alcochete.JPG

Obviamente que quem passou tanto tempo a dizer que no deserto “jamais” tem de se demitir. Ou ele estava errado e foi leviano ou estava certo e foi desautorizado. E mesmo assim ficará a dúvida: foi devidamente estudada a possibilidade da Portela+1, podendo ser o aeroporto complementar o de Alcochete? Como podemos ter a certeza que ela não é a melhor? De que valem agora as garantias do governo?


Sem respostas ao post ““Jamais””  

  1. 1 1  Bang Bang

    Como as garantias do governo agora valem nada, o melhor mesmo é eleições antecipadas. Por que não dizê-lo abertamente. Concordas Daniel? Ou não é caso para tanto?

  2. 2 2  Fado Alexandrino

    Há neste post algumas imprecisões.
    Primeiro, e importante, não foi Lino que disse jamais mas sim os consultores.
    Ele limitou-se a replicar a opinião técnica, o mesmo que agora faz.
    Segundo, nesse momento as opções não incluíam Alcochete mas sim Rio Frio.
    Esta foi uma decisão de grande impacto e nunca acreditei que um teimoso como Sócrates conseguisse mudar de opinião num assunto em que tanto se empenhou.
    Ainda bem porque senão quem ficava empenhado éramos nós.
    Estou a pensar que continuando assim (falta arrumar o elefante branco do TGV) leva o meu voto.
    Ri-me com uma boa gargalhada a assistir às piruetas da oposição para criticarem aquilo que pediam há meses atrás.

  3. 3 3  Nuno Rebelo

    Boa Tarde. Daniel, percebo que defenda a demissão do ministro das obras públicas, mas não concordo. Não concordei com a tal declaração do “jamais” proferidas pelo ministro Mário Lino, mas convém esclarecer, e ao contrário do que o seu post leva a crer, as declarações remetiam (admito poder estar enganado…) para o Poceirão e não para Alcochete. Seja como for, prefiro fazer uma leitura diferente desta decisão, com a qual, de resto concordo: O governo tomou esta opção em detrimento da Ota, numa lógica de que esta será, até à data, a melhor solução e é assim que tem de ser. Não significa isto que daqui a 3, 5, 7 meses não pudesse surgir uma melhor, mas não podemos protelar ad eternum a decisão - e até nisto o ministro foi claro quando explicou que a Ota era a melhor solução até à data e que era a mais avançada em termos de estudos. Ainda ontem saiu num diário a confirmação do “esgotamento” da Portela em 2010, salvo erro. Não acho que nem o governo, nem o ministro saiam fragilizados. É que vejamos, na óptica dos críticos: decidir Alcochete é recuar e assumir ter-se feito uma prévia má escolha ou menos boa (Ota); decidir Ota seria insistir nessa mesma má escolha, ou menos boa… Seria sempre mau, em que ficamos? São estas coisas que não ajudam à progressão dos processos. Acabo de ouvir Jerónimo de Sousa, e para minha própria admiração, concordo com o que ele disse… Para lhe ser franco, estou já a pensar na obra em si, nomeadamente na parte de projecto de arquitectura e a desejar que tenhamos um aeroporto de referência mundial e com muito pouco desvio orçamental. É preferível re-escolher a tempo ou escolher mal? Desta escolha não falarão em teimosia governamental…

  4. 4 4  O Salgador da Pátria

    Pois! Onde está afinal no estudo do LNEC o Portela + 1??

  5. 5 5  MM

    O Dakar a tentar fugir do deserto e o aeroporto a vir para cá… Como habitante de uma terra situada na margem sul do Tejo (concretamente no Algarve) fiquei ofendida quando disseram que na margem sul (que se estende de facto até ao Algarve parece-me) não há hospitais, empresas, cidades, hotéis e escolas (então o que será o edifício à frente de minha casa). Será que o sr. ministro já andou a passear por cá?
    De qualquer forma fico feliz que se tenha decidido uma localização para o novo aeroporto. Por mais cómodo que seja ter um avião quase à porta de casa para quem vive em Lisboa só por sorte não aconteceu ainda uma tragédia, já para não falar que nos meus tempos de estudante no ISCTE não me agradava o barulho dos aviões por cima da faculdade nem tão pouco por cima do apartamento onde vivia.
    Já não era sem tempo… E já agora o TGV com ligação a Faro para eu chegar mais depressa à capital hein ;)

  6. 6 6  josé Manuel Faria

    Ele é o Vieira da Silva, o Lino Jamais um PM que mente descaradamente.

