Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira



Ao contrário do que se pensava à hora de fecho dos jornais, com quase um empate (51% para o não e 49% para o sim), Chávez perdeu o referendo à revisão constitucional. Chávez assumiu a derrota. Provam-se duas coisas: que a Venezuela não é uma ditadura e que os venezuelanos são sábios. Travaram Chávez onde era importante. Esperemos que ele perceba o recado dos eleitores e de muitos dos seus aliados que estiveram do lado do "não". Sim, os venezuelanos querem uma vida melhor. Não, não querem mais um ditador.
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por Daniel Oliveira
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49 comentários:
Costa Nunes
Não é isso que diz o Público em manchete...

deixado a 3/12/07 às 07:44
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As sondagens davam a vitória a Chavez à hora de fecho dos jornais.

deixado a 3/12/07 às 07:55
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Luis
#

Outro golpe de Estado patrocinado pela CIA?
O dia D da Venezuela: Socialismo ou contra-revolução imperial
por James Petras

Manifestação pelo Sim. Em 26 de Novembro de 2007 o governo venezuelano divulgou um memorando confidencial da embaixada dos EUA para a CIA, o qual constitui uma revelação devastadora das operações clandestinas estado-unidenses a fim de influenciar o referendo deste domingo, 2 de Dezembro de 2007.

O memorando enviado por um responsável da embaixada, Middleton Steere, era dirigiado ao chefe da CIA, Michael Hayden. O documento intitula-se ‘Avançando para a última fase da operação pinça’ (’Advancing to the Last Phase of Operation Pincer’) e coloca ao par da actividade de uma unidade da CIA com o acrónimo ‘HUMINT’ (Human Intelligence) que está empenhada em acções clandestinas para desestabilizar o referendo de domingo e coordenar a derrubada civil e militar do governo eleito de Chavez. A pesquisa de opinião da embaixada reconhece que 57% dos votantes aprovam as emendas constitucionais propostas por Chavez, mas também prevê uma abstenção de 60%.

Os operacionais americanos enfatizaram a sua capacidade para recrutar antigos apoiantes de Chavez entre os sociais democratas (PODEMOS) e o ex-ministro da Defesa Baduel, afirmando ter reduzido o voto ’sim’ em 6% em relação à sua margem original. No entanto, os operacionais da Embaixada admitem que atingiram o seu teto, reconhecendo que não podem derrotar as emendas através da via eleitoral.

O memorando recomenda portanto que a Operation Pincer (OP) seja operacionalizada. A OP envolve uma estratégia de duas vias de impedir o referendo, rejeitar o resultado e ao mesmo tempo apelar a um voto ‘não’. A campanha até o referendo inclui divulgar falsos inquéritos, atacar responsáveis eleitorais e divulgar propaganda através dos media privados acusando o governo de fraude e a apelar a um voto ‘não’. As contradições, o relatório enfatiza cinicamente, não importam.

A CIA-Embaixada relata divisões internas e recriminações entre os oponentes das emendas, incluindo várias defecções do seu ‘grupo de cobertura’. As ameaças chave mais perigosas para a democracia destacadas pelo membo da Embaixada apontam para o seu êxito em mobilizar estudantes de universidades privadas (apoiados pelos seus administradores de topo) para atacar edifícios governamentais chave incluindo o Palácio Presidencial, o Supremo Tribunal e o Conselho Nacional Eleitoral. A Embaixada elogia especialmente o grupo ex-maoista ‘Bandeira Vermelha’ pela sua violenta actividade no combate de rua. Ironicamente, pequenas seitas trotsquistas e seus sindicalistas juntaram aos ex-maoistas na oposição às emendas constitucionais. A Embaixada, deixando de lado a sua ‘retórica marxista’, percebe que a oposição destes grupos ajusta-se à sua estratégia geral.

O objectivo final da ‘Operation Pincer’ é ganhar uma base territorial ou institucional com o ‘apoio maciço’ da minoria eleitoral derrotada dentro de três ou quatro dias (antes ou após as eleições – não é claro, JP) respaldada por um levantamento de oficiais militares oposicionistas, principalmente na Guarda Nacional. Os operacionais da Embaixada admitem que os conspiradores militares incorreram em sérios problemas quando foram detectadas operações chave de inteligência, lojas de armas foram desactivadas e vários conspiradores estão sob vigilância apertada.

Além do profundo envolvimento dos EUA, a organização da elite dos negócios venezuelanos (FEDECAMARAS), bem como todos os grandes meios privados de televisão, rádio e jornais têm-se empenhado numa campanha de medo e intimidação. Produtores de alimentos, distribuidores por grosso e a retalho criaram escassez artificial de alimentos básicos e provocaram fugas de capitais em grande escala para semear o caos na esperança de colher um voto ‘não’.

Contra ataques do Presidente Chávez

Num discurso aos meios de negócios nacionalistas favoráveis à emenda (Empresários por Venezuela – EMPREVEN), Chavez advertiu o presidente da FEDECAMARAS de que se continuasse a ameaçar o governo com um golpe ele nacionalizaria todos os negócios que lhe estão associados. Com a excepção dos trotsquistas e de outras seitas, a vasta maioria dos trabalhadores organizadores, camponeses, pequenos agricultores, conselho de moradores pobres, auto-empregados informais e estudantes de escolas públicas tem-se mobilizado e manifestado a favor das emendas constitucionais.

