Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Não. Um filme realizado por um português, com actores e técnicos portugueses, vence prémio da crítica do Festival de Cinema de Berlim. Sessenta por cento do financiamento para a obra de Miguel Gomes foram conseguidos em Portugal, mas os restantes 40% vieram da Alemanha, Brasil e França. E o dinheiro português é de origem privada, enquanto que o que veio dos outros países saiu do Orçamento de Estado desses países. O que significa, citando Miguel Gomes, que acaba por ser “um bocado irónico, em relação ao discurso político que é feito - os 40 por cento restantes da parte brasileira, francesa e alemã saíram dos orçamentos do Estado desses países, cujos contribuintes pagaram, portanto, mais do que os contribuintes portugueses”. Os concursos para financiamento de filmes portugueses estão congelados há meses, sem previsão de regresso. É vergonhoso que o nosso bem cultural com melhor capacidade de exportação esteja a merecer um tratamento destes por parte do Estado português. Um país que trate assim os seus criadores não merece respeito. Não existe.

 

Adenda: não posso dizer se o prémio é merecido - não vi o filme - mas a julgar pelas suas duas primeiras obras, sobretudo Aquele Querido Mês de Agosto, mal posso esperar para ver.

 

Ao pessoal que gosta de botar conversa sem saber muito bem do que fala (sim, falo também deste extremista dos mercados):

- O filme não teve financiamento através do ICA, foi apenas apoiado por este.
- O orçamento para apoio do ICA vem de uma taxa de exibição cobrada aos distribuidores, não directamente dos impostos do contribuinte.
- O realizador conseguiu financiamento privado porque o seu filme anterior, "Aquele Querido Mês de Agosto", estreou em vários países e teve excelente recepção crítica por onde passou.
- O facto do filme anterior ter tido lucro fez com que fosse fácil encontrar investidores para este.
- Mas isso apenas foi possível porque os dois filmes anteriores existiram, e existiram com financiamento público, através do ICA. 
- Sem isto, Miguel Gomes nunca teria chegado ao ponto de poder dispensar o dinheiro dos nossos impostos.
- Tanto o realizador como o produtor recusaram a hipocrisia do acompanhamento da comitiva por uma embaixada do Governo português ao Festival de Berlim, precisamente por causa desta situação.
- Neste momento, os cortes ao financiamento do cinema português são de 100% (como afirma o realizador na entrevista que está no link).
- Havia vários filmes em fase de pré-produção que estão parados.
- Se continuar assim, o cinema em Portugal acaba. Depois disso acontecer, nem prémios internacionais, e muito menos realizadores que conseguem arranjar financiamento privado para os seus filmes, existirão.
- Sem cinema português, o país fica ainda mais pobre, moral e culturalmente.

por Sérgio Lavos
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53 comentários:
Slint
Como estudante de cinema, fiquei extremamente satisfeito com esta noticia e mal posso esperar por ver o filme. Achei o Aquele Querido Mês de Agosto muito bem conseguido, e espero que com este prémio consiga ir mais longe que já mereciamos alguém que chegasse a estes patamares para substituir o Manoel D'Oliveira do qual só gosto do seu trabalho no documentário e cinema experimental.

deixado a 17/2/12 às 18:41
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Fui ver, não o filme que nem com a pistola do senhor alemão apontada à cabeça verei, mas sim a informação no IMDB.
E lá diz, entre outros, financiado pela RTP.
Será verdade?

deixado a 17/2/12 às 18:43
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Rui F
FADO

A continuarmos neste fado, o Alemão só te vai mandar despir as calcinhas lá mais pra frente, quando não restar restar nada mais, se não ânus.

Os gajos estão desmilitarizados. Podes ficar sossegado


Em cheio
Ahahahahha.
(esta malta que tem o preconceito à flor da pele nem sabe a figurinha que faz)

deixado a 17/2/12 às 19:41
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Mete a pistola naquele sítio
Não me parece que o maior sonho deste realizador seja ser visto por imbecis preconceituosos...


Muito obrigado pela cortesia das vossas intervenções.
Apenas quis dizer que uma de duas entidades está a mentir, ou o senhor Piegas ou o IMDB.
Acredito muito mais no segundo.


