Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
por Daniel Oliveira

 

Pedro Passos Coelho precisa de ter um discurso. E que esse discurso seja coerente. E a coerência do seu discurso é esta: sacrifícios e austeridade. Tinha, por isso, de acabar com a tolerância de ponto do Carnaval. Que existe desde que eu me lembro de existir. Se Pedro Passos Coelho conhecesse mais empresas para além das do seu amigo Ângelo Correia e o País para lá dos jantares da carne assada do PSD saberia que o problema da nossa produtividade nada tem a ver com as horas que trabalhamos. Nem com os feriados. Tem a ver com características da nossa economia, com o mau funcionamento do Estado e com a má organização das empresas.

 

Deixo aqui claro que não sou grande entusiasta de tolerâncias de ponto. Acho que os direitos dos trabalhadores devem estar previamente estipulados e que os agentes económicos devem saber com segurança e previsibilidade com que linhas se cosem. Nem uns nem outros devem depender de decisões casuísticas, ano a ano, de cada governo. Mas o mundo real não se move por o que eu acho. E uma decisão destas, que afeta a economia local de tantos concelhos, tem de ser ponderada pelos seus resultados e não pela frase de efeito que dela se pode tirar. O ar de pai tirano de quem está a pôr os meninos preguiçosos na ordem, que o primeiro-ministro decidiu usar para falar deste assunto, não acrescenta um cêntimo à nossa economia.

 

Os resultados desta decisão só podem ser dois. Um: os privados e o poder local não acatam a decisão e tudo fica mais ou menos na mesma. Passos Coelho fez-nos perder tempo, criou irritação e confusão e será desautorizado pelo País inteiro. Outro: o país vai mesmo trabalhar na terça-feira, as câmaras municipais perdem milhões do investimento que fizeram, o comércio local e a hotelaria têm mais um rombo e a nossa depauperada economia fica a perder. Apenas para o primeiro-ministro ser coerente.

 

Nesta matéria, concordo com o que ouvi da boca de António Capucho: se o governo quer acabar com esta tolerância de ponto avisa com a mesma antecedência com que ela começa a ser preparada por esse país fora: um ano. E autarquias, hotelaria, restauração e cidadãos preparam-se para esta alteração. É assim, e não para os telejornais, que se governa um País. Querem uma prova que estas coisas precisam de tempo? O ministro da Educação do governo que tomou esta decisão não consegue abrir as escolas no Carnaval. Diz que é uma pausa letiva normal. Mas não é isso. É apenas porque, em grande escala, vinte dias não chegam para mudar "velhas tradições".

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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164 comentários:
Rui F
A.R.A

"...A Esquerda é um conceito cada vez mais abstracto de teor folclorico por insistir em nichos ostracizados de luta inconsequente..."

Profundo! Sinceramente.


abraço


A.R.A
RUI F

Profundo?
Não sei, mas de certeza não será pieguice da minha parte acreditar que uma Esquerda estratificada perante a conjuntura actual é de uma inconsciencia nefasta até mesmo para com os seus principios ideologicos que supostamente a separa.

Assim sendo, Rui, acredito que deva fazer um Mea Culpa por insistir na ortodoxia separatista das "Esquerdas" incentivando os "tais" nichos ostracizados de luta inconsequente.

O que eu e o camarada CAFC ( ou melhor, PPF)andamos ao tempo para aqui a pregar no deserto é que, independentemente das ramificações, somos todos parte de um tronco de uma arvore enfezada que nasceu num solo improprio de "brandos costumes", contra uma intemperie fascista e fogos reaccionarios.

Contudo, essa arvore nasceu e cresceu contra todas as probalidades portanto ver o mundo da Esquerda nacional ser o proprio caruncho dessa arvore que tanto lutou e luta para existir é, no minimo ...

Bem sei que sou um chato do "caraças", Rui, mas não o podia deixar passar incolume pelos intervalos da chuva.

Aquele Abraço
A.R.A




Rui F
A.R.A

Concordo em absoluto consigo.
Mas pq um mea culpa se sei que há esquerdas incompatíveis?

abraço


A.R.A
RUI F

Em que parte é que concorda? No facto de eu ser um chato do caraças ou na metáfora da arvore da Esquerda?

Um desafio Rui, por cada incompatibilidade que apontar eu lhe darei um exemplo inverso.