A razão para esta maioria popular encontra-se em algumas das emendas. Um artigo acelera a expropriação da terra facilitando a re-distribuição aos sem terra e pequenos produtores. Chavez já assentou mais de 150 mil trabalhadores sem terra sobre 2 milhões de acres [809,4 mil hectares) de terra. Outra emenda proporciona cobertura universal de segurança social a todos o sector informal (vendedores de rua, trabalhadores domésticos, auto-empregados) que representa 40% da força de trabalho. A semana de trabalho de trabalhadores organizados e não organizados será reduzida de 40 para 36 horas semanais sem redução de pagamento. A admissão aberta e universal à educação superior abrirá maiores oportunidades educacionais a estudantes das classes mais baixas. Algumas emendas permitirão que o governo ultrapasse os actuais bloqueios burocráticos para a socialização de indústrias estratégicas, criando portanto maior emprego e reduzindo custos de serviços públicos. A mais importante é uma emenda que aumentará o poder e o orçamento de conselhos de moradores a fim de legislar e investir nas suas comunidades.

O eleitorado que apoia as emendas constitucionais vai votar a favor dos seus interesses sócio-económicos e de classe; o problema da reeleição estendida do Presidente não é elevado nas suas prioridades. E esta é a questão que a direita tem enfatizado ao chamar Chavez de ‘ditador’ e o referendo de ‘golpe’.

A oposição

Com forte apoio financeiro da Embaixada Americana (US$8 milhões só em propaganda, segundo o memorando da Embaixada) e da elite dos negócios e o ‘tempo gratuito’ nos media da extrema direita, o reacção organizou a maior parte dos estudantes da alta classe média da universidades privadas, apoiados pela hierarquia da Igreja Católica, grandes porções dos bairros da classe média rica, sectores inteiros das camadas médias ligadas aos sectores comercial, imobliário e financeiro e aparentemente sectores dos militares, especialmente oficiais na Guarda Nacional. Enquanto a direita tem o controle sobre maior parte dos media privados, a televisão pública e a rádio apoiam as reformas constitucionais. Enquanto a direita tem os seus seguidores entre alguns generais e a Guarda Nacional, Chavez tem o apoio das tropas de paraquedistas e legiões de oficiais de escalões médios e a maioria dos outros generais.

O resultado do Referendo de 2 de Dezembro é um acontecimento histórico decisivo, não só para a Venezuela como também para o restante das Américas. Um voto positivo (Vota ‘Sim’) proporcionará o quadro legal para a democratização do sistema político, a socialização de sectores económicos estratégicos, a delegação de poderes aos pobres e proporcionará a base para um sistema fabril auto-administrado. Um voto negativo (ou um levantamento civil-militar apoiado pelos EUA que tenha êxito) reverterá a mais prometedora experiência de autonomia popular, de bem estar social avançado e de socialismo com bases democráticas. Uma reversão, especialmente um resultado ditado pelos militares, conduzirá a um banho de sangue maciço, tal como os dos generais indonésios no golpe de 1966, que matou mais de um milhão de trabalhadores e camponeses, ou o golpe argentina de 1976, no qual mais de 30 mil argentino foram assassinados por generais apoiados pelos EUA.

Um voto decisivo pelo ‘Sim’ não acabará com as campanhas de desestabilização militar e política dos EUA mas certamente minará e desmoralizará os seus colaboradores. Em 2 de Dezembro de 2007 os venezuelanos têm um encontro com a história.
28/Novembro/2007
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=7470

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
# 6 marieta

deixado a 3/12/07 às 08:18
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Luis
1 DE DEZEMBRO DE 2007 - 16h52
Saiba o que está em votação no referendo da Venezuela

A reforma constitucional proposta pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, cujo referendo está marcado para este domingo (2), expressa um projeto político e econômico que, se aprovado, trará mudanças profundas na Venezuela. Poderá haver novas formas de poder e propriedade - e uma estrutura que não é típica de modelos socialistas nem de democracias convencionais.



A iniciativa de Chávez, aprovada pela Assembléia Nacional Parlamentar, propõe modificar 69 artigos da constituição separadamente, em dois blocos (A e B), sobre os quais cada um dos 16 milhões de eleitores venezuelanos poderá se pronunciar a favor ou contra.

Ainda que o projeto não proponha a socialização dos bens de produção (que seria a característica básica de um modelo socialista "puro"), postula-se na reforma um novo poder constitucional - o poder popular -, através de "conselhos comunais" e organizações de base que terão atribuições de gestão e verbas para usar.

A propriedade privada continuará garantida, mas surge a propriedade social ou comunitária, em vários formatos. Em sua "filosofia" geral, a reforma tenta levar o país a um modelo definido, em alguns parágrafos do documento, como "socialista", e em outros, como "humanista".