Está a falar do Sr. Piegas Gomes? É que eu não costumo inventar coisas. Se o próprio realizador diz que não há dinheiro dos contribuintes portugueses, só tenho de acreditar, até porque ele é, politicamente falando, insuspeito. Quando ele era crítico do Público, muitas vezes me irritei com textos carregados de ideologia sobre filmes. De direita, diga-se de passagem.


Não estou a falar de si que afirma " E o dinheiro português é de origem privada".
Tem a certeza do que afirmou?

 

deixado a 18/2/12 às 14:38
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evaristo disto e daquilo
Senhores que de tudo sabem sempre, metam de uma vez por todas na vossa cabeça que: As verbas concedidas pelo Estado Português - através do ICA/Instituto de Cinema e Audiovisual - à produção cinematográfica, não são provenientes do Orçamento de Estado mas sim das receitas de publicidade dos canais de televisão portugueses. O contribuinte português nunca contribuiu com 1 tostão sequer para o cinema nacional.

deixado a 17/2/12 às 21:12
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Já agora
Os senhores que andam aqui e ali a vomitar e a soluçar pelas verbas (falsas) do pseudo orçamento de estado(é sim o orçamento da banca) não passam de neoliberais a tentarem continuar o seu trabalho de sempre.Roubarem os portugueses e continuarem a mamar à grande.Há mais de 35 anos e só têm mudado de nome artístico.A merda é sempre a mesma

deixado a 18/2/12 às 01:52
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Vítor
Os cineastas portugueses até se acham entendidos em Contabilidade. As receitas do estado pertencem aos contribuintes já que é o investimento nas infraestruturas de empresas estatais que garantem receitas ao Estado. É que não há receitas sem despesas. Até porque se existe uma diminuição das receitas do Estado, essa diminuição irá obviamente ser compensada pelos cofres do Estado, ou seja, pelo dinheiro dos contribuintes. O que se trata é que o Estado cobra um "imposto" a si mesmo já que os clientes nunca iriam pagar um valor acima do valor de mercado.

Exemplo:

Valor de mercado de um anúncio para a RTP, SIC E TVI em horário nobre: 20000 euros (valor imaginário)
Tx sobre as receitas para ICA.: 1% (valor imaginário)

A RTP não pode aumentar o preço porque senão perde o cliente.

Logo irá cobrar 20000 e entregar 200 euros aos ICA arrecadando para si 19800 quando poderia ter arrecadado 20000 euros. A RTP irá ter um custo de oportunidade em 200 euros por anúncio quando esse valor poderia ser utilizado para cobrir o passivo da mesma. Sendo assim essa diminuição dos valores activos da empresa terá que ser compensada de alguma forma. Pelo contribuinte, pois claro.

deixado a 18/2/12 às 13:23
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Ok tem razão no que diz, só não compreendo as suas contas, ora se o Estado português pagou cerca de 60% como é que no Brasil, Alemanha e etc os " contribuintes pagaram, portanto, mais do que os contribuintes portugueses" ?

deixado a 18/2/12 às 01:23
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mariazinha

está certo. acho é que nos filmes e etc  subsidiados pelos contribuintes a cenita dos direitos de autor devia ficar congelada até ressarcirem o subsidio , que pagar 2 vezes o contribuinte não gosta , né?

deixado a 18/2/12 às 01:57
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ana cristina

a noticia do prémio tem sido divulgada de forma chauvinista e proviciana, com um realce da "portugalidade" da coisa completamente disproporcionado.

independentemente de o contribuinte português pagar ou não, será que o rapaz que fez o filme está preocupado em comunicar a sua "portugalidade"?

gostava que se falasse mais de quem  fez o filme e do próprio filme. falar dele sobretudo porque é "um português que...." e andar a discutir percentagens de nacionalidades cheira-me a mofo.

deixado a 18/2/12 às 10:29
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João
Por essa lógica, nada do que se faça neste país se pode denominar de Português, vejamos: a parte Privada da Economia, claramente, não pode ser portuguesa, porque sendo privada, não faz parte da Pátria logo segue interesses alheios aos interesses da Pátria.