Incompativel é ser de esquerda e fazer parte da direcção de um partido de direita ou ser de direita e estar a frente dos designios de um sindicato de esquerda.

A incompatibilidade entre a teoria e a acção é a unica coisa impeditiva de uma atitude descomplexada e vertical perante qualquer que seja o desafio.

Bem sei que temos bastantes exemplos que me desdizem mas, sejamos sinceros, nunca foram "gentes" descomplexadas nem tão pouco verticais embora sejam essas tais "gentes" que nos têm vindo a governar desde o 25 de Abril, que arbitrariamente saltam de partido em partido de poder (Bloco Central) a procura desse mesmo poder ao abrigo da derradeira "desculpa" de uma flexibilidade moderadamente ideologica ... ou seja, isto traduzido para a voz do povo é mais ou menos "gentalha" que procura tacho e faz da politica de conveniencia, emprego.

Aquele Abraço

ps- Rui, se aceitar o meu desafio prepare-se que vou convocar o auto-exilado CAFC mais a sua Dulcineia Pirralha para uma tertulia a 4 (e se não chegarmos a ter "quorum" ao menos sempre dá para jogar uma sueca)

Aquele Abraço
A.R.A


Rui F
A.R.A

Você no seu intimo (tal como o cota Cafc) deseja de alguma forma uma espécie de "acordo" geral às esquerdas, mas intuitivamente já admite a impossibilidade - caruncho. Há uma "esquerda" de direita, incompatível, na sua opinião.

Você é mais utópico que eu, e acredita numa grande esquerda (sem a "esquerda" de direita) que, paradoxalmente, pouco tem a ver com o que este degraçado Povo acredita e sonha (as provas são evidentes, desde o alheamento cada vez maior ao movimento sindical, passando pela performance do PC e do BE, aos níveis de abstenção).

Se quiser, pode dizer que me tornei num pragmático de esquerda porque não acredito no "cimento" que possa aglomerar a estratificação das esquerdas, ainda que conjunturalmente durante algum tempo. A menos que existam cedências, que forçosamente descambarão em ruptura. Há uma fatia da esquerda, a qual o A.R.A acredita piamente, que é ainda mais inflexível que a troika (que lá vai admitindo que afinal a receita foi drástica demais). Lamento dizer-lhe.
Há o caso de Lisboa com Sampaio e o PC...poderia até acontecer algo extraordinário no ponto de vista nacional, mas acho que não vai acontecer com os actores que se conhecem actualmente; por incrível que pareça são muito mais ortodoxos do que eram na década de 85/95.

Tenho uma vida "civil" a 99%; o 1% é para dar umas voltas pelos Blogs e dizer umas coisas que penso. Estou comodamente do lado de fora por opção de vida, e esporadicamente, admitirei voltar a uns 10% quando o "ar político" da esquerda que mais gosto, se aproximar mais do que eu idealizo.

grande abraço, ideológo A.R.A


A.R.A
RUI F

Amigo, do meu intimo "ainda" sei eu!

Friso o "ainda" porque de tantos rotulos e colagens de que já fui alvo que ao apelidar-me de ortodoxo e ou inflexivel qualquer dia já não sei se pensar não será antónimo de existir.

Posto isto, lamento Rui mas essa da "esquerda" de direita foi exactamente o que o ultimo executivo de Socrates aplicou e, pelo que me recorde, nunca vislumbrei da sua parte um acerrimo apoio ao dito cujo (muito pelo contrario) portanto desculpe mas acredito que, segundo o que escreveu, o Rui está nos antípodas quanto ao que se entende geralmente por Esquerda.

O que o tal "povo desgraçado acredita e sonha" foi demonstrado (não há muito tempo) na maior greve geral de que há memória em Portugal por isso não creio que seja verdade esse alheamento ao movimento sindical.

Quanto aos partidos de Esquerda ... bom, acho que não é necessario me tornar repetitivo só para que o Rui me consiga, finalmente, perceber!

Meu caro, um mundo sem ideias onde reina o sectarismo seja ele de teor politico ou social é o que se vive nos dias de hoje, portanto não posso crer que o Rui consiga vaticinar qualquer coisa de bom na perigosidade deste sistema baseado na incerteza das voluveis fundações de um mercantilismo financeiro que subjugam a maioria ao dominio de uma minoria que insiste e apoia uma austeridade de modo a fragilizar direitos conquistados literalmente com sangue, suor e muitas lágrimas.