    Nunca se viu igual.

    Santana é um anjinho ao pé de Sócrates e Companhia.

  7. 7 7  alice

    boa noite. assino este blogue por mail e como tal nunca comentei. hojo faço-o como forma de votar no corta-fitas. espero que aceite. obrigada.

  8. 8 8  alice

    as minhas sinceras desculpas. já vi na coluna da direita. por favor, ignore os meus comentários.

  9. 9 9  Pedro Gomes

    Mas uma coisa vos digo: é lamentável a reacção de alguma oposição e blogosfera deste país… Sem argumentos ficam-se por isto: Se escolhe a Ota (que Meneses defendeu até há bem pouco tempo, num volte-face puramente oportunista), é porque é teimoso; se escolhe Alcochete (que muitos deles defenderam), é porque é mentiroso… Triste oposição esta

  10. 10 10  portela menos 1

    pronto, estou lixado!

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    Pedro Gomes, sabe que em política, quando se faz tudo mal chega-se a um ponto onde já não há nada a fazer. Não podemos passar dois anos a dizer que não fazemos uma coisa, depois cedemos e continuamos no lugar como se não fosse nada.

  12. 12 12  Toino

    DO este blog está-se a tornar numa trincheira militar, ainda não entendi quem é a favor e quem é contra, mas seguramente o problema será meu, por falar em Seguro, ouvi dizer que o Seguro vai fazer oposição ao JS, alguém acredita, até parece o MA (Manuel Alegre), hoje diz uma coisa amanha diz outra, este país está entregue a idiotas mas o povo é sereno senhor DO.

  13. 13 13  Bolota

    O meu interesse em Alcochete, é rigorosamente igual aos meus interesses na Ota ou seja?? Népia.

    Esclarecido este ponto, responda quem tiver pachorra…se um estudo realizado por tudo o que é sumidade na matéria e durante uma porrad´anos nã presta, um realizado em 2 meses é bom???
    Das duas uma, ou as tais sumidades andaram este tempo todo a emprenhar a perna á rã, ou os técnicos do LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil, são uns craques dum corno. Em dois meses, pimba acertaram na muge.

    Sabem porque a questão do impacto ambiental não se coloca??? Porque o Chico van Zeller, o da CIP, deu umas voltas de Helicóptero sobre a zona e, é mais que evidente c´aquilo é só eucaliptos. Até os patos que por lá andam…são marrecos.

    Ontem tratou do Tratado, hoje decidiu o Aeroporto e, amanhã??.
    Ninguém pára o engenheiro.

  14. 14 14  Jam

    «Obviamente que quem passou tanto tempo a dizer que no deserto “jamais” tem de se demitir.»

    Isso é irrelevante, para o efeito. Okay. Ele demite-se. E quem entra para o lugar? Diga-me uma única pessoa que ao longo dos últimos anos tenha defendido Alcochete. É que nem sequer era opção. E você deve saber muito bem que aqui a questão não é a “margem sul”, pois ao que parece, Alcochete já não afectará a água do subsolo; ao contrário das outras soluções, que, de facto, tornavam margem sul proibitivo. Partindo do princípio que ele se deve demitir porque estava convencido que Ota era melhor… quem é que achava que, desde à 10 anos, Alcochete era a solução? É uma questão de bom senso. Por essa, sua, lógica, não há ninguém com “legitimidade” para ser ministro, neste momento.

  15. 15 15  Piscoiso

    O “Estudo para Análise Técnica comparada das Alternativas de Localização do Novo Aeroporto de Lisboa na zona da Ota e na zona do Campo de Tiro de Alcochete - 2ª Fase - Avaliação comparada das duas localizações” do LNEC, são 46 MB em pdf, que já toda a gente leu, menos eu.
    Fico à espera que publiquem em banda desenhada.

  16. 16 16  carlos martins

    Eu até acho qu os gajos querem escolher o melhor para isto e tal. mas trocam-se todos, mentem, baralham-se, sao desmazelados e nao dá para confiar nisto.

  17. 17 17  David Fernandes

    O que me põe a cara à banda é a leviandade com que se “estudam” as coisas.