A parte Pública, sendo verdadeira e genuína no que respeita aos interesses da Pátria, como há décadas vive dependente de financiamento estrangeiro, não pode ser considerada genuinamente portuguesa, pela lógica do Sérgio.

deixado a 18/2/12 às 10:36
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gafanhoto
Este post é muito baixo. Para não escrever nojento. Não, não é pelo o filme ou o prémio em si. 
É por esta brincadeira básica que o autor do post faz com as palavras e definições. Mas está a ficar parvo ou a tentar-nos fazer de parvos? 
Mas o que é que o alhos tem a ver com bugalhos?
BTW, " o nosso bem cultural com melhor capacidade de exportação...", a sério?

Porra, que estas manipulações baratas das palavras irritam-me mais que o AO.
Até logo.


deixado a 18/2/12 às 11:01
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Eu também poderia  dizer que o sr. nojento, mas não o farei porque não dou resposta desse nível a anónimos e porque estaria a fazer o mesmo do que você: insultar gratuitamente dispensando o uso de argumentos.


E sim, o cinema é o nosso bem cultural mais exportável: não há nenhum escritor, pintor, músico ou qualquer tipo de artista que seja tão respeitado e conhecido no mundo inteiro como Manoel de Oliveira, Pedro Costa, João Canijo, Miguel Gomes ou João Pedro Rodrigues. O com uma nova geração a aparecer que vai pelo mesmo caminho - João Salaviza ganhou há dois anos no festiva de cinema mais prestigiado do mundo, Cannes. Só talvez a arquitectura, mas apenas pela mão de dois nomes, Siza e Souto Moura, se aproxime. Portanto sim, é a sério.


PT
E o Saramago, o Pessoa, o Lobo Antunes e tantos outros o que são(ou foram)? Realizadores?

deixado a 18/2/12 às 12:43
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Rafael Ortega
"E sim, o cinema é o nosso bem cultural mais exportável"

LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL

Saramago, conhece? Não consta que estivesse ligado ao cinema.


Por favor, limitem-se a falar do que sabem. Saramago está morto, mas mesmo quando estava vivo nunca vendeu muito no estrangeiro. E é o único escritor português, para além de Pessoa, que conseguiu ser minimamente respeitado e conhecido lá fora, sobretudo depois do Prémio Nobel. O Lobo Antunes é um nome desconhecido no mercado anglo-saxónico - não falo dos académicos que conheçam e admiram a sua obra - e foi até muito recentemente traduzido em francês com apoio à tradução. O Gonçalo Tavares é conhecido também. Tudo o resto é paisagem - traduções apoiadas pelas embaixadas, coisa que agora deixou pura e simplesmente de acontecer. Não tem nada a ver com o cinema português, pode ter a certeza. Sei do que falo. Basta ver quantas vezes os realizadores e filmes portugueses são citados em revistas da especialidade - Cahiers, Sight & Sound,  etc - quantos filmes aparecem regularmente nas listas dos melhores do ano e até da década - lembro-me que o New York Times colocou TRÊS filmes nos primeiros 50 melhores da década passada. Não me lembro de nenhum livro escrito por um português ter aparecido nessas listas. E por falar em Saramago, sabe qual é o livro dele que mais vendeu nos EUA? "Ensaio Sobre a Cegueira". Não preciso de perguntar se sabe porquê, correcto? O cinema é uma arte popular, chega a mais gente que a literatura séria (não estou a falar de produtos para o grande público, mas de qualquer maneira nem esses conseguimos exportar, à excepção do Luís Miguel Rocha). Mesmo um filme de um país pequeno, alternativo, se estrear no circuito de pequenas salas de cinema nos EUA, pode fazer dezenas de milhar de espectadores e assim cobrir os custos de produção. Todos os filmes do Manoel de Oliveira têm lucro. Por muito que sejam "masturbação intelectual", como diz outro comentador que se deveria informar aqui no post. E com ele, também Pedro Costa ou João Pedro Rodrigues. 


