Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

Sem querer procurar uma relação causa-efeito, não deixa de ser curioso que, no dia a seguir ao primeiro-ministro português ter-se oposto às Eurobrigações na reunião informal entre os líderes da UE, assumindo uma posição que objectivamente vai contra os interesses de Portugal, os juros da dívida portuguesa tenham disparado nos mercados secundários

 

Depois da reunião, marcada pela divisão entre lideres favoráveis às obrigações - Hollande à cabeça, seguido pelos primeio-ministros italiano e irlandês, assim como Mario Draghi e Herman van Rompuy - e aqueles que estão contra - Merkel, o líder finlandês, o Governo interino holandês e os amestrados Rajoy e Passos Coelho - quem fica a ganhar são a Alemanha, cuja solidez da economia permanece intocada, qualquer que seja a posição de Merkel, e a França, que parece estar a ganhar bastante com a personalidade do seu presidente - um contraste absoluto com a tibieza de Sarkozy.

 

Mas até Merkel concede que as Eurobrigações serão um possível ponto de chegada, o que mostra como a opinião da Alemanha se flexibilizou com o aparecimento do contrapoder francês. Notável é a posição de Passos Coelho, denotando que a política prosseguida em Portugal tem mais a ver com o posicionamento ideológico extremista do Governo - a "austeridade para além da austeridade" - do que com as imposições da troika. Não é de estranhar que, já por várias vezes a troika e o FMI tenham alertado o Governo para o excesso de medidas de austeridade e para as consequências que esse excesso poderá ter na economia portuguesa. O primeiro-ministro arrisca-se um dia a ser único na UE a defender posições que, em primeiro lugar, prejudicam Portugal, o que seria extraordinário. Já não se trata de uma questão de incompetência, mas sim de fanatismo ideológico - e o pior que nos poderia acontecer, durante eeste período de empobrecimento acelerado, seria sermos governados por um grupo de fanáticos neoliberais que pusesse acima do interesse nacional uma qualquer agenda ideológica impraticável. Mas talvez, mais cedo do que tarde, a perda de soberania venha a funcionar em nosso favor. Aguardemos. 


por Sérgio Lavos
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26 comentários:
PedroM
Sérgio, explique-nos lá porque é que ser "amestrado" da Merkel é melhor ou pior do que ser "amestrado" do Hollande?


Porque razão o Sérgio se sente melhor ou superior em baixar as calças para um lado e não para outro?

deixado a 24/5/12 às 13:36
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A resposta tem que ser procurada uns anos lá para trás em 2009.
Obama o novo Messias aparecia e o Sérgio fazia exactamente os meus post com a mesma admiração.
Agora o Milagroso está a banhos e surge este.
É uma questão de tempo até aparecer um novo Ídolo.
Todos os humanos têm uma religião e um ícone para adorar.
É dos livros.
Adianto já que o meu é o Maxi Pereira.

deixado a 24/5/12 às 21:17
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Ricardo
Penso que o ponto colocado pelo Sérgio, lhe passou ao lado.


Contra o interesse nacional - eurobonds, ou seja taxa de juro mais baixas, indiscutível - Passos alinhou com Angela. Colocar o interesse de Merkel acima do interesse nacional é próprio de um animal amestrado, mico de circo, ser domesticado sem vontade própria. 


Parece-me fácil de concluir.


Ou seja, tomou uma posição contra-natura, o mesmo não seria aplicado, ao "tomar a posição de Hollande", porque esta é consonante com o interesse nacional. Aqui não há uma amestração, mas uma consequência de interesses.


PedroM
"Contra o interesse nacional"
Finalmente fica clarificado que o que move os Sérgios não é o "interesse comum" ou o "interesse da Europa" mas sim o "interesse nacional".
Afinal trata-se apenas de mera hipocrisia a conversa da treta da "solidariedade Europeia". São todos iguais, em qualquer parte do mundo: o que interessa são os interesses nacionais.


" o mesmo não seria aplicado, ao "tomar a posição de Hollande"
Portanto, para si só quem tem uma visão do caminho que acha melhor para a Europa e para Portugal que seja a sua é que não é um "animal amestrado, mico de circo, ser domesticado sem vontade própria".


Não deixa de ser curioso que martelaram tanto nesse tal argumento do Passos "colocar o interesse de Merkel acima do interesse nacional", sendo as privatizações da EDP e REN o presente, e afinal venderam aos Chineses... 


Ricardo
Antes demais, Sérgios ponto e vírgula, eu sou o Ricardo e estou a interpretar as palavras do Sérgio.


Mas cabe na cabeça de alguém colocar o interesse nacional abaixo do interesse comum? É assim que o Pedro parte para uma negociação entre iguais? Abdicando à partida das suas pretensões?
Ocorre ainda que a agenda de Hollande - a ver vamos - coincide com a que considero ser do interesse nacional.