É por isso mesmo que insisto que não há um lógico impedimento suficiente para que a Esquerda embarque neste autismo e abra mão do seu legado.

Para finalizar, o Rui faz-me lembrar, em certos aspectos no seu raciocinio politico, um Homem por quem sempre tive muita estima e de muito bom trato mas que ideologicamente nada me dizia. Falo de Krus Abecassis. Mas mesmo esse Sr. sempre foi capaz, quando necessario, convergir até com (pasme-se) comunistas em plena assembleia municipal para que Lisboa saisse a ganhar.
Mas noutros aspectos do seu raciocinio politico já o assemelho a um Campelo com a sua politica do queijo... muito embora o Rui se reveja como sendo de "esquerda" de direita, curiosamente, só acho semelhanças no seu raciocinio a uma direita "moderada". Porque será?

Aquele Abraço Utopico
A.R.A

ps- O subconsciente ás vezes prega-nos partidas e não sei se reparou mas na palavra esquerda o Rui aprisionou-a com aspas. Porque será, amigo?


 


Rui F
A.R.A

Não lhe vou refutar linha a linha mas podia faze-lo.
Como sabe não sou anti capitalista, e assim sendo na visão do seu camarada Vasco, sou pró Capital. Sou de direita? Para si e para aqueles indefectíveis do tempo que acabou a leste, evidentemente que sou.

Sou obviamente pela economia de mercado, podendo depois discutir  item a item a regulação, a liberalização, código de trabalho ou códigos de ética.
Portugal na Europa e no resto do Mundo. Os parceiros primordiais. NATO e fora dela. Euro/Escudo.

Ah....e sou 200% apologista do mérito, porque acredito que nada cai do céu sem qualidade e esforço, assim como acredito, que só com qualidade e esforço consigo manter ou melhorar aquilo que me custou a ganhar. E sei, que só assim, contribuirei positivamente para o colectivo.

A.RA, este é o meu ponto de partida e não abdico dele Ideologicamente. Meta-o à direita, ao centro, onde quiser. Para mim é o caderno de encargos de um partido Trabalhista qualquer por esse mundo fora.

Você até pode concordar com a história de democracia na Coreia e enviar pêsames, ou achar inclusivamente que o movimento sindical em Cuba é independente e livre, ou que não há presos politicos lá. Não me preocupa. Mas lamento. Contudo não é impeditivo de aproximação, como o Sampaio e o PC já provaram.


Abraço

deixado a 10/2/12 às 02:03
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Rui F

A.R.A

Não lhe vou refutar linha a linha mas podia faze-lo.
Como sabe não sou anti capitalista, e assim sendo na visão do seu camarada Vasco, sou pró Capital. Sou de direita? Para si e para aqueles indefectíveis do tempo que acabou a leste, evidentemente que sou.

Sou obviamente pela economia de mercado, podendo depois discutir  item a item a regulação, a liberalização, código de trabalho ou códigos de ética.
Portugal na Europa e no resto do Mundo. Os parceiros primordiais. NATO e fora dela. Euro/Escudo.

Ah....e sou 200% apologista do mérito, porque acredito que nada cai do céu sem qualidade e esforço, assim como acredito, que só com qualidade e esforço consigo manter ou melhorar aquilo que me custo a ganhar. E sei, que só assim, contribuirei positivamente para o colectivo.

A.RA, este é o meu ponto de partida e não abdico dele. Ideologicamente. Meta-o à direita, ao centro, onde quiser. Para mim é o caderno de encargos de um partido trabalhista qualquer por esse mundo fora.

Você até pode concordar com a história de democracia na Coreia e enviar pêsames, ou achar inclusivamente que o movimento sindical em Cuba é independente e livre, ou que não há presos politicos lá. Não me preocupa. Mas lamento. Contudo não é impeditivo de aproximação, como o Sampaio e o PC já provaram.


Abraço


deixado a 10/2/12 às 02:04
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Rui F
"...muito embora o Rui se reveja como sendo de "esquerda" de direita..."

É obviamente um rótulo seu.
Nada que o actual PC, no alto da sua moralidade  com telhados de vidro, não tenha já ensaiado.
Continuo na minha...no tempo do Sampaio foi possível a coisa. o A.R.A vai-me dizer que isso aconteceu, porque os vira casadas dos plataformistas e dos renovadores, ainda lá estavam.


