
Os mesmos que viveram debaixo do abjecto Apartheid atacam agora imigrantes de Moçambique e do Zimbabwe, culpando-os pela sua pobreza. O racismo vive da estupidez e do egoísmo. Aqui ou na África do Sul. E não escolhe cores. Escolhe sempre os mais miseráveis entre os miseráveis. Os mais fracos entre os mais fracos. E, mesmo quando os agressores são pobres, não merece desculpa. Nem aqui nem na África do Sul. Porque quem escolhe o mais fraco para descarregar a sua revolta é tão opressor como o que o oprime. E igualmente cobarde. Não merece desculpa.
Por Daniel Oliveira 20 Mai 08 em Imigração, Racismo, África49 respostas ao post “O outro Apartheid”
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Venho apresentar os meus cumprimentos de despedida. Tenho sido um fiel seguidor do programa “O Eixo do Mal”, na SIC Notícias, bem como deste blogue do Sr. Daniel Oliveira. A repentina alteração de qualidade em ambos os suportes determinou o meu afastamento, mais o de dezenas de pessoas minhas conhecidas que os seguiam com equivalente atenção, mas, em contrapartida, tem atraído a fidelidade e o elogio de muitos dos nossos conhecidos do PPD/PSD que, entretanto, se vão anunciando já no Bloco de Esquerda da mesma forma e pelos mesmos motivos com que, há anos, os do MRPP vêm arribando no PPD/PSD.
Desejo-vos felicidades com os vossos novos companheiros de jornada política. Bem hajam.
ROGÉRIO BARROSO
Curioso…quando há tempos escrevi um comentário que referia o racismo negro O Daniel censurou-me…porque era racista! Aqui está um exemplo…provavelmente quando for de negros contra brancos o Daniel assobiará para o lado
Aposto que vão aparecer pessoas a dizer que, não senhor!, a culpa é do colonialismo ou do Bush.
Daqui a cem anos e mais cem, só muda o nome do Bush.
Estou farto de dizer que o racismo mais atroz é aquele que existe entre os negros.
A razão é muito simples, eles não se odeiam (só) pela cor da pele, odeiam-se pelas crendices que são religião naquelas bandas e nas bandas onde são maioritários.
Passou na televisão outro dia uma salutar reportagem sobre um gang aqui dos subúrbios de Sintra.
O senhor líder entrevistado declarava:
-Tenho que defender os meus negros os meus “nigger”.
Um gang de brancos tem brancos, pretos, azuis o que calhar.
Entre eles é diferente não confiam em ninguém que não tenha a mesma cor, o mesmo dialecto a mesma religião.
Isto não se pode dizer, é contrário à versão oficial e por isso peço desculpa por estar enganado.
O mundo é feito assim, o oprimido de ontem pode tornar-se no opressor de hoje, veja-se os israelitas!
Errado K’mrd: RACISMO! XENOFOBIA!
Lá como cá, sem medo das palavras e sem politicamente correcto.
Abraço.
E ainda falam mal do PNR…pobres coitados, à vista desta gente, eles são uns anjinhos…
Eu sempre fui da opinião que nós - “os brancos” - somos de longe muito menos racistas e a história dos dias de hoje não me podia dar mais razão. Infelizmente existe racismo em toda a parte. O que é pena é muitos dos criticos dos racistas contra “os negros” (detesto a palavra) não saberem olhar para a situação oposta.
O racismo é péssimo ponto final.
São factos lamentáveis, mas..perdão ! O outro APARTHEID é em iSSrael, a entidade nazi-sionista-apartheidesca que tomou como modelo o apartheid sul-africano…
A xenofobia alastra por todo mundo conforme alastra o desemprego e a fome. E não me deverei enganar muito se disser que a muito curto prazo se vai assistir a grandes convulsões sociais de carácter ainda mais violento. E que estará em causa o modelo civilizacional vigente obrigando os poderosos a repensar os seus modelos globalizantes. Antes que seja tarde…
Miseráveis, Daniel Oliveira, serão os agressores e não as vítimas…
Fado, “eles” odeiam-se pela mesma razão que os franceses odeiam os imigrantes. Porque é que cvom “eles” a coisa havia de ser diferente e tinha de ser crendices e etc.
Quando dá jeito os gangs são de negros. Agora, já se de brancos e de todas as cores. De facto, faz tanta questão de ter um discurso racista (até sobre o racismo) que nem consegue ser coerente.
A estupidez vai galgando fronteiras. Tanto retrocesso humano e tanto progresso tecnológico ao mesmo tempo.
Qualquer dia estamos de novo na idade da pedra, mas todos saberemos disso num plasma transmitido em directo via satélite.
Já po senhor, Mouzinho, só o vê quando são negros a atacar. O senhor é igual é esta gente que está a fazer a isso. E nem sequer tem a “desculpa” de viver numa barraca e ter fome.