    O pessoal do Oeste reclama, agora, e eu acho que com razão, contrapartidas: pelas expectativas goradas e, mais importante, por prejuízos efectivos; parece que lá para a Ota, a câmara andou a congelar obras: casas, armazéns, cafés, restaurantes e outras coisas “irrisórias” em face da grandiosidade do projecto do aeroporto.

    Eu, se lá vivesse, também berraria os três caraxxxos.

    Resta agora saber quem vai pagar isso. Eu acho que sou um dos que vai pagar, mas está mal; quem devia pagar os prejuízos causados pela trapalhada deveria ser quem a fez: políticos e técnicos.

    Além de que, todos eles, deveriam ser imediatamente demitidos, expulsos das respectivas ordens (engenheiros, economistas, etc) e impedidos, tendo em conta a esperança média de vida no nosso país, no mínimo por 50 anos, de mexer mais uma palha que fosse.

    É que há projectos em fase de estudo, se não em curso já, que foram “estudados” pelas mesmas pessoas.

  18. 18 18  Patricia

    O mais importante foi que finalmente foi tomada a decisão da construção do novo aeroporto,o que já não era sem tempo.De todos os dirigentes da oposição aquele que fez uma declaração mais correcta foi sem dúvida Jerónimo de Sousa.Em relação a Mário Lino como disse e bem o primeiro ministro,as decisões são do governo,não vejo razão para o clamor a pedir a sua demissão.A ideia de fulanizar as questões,neste e noutros casos,não acrecenta nada á vida politica.Voltando novamente á mudança da localização do aeroporto acho que a atitude do Presidente da República foi determinante

  19. 19 19  robespierre

    Só tenho a dizer que este é o Governo mais fantástico que vi até hoje. Manipula a opinião pública como poucos.

    Se houvesse referendo ao Tratado da UE, quais seriam os resultados em Alcochete? E na Ota?

  20. 20 20  Pedro Gomes

    Caro Daniel, não estando de forma alguma satisfeito com a actuação deste governo em diversos dossiers, acho que não é caso para dizer “fazem tudo mal”… A Ota já é opção estudada desde os primórdios da avaliação de um novo aeroporto, e comparava favoravelmente com Rio Frio. Mais recentemente, surgiram novas opções (Poceirão e Faias, que foram deixadas de parte, e Alcochete que pelos vistos era a melhor). O governo mandou estudar, estudou-se e decidiu. Agora é seguir em frente e perceber em que situação fica a Portela, e quais os custos adicionais desta opção (nova ponte (rodo)ferroviária, compensações aos municípios do Oeste, alterações ao traçado do TGV caso esta alguma vez saia do papel).

    Para mim, o defeito de Mário Lino é ser demasiado trapalhão com as palavras para um político, mas não é motivo para a sua demissão.

    1 Abraço

  21. 21 21  David Fernandes

    “Se houvesse referendo ao Tratado da UE, quais seriam os resultados em Alcochete? E na Ota?”

    Essa é, eventualmente, uma das razões a favor da ratificação pela assembleia da república; o povo não destrinça alhos de bugalhos. (não é que a assembleia destrince mas enfim).

  22. 22 22  Pedro Sesinando

    O Daniel Oliveira levantou aqui um ponto pertinente. E a opção Portela+1? Foi seriamente considerada? O aeroporto da Portela parece-me uma infra-estrutura demasiado importante, à falta de melhor termo, para ser completamente desmantelada, ainda mais com a recente inauguração do novo terminal.

    Espero sinceramente, que a oposição levante estas questões, embora o engolir em seco que significou o recuo pela opção Ota seja, para mim, motivo de satisfação.

    Quanto a Mário Lino, quantos tiros no pé vai ter de dar mais antes de dar o lugar ao próximo?

  23. 23 23  Zé da Póvoa

    Dizia há dias Murteira Nabo que se não tivésse saído do Ministério das Obras Públicas há 12 anos atrás, o Aeroporto da OTA já estaria em funcionamento. Isto diz bem dos políticos que temos e da capacidade de decisão que revelam, quando há interesses estranhos para preservar. O actual Ministro foi infeliz quando referiu o “jamais” (tinha acabado de almoçar na Ordem dos Economistas!), mas a verdade é que recebeu o dossier do governo anterior, aprovado e com todos os estudos feitos. Durão e Santana não avançaram apenas porque aguardavam um melhor enquadramento eleitoral para o efeito. De resto, na Figueira da Foz, Santana festejou com champanhe, na companhia de autoridades espanholas as aprovações da OTA e do TGV. Até Menezes no seu blogue não se coibíu de dizer: Morra a Portela; Viva a OTA.

