Entre o Natal e o Ano Novo privatizaram-se quase todos os aeroportos do País. As principais entradas e saídas no território nacional e uma das mais fortes ligações estratégicas com o Brasil e os PALOP. Quem detenha este monopólio tem as chaves da nossa principal atividade exportadora, o turismo. Portugal não está a uma ou duas horas de carro do centro da Europa. Sem controlar os seus aeroportos depende de terceiros para se sair e entrar daqui. Junte-se à ausência de soberania monetária a privatização (obviamente para estrangeiros) da ANA, da TAP, da REN, das Águas de Portugal e dos Correios e a existência do Estado português, como entidade independente, passará a ser uma mera ficção. Sobrará aos governos que elegemos fazer leis e cobrar impostos. De resto, vendeu a privados, em regime de monopólio, todos os mecanismos fundamentais para contribuir para um contexto económico competitivo.
Em defesa desta privatização, o primeiro-ministro disse, satisfeito, duas coisas: que a ANA foi bem vendida e que o PS também a queria vender. As vendas a saldo adivinham-se de tal forma ruinosa para o País que uma venda normal parece excelente. Só que Pedro Passos Coelho não é um vendedor. Se fosse, ganhava à comissão. É primeiro-ministro. E a razão porque esta venda é um erro é a razão porque a a ANA é tão valiosa: trata-se de uma empresa-chave para o melhor negócio em Portugal. Não é por acaso que a ANA tem uma rendibilidade de 47%. Provavelmente uma das mais altas de todas as grandes empresas portuguesas. Dinheiro que o Estado vai perder. A Passos Coelho o que interessa não é saber se esta privatização é certa ou errada. Interessa saber se o PS pode criticar. Se estiverem os dois errados, tudo está certo. Porque o debate não se faz com o País, faz-se entre os dois.
No País do bloco central, nada de essencial deve ser debatido. O que interessa não é saber se uma reforma estrutural deve ou não ser feita. Se é "reforma estrutural" é bom. A única coisa que se tem de debater é se está a ser bem feita. Não interessa discutir se a austeridade é o caminho certo. É inevitável, como tudo o que nos acontece há séculos. Não pode, como diz Seguro, é ser "custe o que custar". Não se discute o projeto europeu porque somos todos europeístas. Discute-se a nossa imagem na Europa. Não se discutem as privatizações, porque privatizar é moderno e nacionalizar (a não ser que sejam bancos falidos) é radical. Do debate devem ser afastadas todas as clivagens políticas e grandes opções económicas. Ficam a forma de o fazer e os lugares comuns que nunca ninguém se deu ao trabalho de discutir.
Ainda assim, arrisco-me a discutir o essencial: todas as privatizações que estão a ser preparadas são um erro histórico. Seja quem for o comprador, sejam opacas ou transparentes, seja o preço alto ou baixo. Porque se tratam deempresas estratégicas para um País intervencionado e sem qualquer autonomia para atuar em quase todas as variáveis da sua economia. Porque são tudo o que nos sobra. Porque depois de vendidas e de passada a crise não estarão lá outra vez. Porque não se vende um património que pertence aos nossos filhos e aos nossos netos para acertar meio ponto no défice do orçamento de um ano. Pelo menos sem um debate sério sobre o que é fundamental: queremos mesmo ser um País independente ou já desistimos disso?
Publicado no Expresso Online
Claramente já desistimos disso.
Quanto à solidariedade intergeracional já tivemos todas as provas que precisamos na questão da precariedade. Não existiu nada enquanto o assunto disse respeito a pessoas abaixo dos 40 anos.
Só hoje e para quem quiser ou puder entender:
«O ano de 2012 terminou com a morte do capitão de Abril, Marques Júnior. Foi um cravo perdido no jardim da liberdade, a pétala de rosa que murchou, a folha caída da árvore que plantou.
E esta lágrima teimosa a lembrar-me que com ele morre também um pouco de mim e dos sonhos que todos os dias nos roubam. É preciso recomeçar para que Abril seja mês todo o ano e 25 permaneça o dia de todos os sonhos mesmo quando um sonhador nos deixa.»
Este texto foi retirado daqui:
http://www.diariodeunsateus.net/2013/01/0
Em nome da família Correia, muito obrigada ao Carlos Esperança.
Cristina
fado alexandrino
Teremos oportunidade de falar sobre o conteúdo da sua resposta, num outro post.
Neste, retribuo os votos de um bom 2013 para si e para a sua família.
Cumprimentos
Cristina
Olympus Mons
Quase jurava que uma das características dos DAD era a de entender tudo, devido à sua extraordinária capacidade de compreender o comportamento tribal dos CAD esquerdóides, portadores do gene Neanderthal…
Talvez a tua condição de terráqueo emigrante em Marte possa justificar essa pequena dissonância ou seja lá o que for…
Só por Curiosity, achas que o Gaspar é um CAD direitóide e o Coelho um DAD esquizofrénico?
Um bom 2013 para ti.
Cumprimentos
Cristina
PS: Esta resposta é baseada nos teus ensinamentos anteriores e por isso, espero que a entendas.
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