Rogério Barros, sempre gostava de sabe de onde vem essa conversa. A minha crítica ao regime de Angola? É disso que fala? Que fique claro: eu não tenho posições para receber elogios (da esquerda ou da direita). Tenho-as porque as acho justas.
Por cá é mais o saque à mão desarmada (queimar só mesmo o país…)
O ministro das Finanças autorizou a concessão de um subsídio de Alojamento a Ascenso Simões, secretário de Estado da Protecção Civil, no montante de 75% do valor das ajudas de custo estabelecidas para os vencimentos superiores ao índice 405 da Função Pública, ou seja, são mais 1300 euros por mês.
O próprio Teixeira dos Santos recebe este subsídio por não possuir residência em Lisboa. Está a viver no Porto, tendo residência oficial em Lisboa. Continua a dar aulas, ele e a mulher, na Universidade, no Porto e é Presidente da Bolsa de Valores do Porto.
Enquanto estes canalhas andam a roubar o direito ao salário e à carreira dos funcionários, ao mesmo tempo pagam-se a eles próprios ’subsídios de residência’, cujos montantes são superiores ao que auferem mensalmente 80% dos funcionários no seu próprio salário! E isto só em ’subsídio’! Ou seja, a técnica é esta: Rouba-se a muitos, para dar muito, a poucos! Esta é a política do desgoverno, dito ’socialista’! (recebido em e-mail de leitor identificado) http://criticademusica.blogspot.com/
O senhor Daniel Oliveira e o Bloco de Esquerda deveriam deslocar-se à África do Sul e organizar uma série de colóquios para explicar aos Zulus como a imigração é boa. Os imigrantes que com eles constroem dia a dia a África do Sul. Os Zulus são inteligentes e estou certo que iriam compreender.
Tudo isto começou devido aos altos índices de criminalidade e ao desemprego. Quanto à criminalidade, o senhor Mamadu Ba certamente terá umas estatísticas provando que os imigrantes cometem menos crimes que o resto da população. No que diz respeito ao desemprego, acuse-os de não quererem trabalhar “Zulu não quer trabalhar”. Se aceitassem trabalhar o dobro do tempo por metade do salário e ser explorados pelo empregador, não seriam trocados pelos imigrantes. Reivindicar condições de trabalho e um salário digno, onde é que isto já se viu Daniel?
Daniel, o post estaria perfeito não fosse um detalhe, que apesar de detalhe é de fulcral importância: o que se passa agora na África do Sul não é racismo, é xenofobia.
O racismo é a xenofobia motivada pela cor da pele, e não é isso que ali está em causa. Sim, há negros racistas, mas aqueles estão simplesmente a ser xenófobos. Se fossem racistas não atacariam os imigrantes do Zimbabue e de Moçambique; atacariam, por exemplo, os de Portugal.
O que não tem nenhum impacto no absolutamente abjecto e condenável que é aquilo. Nisso não há qualquer diferença entre o racismo e a xenofobia em geral.
o racismo não tem cor e, ao contrário do que muitos pensam, não tem ideologia:
http://dn.sapo.pt/2008/01/14/internacional/autocarros_escolares_para_ciganos_su.html
CORAGEM PORTUGUESES
A
… Vós, ó portugueses da minha geração que, como eu, não tendes culpa nenhuma de serdes portugueses. (…) Gritai nas razões das vossas existências que tendes direito a uma pátria civilizada. (…) O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, Portugueses, só vos faltam as qualidades.
Almada Negreiros, Ultimatum Futurista (Manifesto às Gerações Portuguesas do Século XX, 1917) in mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com, 19 de Maio, 18:08
http://criticademusica.blogspot.com/
“Já po senhor, Mouzinho, só o vê quando são negros a atacar. O senhor é igual é esta gente que está a fazer a isso. E nem sequer tem a “desculpa” de viver numa barraca e ter fome.” Tanta demagogia sr Daniel Oliveira…já agora segundo a sua afirmação quando alguém (por exemplo em Sintra) se levantar contra os negros dos gangues já tem desculpa” porque está farto de ser ameaçado, assaltado, etc.
Racismo é racismo, e eu referi que existiam também casos de racismo de negros contra brancos e de você ter dois pesos e duas medidas…algo que você nem quer contrapor porque diz que isso e racismo e ofende alguns leitores. Para piorar coloca no ar sugestões de coisas que eu disse…mas sem as publicar, acto que é no mínimo covarde.
Quando diz que sou igual a esta gente o Daniel Oliveira vira Danielelé da cuca e menino mal-educado e começa atacar sem mais nem menos Justifique lá a sua afirmação e o porquê de ser igual a esta gente? Com que provas diz isso? Que raio de um comentador encartado esperava melhor
Tudo começou quando há tempo o acusei de ter dois pesos e duas medidas em relação ao racismo, e isso prova-se…porque nunca só fala de um sentido, e pela sua atitude de me comparar logo a assassinos…Olha bem para si e para a história política das correntes a q pertenceu e a que pertence..aí encontra idolatradores de assassinos …e provavelmente o Daniel
Tanto de um lado como do outro nada se fez para impedir o agravar da situação no Zimbabwe. Agora colhem as tempestades.