  24. 24 24  carlos mata

    nao encontro posts em que não se use o palavrão ou o insulto…ainda para mais não parece educado “ir a casa de alguém” e usar dessa linguagem
    podem-se discutir diferentes opiniões sem recorrer a este tipo discurso.

    sobre a questão do aeroporto julgo que seria mesmo importante perceber qual é, de facto, o nosso verdadeiro projecto/prioridade(s) para Portugal.
    A resposta nao pode ser: Um Aeroporto Grande.
    o aeroporto, pode no entanto ser um recurso do País que se enquadre no tal projecto/prioridade(s) que forem entretanto definidas.

    Fui muito confuso?

  25. 25 25  Álvaro

    Atenção: quando se diz que até ao estudo da CIP a opção Ota era tecnicamente a melhor, julgo que isso não seja verdade. Houve estudos que sempre apontaram graves problemas à opção Ota (o dos Aéroportes de Paris, ao que parece seria um deles). A decisão de escolher a Ota relegou para segundo plano estes problemas, enfatizando os aspectos ambientais que, afinal, na Ota também se colocam. É essa decisão de 1999 que seria curioso discutir, para que se percebesse verdadeiramente os seus objectivos. Continua a parecer-me (e a teimosia de Cravinho com argumentos muito discutíveis não o esconde), que os interesses no fecho da Portela estão por trás dessa decisão.

  26. 26 26  ose Henriques

    Depois de ler tanta opinião e não querendo fazer comentários ao que foi escrito, permito-me, com a devida vénia a expôr aqui a opinião de quem há muitos, mas mesmo muitos anos, estuda estes assuntos. Devo acrescentar que sou de Leiria, e que faço parte daqueles que eram e são contra a opção OTA. A verdade é que anda muita gente a mudar de opinião, mas só não mudam os burros, não é? O que interessa é saber se mudam por convicção ou por oportunismo.

    SOBRE O RELATÓRIO DO LNEC
    COMENTÁRIO E VOTOS PARA O FUTURO

    A decisão de não construir o novo aeroporto na Ota foi uma decisão técnica e não política.

    Posso prova-lo com a carta que a seguir transcrevo enviada ao Eng. António Guterres e publicada no “Público” de 26/6/1999 em que todos os argumentos são técnicos ,( e que convido a Imprensa agora a referir.)

    Política, foi a decisão de construir um aeroporto na Ota sem suporte em estudos técnicos que o justificassem e contra todas as evidências que o desaconselhavam.

    Política, foi a recusa em ouvir, e o modo como foram afastados todos os técnicos portugueses capazes de ter uma opinião crítica sobre o assunto. (Refiro aqui, em particular, o Engenheiro Reis Borges, militante e antigo deputado do PS, que na véspera de morrer me deu autorização para divulgar o texto que vem públicado na pagina 159 do livro “O erro da Ota”)

    Política, foi o modo como, com argumentos alguns ao nível da indigência, se afastaram as hipóteses alternativas.

    Política, foi a ânsia em procurara dar passos irreversíveis antes do país se poder aperceber da sua gravidade.

    Política, foi o modo como se pos de lado a competência, os conhecimentos, a capacidade e a experiência portuguesa para a substituir por pareceres de organismos exteriores – nunca sujeitos à crítica nacional -, aceites como verdades absolutas quando convinham aos decisores políticos ( e ignorados quando não convinham).

    A decisão de ouvir o LNEC foi uma decisão acertada porque, pela primeira vez, foi encarregue um organismo técnico, de dar um parecer técnico, sobre um assunto técnico, antes de se tomar a decisão política.

    O LNEC nem sequer tinha experiência em assuntos aeronauticos. Mas bastou produzir um relatório, para, um assunto que se arrastava há 10 anos, ser resolvido em 3 dias num clima de grande concordância nacional.

    E agora?

    Agora há que aproveitar o ensinamento, e passar a ouvir melhor os técnicos.

