Quarta-feira, 20 de Junho de 2012
por Sérgio Lavos

*

Quando é o próprio secretário de Estado da Cultura a escolher o representante de Portugal na Bienal de Veneza, e não um comissário - coisa inédita -, e dias depois do ministro dos Negócios Estrangeiros ter dado à costa para falar desta espectacular diva da arte, que consegue ser “genial, internacional, tradicional e empresarial” (Portas dixit), não precisamos de mais nada: Joana Vasconcelos é o passaporte para a imortalidade de Portugal. O histerismo político é tão pífio que, perto disto, os galos de Barcelos da artista parecem as Graças de Botticelli.

 

(E não surpreende que a artista se deixe instrumentalizar politicamente: a produção em série de mamarrachos que evocam a "tradição portuguesa" precisa de ser escoada de qualquer maneira. São escolhas de vida.)

 

*Para não baixar o nível estético deste blogue, optei por reduzir à sua verdadeira dimensão uma das obras da artista. Tem de haver limites para o mau gosto.

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por Sérgio Lavos
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70 comentários:
Observatório Da Esquerda Fracturante
E sobre a recente polémica em que a Joana Vasconcelos alega que foi censurada em Versailles a sua obra prima, o lustre gigante feito de tampões higiénicos....o que pensa o Sérgio Lavos? Versailles ficou a perder ou a ganhar com a não exposição do candeeiro da Joana Vasconcelos?

http://www.romandie.com/news/n/Joana_Vasconcelos_pose_un_helicoptere_a_plumes_a_Versailles76160620121611.asp?

http://img228.imageshack.us/img228/1048/55738398.jpg

Cette fois-ci, le débat a été lancé par l'artiste elle-même. Dans un entretien récent au journal portugais "Diario de Noticias", elle a trouvé "dommage" de ne pas avoir pu présenter à Versailles son lustre monumental "La fiancée" (2005) fait de dizaines de milliers de tampons hygiéniques, l'oeuvre ayant été "censurée", selon elle.

deixado a 20/6/12 às 16:41
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Joachim
Não sei o que pensa o Sérgio Lavos mas podes usar os tampões higiénicos que quiseres....


deixado a 20/6/12 às 16:57
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da Maia
Li algures que há um ditado angolano:
"Aqui não se escolhem os capacitados, capacitam-se os escolhidos..."


Parece que Joana Vasconcelos não estava no livrinho de escolhidos. Isso é grave, porque a bicha é grande, e é sempre um tormento dos obedientes aparecer alguém fura-bichas.


Por exemplo, se o Lavos tiver que se pronunciar sobre o "Dona i Ocell" de Miró, tem que achar o máximo, não lhe pode chamar um mamarracho em Barcelona.
É assim o mundo obediente, onde se capacitam os mamarrachos...


Não interessa o que fez, interessa quem fez...
Por isso a cultura transformou-se numa espécie de revista Caras do socialite intelectualóide.


Observatório Da Esquerda Fracturante
Se o Sérgio Lavos fosse secretário da cultura, teria escolhido que artista para representar Portugal na Bienal de Veneza? Há dois ou três nomes que possa adiantar como sendo mais merecedores dessa distinção, na sua opinião?


Se eu fosse secretário de estado da cultura nomearia um comissário, que é sempre um especialista na área, e ele então escolheria o representante de Portugal. O problema, como é evidente, é esta ter sido uma nomeação directa pelo responsável da tutela, portanto política. Porquê?