Miguel Pereira
O Saramago está morto, o Pessoa também e há alguém que não se sente lá muito bem. Olho para os livros aqui de casa e os autores estrangeiros estão todos vivos e de boa saúde. O Saramago parece que vendeu como manteiga na China, um mercado pequeno e diminuto. Um escritor morto não é exportável e você faz umas acrobacias impressionantes para justificar o injustificável. Ficar-lhe-ia melhor reconhecer que cometeu um erro, porque rectificar é de sábios. E ainda por cima censurou o meu comentário anterior. Os seus argumentos são tremendamente contraditórios e actua de maneira idêntica àqueles que critica.

deixado a 18/2/12 às 19:15
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Miguel Pereira
E os outros não sabem nada do assunto, só você é que sabe. Ilumine o caminho, caro líder, o da mente clarividente.

deixado a 18/2/12 às 19:22
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Sérgio,

Em termos gerais concordo com o que afirma no post, especialmente nas notas que dedica ao post no insurgente. Mas penso que no seu afã de fazer uma apaixonada defesa do cinema português, acaba por entrar numa contradição e numa obstinação: diz, e penso que bem (tendo em conta o seu momento actual) que o cinema é o bem cultural português mais exportável,  mas dizer que não há artista português, em qualquer área - presumo que vivo - tão respeitado e conhecido como Manoel de Oliveira, Pedro Costa, João Canijo, Miguel Gomes ou João Pedro Rodrigues é não só a afirmação de uma relação (capacidade de exportação - "respeito" e "conhecimento") nem sempre verificada, talvez mesmo totalmente equívoca, como eleva os realizadores citados a patamares de glória tão elevados que nem um Lobo Antunes, um Gonçalo M. Tavares, uma Paula Rego, um Siza, um Souto Moura (enfim, podería continuar) conseguem igualar. Isto só é possível com alguma ductilidade argumentativa: começa com "respeito e conhecimento", associadas a reconhecimento pela crítica e sucesso popular, para depois descender os escritores numas vezes por dificuldades de penetração em alguns mercados (algo que, francamente, partilham com a maioria dos nossos cineastas), noutras pela incipiência do seu reconhecimento crítico. Não é difícil, recorrendo a argumentação semelhante, arranjar contra-exemplos, ou mesmo insucessos específicos para cada autor que referiu em termos laudatórios, quanto ao reconhecimento da crítica ou à afluência de público.

E, por fim, se depois mostra ter em conta as diferenças de estrutura entre as áreas, acaba por fazer tábua rasa desse conhecimento para, no fim, querer comparar tudo sob os mesmos termos, emergindo o Cinema como expoente indisputável da Cultura portuguesa, e a Literatura o seu bastardo indesejado.

Resumindo: sinto-me tentado a concordar com um certo diagnóstico geral, mas com essas linhas de argumentação acaba por ser possível afirmar praticamente o que se quiser, partindo de uma ideia prévia que o Sérgio não quer por realmente à prova.

deixado a 18/2/12 às 22:28
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Ó Lavos e esses realizadores venderam quantos bilhetes lá fora ????

E em quantos canais de tv passaram os filmes ????

deixado a 20/2/12 às 23:40
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gafanhoto
Sou tão anónimo como outros comentadores. Se não gosta do nome que trago para aqui, faça assim: aplique um filtro cognitivo sobre a palavra gafanhoto de modo a quando a ler lhe apareça na mente Gisela ou Arlindo.
Pois se é isso mesmo que o autor do post faz no seu post. Uma manipulação básica e forçada da realidade: "Filme português? Não! ->Filme feito por portugueses, coisa muito diferente!"
De seguida informa qual é que seria o seu critério para que os 2 pontos fossem iguais: "Se o selo do Estado português estiver no filme então, e só então, o filme será português."
Por fim embrulha a manipulação numa opinião disfarçada de facto:  "...o nosso bem cultural com melhor capacidade de exportação...".
Recapitulando: 

Os Alhos - A definição da autoria do filme.
Os bugalhos - O papel do estado no financiamento do dito filme.
Está bom de argumentos? 