    Há que por fim à situação de quase clandestinidade em que os técnicos portugueses foram mantidos por sucessivos poderes políticos e por uma classe política demasiado timorata e não particularmente competente.

    Nem um só deputado assistiu ao debates promovidos pela Sociedade de Geografia de Lisboa e pelo Instituto Superior Técnico, em 1998 e 1999, que reuniram mais de três dezenas de técnicos, o primeiro dos quais (que foi filmado) teve 200 participantes no Salão Portugal da SGL. Nem a Imprensa se referiu a eles.

    O que mudou, e fez a diferença nos últimos dois anos, foi a blogoesfera que vai certamente continuar .

    Nas grandes obras que influenciarão largamente o nosso futuro, há que por fim à prática das decisões políticas tomadas antes dos estudos técnicos, e não integradas em programas conjuntos.

    Neste momento, a decisão de construir uma ponte ferroviária ou rodo-ferroviária do Beato para o Barreiro, é uma decisão política, tomada sem suficientes estudos técnicos, não integrada num plano de conjunto, e com um impacto ainda não suficientemente avaliado.

    A proposta de uma ponte, ou túnel, para o Montijo, apresentada no estudo da CIP, é uma simples proposta igualmente não estudada ( O traçado, apresentado neste estudo para o TGV ir passar, com uma espécie de “bossa do camelo”, no novo aeroporto (ver jornais de hoje) é nitidamente errado e obedece a uma concepção errada.)

    Uma nova ponte (ou tunel) ferroviária sobre o Tejo é, em absoluto, necessária, daqui a alguns anos, mas há, pelo menos, uma outra hipótese a considerar: a da ponte (ou tunel) entre Alverca e Alhandra, provavelmente mais facil de construir, mais barata, com menos impacto ambiental e que permite uma melhor exploração da rede.

    Em qualquer caso, a decisão sobre a nova travessia não é urgente. Temos, felizmente, tempo para a estudar e ponderar a sua prioridade face a outras obras do país.

    Agora que foi, finalmente, tomada a decisão sobre a localização do NAL, podemos fazer o estudo global da rede ferroviária na metade Sul do país , que inclui esta travessia, a localização da estação central de Lisboa e o traçado a Sul de Pombal do futuro TGV para o Porto.

    Todos estes elementos têm de ser integrados num projecto global que tem de ser seriamente pensado e avaliado. O que não podemos, é decidir a construção do troço de Pombal a Alenquer da futura linha TGV de Lisboa para o Porto sem saber ainda como é que a linha vinda de Alenquer entrará em Lisboa. ( A última versão que ouvi foi a de que entrará pelo vale do Trancão)

    A curto prazo, muito provavelmente, nesta próxima Cimeira Ibérica, que se realizará este mês ou em Fevereiro, Portugal e e Espanha decidirão a construção da linha de Badajoz ao Poceirão, onde está prevista uma plataforma logística. Tenho insistido em que esta linha venha até ao Pinhal Novo, onde há uma estação da FERTAGUS. Com este acrescento, o futuro TGV para Madrid poderá começar a funcionar a partir do Pinhal Novo.

    Mas, o verdadeiramente importante, é que esta linha será a nossa primeira ligação à rede ferroviária europeia de bitola standard. Como tal, permitirá o trânsito das nossas mercadorias por via ferroviária até à Polónia.

    Temos assim, na nossa frente, o começo de um calendário ferroviário altamente benéfico para o país, que pode ser posto em marcha sem custos excessivos, e que, como tal, será aceite , certamente, de um modo consensual. (11/1/2008)

    António Brotas

    Professor Jubilado IST

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    CARTA ABERTA AO PRIMEIRO MINISTRO SOBRE O AEROPORTO
    (Publicada no “Público em 26/6/1999)

