Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Não. Um filme realizado por um português, com actores e técnicos portugueses, vence prémio da crítica do Festival de Cinema de Berlim. Sessenta por cento do financiamento para a obra de Miguel Gomes foram conseguidos em Portugal, mas os restantes 40% vieram da Alemanha, Brasil e França. E o dinheiro português é de origem privada, enquanto que o que veio dos outros países saiu do Orçamento de Estado desses países. O que significa, citando Miguel Gomes, que acaba por ser “um bocado irónico, em relação ao discurso político que é feito - os 40 por cento restantes da parte brasileira, francesa e alemã saíram dos orçamentos do Estado desses países, cujos contribuintes pagaram, portanto, mais do que os contribuintes portugueses”. Os concursos para financiamento de filmes portugueses estão congelados há meses, sem previsão de regresso. É vergonhoso que o nosso bem cultural com melhor capacidade de exportação esteja a merecer um tratamento destes por parte do Estado português. Um país que trate assim os seus criadores não merece respeito. Não existe.

 

Adenda: não posso dizer se o prémio é merecido - não vi o filme - mas a julgar pelas suas duas primeiras obras, sobretudo Aquele Querido Mês de Agosto, mal posso esperar para ver.

 

Ao pessoal que gosta de botar conversa sem saber muito bem do que fala (sim, falo também deste extremista dos mercados):

- O filme não teve financiamento através do ICA, foi apenas apoiado por este.
- O orçamento para apoio do ICA vem de uma taxa de exibição cobrada aos distribuidores, não directamente dos impostos do contribuinte.
- O realizador conseguiu financiamento privado porque o seu filme anterior, "Aquele Querido Mês de Agosto", estreou em vários países e teve excelente recepção crítica por onde passou.
- O facto do filme anterior ter tido lucro fez com que fosse fácil encontrar investidores para este.
- Mas isso apenas foi possível porque os dois filmes anteriores existiram, e existiram com financiamento público, através do ICA. 
- Sem isto, Miguel Gomes nunca teria chegado ao ponto de poder dispensar o dinheiro dos nossos impostos.
- Tanto o realizador como o produtor recusaram a hipocrisia do acompanhamento da comitiva por uma embaixada do Governo português ao Festival de Berlim, precisamente por causa desta situação.
- Neste momento, os cortes ao financiamento do cinema português são de 100% (como afirma o realizador na entrevista que está no link).
- Havia vários filmes em fase de pré-produção que estão parados.
- Se continuar assim, o cinema em Portugal acaba. Depois disso acontecer, nem prémios internacionais, e muito menos realizadores que conseguem arranjar financiamento privado para os seus filmes, existirão.
- Sem cinema português, o país fica ainda mais pobre, moral e culturalmente.

por Sérgio Lavos
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gafanhoto
Este post é muito baixo. Para não escrever nojento. Não, não é pelo o filme ou o prémio em si. 
É por esta brincadeira básica que o autor do post faz com as palavras e definições. Mas está a ficar parvo ou a tentar-nos fazer de parvos? 
Mas o que é que o alhos tem a ver com bugalhos?
BTW, " o nosso bem cultural com melhor capacidade de exportação...", a sério?

Porra, que estas manipulações baratas das palavras irritam-me mais que o AO.
Até logo.


deixado a 18/2/12 às 11:01
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Eu também poderia  dizer que o sr. nojento, mas não o farei porque não dou resposta desse nível a anónimos e porque estaria a fazer o mesmo do que você: insultar gratuitamente dispensando o uso de argumentos.


E sim, o cinema é o nosso bem cultural mais exportável: não há nenhum escritor, pintor, músico ou qualquer tipo de artista que seja tão respeitado e conhecido no mundo inteiro como Manoel de Oliveira, Pedro Costa, João Canijo, Miguel Gomes ou João Pedro Rodrigues. O com uma nova geração a aparecer que vai pelo mesmo caminho - João Salaviza ganhou há dois anos no festiva de cinema mais prestigiado do mundo, Cannes. Só talvez a arquitectura, mas apenas pela mão de dois nomes, Siza e Souto Moura, se aproxime. Portanto sim, é a sério.

deixado a 18/2/12 às 11:27
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Joaquim Amado Lopes
Pois eu assino com o meu nome e, não dizendo que o seu post é nojento, afirmo que é completamente imbecil.


Não apenas a sua argumentação (sobre a "nacionalidade" do filme) não faz qualquer sentido como condena o que devia aplaudir.


O Miguel Gomes conseguiu a maioria do financiamento através de entidades privadas e o resto de países que não tinham para com ele qualquer "obrigação". Isso atesta da sua capacidade de iniciativa e de convencer outros da qualidade do seu trabalho. 
Pelo que se vê, a crítica concorda com os financiadores.


