Esta semana foi assassinada uma jornalista russa, com uma longa história de perseguição e ameaças pelas suas denuncias sobre o que se passa na Tchechénia. Preparava um artigo sobre a tortura naquele território.
"Após um breve interlúdio eltsiniano, a Rússia, amputada das «repúblicas irmãs» da URSS, sentiu que não era capaz de viver confortavelmente sem tradições nem ambições imperiais. Teve necessidade de um «pequeno» e de um «mau» para poder sentir-se grande e importante. A alegria orgásmica de ser uma potência alimenta-se do esmagamento, da humilhação do outro, que se pode pisar com total impunidade. O princípio é simples: aqui, é a zona de residência para os «maus» que é preciso reeducar; lá, comparado com este inferno, o resto do território russo onde vivem os «bons» parece um paraíso".
Anna Politkovskaia, "Tchechénia, a desonra russa"
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