As relações com África e a globalização assimétrica explicada através de galinhas. Ao que parece, os europeus gostam do peito do frango. Por isso, exportam ao resto (as pernas) para África a preços imbatíveis. Resultado: os avicultores africanos nada podem fazer para competir. Um exemplo, a partir de uma história de galinhas nos Camarões, de como uma economia africana pode ser dizimada. Dirão: sendo mais barato os africanos ficam a ganhar. Não. Porque vendo as suas actividades económicas desfeitas, sem fundos para as financiar (como fazem os europeus) e impedidos de se protegerem pelas regras impostas pelos países ricos ou pela corrupção nos seus países, pagam a diferença de preço com a miséria. Uma demonstração de como o mercado livre é selectivo.
Uma reportagem de Marcello Faraggi. Pode ler mais aqui.




Que dizer então da ajuda alimentar que, mais que barata, é de borla???? Daniel, para quando o teu apelo contra as ajudas alimentares a África?
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E o mal é do mercado livre ou do facto de ele não ser realmente livre por andarmos a proteger os inúteis e ociosos agricultores europeus? sem subsidios à nossa agricultura não haveria também uma “deslocalização” da produção agricola para áfrica que tem mais condições para isso provocando a distribuição de riqueza e criando uma economia na área?
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Caro Daniel, Que admiração pelo processo usado nas galinhas!Não imaginava um arrastão tão inocente.Antecipando um pedido de desculpas pela inicial sobranceria, que é feia e nada comum num espaço tão democrático como o arrastão nos habituou, lembrava, agora retornando outra vez às galinhas, que o dito método não é mais do que uma adaptação sofisticada ao velhinho método do dumping.Apesar de proibido nas magníficas leis da UE, são de uso bem corrente e constituem mesmo uma estratégia para “ganhar mercados/abafar concorrentes…”#.. Partilho um exemplo mais ou menos recente, que se passou entre Portugal (não é um país Africano, ainda!) e esse paradigma da liberdade que é a França (na altura ainda sem Sarkozy) e também relacionada com outro tipo de “galináceos”, que são os perús.Na época, a nossa produção andava à volta de 1 M de perús por ano, com a mesma a desenvolver-se em qualidade/quantidade (muito à base de um núcleo de produtores com enorme visão e que, entre muitos outras técnicas, “importou” um grupo de técnicos Israelitas para ajudar à tarefa…) – esta contextualização para chegar ao seguinte facto – obtinhamos 1 kg do dito “galináceo gigante” com custos de produção bastante competitivos…, mas ainda em pouca quantidade. Solução dos nossos “irmãos e parceiros ” da UE, que produziam na altura 30 x mais, mas com custos por Kg próximos dos nossos e/ou ligeiramente superiores – vamos exportar para Tugal, aí na altura do Natal, 1 milhãozito de Perús ao preço da chuva, para ver o que eles farão da sua industria emergente…estão a ver o resultado, não?E o que fazem os nuestros hermanos com alguma fruta e por exemplo com as batatas, muitas disponíveis a preços muito abaixo “do real”, conseguidos e mantidos com chrudos subsídios regionais! Já agora e para terminar, já estava a entusiasmar-me…, registo com alguma surpresa(ou talvez não!!!) que os únicos temas que provocaram realmente algum frisson no encontro EU/Afr, foram realmente as questões comerciais…e quando se atinge o bolso, ah, aí sim é que se vão ver a solidariedade e as preocupações com o desenvolvimento.
Sempre a considerá-lo, Paulo
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Diga isso aos nossos agricultores, talvez passem a votar no BE. Já agora prometa mais postos de trabalho a essas pessoas sem qualificações e melhores salários. Vai ser o delírio total. Ou quem sabe pô-los a competir com a América do sul na plantação de canabis
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Paulo, mas quem lhe disse que eu estava admirado?
Vitor, como bem explica o Paulo, os nossos agricultores já se tramaram e não foram os africanos.
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“ignorance is bliss”
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Perfeitamente ridículo. Então os africanos que gostam de comer perna de frango devem ser impedidos de comprar essas pernas baratas aos europeus, e ser obrigados a comprá-las caras aos africanos? Porquê? Por que raiso hão-de os pobres africanos, cujo dinheiro não abunda, ser obrigados a pagar mais caro o produto que querem consumir? Que disparate.
Acho bem que o Daniel conteste os subsídios europeus à exportação. Que conteste os subsídios em geral. Estarei perfeitamente de acordo com ele se o fizer. Mas que o Daniel pretenda proibir os europeus de vender barato aquilo que para eles não tem interesse, e pretenda proibir os africanos de comprar barato aquilo que desejam, aí é que não concordo com o Daniel.
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