Percebemos o poder de um político olhando para a sua capacidade de resistência. Miguel Relvas, por exemplo, está a cozer em lume brando há longos dias e tem-se revelado dono de uma espessa carapaça. Não admira, sabendo como se sabe que congrega no partido e fora dele um poder fáctico superior ao de Passos Coelho. Mas há sempre um limite. E ele parece estar a ser atingido com as declarações incomodadas de gente de direita, como Bagão Félix, com a notícia de que a PGR está a investigar o caso, e com a persistência do assunto nas ruas e nas redes sociais. Já é seguro afirmar-se que Relvas fez mais pelo anedotário nacional do que uma fornada de praticantes lusos da stand up comedy. O problema aqui é que o caso não é para rir. Deve ter sido por isso que Passos Coelho resolveu enfiar o governo todo na panela, com a evidente esperança de assim fazer baixar a temperatura. Até quando?
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