As palavras contundentes de Januário Torgal Ferreira incomodoram muita gente. É natural - a voz de alguém do clero continua a ter bastante peso em Portugal. Ele repetiu com mais veemência o que já dissera antes, sobre este Governo mas também sobre os anteriores. Mas, num país de gente amestrada e paciente, qualquer voz que se insurja com o estado de coisas arrisca-se a ser calada de imediato. O trabalho de Miguel Relvas no Governo é também esse - controlar os media através dos seus conhecimentos no meio. Não admira que o Correio da Manhã, no dia seguinte a D. Januário ter vindo a público criticar as miseráveis declarações de Passos Coelho, tenha decidido chamar à primeira página factos laterais sobre a vida de D. Januário, ainda por cima mentirosos. O Correio da Manhã sabe quem manda e obedece de acordo. Não é um jornal, é um esgoto a céu aberto onde chafurda a pior espécie de jornalista: o canalha. Com telefonema do Relvas ou sem ele, o Correio da Manhã iria fazer o seu trabalho.
Também há almas que não se têm cansado a pedir o afastamento das funções que o bispo ocupa. Helena Matos, a sabuja de serviço, é uma delas. Esta gente, que não sabe conviver com a liberdade dos outros, indigna-se com o facto das palavras de D. Januário não respeitarem o resultado das eleições legislativas. Para Helena Matos - e outros da mesma cepa - as eleições são aquele acontecimento em que os cidadãos elegem o seu ditador durante um período de tempo definido. Durante esse período, todos devem calar, comer e aceitar "com paciência" as decisões e os desmandos do Governo eleito. Na cabeça desta gente, a democracia enquanto sistema dinâmico que não se esgota - antes pelo contrário - nas eleições, não é um conceito possível. No fim de contas, nas ditaduras comunistas que em tempos admiravam também há simulacros de eleições de vez em quando. Tudo o que sai fora da caixa - mesmo uma coisa tão simples como criticar as afirmações do primeiro-ministro - é combatido com fervor e animosidade. Nada que surpreenda. Os velhos hábitos são difíceis de matar.
Ai Jesus, tanta gente em estado de choque com uma entrevista de D. Januário.
A mesma gente que aplaudiu as declarações anteriores do executante interno da terapia de choque externa, imposta ao Povo Português.
Do alto do seu púlpito, o Pastor Coelho voltou a dar graças ao deus Capital Financeiro e pediu-lhe que aceitasse o sacrifício dos cordeiros pacientes, para remissão dos pecados de toda a igreja nacional-financeirista.
«Faça-se em mim segundo a vossa vontade», disseram os assinantes do memorando, quando o arcanjo Troika lhes transmitiu a boa nova… e logo, o messias de Massamá se disponibilizou para ir além da vontade do seu deus.
Palavra do senhor, oremos!
Cristina
PS: Comentário PPF, ao qual acrescento que essa gente quer um Melo, cónego bom, bom, bom…Olympus Mons
Choque é coisa de esquerda?
Se fosse outra pessoa a escrevê-la, diria que essa frase representaria mais uma visão do Mundo a preto e branco ou a luta eterna entre o Bem e o Mal.
Mas como és tu, considero que contém uma grande carga filosófica, no género de uma divisão entre os Dad e os Cad…
Se só viste pessoas desagradadas pelo facto de o Bispo das Forças Armadas ter incitado à rebelião, pronto, foi o que viste e que posso eu fazer?
A propósito de incitamento à rebelião, deixo-te outro anterior e produzido por um esquerdóide do piorio:
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?c
Mas hoje aprendi que se choque é coisa de esquerda, desagrado é coisa de direita, não é?
Ia dizer que foi uma manifestação, mas isso também deve ser de esquerda, de desagrado que fizeste em relação ao Arrastão.
Desde o princípio, disse que não concordava com a moderação, mas devo aceitar as regras dos donos da casa, pois não passo de uma convidada e por isso, não frequento blogs com cuja orientação ideológica estou em desacordo total.
Feitios…
Cumprimentos
Cristina
Olympus Mons
Eu sei que estavas em Frankfurt, viajaste em executiva e a tua missão era a de salvar o Serviço Nacional de Saúde, através de umas exportações.
Como vês, esta índia está minimamente atenta ao que se vai dizendo no Arrastão, um blog tão pluralista que até deixa entrar os cow-boys.
Por isso, não tenho a mínima necessidade de ir até ao forte mais próximo só para mexer o que quer que seja, nem para remexer nas teorias de Haidt como fazes, à tua maneira.
Desculpa, mas acho que devias descobrir um fulano chamado Segismundo Alegria.
Cumprimentos
Cristina
Olympus Mons
Recapitulando:
Mas um Cad não é portador exclusivo de um gene dos Neandhertais?
Atendendo aos locais onde esta espécie existiu, como e onde se extinguiu, faz-me muita espécie a tua referência anterior aos índios e tribos do Paleolítico.
Como é que um gene de uma espécie extinta se transmite por todos os Continentes, a não ser que os Neanderthais tenham dormido com os Cro-Magnons?
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=2
Quanto ao resto, já sabemos que Haidt é um esquerdóide assumido… e masoquista, acrescento eu.
E o Segismundo Alegria teve o azar de não conhecer um Dad puro, como o Olympus Mons…
Cumprimentos
Cristina
PS: Para quando a tua teoria sobre os direitóides esquizofrénicos, ou já não te lembras?
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