Alexandre Carvalho da Silveira
O Viegas se não fosse sec de estado, não teria perfil para ser o tal comissário? Ou houve alguem, que estava à espera de uma prebendazinha, porque estes comissariados nunca são de borla, e viu o carcanhol fugir-lhe por entre os dedos?
Já a Clara Ferreira Alves ou o Mega Ferreira,p. ex. de certeza que têm o perfil ideal! 


jhb
Podia até ter perfil, mas uma coisa é certa: o Secretário de Estado da Cultura não tem perfil para ser comissário de exposição.
É uma questão de saber distinguir entre o cargo e quem o ocupa,
algo que é muito raro entre os portugueses...

deixado a 20/6/12 às 19:07
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PedroM
Portanto, se o SEC tivesse politicamente nomeado um comissário da sua área e ideologia, já não havia problema com a escolha, pois não?

deixado a 20/6/12 às 18:24
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Observatório Da Esquerda Fracturante
Possivelmente o actual secretário de estado considera-se tão ou mais especialista na área como os potenciais candidatos a comissários....será que havia, de facto, especialistas na área claramente mais qualificados para fazer a escolha do que o actual secretário de estado? Será que os comissários de anos anteriores eram claramente mais qualificados do que o actual secretário de estado para fazer a escolha? Se sim, se eram claramente mais qualificados, pode criticar-se o secretário de estado e acusá-lo de presunção. Se os comissários de anos anteriores e os potenciais comissários para este ano no fundo percebem tanto (ou tão pouco) do assunto como o secretário de estado actual, penso que terá feito bem em fazer ele a escolha e dispensar comissário....estamos em crise e sempre se poupa o salário do comissário.

deixado a 20/6/12 às 18:30
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Já veio no Publico um potencial comissário preterido a dizer que só é "artista" quem foi devidamente certificado pelas instituições e criticos culturais reconhecidos pelo estado. A Joana, contra todas as regras do "bem estar" ainda não foi...

deixado a 20/6/12 às 19:04
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Carlos Marques
Sérgio,

Ainda não percebeu que o Viegas é um comissário: um comissário político?

O Viegas está ali sem qualificações para o lugar. Deve ter sido terceira ou quarta escolha porque os outros não aceitaram não ser Ministros da Cultura.

Autor de policiais medíocres, de um livro sobre cervejas e só porque dirigiu uma Editora já é Sec. de Estado da Cultura?


comentário de rir e chorar por mais!
Boa malha, bom sentido de humor, boa maledicênciazinha bem portuguesa também, claro. É o que dá o sal á coisa.
E eu que não consigo parar de rir! ahhhhhhhhhhhhhhahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

deixado a 5/7/12 às 18:46
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Discordo totalmente ou seja a 110%.
Nunca um comissário mas sim uma comissão.
Onde come um podem comer cinco.
Um até podia ser eu.
E se eu fosso o Sérgio Lavos era um dos outros.
Temos que nos ajudar uns aos outros.
Pense nisto.

deixado a 20/6/12 às 22:18
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Se houve censura, tem de ser denunciada. Se houvesse mesmo censura, eu no lugar dela ter-me-ia recusado a fazer a exposição, em vez de ter vindo falar disso a alguns dias da inauguração. Simples, não é?


C. Serra
Aí é que bate o ponto!

Foi censurada mas não se importou. Se tivesse coluna vertebral teria recusado expor o resto das obras de "arte".

deixado a 21/6/12 às 18:02
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JEM
Sérgio Lavos, não costumavas fazer aquela série de posts sobre os juros da dívida, a mostrar que o programa de Portugal está a correr muito mal.


Isso já acabou?


Deixo aqui uma notícia do Jornal Negócios de hoje. Não deves ter reparado.


---


Taxa de rendibilidade para os investidores que negoceiam dívida nacional está a recuar em quase todos os prazos, mantendo uma tendência que se verifica há já várias semanas.
Os investidores continuam a reduzir as taxas que exigem para trocar dívida pública portuguesa. Em nove das últimas dez sessões, registou-se uma redução das rendibilidades associadas às taxas de juro implícitas das obrigações nacionais a dois, três e dez anos. 




A taxa de juro implícita das obrigações a dois anos segue a cair 11,1 pontos base para ser negociada nos 8,18%, caindo há cinco sessões consecutivas no mercado secundário. 