Rui F
"...os vira CASACAS dos plataformistas..."

(imperdoável!)

deixado a 10/2/12 às 15:56
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A.R.A
RUI F

Ui! Mas que confusão amigo.

Essa da esquerda de direita foi algo que o proprio Rui aludiu dando a entender que seria a sua "zona de conforto" ideologica, não eu.

O que eu entendi por "tal" designação foi exactamente aquilo a que os socialistas denominam por 3ª Via portanto se não foi essa a sua intenção acredito que devia ser um pouco mais explicito.

Adiante, o Rui, despeja uma enxurrada de esteriotipos e ideias pré-concebidas só pelo simples facto de eu ser comunista o que por si só demonstra um sectarismo identico ao que tão acérrimamente critica deixando no ar que para si ainda existe uma URSS com Muro e tudo. Contudo não é por ter essa visão redutora em relação a mim que eu, como moeda de troca, vislumbro no seu discurso uma tencendia de direita moderada. (só para esclarecer)

Pois bem, se me quiser "localizar" ideologicamente fique sabendo que sigo as directrizes do comunismo contemporaneo e perante aquilo que "acha" ser da minha concordancia, é só ir aos arquivos do Arrastão
a 23/01/11 e encontrará o meu seguinte escrito:

Momento Pedagogico

«Embora as bases ideológicas se mantenham intactas face aos problemas socioeconómicos que subsistem desde a Revolução Industrial, a Humanidade em plena era moderna, com a chamada Revolução Tecnologica, mantem intactos os mesmos anseios vanguardistas numa radical mudança na governação das sociedades e na gestão dos recursos de uma forma mais justa e igualitaria.

Claro que desde 1848 muito aconteu no mundo e o comunismo contemporaneo abraça a ideia em que se torna necessario ser entendido como uma natural evolução das sociedades preservando e superando todo o progresso tecnologico até então alcançado sem fazer tabua rasa do que foi conquistado com sistemas como o capitalismo e ou o socialismo, que cumpriram o seu papel histórico ao promover o aumento da produtividade criando as pré-condições da abundância de bens, mas onde a distribuição deixaria de ser antagónica através de múltiplas decisões, tomadas de acordo com o mecanismo de mercado do proprio sistema capitalista adoptadas de forma deliberada segundo critérios que permitam maximizar a satisfação das necessidades de toda a sociedade.

Portanto, o fantasma de uma sociedade sem classes que durante 1 século tem sido a maior arma para a descredibilização (em que tambem muito ajudou as proprias ditaduras do bloco de leste, é certo) e amedrontamento da generalidade das sociedades é o sustem da manutenção de um sistema capitalista que faz com que apenas 2% da população mundial seja detentora de metade da riqueza mundial.

Não há como melhorar um sistema como o capitalista e só o entendimento de tal facto é que poderá libertar as sociedades a entenderem o comunismo como uma natural evolução da propria sociedade.

Essa evolução até poderá ser alcançada (para não ferir susceptibilidades) com o baptismo de um nome distinto para uma pseudo-nova ideologia mas de certeza (quase) absoluta que esta manterá intactas as premissas ideológicas do comunismo contemporaneo pois este é, no meu entender, o natural desenvolvimento das sociedades. »

Espero que tenha sido claro e que de uma vez por todas o Rui não misture alhos com bugalhos e assim possamos debater o que realmente interessa ou seja os seus "validos" porquês em insistir na impossibilidade de uma Esquerda convergente na acção.

Aquele Abraço
A.R.A


 


Rui F
A.R.A

O seu discurso é muito burocratizado. Mas compreendo a coerência.
Já lhe disse: O Sampaio e o PC dos ex reformistas e ex plataformistas conseguiu...o que não que dizer que este PC - na minha opinião o mais ortodoxo de todos os que conheci -  não consiga pelo menos fazer um esforço.


Abraço


A.R.A
RUI F

Lamento, Rui, mas não ... não compreende, pois se compreendesse poderia apelidar o meu discurso de teoretico, ideologico ou até de utopico mas nunca de burocratico. Embora na sua concepção pratica, do proprio comunismo contemporaneo, possa ser utilizada a Teoria da Burocracia de Max Weber como meio organizacional do sistema em si, nunca será um factor preponderante da propria ideia.

