Sábado, 14 de Outubro de 2006
por Daniel Oliveira



O disparate anda à solta. Os blogues neo-liberias ficaram excitadissimos porque o Nobel da Paz teria sido dado a um banqueiro.

Primeiro: Muhammad Yunus não é dono do Grameen Bank. Como ele próprio explica: «Não queremos ganhar dinheiro, não é esse o nosso objectivo. Existe um plano de poupanças que atribui uma acção por cada dois dólares. Por isso, os nossos 2,4 milhões de clientes são os donos do banco.»

Segundo: Yunus criou este banco exactamente para tirar as pessoas mais pobres das mãos de quem explorava a sua miséria - «Vi como as pessoas sofriam, como estavam dependentes dos usurários que lhes emprestavam dinheiro, quase sempre montantes muito pequenos.».

Terceiro: avançou com este tipo de microcrédito porque os bancos não davam (e não dão) empéstimos aos mais pobres: «Porque não ir mais longe e emprestar mais dinheiro às pessoas? E isso levou-me ao banco, que recusou emprestar dinheiro a pobres sob o pretexto de que eles o gastariam todo em bens de primeira necessidade e seriam incapazes de reembolsá-lo. Além disso, não tinham garantias reais e as quantias eram tão insignificantes que o negócio não tinha interesse. Após seis meses de negociações, concordaram finalmente em emprestar-lhes dinheiro, mas tendo-me a mim como fiador. E funcionou! As pessoas pagavam regularmente os seus reembolsos e isso entusiasmou-me e encorajou-me a estender estes empréstimos a outras aldeias. Ao fim de algum tempo, pensei em criar um banco independente e propus a ideia ao Governo.»

O microcrédito não é o capitalismo financeiro em pequenino. É a criação de condições de autonomia para os mais pobres sobreviverem no mercado, porque o mercado os deixa invariavelmente de fora. É uma batota, porque não dá rendimentos a quem o criou mas apenas a quem o utiliza. Uma excelente batota.

Só uma ajudinha para estes incautos neo-liberais,demasiado excitados com as suas próprias máximas (com algumas excepções) para saberem o que se passa pelo Mundo: quem tem implementado programas mais vastos de microcrédito, quem é? Hugo Chávez e Lula. Continuam entusiasmados?


por Daniel Oliveira
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22 comentários:
350euros

deixado a 18/7/07 às 13:43
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Daniel Oliveira
«Daniel!! este Post não tem por onde se lhe pegue!!».

Bruno, você já escreveu isso sobre vários posts e depois explicou que eu não estava preparado e depois ou não disse nada ou meteu os pés pelas mãos. Sabe que ser arrogante dá algum trabalho. Não basta fazer pose altiva. Se quer debater, debata. Se só tem isso a dizer, não vale a pena dar-se ao trabalho de dizer nada.

deixado a 16/10/06 às 12:05
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bruno ferreira
Daniel!! este Post não tem por onde se lhe pegue!! É um poço de contradições e confusões!! É uma precipitação enunciativa e demonstra falta de preparaçao sobre a natureza das coisas!! Devemos saber quando estamos, e podemos, propagar acerca do "Dever-Ser" e devemos saber ser meramente recognitivos em relação ao "Ser"!!

deixado a 16/10/06 às 11:39
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Lula e Chavez não implementaram o qualquer programa de micro-crédito. mas de esmolas. A diferença é que no primeiro há retorno, no segundo, não.

deixado a 16/10/06 às 09:18
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charles
acontece haver questões da maior importância em que me revejo no Daniel, completamente, como esta, com o ganho de ainda o achar quase exaustivo e excelente

então penso, que me importa onde mora o partido que aqui e ali parece derivar do que ão tenho, se na visão geral e parcelar do Mundo somos coniventes?

sendo que desta ainda registo com agrado a sua referência positiva a essas duas figuras a que nem se tem poupado a crítica, circunstancialmente

deixado a 15/10/06 às 20:30
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agitador
ah ah ah

desculpem, mas o comentario do mig pt não merece comentarios só me saiu isto.

ah ah ah

deixado a 15/10/06 às 18:47
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MigPt
O Daniel anda aos poucos a perceber o que é Corporate Finance. Agora até já sabe que o lucro não é o demónio que a cartilha marxista lhe ensinou. Começa a perceber que do lucro pode haver duas opções, ou é reenvestido ou é distribuído (palavra tão cara aos marxistas)pelos accionistas. Agora já sei que quando uma instituição financeira portuguesa não distribuir dividendos, por exemplo por motivos de sinalização, o nosso novo especialista em Corporate Finance ficará muito contente. Já agora, a propósito de donos de bancos, quem é o dono do BCP?

deixado a 15/10/06 às 18:34
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Daniel Oliveira
1. O objectivo do Capitalismo é uma coisa e o dos capitalistas é outra coisa. O Capitalismo, sendo um sistema económico, não tem nem deixa de ter objectivos porque não tem uma vontade própria
2. Não, o objectivo dos capitalistas não é enriquecer as pessoas, é o seu próprio lucro.
3. Nã é por acaso que Muhammad Yunus não é dono do seu bando. Tivesse o seu banco accionistas, que não os seus clientes, e toda a sua política teria de ser alterada para impedir, por exemplo, o crédito mal-parado.
4. Repito que o banco recebeu apoio estatal.

deixado a 15/10/06 às 18:27
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Nuno F.
"Nuno F, nós vivemos em sociedades capitalistas e este tipo de projectos também. A questão, como já disse, são os objectivos."

Nao, Daniel.
O capitalismo não é aquilo que você acha que ele devia ser.
Há capitalistas preocupados com o bem estar dos outros e há capitalistas selvagens.
Enfim, os capitalistas são seres humanos que agem, como qualquer ser humano.
Você pode não estar de acordo com certos actos capitalistas. Até aí tudo bem.
O que não pode dizer é que o capitalismo em si, não trás riqueza para as pessoas, bem pelo contrário! E o GB é um excelente exemplo disso.
Tentar florear e dizer que o GB não é bem capitalismo, isso é demagogia.
Em relação aos "objectivos do capitalismo", eles são sempre os mesmos. Em maior ou em menor escala: Enriquecer as pessoas.
E isso só se consegue através de actos capitalistas.

Já agora, gostei da sua expressão "comércio justo"...

deixado a 15/10/06 às 15:28
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"Já agora, este post do Insurgente que (curioso) parece-me ir no mesmo sentido que o Daniel Oliveira"

Como escrevi no post, não sei o suficiente para ter uma opinião definitiva, até porque é uma matéria bastante complexa.

À partida, a subsidiação deste tipo de iniciativas não me parece em si mesma uma das formas de de intervencionismo mais destrutivas mas tenho dúvidas tanto sobre os efeitos líquidos dos programas (ver os estudos de Jonathan Morduch, que numa primeira leitura me parecem bastante consistentes) como de que seja um fenómeno que deva entusiasmar os liberais (pelas razões apontadas nos artigos do Jeffrey Tucker, ainda que eu não partilhe todas as objecções dele).

deixado a 15/10/06 às 01:22
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