Agora vou almoçar que isto de argumentar o óbvio dá fome.

deixado a 18/2/12 às 13:57
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acho bem que defenda o cinema português, mas não vale a pena exagerar.


a literatura e a música têm muito mais projecção internacional que o cinema.

deixado a 18/2/12 às 14:14
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Joaquim Amado Lopes
Pois eu assino com o meu nome e, não dizendo que o seu post é nojento, afirmo que é completamente imbecil.


Não apenas a sua argumentação (sobre a "nacionalidade" do filme) não faz qualquer sentido como condena o que devia aplaudir.


O Miguel Gomes conseguiu a maioria do financiamento através de entidades privadas e o resto de países que não tinham para com ele qualquer "obrigação". Isso atesta da sua capacidade de iniciativa e de convencer outros da qualidade do seu trabalho. 
Pelo que se vê, a crítica concorda com os financiadores.


Os filmes são feitos para serem vistos. Se os cineastas fizerem bons filmes, os espectadores vão querer vê-los e o financiamento privado para novos trabalhos aparece.
Ainda bem que o financiamento público de filmes está congelado. Os (escassos) dinheiros públicos não devem ser gastos a sustentar a auto-masturbação "intelectual" ou "artística" de quem faz "obras cinematográficas"  que quase ninguém quer ver.



joaquim: quantidade não é precisamente qualidade.Podem muitas pessoas irem ver um filme mas do ponto de vista dos criticos de cinema, esse fil,me pode não ter muita qualidade.Na história do cinema não faltam filmes premiadissimos e verdadeiras obras de arte mas que a alguns tipos de publico nomeadamente as classes b e c culturalmente menos instruidas, podem não entender e gostar desse filme.O dinheiro não é razão para estragar a qualidade dos filmes 


Joaquim Amado Lopes
makarana,
Tem toda a razão quando escreve que quantidade não é qualidade e que há muitos filmes que ALGUNS consideram verdadeiras obras de arte que conseguem pouco ou nenhum sucesso comercial. Mas, talvez devido à minha pouca instrução, não vejo qual seja a relevância do que escreve para este artigo ou o meu comentário.

De qualquer forma, o Estado é o pior avaliador possível da qualidade de uma obra artística, seja qual fôr o seu tipo. E não faz qualquer sentido que o Estado financie filmes só porque algum deles pode vir a ser uma obra de arte.
Se um aspirante a cineasta pretende fazer um filme, procure financiadores privados . O Estado português tem mais que fazer com o pouco dinheiro que tem.


Anónimo
De uma vez por todas PAREM de usar essa MENTIRA do dinheiro do Estado ser usado para financiar os filmes portugueses!!
Uma percentagem das receitas de vendas de bilhetes de cinema e uma percentagem do valor pago por publicidade aos canais de televisão é direccionado para o ICAM que por sua vez usa esse dinheiro para atribuir subsídios atribuídos aos cineastas. O Orçamento de Estado (os contribuintes) nada tem a ver com a atribuição dos subsídios!


Portanto não é o estado que paga, mas sim todos nós que quando vamos ao cinema ver um filme qq de Hollywood temos que pagar uma taxa para sustentar meninos mimados que fazem filmes que só eles entendem.
Ou então quando estamos a ver um programa qq na TV e gramamos com 15 ou mais minutos de anúncios, já sabemos que isso será para pagar um filme com a imagem toda a negro apenas ouvindo vozes durante 90 minutos.

Assim tá melhor ?


Anónimo
Portanto tu pagas um bilhete de cinema onde a receita gerada para o estúdio vai ser reinvestida em filmes que não gostas e não queres ver. É a vida! Quando pagas impostos e o dinheiro é usado em investimentos que não gostas ou não usas que fazes? Quando compras um produto que precisas e a empresa usa esse dinheiro para reinvesti-lo em produtos que não gostas que vais fazer? Adoptar uma atitude de frustrado da vida e vir para um blog de ideologia que não gostas chatear as pessoas? És muito coerente não haja dúvida (not).


Se vamos nessa ideia de pagar por coisas que não gostamos só lhe tenho a dizer que não gosto da ideia de pagar impostos para que um troll use infraestruturas pagas pelo meu dinheiro para descarregar a sua frustração em outras pessoas.


