Pedro Passos Coelho precisa de ter um discurso. E que esse discurso seja coerente. E a coerência do seu discurso é esta: sacrifícios e austeridade. Tinha, por isso, de acabar com a tolerância de ponto do Carnaval. Que existe desde que eu me lembro de existir. Se Pedro Passos Coelho conhecesse mais empresas para além das do seu amigo Ângelo Correia e o País para lá dos jantares da carne assada do PSD saberia que o problema da nossa produtividade nada tem a ver com as horas que trabalhamos. Nem com os feriados. Tem a ver com características da nossa economia, com o mau funcionamento do Estado e com a má organização das empresas.
Deixo aqui claro que não sou grande entusiasta de tolerâncias de ponto. Acho que os direitos dos trabalhadores devem estar previamente estipulados e que os agentes económicos devem saber com segurança e previsibilidade com que linhas se cosem. Nem uns nem outros devem depender de decisões casuísticas, ano a ano, de cada governo. Mas o mundo real não se move por o que eu acho. E uma decisão destas, que afeta a economia local de tantos concelhos, tem de ser ponderada pelos seus resultados e não pela frase de efeito que dela se pode tirar. O ar de pai tirano de quem está a pôr os meninos preguiçosos na ordem, que o primeiro-ministro decidiu usar para falar deste assunto, não acrescenta um cêntimo à nossa economia.
Os resultados desta decisão só podem ser dois. Um: os privados e o poder local não acatam a decisão e tudo fica mais ou menos na mesma. Passos Coelho fez-nos perder tempo, criou irritação e confusão e será desautorizado pelo País inteiro. Outro: o país vai mesmo trabalhar na terça-feira, as câmaras municipais perdem milhões do investimento que fizeram, o comércio local e a hotelaria têm mais um rombo e a nossa depauperada economia fica a perder. Apenas para o primeiro-ministro ser coerente.
Nesta matéria, concordo com o que ouvi da boca de António Capucho: se o governo quer acabar com esta tolerância de ponto avisa com a mesma antecedência com que ela começa a ser preparada por esse país fora: um ano. E autarquias, hotelaria, restauração e cidadãos preparam-se para esta alteração. É assim, e não para os telejornais, que se governa um País. Querem uma prova que estas coisas precisam de tempo? O ministro da Educação do governo que tomou esta decisão não consegue abrir as escolas no Carnaval. Diz que é uma pausa letiva normal. Mas não é isso. É apenas porque, em grande escala, vinte dias não chegam para mudar "velhas tradições".
Publicado no Expresso Online
A.R.A
Não lhe vou refutar linha a linha mas podia faze-lo.
Como sabe não sou anti capitalista, e assim sendo na visão do seu camarada Vasco, sou pró Capital. Sou de direita? Para si e para aqueles indefectíveis do tempo que acabou a leste, evidentemente que sou.
Sou obviamente pela economia de mercado, podendo depois discutir item a item a regulação, a liberalização, código de trabalho ou códigos de ética.
Portugal na Europa e no resto do Mundo. Os parceiros primordiais. NATO e fora dela. Euro/Escudo.
Ah....e sou 200% apologista do mérito, porque acredito que nada cai do céu sem qualidade e esforço, assim como acredito, que só com qualidade e esforço consigo manter ou melhorar aquilo que me custo a ganhar. E sei, que só assim, contribuirei positivamente para o colectivo.
A.RA, este é o meu ponto de partida e não abdico dele. Ideologicamente. Meta-o à direita, ao centro, onde quiser. Para mim é o caderno de encargos de um partido trabalhista qualquer por esse mundo fora.
Você até pode concordar com a história de democracia na Coreia e enviar pêsames, ou achar inclusivamente que o movimento sindical em Cuba é independente e livre, ou que não há presos politicos lá. Não me preocupa. Mas lamento. Contudo não é impeditivo de aproximação, como o Sampaio e o PC já provaram.
Abraço
Posts via feedburner (temp/ indisponível)