Quarta-feira, 28 de Junho de 2006
por Daniel Oliveira
«No fundo, o que Vital Moreira está a defender é que a liberdade sindical só é possível se o sindicalismo for pago pelo patrão e se for exercido no tempo do patrão» diz João Miranda criticando a posição de Vital Moreira que, por sua vez, critica os sindicatos dos professores por excesso de dispensas mas, ainda assim, defendendo que elas devem existir. Um diz mata e outro esfola o que diz mata. «Tempo do patrão», é assim que João Miranda defende que se deve chamar ao nosso horário de trabalho. O tempo não é nosso. Não é da empresa. Não é do trabalho. É do patrão. Como nós. Somos do patrão. Felizmente o patrão não é João Miranda.

por Daniel Oliveira
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Mário Tomé
Como diz Juca, parece que as empresas são obrigadas a dar emprego e não trabalho!
Juca esquece-se de duzentos anos de relações de trabalho, de lutas dos trabalhadores, de repressões brutais, tudo por causa de uma coisa muito simples: a apropriação do tempo de trabalho.
Como o trabalhador à partida só tem uma liberdade garantida em absoluto (isto depois de ter acabado a escravatura, onde acabou - é ver o que acontece com emigrantes portugueses em Espanha, na Holanda e na Islândia)que é a de vender a sua força de trabalho, ele pode fazê-lo onde quiser.
Mas como tem de comer para não morrer de fome e como tem de alimentar os seus filhos, a prole!, porque se não o fizer o próprio capitalista, o patrão ou o empreendedor como agora é mais distinto chamar-se, fica chateado porque precisa de muitos proletas para poder ter sempre a chantagem sobre quem trabalha, se refilas há lá fora muitos mais, o trabalhador, dizia eu, tem que trabalhar pelo salário que lhe é imposto. O patrão qur sempre pagar - porque quer o maior lucro possível, para ganhar a concorrência - salário menor possível. E esse sala´rio menor possível tem que ser o necessa´rio apenas que p trabalhador não caia de inanição e possa fazer filhos e dar-lhes o mínimo necessário a que eles sobrevivam para livremente venderem a sua força de trabalho. Paga-lhes portanto em tempo de trabalho, o tempo socialmente necessário para aqueles pressupostos se verificarem. Mas o tarbalhador trabalha muito mais tempo do que esse. Já trabalhou doze, dez, oito horas por dia, conforme a luta e a organização dos trabalhadores consegue impor-se à força dos patrões e à repressão dos estados.
Portanto o tempo não é do patrão nem é do tarbalhador. O tempo é objecto de disputa.
Nesta disputa o aperfeiçoamento das técnicas e tecnologias de produção permitiria que os trabalhadores trabalhassem muito menos (foram quase dois séculos p+ara +assar de doze para oito horas com massacres pelo meio, o 1º de Maio evoca um deles em Chicado...)tempo. Mas o patrão prefere despedí-los, até porque com a tecnologia que aumenta a produtividade e a concorrência, a taxa de lucro baixa, e é preciso sacar aos suspeitos do costume: menos gente a trabalhar, mais horas de trabalho (outra vez!) menos salários - se lerem os mais recentes jornais e suplementos económicos... aumentos salariais abaixo da inflacção e dos ganhos de produtividade.
Claro que o sistema precisa de propagandistas à altura, que justifiquem a espoliação bárbara e tentem demonstrar que o tempo é do patrão que faz o favor de dar trabalho.

deixado a 28/6/06 às 19:18
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