Mais um filme "português" a ganhar um prémio no Festival de Cinema de Berlim. É o regozijo total nos media que andam o resto do ano a ignorar o cinema português. Até o Correio da Manhã, insuspeito de defender o parasitismo subsídio-dependente dos nossos cineastas, aplaude o feito. Os patriotas de ocasião é que têm razão: vou gozar este prémio enquanto português e deixar de dizer mal de um país que tem estes criadores que fazem a diferença apesar do desprezo com que são tratados por quem deveria zelar pela cultura nacional. Fica aqui um pequeno excerto de uma entrevista dada recentemente por João Salaviza a uma publicação brasileira:
SC-Como são as condições de produção de cinema em Portugal hoje? As co-produções são uma alternativa `a falta de fomento do cinema?
JS – Neste momento vive-se um momento trágico. Apesar da vitalidade do cinema português com vários realizadores cuja importância é inegável (Pedro Costa, Manoel de Oliveira, Miguel Gomes, João Pedro Rodrigues e a lista continua…), cada vez menos existe um sentido de dever por parte do estado. O dever de apoiar o cinema, de defender a cultura, a produção de ideias e de sentidos. Neste momento discute-se uma nova Lei do Cinema. É um momento crucial. Se essa Lei não for aprovada, ou se for desvirtuada, isso pode significar o fim do cinema português. Em 2012, o Instituto do Cinema anunciou que não tem fundos para apoiar nenhum filme. Será o “ano zero”. Portugal Ano Zero.
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