Não sei se foi essa a sua intenção ao apelidar o meu discurso de burocratico muito embora não tenha sido essa a minha ideia ao escrever o que escrevi.

Quanto ao exemplo que partilha (sampaio & pc) sem duvida que os tempos eram outros e as pessoas tambem, onde realmente a moderação foi fulcral para que ambas as Esquerdas chegassem a um entendimento convergente.

Tambem faço um mea culpa em nome (ousadia aparte pois isto de falar em nome de outrem ...) dos responsaveis do partido de minha eleição onde impera um certo ostracismo e ortodoxia mas não posso deixar de vislumbrar o mesmo nas "outras" esquerdas onde o Rui é o exemplo crasso de tal impedimento embaracando em semelhantes discursos "separatistas".

Sabendo à muito disso, o que eu proponho é que se veja mais além dos proprios umbigos para que haja uma necessaria convergencia para o que é realmente importante.

Se é possivel ou não, é algo que só saberemos quando tais vontades convergentes chegarem a ordem do dia dos partidos de esquerda para que, aos poucos, uma ideia que ao principio se estranhe mais tarde entranhe na acção politica de uma Esquerda que insiste em ser amorfa e de existencia folclorica tanto no parlamento como na sociedade civil.

E se tal vontade convergente partir das bases de cada partido melhor ainda pois é essa, de facto, a verdadeira essencia dos ideias de Esquerda.

Aquele Abraço
A.R.A


Rui F
A.R.A

Bloco e PC tal como são, não me interessam e já não tenho paciência especialmente com o Bloco. Com o PC já não me ralo há muito tempo. Votei brevemente no PC/CDU até aparecer o Sampaio no PS.

Nas Autárquicas de Évora, já não votei CDU em 97 porque não estava em Portugal;
Votei UMA vez Guterres (na segunda vez votei PSR/BE) e UMA vez Sócrates;
Votei Ferro Rodrigues.
Sempre que não votei PS, votei Bloco/PSR. Sou aderente Bloco desde 2009. Este ano ainda não me apeteceu pagar a cota.
Nos entretantos, como pode ver, voto Bloco/PSR.
Nas Europeias votei sempre nos candidatos PSR/Bloco;

Votei Soares (uma vez), Rosas, Sampaio (2x), Soares e Alegre;

Como já aqui deve ter lido, nos últimos 2 anos acompanhei mais de perto o Bloco e fui até candidato nas autárquicas. Dei intensivamente a cara em 2009/2010/2011. A Moção de censura afastou-me mas ainda tive tempo de apoiar o Bloco das ultimas legislativas: não quero esta troika mas quero pagar as dívidas.

Actualmente, do ponto de vista Nacional, o Bloco não preenche (digamos, não caminhou para...) os requisitos que eu considero essenciais e que falamos em cima, e o PC está completamente fora das minhas opções.

Eu é que não tenho mesmo complexo algum, A.R.A.
Queijo Limiano, como me chamou?
Só não gosto daquele com bolor Francês.
ELES que se entendam...terão o meu voto apenas, aqueles que mais se aproximarem do que acho que deva ser.

AH...todo eu meu historial politico-opcional, é conhecido pelos bloquistas do meu núcleo. E fui aceite como tal.

abraço

deixado a 12/2/12 às 21:34
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A.R.A
RUI F

O Rui espelha na perfeição a fatia maior do eleitorado voluvel (abstenção ou de voto no bloco central) ou do eleitorado que em virtude da sua erratica directriz na intenção de voto sempre se posicionou á Esquerda, e é por isso que insisto em perceber os seus "porquês" visto que acredito que o Rui poderia ter um inestimavel papel interventivo, localmente, caso resolvesse fazer uso desse "patrimonio" de eleitor e de candidato a eleito em pról de algo que expressa na teoria aquilo que o Rui tomou como opção politica.

Contudo, tal só seria possivel percebendo e aceitando quais os objectivos que uma possivel convergencia almejava mas que seria apenas viavel se fosse feita de um modo "descomplexado" em pról do objectivo central.

Pois pelo o que Rui até agora partilhou demonstrou que nem percebe (a minha critica ás suas bases ideologicas) nem aceita (em virtude do seu sectarismo), ficando-se a critica pela critica passiva quedando-se por um fugaz (...) ELES que se entendam...terão o meu voto apenas (...) desresponsabilizando a importancia do "tal" 1% que dedica a escrever o que pensa.