Mas gostei de ver essas cambalhotas todas para rebater um argumento, com uma consideração absurda.


E mais, não estou a falar de uma política de crescimento, despesista e assente no favorecimento dos grupos económicos do costume. Mas sim, com bem tem defendido a Esquerda, com contas públicas rigorosas, com o fim do compadrio com os grandes interesses económicos e financeiros e com aposta no investimento reprodutivo e no investimento social.


Sim, portanto para mim, quem defende o que considero interessar ao país, não é amestrado. Pelo contrário quem lesa o interesse da nação, numa atitude de total submissão, só pode ser um animal amestrado.


Mas havia um efectivo interesse alemão nessas empresas, não chegou o $ e pelos vistos o pacote de benefícios dos chineses, que incluíram um lugarzinho para o mentor Catroga, com os seus míseros 40000 euros, deve ter sido melhor.


Mais uma vez estou a expressar a minha opinião pessoal, eu não represento o Sérgio ou qualquer outra pessoa, senão eu mesmo.


PedroM

"Mas cabe na cabeça de alguém colocar o interesse nacional abaixo do interesse comum? 
É o que dizem que a Alemanha devia fazer: ignorar os seus interesses nacionais a a vontade do seu povo (que as sondagens confirmam maioritariamente) em nome duma "solidariedade Europeia" que só funciona, segundo essas tais cabeças cabeças, quando é para os outros.


"Mas gostei de ver essas cambalhotas todas para rebater um argumento, com uma consideração absurda."
Usei apenas a hipocrisia do argumento de certa esquerda radical.


"Pelo contrário quem lesa o interesse da nação, numa atitude de total submissão, só pode ser um animal amestrado."
Não foram os franceses o "animal amestrado" dos alemães que, por cobardia e "numa atitude de total submissão", se tornaram seus lacaios colaboracionistas?
Mais a sério, o seu argumento vale tanto como quem diga exactamente o contrário: que ache que os interesses da Europa estão melhor defendidos por quem seguir o exemplo das políticas alemãs. Será um pouco como um clube defender o modelo do Barcelona: pode não estar à altura do desafio mas não pode é contestar os seus méritos e resultados, pois não?

deixado a 28/5/12 às 11:21
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PedroM

"com bem tem defendido a Esquerda, com contas públicas rigorosas"
O Daniel (e restante esquerda radical) é o oposto disso. O grande argumento é que Portugal não tinha uma grande dívida pública e que as contas não estavam mal.
Esse argumento branqueava toda a espécie de contabilidade habilidosa e paralela que empurrasse a dívida do estado para fora do défice oficial: buracos nos transportes; saúde; Estradas de Portugal; empresas municipais e as famosas PPPs. Ou seja, varriam-na para debaixo do tapete. Era tudo dívida do Estado mas "não contava". Não existia, por isso a dívida pública era baixa, o que permitiria segundo esse raciocínio mais investimento público. Como? Através de mais dívida, claro.
Este branqueamento foi o principal aliado na 2ª vitória de Sócrates contra F. Leite, que alertava para essas mentiras das contas e para a situação para a qual caminhávamos. Felizmente que era apenas rancor e nada disso aconteceu...

deixado a 28/5/12 às 11:41
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pedro

o aumento das taxas na bloomberg ( e reportado pelo expresso) deve-se à substituição, por parte da bloomberg, do titulo usado para o benchmark a 2 anos. estavam a usar o título de set/2013 e hoje mudaram para o de jun/20114.  os jornalistas olharam para o benchemark e não para o titulo propriamente dito. olharam e n pensaram. o sérgio teve a infelicidade de confiar neles, e não achar estranho as taxas aumentarem 45%.

sei q n muda nada no resto do post, é a sua opinião, mas n convém usar informação incorrecta.

deixado a 24/5/12 às 13:46
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PedroM
Não lhe fale em chinesises dessas.


DSC
ahahahaha

deixado a 24/5/12 às 14:02
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PedroM
Espanta-me como é que há inocentes que pensam que no dia em que a Alemanha (e outros) permitirem os Eurobonds, que as medidas de aperto e controlo do défice e contas públicas desaparecem dos países em crise.


A única coisa que poderá mudar de positivo é uma espécie de dívida europeia comum.
De positivo caso as economias, défices e dívidas dos estados em falta não afectem negativamente o conjunto da dívida. Nesse caso queria ver como é que a UE se safava, com a Alemanha a ser arrastada pelos PIGS todos e os juros da dívida comum a subirem...


Imaginando que este cenário não ocorre, os Eurobonds funcionarão para o exterior. Internamente, a Alemanha e outros imporão na mesma as medida e restrições que acharem convenientes aos estados em falta.
Será a UE um país estável a nível da dívida mas com grandes assimetrias internas ao nível das suas "províncias" - que passarão a ser os países.


