Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
por Daniel Oliveira
Não é preciso grande esforço para perceber que os oitenta por cento garantidos pela CGTP e os 13 por cento de adesão dos funcionários do Estado apontados pelo governo não são números para levar a sério. Para quem acompanhou as anteriores greves gerais e esta, uma coisa fica clara: foi a mais fraca greve geral até hoje organizada em Portugal.

Escrevi aqui: «As lutas têm o seu modo e o seu tempo. Falhar nelas é piorar o que já está péssimo. As boas razões para esta greve são as que mereceriam os melhores procedimentos. Esperemos que as agendas partidárias não funcionem contra os objectivos justos desta greve. Esperemos que com tantas boas razões para ser punido, José Sócrates não saia dela reforçado. Se assim for, alguém terá de explicar porquê. Se assim não for, estão de parabéns e serei o primeiro, com genuína alegria, a rejubilar. Esperemos que eu me engane.»

Esta greve era justa em todas as suas razões. Apoiei-a e, como cidadão, tentei com os meus fracos recursos individuais que corresse bem. Achava, como se depreendia facilmente pelos meus textos, que ela não acertava no tempo e no modo. Mas não sou sindicalista e não me cabe a mim marcar greves. Se concordava com as razões, restava-me tentar que corresse bem. Em tempo de guerra não se limpam armas, se me permitem a metáfora talvez demasiado bélica. Correu mal (apesar de muito melhor do que tenta vender o governo e os seus apoiantes), mesmo que isso custe a todos os que consideram, como eu, que este governo está a ser uma tragédia para o futuro do país e que representa a consumação, de forma ainda mais violenta, do programa político do emigrado Durão Barroso.

Vistos os resultados, a greve foi, como salta aos olhos de qualquer pessoa razoável, prematura. E isso aconteceu porque houve pressões vindas de uma sede partidária para a sua precipitação. Desconheço as razões deste disparate. Lamentavelmente, demasiados sindicalistas esqueceram-se que representam os trabalhadores e não o seu partido político. O resultado é trágico: Sócrates ganha um balão de oxigénio e quando vier o pacote da flexibilidade sem qualquer segurança a "bomba atómica" já foi usada. A greve não conseguiu traduzir com justiça o descontentamento que se sente, nem nos sectores onde ele é mais agudo. E palpita-me que ninguém se vai dar ao trabalho de tirar deste disparate todas consequências.

Espero pelo menos que tenha servido para que a CGTP se liberte das ordens de controleiros partidários. Mas duvido. Sobretudo quando sabemos que um homem lúcido como Carvalho da Silva está já com guia de marcha para bem longe. Assim não vamos lá.

por Daniel Oliveira
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Daniel Oliveira
Rogério, fui dirigente estudantil e faço política extra-partidária há mais de vinte anos. Poderá estar em desacordo comigo, mas escusa de se pôr em bicos de pé para falar comigo. Diga lá qual foi a última luta dirigida pelo PCP que, depois de tantas batalhas, foi ganha. Tivéssemos seguido a estratégia do PCP na questão do aborto e o resultado teria sido, muito provavelmente, o mesmo. Felizmente não seguimos e, sem perceber nada de lutas, ganhámos.

deixado a 1/6/07 às 19:32
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