E só vez publicidade porque queres, usa sistemas de streaming online ou netflix ou DVR ou grava em cassetes e faz fastforward se não gostas nem queres ver. Eu não gosto de publicidade e há imensos anos que não vejo intervalos.


essa tua comparação só demonstra o labrego que és, e que tipo de inteligência tens.

Quando eu pago um bilhete é porque o filme teve custos e para crie receitas a quem o produziu. O que me incomoda é que alguns parasitas que passam a vida a falar mal dos filmes de Hollywood se aproveitem deles para financiar a merda que só eles sabem apreciar.

Se eu sei que uma marca utiliza o dinheiro dos seus lucros para actividades que não me agradam, passo a comprar de outra marca.

Um filme é algo único, logo se o quiser ver não tenho escolha senão comparticipar os xupistas.

O cinema Português tem que ser bom por si, pela sua qualidade, não pelo parasitismo. Mas palavras para quê, Portugal e os Portugueses não dão 2 peidos sem chorar por um subsidio.

E para ti vir aqui discordar de quem pensa diferente de mim é ser frustrado ??? Muito me contas meu anormal. Tu não fazes puto de ideia sobre o que é a liberdade e a democracia. O que tu conheces são as reuniões lá do partido onde a tua voz é bastante distinta "Méééééééééé !!!!!!!"


o toino qual é o teu criterio de qualidade hum? achas que a casa dos segredos ou o gosto disto teem qualidade apesar de serem ou terem sido muito vistos? ahh xD o filme da thatcher apesar de ser muito visto achas que podemos dizer que é de qualidade?


ó Makarena


o meu critério de qualidade não vem aqui ao caso, nem é isso que se debate.


O que se debate é se é legitimo cobrar dinheiro sobre bilhetes de cinema ou publicidade para o dar a meia dúzia de pseudo-cineastas.


Mas que a protagonista do filme é sem sombra de dúvidas a melhor actriz de todos os tempos lá isso é.

deixado a 23/2/12 às 19:55
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Joaquim Amado Lopes
Anónimo,
A "percentagem de vendas de bilhetes de cinema" e a "percentagem do valor pago por publicidade aos canais de televisão" são taxas, impostas pelo Estado e pagas por todos nós.

Não são facultativas e não necessitam de estar inscritas no Orçamento de Estado para ser dinheiro que o Estado obriga a ser cobrado e a ser entregue a uma instituição escolhida arbitrariamente. Exactamente como a taxa para o audiovisual e a taxa para as energias renováveis.

deixado a 21/2/12 às 13:14
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joaquim, como nós sabemos, para um produtor privado querer financiar algum filme, é preciso nhaver alguma hipotse de ter retorno no investimento.Sabemos também que muitas coisas de qualidade dependem directamente do seu investimento que , na maior parte das vezes tem que ser alto.Ora, eu não estou a ver nenhum produtor privado a apostar numa "obra de arte" mas que por diversas razões (culturais sobretudo) seje um flop em termos financeiros.Um exemplo: não sendo um filme, a casa dos segredos era um programa que dava bastante audiencia, era barato e como tal rendia.Mas algum de nós pode afirmar que é um programa de elevada qualidade? é claro que não. Basicamente é isso


Joaquim Amado Lopes
Makarana,
Basicamente é mesmo isso: quem é que pode dizer que um determinado programa é de elevada qualidade? Não os burocratas de um qualquer instituto público (ou pago com dinheiros públicos, o que vem dar ao mesmo) e, de certeza absoluta, não quem recebe o dinheiro para fazer esses programas.

Assim, restam os críticos, o público e os financiadores/mecenas. Quem melhor do que eles para dizerem que programas merecem ser produzidos?
Os críticos levam o público a vê-los, o público paga os bilhetes e os financiadores/mecenas ficam a saber que cineastas apoiar.