A descida destas rendibilidades que são exigidas pelos investidores quando estão a negociar obrigações portuguesas – que acontece como reflexo da subida do preço dessas obrigações – tem vindo a ocorrer com os elogios feitos por várias casas de investimento e dos líderes europeus aos esforços feitos por Portugal no âmbito do programa de resgate acordado no ano passado.


A queda verifica-se em quase todas as maturidades. No prazo a três anos, a “yield” está em mínimos de Março de 2011 ao ser negociada nos 8,11%. Está agora nos 8,23%, ao cair 1 ponto base, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg. 


A cinco anos, o ciclo de quedas é mais prolongado, já que, há 11 sessões que a rendibilidade paga pelos investidores vem a cair. Está em valores que não registava em Abril, mês em que Portugal recorreu a ajuda externa. Os investidores estão a transaccionar obrigações portuguesas a cinco anos com uma taxa de juro implícita de 10,78%. 


A dez anos, a taxa que é mais utilizada como referência, a “yield” só subiu numa das últimas 10 sessões, estando também hoje a deslizar 4,8 pontos base para 10,44%.


Apesar de as taxas continuarem em níveis que mostram que ainda há bastante desconfiança dos investidores face à dívida portuguesa – é impraticável que Portugal se venha a financiar a 10% para vender dívida a dez anos no mercado primário –, a verdade é que as rendibilidades agora praticadas reflectem um alívio em relação aos níveis que já foram pedidos (a taxa chegou aos 18% em Janeiro). No programa de ajuda externa a Portugal, o objectivo é que o regresso do país ao mercado primário se concretize em Setembro de 2013. 


Em Espanha, por exemplo, os alertas soaram nas últimas semanas com a taxa de juro implícita da dívida a dez anos a aproximar, e mesmo ultrapassar, os 7%, o que é, ainda assim, substancialmente inferior aos 10% praticados sobre a dívida portuguesa. Sente-se hoje um alívio nas rendibilidades pedidas pelos investidores na negociação de títulos de dívida de Espanha e de Itália.

deixado a 20/6/12 às 16:43
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Augusto
JEM


E então....


A economia continua afundar-se, o desemprego a aumentar, o consumo das familas a decair, em suma o País está sem rei nem roque, e vem-me o amigo escrever  sobre taxas de rendibilidade.....


Tenha dó.....


Sobre a Joana, mais vale cair em graça do que ser engraçado, está na moda,veremos por quanto tempo mais.

deixado a 20/6/12 às 18:07
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os juros na década de 90 eram tão ou mais elevados do que são actualmente. A título de exemplo, os juros da dívida Alemã chegaram a atingir os 7,5% em 1995 - um valor que hoje é considerado insustentável e que está acima dos valores que "obrigaram" a Grécia, a Irlanda e Portugal a pedir ajuda financeira, e também acima dos actuais juros de Espanha e Itália.

Bom, mas o que é que aconteceu no fim do milénio passado que levou os investidores a reverem brutalmente em baixa os juros de países como Portugal e até a equiparar o risco desses países com o da Alemanha?

Toda a gente sabe, foi criado o euro. E apesar do euro só ter entrado em circulação em 2002, não nos podemos esquecer que foi um processo que começou em 92 com a assinatura do Tratado de Maastricht.



O problema é que a criação do euro não justificava esta convergência total ao nível do risco do país. Se com a criação do euro países como Portugal eliminaram da sua dívida o risco cambial, simultaneamente ganharam outro risco - o risco de falência. Mas esse risco de falência foi ignorado durante mais de 10 anos, e países como Portugal viram as suas dívidas externas aumentar drasticamente, como era de esperar. E o pior é que quando os investidores se aperceberam da situação que eles próprios criaram, estávamos a meio da crise mais severa desde a Grande Depressão, e as consequências estão à vista de todos.