    Caro Guterres,

    Acho que lhe devo dizer que a construção do futuro aeroporto na Ota é uma decisão em absoluto errada, altamente gravosa para o país, o que com o tempo se tornará cada vez mais evidente.
    Envio-lhe uma fotocópia da folha 30 D da Carta Geológica de Portugal com a indicação da implantação do aeroporto na Ota prevista pelos “Aeroport de Paris”. Esta implantação obriga a uma movimentação de terras da ordem dos 50.000.000 de metros cúbicos (cêrca de 5 vezes a actual movimentação de terras anual em todo o país).
    Mas, os ADP, não notaram, ou não se importaram, com o facto da implantação indicada obrigar a canalizar, não unicamenter a Ribeira do Alvarinho, com uma bacia hidrográfica de 10 Km2, mas, também, a Ribeira da Ota com uma bacia hidrográfica muito maior. Esta obra, altamente contra indicada, obriga, se se insistir em construir o aeroporto na Ota, a construi-lo mais para Oeste, o que obriga a fazer uma movimentação de terras francamente maior.
    Em qualquer caso, o aeroporto ficará um aeroporto acanhado, com duas pistas e sem qualquer possibilidades de expansão, o que é, de facto, confrangedor, quando se vê que está prevista a construção até uma 5ª pista do aeroporto de Barajas em Madrid, que poderá, assim, receber até 45 milhões de passageiros ano, estando já os espanhois a prever a sua duplicação ou a sua substituição por outro que permita receber 90 milhões.
    Grande parte dos acessos e do próprio aereoporto, que ficará a uma cota de cêrca de 30 m, terá de ser feita sobre lodos, argilas e areias argilosas do leito de ribeiras, com cotas de 5m, que terão de ser consolidadas, obra sempre delicada, antes de serem feitos os aterros. A autoestrada, por exemplo, ainda continua a ter assentamentos na zona em que passa sobre uma pequena ribeira antes do viaduto da Ota. Uma obra destas não deve ser construida sem sondagens muito cuidadas. Enquanto não são feitas, que se procure, ao menos, a informação existente, que mais não seja ao nível dos trabalhos da cadeira de Geologia dos alunos do 3º ano do Técnico.
    Os acessos, rodoviários e ferroviários, que terão de entrar pelo Sul, são, de facto, um problema complicado, que poderá encarecer muito a obra.
    Note-se, que não foi ainda indicado, e não se vê facilmente onde poderão ser construidos , os parques de estacionamento de automóveis, em absoluto necessários ao lado de um aeroporto, aparentemente neste caso esquecidos. Entre os 5 e os 30 metros nem sequer sabemos a que cota ficarão.
    Não parece estar ainda quantificado o custo da duplicação da autoestrada, paralela e a oeste da actual, considerada necessária para assegurar o acesso ao aeroporto da Ota. Quem viajar para o Norte pela estrada actual e olhar para a esquerda e vir o relevo não poderá, no entanto, deixar de ficar impressionado com o que poderá custar.
    Não refiro aqui outras questões relacionadas com a localização do novo aeroporto umas, porque exigem uma discussão ampla e aberta, que gostaria que viesse a ser feita nos meios universitários, outras, porque exigem estudos técnicos que, depois de feitos, devem ser sujeitos à crítica dos especialistas ou, pelo menos, de quem os entenda. São exemplo, os estudos sobre segurança aérea que incluem as questões relacionadas com ventos, nevoeiros e choques com aves - é impressionante a ligeireza e superficialidade com que vejo referir esta última questão, e usa-la como argumento sem apoio em dados ou estudos minimamente suficientes.
    Limitei-me a apresentar elementos, que penso suficientes, para excluir, desde já, a localização na Ota. Quem não tiver esta opinião, o que tem a propor é a continuação dos estudos, da solução da Ota e da solução do Rio Frio. Se, porventura, os estudos aprofundados da solução do Rio Frio, que tem, aliás variantes, vierem a desaconselhar esta solução, o que há a fazer é estudar outras soluções que o país, felizmente, tem outras possiveis.
    O que não admissivel, é com estudos superficialmente referidos e mais do que insuficientes, eliminar desde já a solução Rio Frio e, deste modo, pretender fazer aceitar a solução da Ota, que tem os gravíssimos inconvenientes referidos no início desta carta, que ninguém rebateu.
    O Guterres, como eu, é engenheiro. É Primeiro Ministro, mas o país é tanto meu como seu. Escrevi esta carta procurando usar uma linguagem de engenheiro. Mas, pode crer, sinto-me triste e inquieto ao ver hoje no título de um jornal, uma notícia que, a ser verdade, não tenho dúvida, prejudica e inferioriza muito o meu país. (24/6/99)
    Com as melhores saudações subscrevo-me
    António Brotas

  1. 1 Novo aeroporto em Alcochete : TubarãoEsquilo, a rede de blogues com actualidade, informação e notícias

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