O Luís M. Jorge tem toda a razão. O relatório que o Governo PSD/CDS (a prestimosa colaboração deste partido hipócrita e oportunista na feitura do documento já foi hoje denunciada hoje no Público) encomendou ao FMI não é para levar a sério. Mais: é um ponto de partida desonesto, uma manobra de gente canalha e sem escrúpulos, e tem como principal objectivo tornar aceitável o relatório final a ser apresentado em Fevereiro. As agências de comunicação a as arrastadeiras do Governo estão a fazer o seu trabalho, na comunicação social, nos blogues, nas televisões. A oposição tem de fazer o seu: recusar liminarmente qualquer discussão - o PCP esteve bem no seu apelo ao boicote à comissão parlamentar proposta pelo PSD/CDS - que envolva um documento que parte de falsas premissas, utiliza dados estatísticos errados ou viciados e chega a conclusões abusivas e marcadamente devedoras de uma ideologia ultraminoritária mesmo dentro da direita - o liberalismo que defende o estado mínimo - e que sobretudo não foi sufragada. E não esquecer: os 4 000 milhões de corte correspondem a um buraco orçamental resultante do falhanço total da receita de austeridade aplicada pelo Governo. Fica aqui o texto do Luís M. Jorge:
"(...) O “relatório” não é um documento técnico, é uma posição negocial. Mais exactamente, é aquilo a que em negociação se chama uma “proposta escandalosa” — serve apenas para definir uma plataforma que dá vantagens ridículas a quem inicia a conversa. Qualquer tipo que perceba destas merdas sabe que a uma “proposta escandalosa” se responde com outra: por exemplo, diminuir para um décimo o ordenado dos políticos, nacionalizar a banca, etc. Não existe outra estratégia razoável até que o interlocutor aceite partir de uma base honesta para a negociação. Só um chico-esperto propõe um “documento” daqueles. Só um pobre de espírito aceita “discutir” um documento daqueles. Há muita gente de direita que sabe isto tão bem como eu e devia ter vergonha, mas não tem. Pobre do partido, pobre do país que entrar no “debate”."
Considero esta actual campanha do PS — de culpabilização de tudo o que mexe à esquerda do PS — pouco séria. Os partidos à esquerda do PS são coerentes: manifestam-se contra o modelo ocidental e não escondem as suas teses dos eleitorados, razão essencial por que recebem tão fraco acolhimento. Devo decerto lembrar que o BE foi duramente castigado pelo eleitorado centrista, nas últimas eleições.
Como eu aqui já disse, e volto a repetir, o PS perdeu as eleições ao centro, junto de um eleitorado que vota com grande dificuldade no BE e nunca no PCP. Trata-se de um eleitorado que foi duramente martelado, durante alguns anos, pelo Medina Carreira e outros agentes de intoxicação e desinformação. Por seu turno o PS, tratando sempre com esse eleitorado através de meias verdades e informação truncada — em vez de o educar com a verdade — acabou apanhado na ratoeira. Repito: o PS morreu na ratoeira — da “consolidação” orçamental e da “racionalização” do Estado — que ele próprio ajudou a erigir.
Devo também lembrar que o PEC 4 era, ele próprio, um documento inconsistente, que exigiria medidas de austeridade subsequentes para alcançar os seus objectivos genéricos — os mesmos que estão no memorando. O PEC 4 não foi suficientemente discutido; melhor dizendo, nem foi marginalmente discutido! Foi apresentado de surpresa — numa tentativa, creio, de agradar aos mercados financeiros com o palavreado que eles gostam, mas evitando enunciar todas as medidas necessárias à materialização dos seus objectivos genéricos. (Mas resta saber se os mercados se deixariam mistificar dessa forma…)
Ao mesmo tempo, é bem sabido que o PSD — com dificuldades crónicas em ver sufragado o seu programa retrógrado junto do eleitorado português moderno e urbano — estava com fome do poder. Aproveitando a oportunidade que o PS lhe oferecera de bandeja, o partido laranja foi para os meios de intoxicação social criticar o PEC 4, apresentando-o como um facto consumado acordado às escondidas entre José Sócrates e Angela Merkel, afirmando que Portugal estava reduzido a um protectorado alemão e, pasme-se, que tudo aquilo constituía uma reles traição à pátria lusa! Ao mesmo tempo que alardeavam toda esta demagogia, os laranjas planeavam trair o eleitorado que engodavam, trocando o apoio do povo pelo apoio dos FoMInhas.
Eu gostaria que o PS reflectisse sobre o seguinte facto: tendo em conta o que aconteceu nos Açores, eu não tenho dúvidas que os socialistas terão um resultado eleitoral histórico, nas próximas legislativas, e que obterão uma maioria absoluta confortável. O PSD será duramente castigado, enquanto BE e PCP terão grande dificuldade em ver acolhido, pelo eleitorado não radical, o seu programa de confronto como a finança ocidental. O problema, porém, será o que depois fazer com tal maioria. O PS precisará de um programa coerente, com objectivos que correspondam às reais necessidades (e possibilidades) do país. Como esse programa será muito difícil, o povo tem que estar devidamente informado para poder participar das reais decisões. Caso contrário acontecerá o mesmo, ao próximo governo PS, que aconteceu ao anterior: será apanhado na sua própria ratoeira comunicacional. A verdadeira legitimidade democrática é a que se baseia na participação do povo, através do voto, nas decisões políticas reais, e não num concurso de personalidades baseado em chavões publicitários. Não ajudará o PS se se fizer eleger com base num programa eleitoral vago, suportado em propaganda eleitoral que radique em meias verdades e mistificações da realidade.
Também não ajudará em nada o PS se este partido, subsequentemente à sua próxima vitória eleitoral, ousar sacrificar o apoio do povo português ao apoio dos FoMInhas.
Notem, contudo, que há uma contradição — um par tese-antítese, da dialéctica hegeliana — no texto acima. É um espelho da situação presente da sociedade portuguesa. Pensem agora vós em tudo o que — de dilema — há que pensar…
Primo António Cunha
Desculpa, mas isso é um programa de governo ou um conjunto de banalidades, sem qualquer medida concreta para o executar?
Mais concreto do que isso, está aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=Q9DW1XmCc
Pronto, isto era no tempo de não querer ir ao pote…
Depois, como se apotou, já vale tudo, até tirar olhos, não é?
Se o Sócrates era o Pinóquio, o Coelho é o quê?
Um grande abraço do cota
Beijocas
CristinaPrimo António Cunha
Se calhar, a menina de Palmela não reunia as condições para se reformar, quando tinha menos seis anos:
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Inter
Como é aquela do diz o roto…?
Um grande abraço do cota
Beijocas
Cristina
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