Note-se que entre 1998 e 2007 os juros de Portugal foram, em média, apenas 0.2 pontos percentuais superiores aos da Alemanha (4,5% contra 4,3%) - agora, como toda a gente sabe, a diferença são mais de 10 pp. E perante os EUA, entre 98 e 2000 e entre 2004 e 2007, a dívida Portuguesa pagou mesmo um juro mais baixo do que a dívida da maior economia mundial - e sim, não me enganei, mesmo no recente ano de 2007,  os juros das obrigações a dez anos foram em média de 4,4% em Portugal e de 4,6% nos EUA.



Em suma, os paladinos da austeridade e do germanismo laranjola, que exultam a cada descida ínfima das taxas de juro das obrigações nacionais (ainda por cima no mercado secundário - ou seja, estão garantidas pela "ajuda" externa e ainda beneficiam de duas LTRO de dimensões bíblicas) não estão geneticamente concebidos para analisarem o major trend da evolução da taxa de juro aplicável às obrigações do tesouro dos países ditos periféricos à luz da moeda comum. Ou se calhar estão e limitam-se ao papel de "atiradores de areia para os olhos da malta"..


PS- Convém falar do que se percebe em vez de utilizar a pusilânime arma do "copy paste"..


JEM
Obrigado Daniel Martins pelas suas explicações básicas que não têm nada a ver com o ponto que levantei.


Cada vez que os juros das obrigações sobem, o Sérgio Lavos utiliza isso como prova de que o programa do governo não está a funcionar.


Mas agora que estão a cair e muito, nalgumas maturidades até bastante abaixo de quando portugal pediu ajuda, o Sérgio Lavos deveria ser consequente. Mas prefere ignorar / omitir propositadamente. Porque não lhe convém.


O spread de risco é o que em economia se denomina por "leading indicator". É o primeiro sinal de que os agentes económicos acreditam que as coisas vão começar a melhorar. Já o desemprego é um "lagging
 indicator". Ainda iremos ter de esperar até que inverta a tendência.

deixado a 21/6/12 às 17:05
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Joe Strummer

So what? Todas as areas e segmentos de mercado têm direito ao seu CR7. Da agri-cultura à pesca, da construção civil à militar, da metalomecânica à nanotecnologia. A Ronaldização é o que está a dar, já que foi devidamente antecedida da Mourinhização e da Pinto Costização. Um país de Bimbos versão 3.0.

deixado a 20/6/12 às 17:21
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antónimo
Bem Joe, 


Eu não ligo peva a futebol (e até sou benfiquista), mas Cristiano Ronaldo e Mourinho parecem saber o que fazem na sua área com resultados futebolísticos que se vêem e que ultrapassam o âmbito da fama per si. Não são meros fenómenos mediáticos.


Sem a aura publicitária em seu redor continuariam a ser os melhores do mundo - ou perto disso, tal como já são agora.


Joana Vasconcelos, infelizmente, embora pareça uma rapariga simpática, é uma personalidade mais do âmbito mediático que do artístico.







Joe Strummer

O processo de escolha e quase submetimento nacional não tem a ver com o valor mas sim com o mau gosto, incultura e o mais abjecto populismo. A comercialização da notoriedade.Portugueses importantes existem em todas as áreas até no desporto e fora do futebol. Na capacidade de os descobrir e depos disfrutar reside a nossa inteligência colectiva. Ou de qualquer outro povo.


Antónimo
Mas no caso de CR e de Mourinho decorrre das suas mais-valias a comercialização da notoriedade.

No caso de Joana Vasconcelos há a notoriedade da sua comercialização desde que desistiu de assinar obras sérias como o Sofá Aspirina ou a Cama Valium.

Isso faz um mundo de diferença no que toca à incultura, mau gosto e populismo.

Estes últimos são inegáveis em CR e JV do ponto de vista comercial, mas têm valores diferentes no que toca à justificação de notoriedade.


