitas capitais europeias e também em muitos media uma crescente preocupação com o domínio alemão. Desta vez não se trata de uma potência militar e política central, mas sim de um potente centro económico.»
[Excerto do discurso de Helmut Schmidt no Congresso do SPD, 4 Dezembro 2011, Berlim]
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