Há filmes que são verdadeiras obras de arte mas que ninguém quer ver além de quem os faz? Bem, não há um motivo que seja para que esses filmes sejam financiados com dinheiros públicos.


joaquim,e basicamente volto a repetir-te aquilo que disse no comentario anterior: o problema da sua tese é que os financiadores privados não teem nenhum interessse em financiar filmes com pouca audiencia que lhes façam perder dinheiro, a não ser que a questão do dinheiro seje relegada a um posto secundário em relação a algum eventual objectivo mecenal e cultural que o investidor tenha.Mas sejamos realistas: os mecenas são uma raridade aqui em portugal.Se houver para mim melhor, mas sei que casos com este do miguel gomes são muito raros


Joaquim Amado Lopes
"os financiadores privados não teem nenhum interessse em financiar filmes com pouca audiencia que lhes façam perder dinheiro, a não ser que a questão do dinheiro seje relegada a um posto secundário em relação a algum eventual objectivo mecenal e cultural que o investidor tenha."
Eu não o diria melhor: os filmes que (quase) ninguém quer ver não devem sequer ser feitos a menos que alguém esteja disposto a financiá-los por razões que só ao próprio dizem respeito.
Os contribuintes andarem a sustentar "cineastas" que fazem "obras de arte" de que só eles gostam é que não faz qualquer sentido.

Quanto a casos como o do Miguel Gomes serem raros, deixo-lhe uma novidade: as obras de arte são ainda mais raras.


pois, joaquim, eu não tenho a mesma visão capitalista radical, que o senhor tem: não acho que tudo valha para atingir o lucro e que esta está acima de qualquer principio na vida.Não acho que a cultura deva subordinar-se ao lucro, a cultura não é um meio, mas sim um fim.Se nós levassemos a sua visão á pratica, não se fariam filmes aqui e na europa, porque muitos dos filmes que concorrem nos festivais europeu são financiados com capitaln publico.Pela sua visão, para as actividades de entertainment terem lucro, então não se fariam mais filmes em portugal não haveriam mais teatros(que também são publicos)e operas, não se fariam mais programas de reportagens e documnetários.Voce dizia que o seu criterio de qualidade não interessava: eu digo que interessa e muito,porque sabemos que existe uma forte correlacção entre qualidade e financiamento.Isto é um principio de economia

deixado a 24/2/12 às 15:38
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digo-lhe mais até: a sua tese romantica e liberal é muito bonita e ordeira, mas tal como muitas trata-se de uma utopia que não é aplicável em termos práticos

deixado a 23/2/12 às 01:44
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PT
Isto só vem provar que o rapazinho, em vez de se armar em piegas(ou lamurientos como dizia o outro que não é criticado) como os outros subsidio-dependentes, se fez à vida e arranjou financiamento para fazer andar o seu projecto. Mas 40% do dinheiro não é de origem nacional, ergo o filme não pode ser considerado nacional, é isso? Quer dizer que só o que vive da mama do erário público é que pode ser considerado nacional e, mais que isso, arte. Como por exemplo essa obra fulgurante chamada Branca de Neve, que se bem me lembro até ganhou grandes distinções internacionais ao nível da cinematografia...

deixado a 18/2/12 às 12:50
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António Carlos
Se ter um director português, actores e técnicos portugueses e 60% de financiamento português (privado, c'orror!) não chega para considerar o filme português, então sugiro que o Estado passe a financiar a 100% filmes de Hollywood com potencial para ganhar Oscars: assim podiamos dizer que um filme português (agora sim), orgulhosamente financiado pelos contribuintes, tinha ganho um Oscar!
Era a projecção internacional do cinema português garantida e todos ficavam felizes!

deixado a 18/2/12 às 15:47
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Anónimo
Pois não é portuguesa, é considerada uma produção brasileira veja lá:


Provavelmente, aquelas mesmas pessoas ficariam satisfeitas por ver Tabu promovido como... uma produção brasileira. É verdade. Aconteceu na Berlinale: tratando-se de um título coproduzido por vários países (Portugal/Alemanha/Brasil//França), foi a parte brasileira que defendeu os seus interesses, publicando anúncios de página inteira, dedicados a Tabu, nas principais revistas internacionais editadas durante o festival.


http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2313670&seccao=Jo%EF%BF%BDo+Lopes

deixado a 19/2/12 às 23:07
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