Joe Strummer

Sim claro, de acordo. Mas a questão não é tanto a justificação da notoriedade mas  o seu apropriamento para criação de role models que os situam como standards do parolismo pop.  Aqui a comercialização da notoriedade não é no estrito sentido mercadológico mas na criação de ídolos, que determinam um comportamento e valor social referencial e padronizado.
A contaminação é depois evidente para outras áreas em que se exige outro nivel de exigência e especialização.

deixado a 20/6/12 às 20:58
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leitor regular
que post nojento… 

deixado a 20/6/12 às 17:30
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berto
Sérgio, você faz-me lembrar o Sousa Lara quando excomungou o Saramago por causa do "Evangelho segundo Jesus Cristo".
Independentemente dos gostos pessoais de cada um, nestas questões de projecção cultural internacional não seria melhor parar um pouquinho para pensar?

deixado a 20/6/12 às 17:31
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O regime laureia e pune!
http://exiladonomundo.blogspot.it/2012/06/hoje-e-o-dia.html

deixado a 20/6/12 às 17:38
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PedroM

Sérgio, você já teve os seus artistas independentes e nada instrumentalizados em comícios, manifestações e protestos pelo seu BE em alta representação da nação em palcos internacionais.
Quem não se encheu de orgulho em Portugal e de inveja nessa Europa fora, ao assistir a esses verdadeiros artistas dos Homens da Luta no Festival da Canção da Eurovisão?


Todos têm os mamarrachos que merecem.

deixado a 20/6/12 às 17:50
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XisPto
Muito bem observado!
.
Como todo o bom esquerdista caviar é, no fundo, um elitista e os Homens na Luta são o pretexto ideal,  sugiro que o SL aproveite e subscreva este comentário. Seria um depoimento para  memória futura muito útil como prova de demarcação crítica relativamente ao BE.

deixado a 20/6/12 às 23:01
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PedroM

"Para não baixar o nível estético deste blogue"
Sim, ele é de altíssimo nível.
Começando no próprio template do blogue e passando pelos óculos à intelectual dos bonecos do cabeçalho, só vemos do melhor.
Mas a cereja no topo do bolo do supremo bom gosto estético do blogue foi ver o Daniel que, com o orgulho dum emigrante que admira o obra que é a sua casa de azulejos, exibia uma pindérica t-shirt de confecção promocional com a piadola diária do email em fontes do Windows e uma retro-escvadora dum qualquer clip-art da net, numa pallete de cores de feira, rematado com uma elegante estampagem a transfer, para ir a tribunal enfrentar o AJJ...
Isso sim, é pura classe.

deixado a 20/6/12 às 18:18
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Party Program
Por uma vez concordo totalmente com o Sérgio, bem haja

deixado a 20/6/12 às 18:23
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João Marçalo
Do seu post concluímos:
. Devia ter sido um comissário a nomear o representante - seria mais um boy/yes man- portanto pouparam trocos aos contribuintes;
. A Diretora do Palácio de Versailles é um bimba nos píncaros do mau gosto - A JV é o 5º artista plástico a expor em Versailles e a 1ª mulher a fazê-lo.
Sérgio, falta de assunto, dor de cotovêlo e alguma invejazinha, daquela tão lusa!
:)

deixado a 20/6/12 às 18:27
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Antónimo
Isso de ser a primeira mulher a fazê-lo é uma treta de uma conversa. Para já, dá a impressão que foi escolhida por ter mamas e não pela qualidade intrínseca. Depois dá impressão que não havia no mundo melhor do que ela, o que é bastante discutível. Até em Portugal.

Depois, pelos vistos, só houve cinco iniciativas destas e ainda agora começaram. Os sistemas só estabilizam ao fim de dez iniciativas, sejam elas de que género forem. Antes não há grande base para tirar conclusões acerca de uma tendência de género (ou outra) na escolha.

Não soaria tremendamente a ridículo dizer que foi a primeira vez que um português foi escolhido e depois irmos ver e descobrir que a coisa ainda foi só foi organizada cinco vezes? É transferir para o facto de ser a primeira mulher nestas circunstâncias.


