Não vale a pena ler a moção de José Sócrates ao congresso do PS. Um panegírico ao governo, um monótono caderno de encargos. Nem digo zero de debate ideológico. Seria pedir demais. Zero de política. Papel do Estado e economia: banalidades que poderiam ser assinadas por qualquer dirigente do PSD. Política externa: sempre e nunca mais do que o bom aluno europeu. Fica-lhe o liberalismo nos costumes. Uma moção naquele politiquês vazio a que nos habituou. «A principal prioridade do PS é clara: merecer a confiança dos portugueses.» E ponto, é isto. Já a oposição interna, corajosa mas com falta de rasgo e liderança, fica-se pelo papel de consciência critica.
Mais por estilo do que por convicção, Sócrates queria ser Blair e queria ser Zapatero. Só que Blair fez uma escolha táctica com consequências ideológicas: a destruição do que restava da forte esquerda sindical britânica que dominava o seu partido. Sócrates não tem nada para destruir. Só que Zapatero fez uma escolha estratégica: a tentativa de se afirmar como alternativa à decadência do centro-esquerda europeu. Sócrates limita-se a repetir o que Durão Barroso começou. A Sócrates caem bem as causas modernas, o estilo autoritário, o simplex e o fato. Mas é apenas isso: um cabide.
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