Diz-se que a lamentável cabeçada com que Zidane se despediu do futebol nasceu de uma frase nojenta do defesa italiano Marco Materazzi. Terá chamada ao francês de origem magrebina «porco terrorista». Não estava ali ao lado e ao contrário dos surdos brasileiros não sei ler os lábios. Se for verdade, um homem com a classe de Zidane não devia dar ouvidos a labregos. E andar por aí a dar cabeçadas a todos os cretinos que nos passam pela frente não é lá muito recomendável.
A resposta de sonsinho de Materazzi deixou-me desconfiado: «É completamente falso. Não o chamei terrorista. Sou ignorante, nem sei o que significa essa palavra». Ignorante até pode ser. Mas supomos que não esteve em Marte nos últimos anos. Ok, "porco" em francês e em italiano é um pouco diferente. Mas "terrorista"?
Há, no entanto, rumores menos políticos. Um diz que houve uma insinuação sobre o envolvimento de Zidane num caso de doping, o que me parece um pouco elaborado de mais para dizer entre duas cuspidelas para o relvado. Outro, mais banal, garante que Materazzi teria posto em causa a pureza das senhoras da família Zidane, coisa grave para qualquer magrebino ou latino.
A verdade é esta: foi bem expulso e do que lhe disse o italiano nunca saberemos nada. Mas se Zidane se despediu de uma carreira brilhante com uma cabeçada, que tenha sido por uma razão que valha a pena. Eu voto no «porco terrorista». Acusar mães e irmãs de prostituição já está muito visto. Zidane merece melhor.
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