João Marçalo
Caro Anónimo,
Vou reencaminhar a sua mensagem à diretora do Palácio de Versailles...
A sua argumentação cai pela base por si só...
O facto de ser uma iniciativa recente e tendo em conta que a JV foi o quinto convidado mostra o interesse que o "trabalho" dela despertou nos responsáveis pela iniciativa...
Se a coisa durasse há 25 anos e só agora houvesse um(a) artista português(a) não faltaria quem dissesse que "pois, já tinham esgotado os bons e agora foram ao refugo"...
O facto de ser mulher e ter mamas (e grandes) é importante. E porquê? Porque os trabalhos da JV espelham, do ponto de vista da artista e de vários críticos, essa mesma condição de ter mamas e vagina.
Não sou grande apreciadores dos delírios megalómanos de crochet da JV, assim como não tenho paciência para a estética estática do cinema de Manoel de Oliveira. Reconheço, no entanto, que são trabalhos marcantes e acho que lisonjeador para a "cultura" portuguesa que os mesmos a representem, assim como a Paula Rego, o José Saramago, p exemplo.
É difícil falar com objetividade da arte contemporânea mas os termos do texto do Sérgio e estes do Sr. Anónimo roçam a vendetta e o despeito.


Antónimo
Caro Marçalo, eu sou Antónimo e não Anónimo,

Isso de andar a rodopiar em torno dos cinco anos para em torno deles ir encaixando sucessivas justificações soa algo a esticar a corda.

Não percebo a sua fixação com as mamas. De qualquer forma se é isso que ela expressa talvez valesse a pena mudar de inspirador. Estava bem melhor quando fazia camas valium e cadeiras aspirina.

Toulouse-Lautrec era um anãozinho putanheiro e siflítico e reduzi-lo a um pénis que pintava é algo redutor.

Quanto a Joana Vasconcelos, Não é Duchamp, nem Wharol, quem quer. E para rumar a Versalhes, para pingar sobre o barroco local, não haveria melhor que a produção de feira da Joana Vasconcelos? Afinal o que é um cão coberto com um napron senão um cão coberto com um napron?

A primeira vez terá piada, não mais que isso. Daí para a frente imaginam-se dezenas de situações diferentes. Peças berrantes, ruidosas, que apenas recolhem do ser barulho a projecção pública.


Depois, o post é do Sérgio Lavos. Eu apenas contestei uma ponto de vista seu (com que não concordo) para valorizar Joana Vasconcelos. O valor da exposição ou da artista não radicará nessas singularidades para consumo mediático e alimentação da imprensa.

Pouco me interessa que seja um português a ter projecção. É como com Barroso ou como com os cantores da emigração. Estou-me marimbando para esse patrioteirismo. É o tipo de iniciativa que pode ajudar a rechear uma carteira pessoal, não enriquece o país.

De qualquer forma convém não misturar Oliveira, Saramago e Paula Rego com JV, artista nova - uma Mariza para as artes plásticas. Podiam com vantagem lembrar-se do silêncio de um João Onofre

A única diferença é que uma vai ao Olímpia e outra vai a Versailles.


João Marçalo
Quem falou nas mamas foi o Antónimo...
Tenho que concordar com uma coisa... A JV é a Mariza das artes plásticas...
Mas explique-me uma coisa, por favor. Em ambos os casos, o reconhecimento internacional vem de um lobby qualquer dedicado ao mau gosto? Ou essa malta está feita com Passos, Portas e afins?
Deveria haver um "Comité do Bom Gosto na Arte", semelhante àquele que o PCP propôs na CMLisboa? Onde um conclave de eruditos dita os padrões estéticos para que a restante marabunta aprecie com o devido filtro?
Que se goste ou não é outra coisa. Como já disse, os trabalhos da JV não me estimulam especialmente, mas reconheço que são marcantes e que representam alguma da portugalidade que existe, embora isso cause vergonha a muito sofistiacado urbano que por aí anda...
Cumprimentos


Antónimo
Caro João Marçalo, Falei sim nas "mamas" mas apenas para indicar que era do sexo feminino e distinguir do masculino onde poderia usar "tomates".

