Se só poder ler um texto hoje, o texto é este. O pediatra Mário Cordeiro escreve no Público sobre a impossibilidade de crianças e adolescentes terem direito de voto. Ainda que o artigo vise sobretudo enquadrar o debate e não tanto defender uma proposta específica, o autor aponta dois caminhos: baixar a idade de voto para os 15 anos e conceder direito de voto às crianças através dos seus pais. Julgo que este último caminho é de evitar: o voto deve ser intransmissível e dá-se um mau sinal entendendo os filhos como extensão dos pais (ou seus tutores legais). Já no que diz respeito ao primeiro caminho, julgo que deve ser motivo de debate e consideração. Se aos 15 (ou aos 16 anos) já tanto se exige aos jovens em termos de opções de vida e de responsabilidades jurídicas porque não conceder-lhe o direito a influir na escolha política?
Porque não? O voto já é um gesto tão diluído de conteúdo real que dá-lo a imberbes não fará muita diferença no resultado final.
Quer defender que há pessoas que nunca fizeram nada para merecer o voto? Não podia estar mais de acordo. Mas a bem do bom senso continuo a dizer que dar qualquer responsabilidade séria a um miúdo de 15 anos é despropositado. Só podemos concluir que o voto não é sério.
ps: Quanto ao fazer mal à democracia, quer num caso quer noutro, não se preocupe. É como um estudante de medicina a abrir um cadáver. O paciente já não pode sentir nada.
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