Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013
por Sérgio Lavos

Emigrar pode ser apenas uma escolha, mas quando é por necessidade última, porque o país não consegue criar condições para as pessoas ficarem juntos dos seus, das suas raízes, já estamos a falar de política. Toda a conversa sobre "mobilidade laboral" e "globalização do trabalho" não passa de fumo lançado para encobrir as políticas económicas que estão a forçar a saída não só da geração mais qualificada de sempre, mas também de muitos portugueses mais velhos e menos qualificados, que pura e simplesmente não encontram trabalho em Portugal. 

 

Ainda a propósito de mais um execrável Prós & Contras no qual os convidados via Skype eram todos exemplo de uma emigração por escolha, e não por obrigação, a qual constitui a maior parte dos casos registados nos últimos anos (todos nós, os que ficamos, conhecemos pessoas que estão a emigrar deixando ficar a família, trabalhando em empregos pouco qualificados, em sobre-exploração), ficam aqui as palavras do escritor Rentes de Carvalho, ele próprio emigrante forçado na Holanda por razões políticas:

"De um ponto de vista social, a emigração portuguesa constitui a manifestação de uma forma de escravatura que subsiste ainda hoje. De um ponto de vista ético, a emigração portuguesa significa a negação constante do direito mais elementar da pessoa: o direito à vida no próprio país. De um ponto de vista político, a emigração portuguesa supõe a renúncia à revolta".


por Sérgio Lavos
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13 comentários:
Anónimo

"Rentes de Carvalho, ele próprio emigrante forçado na Holanda por razões políticas"
Pois, como a sede da Jerónimo Martins. Também "emigrou" por razões políticas (política fiscal): cá não lhe davam as mesmas condições que a Holanda lhes deu - à JM e ao RdC.

deixado a 28/1/13 às 12:41
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Anónimo

"trabalhando em empregos pouco qualificados, em sobre-exploração"
Mas não é disso que fogem cá?

deixado a 28/1/13 às 12:43
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Não, estão a fugir mesmo é de NÃO TEREM qualquer emprego.


Anónimo

Mal por mal, não seria melhor trabalhar por cá em "empregos pouco qualificados, em sobre-exploração" do que emigrar para se submeterem ao mesmo no estrangeiro?


Já agora, isso de linkar o nome para um blogue falso que não existe é porquê?



 

É porque isso não aquece nem arrefece a discussão, entendes?


Se calhar não, já que também não entendeste a minha resposta...

deixado a 1/2/13 às 15:12
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É porque isso não aquece nem arrefece a discussão, entendes?


Se calhar não, já que também não entendeste a minha resposta...

deixado a 1/2/13 às 15:13
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Rafael Ortega
Olhe que antes da crise estalar já falava com muitos jovens que queriam ir embora.

A crise só acelerou a fuga. Só mantêm o pessoal aqui no paraíso socialista dos direitos adquiridos se construirem um muro à volta.
Há muita gente que não quer pagar os direitos dos outros e não ver nada quando for a sua vez.

deixado a 28/1/13 às 13:33
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O país chegou onde chegou porque se andou anos e anos a subsidiar as pessoas para não trabalharem.


Não há estímulos para ser competitivo, é tudo direitos adquiridos e ninguém se esforça !


Os jovens vivem há sombra dos seus paizinhos, e mesmo com 40 e muitos anos vivem de subsídios e apoios da familia.


No Brasil os miúdos aos 19 anos são independentes e saem de casa !

deixado a 28/1/13 às 14:08
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Nazi da Gramática
"Os jovens vivem há sombra dos seus paizinhos" deve ser "Os jovens vivem À sombra dos seus paizinhos".


obrigado Edite Estrela !

deixado a 28/1/13 às 14:47
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A verdade é como o azeite...


Nota de esclarecimento sobre a sentença e o despacho proferidos no processo n.º 8867/05.TMNST
da 2 secção do Juízo de Família e Menores do Tribunal de Sintra



Face às notícias que têm sido veiculadas na imprensa e em articulação com a Sra. juíza presidente do Tribunal da Comarca da Grande Lisboa Noroeste, presta-se o seguinte esclarecimento sobre as decisões proferidas no âmbito do processo de protecção e promoção de menores n. 8867/05.5TMNST.




Este esclarecimento público, dada a matéria em causa e a natureza dos interesses envolvidos, tem natureza excepcional, tendo sido determinado face à relevância do assunto e à necessidade de repor a verdade dos factos.




O processo identificado supra é um processo de promoção e protecção de menores instaurado no ano de 2005.

Desde 2007 que o acompanhamento da situação da família em causa concentrou esforços no sentido de se evitar uma situação de separação entre a mãe e os filhos.

Em Junho de 2009, em conferência destinada à obtenção de acordo de promoção e protecção de cinco menores, foi homologado um acordo estabelecido entre os progenitores dos menores em risco, o Procurador da República, a técnica da ECJ e uma responsável do programa "Escolhas", através do qual, com o objectivo de evitar a separação das crianças do seu ambiente familiar, os pais assumiram, voluntariamente vários compromissos.

Entre esses compromissos a mãe dos menores obrigou-se a fazer prova do seu acompanhamento no hospital Fernando Fonseca, no âmbito do seu processo de laqueação de trompas.




Como resulta do compromisso assumido, não foi a decisão judicial que obrigou a mãe dos menores a submeter-se a qualquer tratamento ou cuidado médico. A laqueação de trompas foi algo que a mãe havia já aceitado voluntariamente fazer, no âmbito do acompanhamento médico relativo ao planeamento familiar.

Em Maio de 2012 foi proferida decisão que aplicou várias medidas de promoção e protecção a nove menores considerados em risco, entre as quais determinou, relativamente a sete deles, a medida de confiança a instituição para futura adopção. Esta decisão, que refere que a mãe efectivamente não procedeu à laqueação das trompas (o que traduziu uma violação de um compromisso assumido em acordo de promoção e protecção), não determinou a confiança dos menores a uma instituição por essa razão. A decisão foi tomada em virtude da incapacidade dos progenitores em garantir às crianças condições de vida minimamente adequadas, pelo que estas se encontravam em perigo.

O tribunal analisou a situação das diversas crianças e, relativamente àquelas em que era viável continuarem aos cuidados da progenitora, decidiu nesse sentido, impondo algumas condições, nenhuma das quais passava pela laqueação de trompas ou por deixar de gerar filhos.

Após a decisão que aplicou as medidas de confiança a sete das crianças em causa a progenitora deu novamente o seu acordo para ser seguida em consultas de planeamento familiar, o que não lhe foi imposto, antes aceite por si.

deixado a 28/1/13 às 14:45
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Anónimo
É disso que se trata, escravatura, há demasiada gente que procura disfarçar a indecência fingindo não perceber o que está em causa, é importante a clareza das palavras, é importante saber quem defende o quê, as palavras suaves e os discursos contidos legitimam os actos bárbaros.

deixado a 28/1/13 às 16:34
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Excelente, Rentes de Carvalho...


Contudo, a pergunta milionária é: se os que se opõem ao atual "guverno", mas festejaram o derrube do anterior, soubessem em Março de 2011 tudo o que estava para vir, como sabem hoje (e já que não tiveram talento para o antecipar nessa data...), continuariam apesar disso a votar contra o PEC 4?


Se a resposta é sim, então que fique bem claro que as suas dores não me comovem de maneira nenhuma. Eu tenho filhos!

deixado a 1/2/13 às 12:49
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