Todavia, fique a saber que eu dou valor ao que o Rui pensa e acredite que a sua una percentagem tem tambem um peso cada vez maior nos seus 99% "civis" e ha de haver uma altura em que, quer queira quer não,forçosamente, terá que se dedicar em mais do que 1% ... aliás teremos todos que nos dedicar de corpo inteiro pois da maneira que o "garrote" vai apertando, calar é consentir!

Aquele Abraço
A.R.A






deixado a 13/2/12 às 19:47
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Rui F
A.R.A

Honestamente, estes actores partidários não só não me seduzem, como desconfio deles.
Sofro de refluxo. Não tenho estômago.

Abraço

deixado a 13/2/12 às 21:43
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Rui F
Ainda uma observação. Flou lá em cima, como tendo eu algum tique de direita moderada.

É normal os comunistas (é um tique Gonçalvista) acharem que, quem não pensa como eles serem de direita. Nada de novo também no seu discurso.

Também é natural, quando nós os apelidamos de ortodoxos (o comité é ortodoxo da cabeça aos pés e só não vê quem não pode) sofrerem de uma espécie de efeito calimero e "piegas"; que "os outros são sectários" (deduzindo eu que eles, se acham os verdadeiros donos da tolerância e da abertura). Já nem ligo.
Nada de novo também, A.R.A.

É complicado

deixado a 13/2/12 às 21:56
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A.R.A
RUI F

Já lhe expliquei os meus "porquês" do seu discurso. Se quer fazer disso um ping-pong esteja a vontade pois na sua cabeça serei sempre aquilo que bem entender por mais palavras que escreva.

Tem algo a acrescentar sobre Vasco Gonçalves???

Oh amigo, mas quais "actores" politicos ... mais uma vez lhe repito o seguinte:

- Para aceitar o que quer que seja ha que perceber do que se fala ... Rui, lamento que assim seja mas realmente é ser-lhe-a mesmo complicado.

Aquele Abraço
A.R.A



 

deixado a 13/2/12 às 22:43
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Rui F
A.R.A


" o ping pong" foi apenas um esclarecimento, tal como o meu historial de escolha partidária em eleições.

(Esqueçamos a ortodoxia e direita moderada)
Você e eu, somos apenas duas células de "uma ideia" de esquerda que não funcionará nas próximas gerações.
Eu consigo admitir várias esquerdas. Esse plano já o ultrapassei. Acredito na regulação dos mercados e consequentemente do capital, haja vontade politica.
Se o Lenine separou o Soares do Cunhal, é a regulação do capital actual que separa o PCP e Bloquistas, do resto da esquerda.

E quando me acusam de direita moderada (quando o que está em causa aqui, é uma tentativa de unir sensibilidades de esquerda) - acredite que é a 1ª vez que ouvi isso - pela parte que me toca, dou por encerrada a minha participação na "concertação arrastada em jeito de ping pong", admitindo falta de consenso em matérias chave.

abraço

deixado a 14/2/12 às 09:42
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A.R.A
RUI F

Quando mais acima se colocou (entre outros) ao nivel ideologico de um qualquer partido trabalhista, parti do principio que se identificava com a chamada 3ªVia (a tal corrente ideologica da social-democracia e que veio baralhar ainda mais o eleitorado) por isso não sei porque é que se pôs em bicos de pés se foi esse o seu discurso.

Agora, se não o quer admitir isso é outro assunto!

Enfim ... o Rui saberá que o resto da esquerda é apenas e só o PS e mesmo o PS vai do centro-esquerda a uma "esquerda" de direita (como o Socrates nos fez o favor de nos lembrar) e, assim sendo, as nossas "celulas" pautam-se por um ADN distinto ou quanto muito a sua "celula" sofreu uma "mutação" que a descaracteriza devido aos "anti-corpos" proprios da estirpe que são o garante da sua propria sobrevivencia pró-capitalismo.

Portanto essa é verdadeira razão de não conseguir conceber uma convergencia das Esquerdas na luta para a manutenção dos ideiais de Abril por talvez achar que a regulação dos mercados se sobrepõe a tais ideais.