A reeleição continuada do presidente é um dos pontos mais exaltados e polêmicos, nas declarações que descreditam a reforma. Já os pontos relativos à economia, se concretizados com a aprovação da reforma, podem iniciar um processo de grande transferência de recursos e bens no país (salvo os pessoais).

Além das novas formas de propriedade (social e comunitária), a gestão de empresas por trabalhadores também teria suporte constitucional. As mudanças econômicas, aliás, são o principal alvo dos empresários venezuelanos, além de seu questionamento geral do governo chavista.

Quanto ao poder popular, a reforma propõe instituir as "comunas", "células sociais de território", que poderão ser formadas por trabalhadores, estudantes, artesãos, mulheres, jovens, idosos. Seus poderes poderão ser autônomos, inclusive acima dos governadores e prefeitos atuais.

As comunas de poder popular poderão erguer obras, criar empresas, explorar recursos, passando por cima de divisões políticas entre estados e municípios. Já a aprovação de suas composições e financiamentos seria reservada ao presidente da nação.

A propriedade privada continua como agora - mas submetida à possibilidade de expropriação, em função de algum "interesse superior", em cujo caso estarão previstas as indenizações a ser fixadas pela lei e pela justiça.

A arquitetura econômica do modelo proposto por Chávez se completa com a proibição de monopólios e latifúndios, até agora somente desaconselhados pela Constituição sancionada em 1999. Já a política monetária fica reservada à presidência, acabando com a autonomia do Banco Central.

Outras mudanças substanciais, ainda que não tão mencionadas nas informações conhecidas sobre o projeto, são a redução da jornada de trabalho (para seis horas) e a extensão do seguro social a trabalhadores informais (que, segundo o governo, somam 5 milhões na Venezuela).

Universitários, na maioria de classes médias e altas, estiveram bastante ativos na oposição à reforma. Eles questionam o conjunto do projeto e não concordam com a proposta de que os trabalhadores não-formados estejam em pé de igualdade com a comunidade universitária (possuidora de nível superior de ensino).

Além disso, segundo o projeto, as universidades continuarão sendo autônomas, mas deverão respeitar o preceito constitucional de "democracia participativa" - o que poderia abrir a possibilidade de processos de mudança.

Já as ações reservadas ao presidente para possíveis estados de exceção e suspensão de direitos (para tais situações hipotéticas) estão entre os aspectos mais criticados da reforma. A suspensão de direitos envolve o da informação, o que motivou insistentes queixas da mídia burguesa local.

Além disso, a declaração do estado de exceção - que poderia ser por motivos sociais ou econômicos, situações de catástrofe ou conflito com outros países - não fica submetida à aprovação do Superior Tribunal de Justiça, como está assegurado atualmente.

Ansa Latina
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=29181

deixado a 3/12/07 às 08:48
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António, faça aí uma pesquisa e veja o que disse sempre que falei deste referendo: que queria que o "não" ganhasse.

deixado a 3/12/07 às 12:20
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Justicialista
"Muitos autocratas fazem-se reeleger sem necessitarem de desenvolver os seus países ao tirarem partido da renda de riquezas como o petróleo. Até podem matar a fome no curto prazo, mas hipotecam o futuro".
José Manuel Fernandes, PÚBLICO, 03-12-2007

Às vezes é mesmo melhor ficar calado!

deixado a 3/12/07 às 12:32
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Planetas
Parabens aos Venezuelanos...!!

Hoje, após 9 anos de escuridão, abriu-se uma janela que permitirá a reconstrução social e Economica da Sociedade.

Basta de Ideias Revolucionarias Megalomanas e Mesianicas...o que o povo quer é melhorar as suas condições de vida.

Viva à Venezuela Libre!!!

deixado a 3/12/07 às 12:40
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Caro Daniel,
Não é preciso fazer pesquisa nenhuma. O que eu digo é a percepção que resulta dos seus muitos textos e a prova está em muitos dos comentários que o "criticam" por considerar isto uma boa notícia.
Sabe Daniel, é melhor dizer desde ínicío que Chávez é um caudilho militar com um projetco totalitário do que vagamente considerá-lo de esquerda ou que pode ser bom para a esquerda.
A história já provou que estes regimes não conduzem a nada e muito menos ao bem estar das pessoas onde eu incluo a liberdade.
Cumprimentos

deixado a 3/12/07 às 12:41
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Planetas, guarde as cornetas, que entre os votantes do "não" estão muitos apoiantes de Chávez. Vá lendo o que se tem escrito sobre este referendo.

deixado a 3/12/07 às 12:48
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Luis
A estranha “ditadura”
Dezembro 3, 2007 | por Nuno Ramos de Almeida

Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas.

Estranha ditadura que vive numa sociedade com partidos de oposição e em que quase toda a comunicação social privada é hostil.

Estanha ditadura em que a pobreza diminui e em que os estudos internacionais mostram que a maioria esmagadora dos eleitores está contente com a qualidade da democracia.

Estranha ditadura que tem como presidente um católico falador de nome Chávez e como líder da oposição estudantil um estudante de direito chamado Estaline.
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Publicado em cinco dias

deixado a 3/12/07 às 13:47
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