6 respostas ao post “Acordai”  

  1. 1 1  Xico

    Tenho sempre dificuldade em perceber como é que homens como Lopes Graça, ligados à cultura e vítimas da censura, conseguiram ficar adormecidos face à censura que a União Soviética fazia sobre a produção artística. Nas coisas más não se devem fazer comparações, mas não resisto em dizer que Graça teve mais sorte que Schostakovich, no que à censura artística se refere! Esse silêncio e conivência do PCP e dos seus artistas eu não consigo aceitar nem compreender! E a saga continua com Saramago, Garcia Marques e outros que tecem loas a regimes execráveis, ditatoriais e censórios!
    É tempo para dizer bem alto: ACORDAI!

  2. 2 2  Zapata

    Regimes execráveis, ditatoriais e censórios, como por exemplo, o regime fascista português (1926-1974). É que não basta falar da URSS (com os seus estalinismos) e similares; é preciso falar, e falar bem alto, sobre os 48 anos de ditadura asquerosa que Portugal viveu. Porque também é asqueroso ouvir comparações execráveis de Salazar com Cunhal: um foi ditador criminoso, outro foi preso, torturado e combatente do primeiro!

  3. 3 3  Xico

    Comecei por dizer que não se deve comparar o mal! Não fiz qualquer lavagem do regime de Salazar. O que eu não consigo compreender é que o PCP e Cunhal, branquearam e branqueiam os actos que em Salazar criticaram!
    Diz o povo, tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta! E se o silêncio podia ser desculpável, as loas a esses regimes já o não são. E eu li muitas vezes o avante e o diário, para saber o que digo! Lopes Graça não esteve isento, como não está Saramago! E continuo a cantar Graça e a ler Saramago! Eu ouvi Cunhal dizer que na URSS se censurava a arte. Não inventei!
    O mal de Zapata está quando diz que a ditadura de Salazar era execrável! Pergunto-lhe se as há que o não sejam…

  4. 4 4  Zapata

    Também li e leio o Avante, também me indigna a defesa absurda do estalinismo, a cegueira perante a China pseudo-socialista ou a postura acrítica diante de Cuba.
    Mas, apesar de tudo, não é justo, nem intelectualmente honesto, afirmar uma cumplicidade criminosa de Lopes Graça ou de Saramago. (Aliás, Saramago já condenou energicamente várias decisões do regime cubano, nomeadamente aquando de uma pena de morte aplicada a uns opositores que desviaram há anos um barco para Miami). E é sobretudo ultrajante condenar Cunhal, um homem que lutou e sofreu pelo fim do fascismo. Não devemos subscrever o que disse um dia Mário Soares: “Cunhal esteve preso mas, se tivesse tido poder, teria mergulhado Portugal numa outra ditadura”. A História é feita de factos, não de “ses”. E tais “ses” não podem ser confundidos com verdades históricas.
    E sim, Xico, qualquer ditadura é execrável. Mas a história da URSS é complexa; a revolução bolchevique foi um marco na história revolucionária, não obstante a adulteração posterior de Estaline, com todos os seus crimes.

  5. 5 5  Xico

    Sim eu sei que a história da URSS é complexa e também não pretendo ver o mundo a preto e branco. Mas se há coisas que se admitiam há alguns anos hoje considero que todos perdemos a inocência desses anos. Hoje, face à tragédia que se abateu e abate pelas opções que se tomaram, não há desculpas para ninguém! Claro que posso estar a ser injusto com Graça, mas falava meramente ao nível da arte e da censura desta. Lopes Graça também fez críticas a artistas (Richard Strauss) motivado mais pela ideologia do que pelo valor da arte em si!
    Quanto a Cunhal julgo que a inocência dele há muito a tinha perdido. Não o censuro por aquilo que ele não fez. Censuro-o pelo silêncio, pela apologia, e pelo que fez aos seus camaradas que souberam dizer não e basta aos crimes de estaline!
    Salazar fez a Portugal e Cunhal fez o mesmo dentro do seu partido e aos seus camaradas
    Censuro-o por ter ajudado a fazer o jogo de Estaline quando outros partidos comunistas europeus o criticavam.
    Quanto a Saramago não o critico como escritor nem como prémio Nobel. Simplesmente não aceito que venha a coberto dessa sua posição, dar-nos lições de democracia, civismo e espírito crítico!

  6. 6 6  Zapata

    Claro que hoje, com o que se sabe, a leitura dos acontecimentos na URSS tem que ser outra. Claro que Cunhal errou ao remeter-se ao silêncio perante os crimes de Estaline. Mas insisto: não é justo, porque simplesmente não comparável, colocar Salazar e Cunhal numa mesma balança de ditadores. Quando afirmas que “Salazar fez a Portugal e Cunhal fez o mesmo(…)”, só posso sentir-me indignado. É que Salazar, como máxima figura do fascismo português, foi o responsável pelas perseguições políticas, prisões, torturas, censura, miséria, analfabetismo, inquisição do pensamento livre, guerra colonial, e um sem fim de abomináveis crimes que ambos conhecemos. E Cunhal, apesar dos erros e de tudo que possamos admitir, foi uma vítima desse fascismo e, simultaneamente, um combatente do mesmo. E, ainda que “só” por isso, merece o nosso profundo respeito e admiração.
    Quanto a Saramago, é uma opinião tua a consideração de que, “a coberto da posição” de ter ganho um Nobel, nos dê arrogantemente lições de democracia, civismo e espírito crítico. Eu digo mais: houvesse mais Saramagos a convidar-nos para o exercício do livre pensamento!

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