Os filmes são feitos para serem vistos. Se os cineastas fizerem bons filmes, os espectadores vão querer vê-los e o financiamento privado para novos trabalhos aparece.
Ainda bem que o financiamento público de filmes está congelado. Os (escassos) dinheiros públicos não devem ser gastos a sustentar a auto-masturbação "intelectual" ou "artística" de quem faz "obras cinematográficas"  que quase ninguém quer ver.


deixado a 18/2/12 às 16:03
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joaquim: quantidade não é precisamente qualidade.Podem muitas pessoas irem ver um filme mas do ponto de vista dos criticos de cinema, esse fil,me pode não ter muita qualidade.Na história do cinema não faltam filmes premiadissimos e verdadeiras obras de arte mas que a alguns tipos de publico nomeadamente as classes b e c culturalmente menos instruidas, podem não entender e gostar desse filme.O dinheiro não é razão para estragar a qualidade dos filmes 

deixado a 18/2/12 às 19:33
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Joaquim Amado Lopes
makarana,
Tem toda a razão quando escreve que quantidade não é qualidade e que há muitos filmes que ALGUNS consideram verdadeiras obras de arte que conseguem pouco ou nenhum sucesso comercial. Mas, talvez devido à minha pouca instrução, não vejo qual seja a relevância do que escreve para este artigo ou o meu comentário.

De qualquer forma, o Estado é o pior avaliador possível da qualidade de uma obra artística, seja qual fôr o seu tipo. E não faz qualquer sentido que o Estado financie filmes só porque algum deles pode vir a ser uma obra de arte.
Se um aspirante a cineasta pretende fazer um filme, procure financiadores privados . O Estado português tem mais que fazer com o pouco dinheiro que tem.

deixado a 20/2/12 às 17:54
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joaquim, como nós sabemos, para um produtor privado querer financiar algum filme, é preciso nhaver alguma hipotse de ter retorno no investimento.Sabemos também que muitas coisas de qualidade dependem directamente do seu investimento que , na maior parte das vezes tem que ser alto.Ora, eu não estou a ver nenhum produtor privado a apostar numa "obra de arte" mas que por diversas razões (culturais sobretudo) seje um flop em termos financeiros.Um exemplo: não sendo um filme, a casa dos segredos era um programa que dava bastante audiencia, era barato e como tal rendia.Mas algum de nós pode afirmar que é um programa de elevada qualidade? é claro que não. Basicamente é isso

deixado a 21/2/12 às 00:12
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Joaquim Amado Lopes
Makarana,
Basicamente é mesmo isso: quem é que pode dizer que um determinado programa é de elevada qualidade? Não os burocratas de um qualquer instituto público (ou pago com dinheiros públicos, o que vem dar ao mesmo) e, de certeza absoluta, não quem recebe o dinheiro para fazer esses programas.

Assim, restam os críticos, o público e os financiadores/mecenas. Quem melhor do que eles para dizerem que programas merecem ser produzidos?
Os críticos levam o público a vê-los, o público paga os bilhetes e os financiadores/mecenas ficam a saber que cineastas apoiar.

Há filmes que são verdadeiras obras de arte mas que ninguém quer ver além de quem os faz? Bem, não há um motivo que seja para que esses filmes sejam financiados com dinheiros públicos.

deixado a 23/2/12 às 00:41
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joaquim,e basicamente volto a repetir-te aquilo que disse no comentario anterior: o problema da sua tese é que os financiadores privados não teem nenhum interessse em financiar filmes com pouca audiencia que lhes façam perder dinheiro, a não ser que a questão do dinheiro seje relegada a um posto secundário em relação a algum eventual objectivo mecenal e cultural que o investidor tenha.Mas sejamos realistas: os mecenas são uma raridade aqui em portugal.Se houver para mim melhor, mas sei que casos com este do miguel gomes são muito raros

deixado a 23/2/12 às 01:40
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Joaquim Amado Lopes
"os financiadores privados não teem nenhum interessse em financiar filmes com pouca audiencia que lhes façam perder dinheiro, a não ser que a questão do dinheiro seje relegada a um posto secundário em relação a algum eventual objectivo mecenal e cultural que o investidor tenha."
Eu não o diria melhor: os filmes que (quase) ninguém quer ver não devem sequer ser feitos a menos que alguém esteja disposto a financiá-los por razões que só ao próprio dizem respeito.
Os contribuintes andarem a sustentar "cineastas" que fazem "obras de arte" de que só eles gostam é que não faz qualquer sentido.

Quanto a casos como o do Miguel Gomes serem raros, deixo-lhe uma novidade: as obras de arte são ainda mais raras.

deixado a 24/2/12 às 13:26
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pois, joaquim, eu não tenho a mesma visão capitalista radical, que o senhor tem: não acho que tudo valha para atingir o lucro e que esta está acima de qualquer principio na vida.Não acho que a cultura deva subordinar-se ao lucro, a cultura não é um meio, mas sim um fim.Se nós levassemos a sua visão á pratica, não se fariam filmes aqui e na europa, porque muitos dos filmes que concorrem nos festivais europeu são financiados com capitaln publico.Pela sua visão, para as actividades de entertainment terem lucro, então não se fariam mais filmes em portugal não haveriam mais teatros(que também são publicos)e operas, não se fariam mais programas de reportagens e documnetários.Voce dizia que o seu criterio de qualidade não interessava: eu digo que interessa e muito,porque sabemos que existe uma forte correlacção entre qualidade e financiamento.Isto é um principio de economia

deixado a 24/2/12 às 15:38
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