Bastava saber que se vai ver Philip Seymour Hoffman e ouvir os diálogos de Aaron Sorkin (o mesmo que escreveu os de West Wing), para não pensar duas vezes. Mas “Jogos de Poder” (ou “Charlie Wilson’s War”) vale mesmo a pena. Mesmo que já se levantem dúvidas sobre o seu rigor..
Aqui, um pequeno documentário que põe em causa o apoio que, segundo o filme, teria sido dado pelos EUA a Ahmad Shah Massoud. Segundo o documentário, o apoio teria ido sobretudo para Gulbaddin Hekmatyar, um fundamentalista islâmico. Uma outra versão da história.
Por Daniel Oliveira 29 Jan 08 em Afeganistão, Cinema, Diplomacia, EUA, Guerra


Vi o filme. É perigoso, pois mistura comédia e política de forma distorcida quando se assume como uma história verídica. Vale pelo que não conta, mas não deixa de lá estar - embora escondido aos olhos menos informados da maioria dos portugueses e sobretudo dos norte-americanos.
Veja-se o filme, mas lembrem-se de factos que não foram mencionados. Quando a história começa, em Abril de 1980, o presidente dos EUA era Jimmy Carter. Aquele era ano de eleições e havia norte-americanos reféns em Teerão, desde 4 de Novembro de 1979. George Bush (pai) era então ainda um candidato a candidato a Presidente dos EUA. Charlie Wilson era congressista do Texas. Bush era do Texas. Charlie Wilson substituiu-se à CIA. Bush fora despedido por Jimmy Carter de chefe da CIA em 1976. A CIA não estava a funcionar em 1980… Jimmy Carter não foi reeleito a 4 de Novembro de 1980. Bush, desde então, nunca mais deixou de mandar nos EUA e na política externa… Ver a história desta forma é simples para entender o que se passa hoje. Poucos são os que se lembram e nenhum há que nos conte isto nos dias de hoje, mesmo quando a actualidade exige face aos filmes que estreiam nas nossas salas de cinema na tentativa (conseguida, pelos vistos) de padronizar-nos na ignorância a respeito do percurso dos nossos líderes….