E se não há um lobby internacionalizado do mau gosto  há pelo menos um grande lobby do comercial, da massificação do consumo, do que vende, o que se arrisca em muitos casos a ir dar ao mesmo. E é óbvio que JV é das que mais vende em Portugal. E é óbvio que os mercados internacionalizados procuram ir buscar artistas a outros países, prospectar.

Por cá, há uns tempos, ouvi numa loja de artesanato a dona contava que tinha proposto que determinada marca portuguesa antiga voltasse a fazer e lhe vendesse um determinado produtor escolar que em tempos fora muito usado. Recusaram. Depois veio a Catarina Portas e começaram mesmo a produzir esse produto.  Andam aí as lojas dela com sucesso e outras - com projectos semelhantes até anteriores - sobrevivem dos restos do das dela. Não estou a dizer que foi um plano concertado. Estou mesmo a dizer que há quem compre uma marca, uma griffe, mesmo no que parece um produto relativamente culto e de elite, para criaturas urbanas e educadas.

Basta dar na Televisão, e a televisão alimenta-se numa imprensa medíocre e pauperizada que mesmo que tenha dinheiro para adquirir os produtos e para os testar independentemente não o faz. Vende, por isso, aquilo que lhe fazem chegar e também vende o nome. Há mais gente a ler um artigo sobre Catarina Portas do que sobre Maria Silva.

Em tempos, a BBC organizava um concurso de World Music. Bastava olhar para as nomeações (e ouvi-las) para ver que aqueles especialistas misturavam alhos com bugalhos. Ao lado de coisas realmente interessantes, surgiam óbvios pimbas, por exemplo, do médio oriente.

E lá esteve Mariza - que não meto no pimba, apenas na música liofilizada - algumas vezes. Vim para a música pois JV corre o risco da cantora.

O discurso exótico, do galo de barcelos, postal turístico, em plástico, pode enganar quem não conhece a cultura local. Como Mariza engana, num planeta onde está disseminado o culto das vozes histéricas de mulheres, em gargarejos insuportáveis. Dá-lhes Deus voz a elas, apetece dizer.

No meu entendimento, JV repete-se e repete-se - o que até poderia ser uma marca autoral - apesar de soar mais a marca empresarial. Infelizmente não abandona a estética kitsch e do óbvio. E quando entramos no repetitivo, sem outra intenção que não a venda, parece-me que entrámos numa fábrica do velho Ford.

Neste momento, que acrescenta criativamente JV ao produto que eu ou o João Marçalo não pudéssemos acrescentar? Imagino que entre os próximos dela existam reuniões para decidir qual será o próximo objecto doméstico que irão cobrir com rendas. Até julgo que na última pode ter havido alguém a sugerir
que se cobrisse uma televisão a preto e branco com um napron e que em cima deste se pusesse uma jarrinha com flores de plástico. Todos aplaudiram. Como é que nunca ninguém se tinha lembrado disso?


João Marçalo
Compreendo a sua perspectiva.
É uma maneira pertinente de colocar e de enquadrar a questão do trabalho da JV e do reconhecimento internacional.
A propósito desta nossa troca de impressões lembrei-me do quadro  "A Última Ceia" dos Monty Python e da frase frase final do John Cleese, algo como "I'm the bloody Pope I am! I may not know much about art, but I know what I like!".
Confesso que o que me fez confusão mesmo foi os termos do post do SLavos já que tresandou a dor de qualquer coisa...
Nos seus comentários, quando compara a JV à Mariza, fez-se luz... LOL! Obrigado!

deixado a 25/6/12 às 09:51
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