No fundo, ninguém avalia a disparidade de condições e rendimentos entre os diversos estados americanos ou as províncias chinesas. Apenas o seu desempenho global.


Por isso não se iluda, Sérgio. Não vamos ter Alemães e outros como fiadores de Eurobonds para que possamos voltar ao "antigamente".

deixado a 24/5/12 às 13:52
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Rafael Ortega
Acho que a si também se aplica o conselho que deu a outro comentador, não lhes fale em chinesices.

Os eurobonds vão ser uma maravilha, Portugal vai continuar na boa vida, tudo grátis para todos, e alguém que pague a conta...

Não estrague os sonhos destas cabecinhas

deixado a 24/5/12 às 14:38
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Ricardo
Os eurobonds são o instrumento natural de emissão de dívida para uma moeda única.


Não são a solução. Mas ajudam.


Toda a agenda de crescimento e de contas públicas rigorosas não lhe fazem sentido? É que isso é o defendido!!


Será que noto um certa incapacidade de analisarem mais que uma variável em simultâneo?


PedroM

"Os eurobonds são o instrumento natural de emissão de dívida para uma moeda única."
Não estou a discutir isso mas sim a ideia que "os Sérgios" têm que com Eurobonds voltávamos à vida que tínhamos e já não nos impunham medidas estas medidas.


"Toda a agenda de crescimento e de contas públicas rigorosas não lhe fazem sentido? É que isso é o defendido!!"
Sim, pela Alemanha. Façam como nós. Ou quer que sejamos nós e gregos a ensinar como é que se cresce com contas públicas rigorosas e a mandar no dinheiro dos outros?
A questão é que não foi a bem durante décadas de vacas gordas, vai agora a mal com vacas magras. É a dura realidade.


"Será que noto um certa incapacidade de analisarem mais que uma variável em simultâneo?"
O problema é que há um ano não havia "mais que uma variável em simultâneo", conforme nos queriam fazer acreditar alguns. Era a bancarrota ou a Troika. Simples.

deixado a 28/5/12 às 11:29
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João Pereira da Silva
Mas que quer isto dizer?
"Mas talvez, mais cedo do que tarde, a perda de soberania venha a funcionar em nosso favor."

deixado a 24/5/12 às 13:59
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António
Desculpe. Disse fanatismo ideológico ?

deixado a 24/5/12 às 14:17
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Alexandre Carvalho da Silveira
François Hollande é a nova coqueluche da esquerda, é uma especie de salvador da patria, o novo Tony  Blair, lembram-se? Mas ontem as coisas parece que não lhe correram bem.
Uma das palavras de ordem do novel PR frances, e do PS portugues, são as eurobonds que são encaradas como uma especie de euromilhões, vamos poder continuar a gastar à tripa forra, enfim a panaceia para todos os nossos males. Mas estão-se a esquecer de uma coisa fundamental: quando e se as eurobonds forem instituidas, o que se está agora a passar em Portugal com o memorando da troika, vai parecer uma brincadeira de crianças. Os que vão ter que avalisar os eurobonds, os paises ricos do centro e norte da Europa, só o farão se os paises do sul tiverem as continhas muito bem controladas, e não gastarem mais do que produzem. O tal tratado que o Hollande e o Seguro querem alterar, foi feito para isso mesmo, e alterar o tratado é mandar as eurobonds para as calendas. No fundo o que o Hollande e a esquerda querem, é defices publicos elevados, e quem se responsabilize pelas suas dividas, ou seja "sol na eira e chuva no nabal".  

deixado a 24/5/12 às 15:21
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Nuno
Tudo bem, faz sentido uma moeda única ter títulos de dívida próprios, e poder imprimir moeda, e desvalorizá-la, se a zona euro disso beneficiar.


Mas isso só irá reforçar a disciplina orçamental, com os custos que se conhecem. Ou acha que Portugal irá gerar eurobonds  para se financiar à toa, aumentando défice e dívida? Claro que o BCE vai fiscalizar, ou até aprovar, qualquer leilão de dívida!!


Os eurobonds não uma ferramenta, não uma solução!

deixado a 24/5/12 às 15:27
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Sérgio. Você entende que, mesmo que esteja mortinho por,  a ultima pessoa no mundo que pode dizer que concorda com os Eurobonds terá que ser o PPC. Entende isso, certo?

deixado a 24/5/12 às 16:15
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E sérgio… você até pode convencer os governos a aumentar o défice e a dívida indefinidamente… mas garanto-lhe que não vi convencer os mercados a financia-los. E depois? Como faz?

deixado a 24/5/12 às 16:17
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Andas a ver se bates o record da sequência de disparates?

deixado a 24/5/12 às 16:44
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