As "materias chave" são acessorios perante o que é realmente importante e a convergencia não põe em causa qualquer factor identitario e isto tanto serve do PS ao MRPP.

Mas admito a falta de concenso pelas razões acima descritas que, no fundo, são as mesmas que estão no cerne do radicalismo separatista da nossa Esquerda. Ou seja, é tudo uma questão de umbigos.

Pense nisso.

Aquele Abraço
A.R.A

ps- Sou totalmente contra a postura de lealdade canina que o PCP tem em relação a alguns paises de orientação comunista mas quando quiser falar de Cuba estarei ao seu dispor ...


deixado a 14/2/12 às 20:57
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Rui F
A.R.A

Tenho uma certeza intuitiva que o ARA "domina" muito mais Cuba do que eu. O que eu sei dos Cubanos (como Povo) é que é gente generosa, calorosa e consequentemente amiga.
Quanto ao regime, aposto que vamos divergir. Acha que vale a pena entrarmos por ai?

3ª via?
Que é isso? (acabar de liberalizar o que a Margarida e o Ronaldo tinham começado?)
Sabe...os Britânicos não me inspiraram, nem na música. (provavelmente, os Chineses ou os Soviéticos também nunca o inspiraram a si).
Admito que ao dizer "qualquer" partido trabalhista, o tenha levado a pensar que eu seria apologista do pior de todos.
Neste aspecto sintonizo sem muito esforço, os trabalhistas nórdicos ou os sociais democratas Alemães.

O que para si é quase uma "anti-ideologia" (ideologia fraca), para mim é o caminho. É das experiências com os Povos e a sua maneira de estar, que faço a minha adaptação (tendo em conta, mas sem seguir os ditames das bíblias sagradas das ideologias). A dialéctica dos tempos e a sua contemporaneidade, digamos, são a minha bitola.

Não acredito que o caminho se faça pela luta de classes mas SIM, pela simbiose entre ambas; onde a igualdade de oportunidades seja efectiva e sem rupturas. Em Portugal, a igualdade de oportunidades torna-se mais efectiva (embora com deficiências, como é natural num país sem economia produtiva, e níveis preocupantes de corrupção, generalizados verticalmente em toda a sociedade) ao centro-esquerda, e regride quando domina o centro-direita.

Para mim a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, são efectivamente as ideias de Abril.

abraço

deixado a 15/2/12 às 11:16
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A.R.A
RUI F

«A dialéctica dos tempos e a sua contemporaneidade, digamos, são a minha bitola.»
 
Exactamente o que eu critico no seu "caminho" visto que se fossemos todos pensar como o Rui, perante a actual conjunctura socio-economica, apenas nos teriamos que adaptar ... "custe o que custar" e é precisamente neste ponto em que divergimos pois sem ideologia o "caminho" será erratico e sem destino, portanto, contraproducente e de fragil exposição a gula do grande capital financeiro.
 
«3ª via?
Que é isso?»

 
Pois.
 
Quanto ás lutas de classe, estamos "practicamente" em sintonia mas essa da "simbiose" tem muito o que se lhe diga. Creio que nos poderemos quedar em tornar efectiva a igualdade nas oportunidades fortalecendo e blindando o Estado Social, mas contar com o centro-esquerda é o mesmo que pedir a um carteirista que nos segure a carteira. Já o centro-direita, realmente, não rima mesmo com Estado Social.
 
Cuba é uma ditadura. Certo. E de repudiar. Certamente.
Agora, para falarmos dos "porquês" de se ter tornado um regime ditatorial fechado para o mundo e opressor das liberdades civicas, acredito que o Rui sabe um pouco acerca do embargo comercial, da baia dos porcos e das tentativas de assassinato a Fidel, portanto não dou para esse peditorio mas, por outro lado, gostaria de realçar que este regime cubano tem um nivel elevadissimo de aproveitamento do seu Estado Social e um retorno do mesmo através do seu povo que o usufrui, mantido a custa sabemos lá nós como pois se se soubessemos não esbanjavamos tanto dinheiro na saude, na educação e não estariamos, neste preciso momento, com receio que o Estado Social seja cada vez mais uma miragem.
 
«Para mim a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, são efectivamente as ideias de Abril.»

Até que enfim que "convergimos" nalguma coisa;)
 
Aquele Abraço
A.R.A



 

deixado a 15/2/12 às 19:56
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2006:

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2005:

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