Concordo com o que foi dito pelo João Gomes, pessoalmente não vejo grande futuro para este modelo globalizante.
É difícil ser-se humanista com a barriga vazia.
Pois sim…
Aqui no “Arrastão” pratica-se a censura.
São todos muito livres e muito tolerantes e muito defensores da liberdade, mas…
Quando se diz a verdade - e a verdade pode não ser políticamente correcta - vá de censurar.
Políticamente correcto é dizer o que a esquerda quer ouvir. Tudo o resto é censurado pelos arautos da liberdade.
Sois uns hipócritas.
O racismo não tem cor pátria ou religião. Isto quando o estômago fala mais alto e ajudados pelos picadores profissionais dá nisto. Quer me parecer que isto ainda é um embrião, se não houver tento na tola dos governantes não haverá democracia parlamentar que os salve.
Que saudades o amigo, o companheiro, o camarada Rogério, deixará em todos nós. O único alento, é sabermos que tirou bilhete de ida e volta ou seja virá á socapa dar uma espreita neste “Portugal livre”.
O meu nome é Rogério Barroso, e eu só informei àcerca dos meus arredores, manifestei o meu desagrado (indicando a tazão da deterioração de qualidade, porque somos livres de apreciar e de qualificar) e me despedi, desejando felicidades com os vossos novos companheiros de jornada. Não necessito de qualquer justificação do Sr. Daniel Oliveira. Ainda assim, bem haja.
ROGÉRIO BARROSO (não Barros).
“Estou farto de dizer que o racismo mais atroz é aquele que existe entre os negros.”
Fado, se você o diz, deve ser verdade. Está a falar dos “negros” dos Balcãs? Não sei se considera o seu preconceito contra os negros como racismo. Eu acho que sim. Não sei se é atroz. Primário, é.
M&M :
“o racismo não tem cor e, ao contrário do que muitos pensam, não tem ideologia”. Estou perfeitamente de acordo. Denota apenas irracionalidade.
Lamentàvelmente, é uma realidade.
Ja agora, caso não ofenda Daniel Oliveira , versão virgem ofendida, fale do vídeo dos Justice…
Daniel Oliveira
Tenho muito respeito por si, porque é um idealista.
Vai de passeio ao Médio Oriente e vêm de lá a defender uma das partes contra a outra.
Vai até ao Sarabanda e começa a debitar conceitos sobre a existência ou não de racismo em África.
Ora acontece que uma das poucas pessoas que escrevia muito bem e de cor sobre territórios exóticos era o Emílio Salgari.
Acontece também que aqui em Portugal há verdades oficiais que não podem ser contrariadas.
Posto isto tenho a dizer-lhe que conheci razoavelmente o Soweto (aliás uma das minha namoradas a saudosa Miriam Bianchi morava lá) e passei trinta e tal anos em Moçambique.
O racismo entre negros (não sei porque é que um leitor diz ter horror da palavra quando eles mesmos a usam com orgulho) é muito mais feroz do que qualquer um entre outros povos.
Os motivos já expliquei, agora se o senhor não quer acreditar tem dois caminhos a escolher.
Mantêm-se na sua ou, por exemplo, recorda-se do que aconteceu no Burundi.
Nota Vejo com agrado que desta vez o pobre coitado do Bush foi poupado.
Raça não se define apenas pela cor da pele. Hitler quando falava de “raça ariana” não a definia pela cor. Entre os Africanos como entre outros povos, mais ou menos primitivos, raça é sinónimo de etnia (vidé os bascos). Xenofobia é o ódio ao “outro”, que até pode ter a mesma nacionalidade. Entre países tão recentes como os africanos o sentimento de nacionalidade ou não existe ou é muito vago. Existe sim o sentimento de “pertença” a uma determinada tribo, ou etnia. Este sentimento pode atenuar-se quando há prosperidade. Acirra-se, quando há pobreza. É o que acontece infelizmente hoje na África do Sul.
Pai de família, aqui não se aceitam, como já foi explicado, comentários racistas. às vezes passam por desatenção, mas a regra é esta. Não gosta, não come. O blogue é meu e é esta a regra. Quer outras regras, vá postar para o Fórum Nacional
Os europeus, que espartilharam África com régua e esquadro têm culpas no cartório nestas atrocidades tribais que agora por lá acontecem.
Mudando de assunto, para relax… vejam esta foto do Sousa:
http://criticademusica.blogspot.com/2008_05_01_archive.html#534847152430626143
Lendo alguns dos comentários anteriores, parece-me que se confunde pobreza com racismo. Os negros sul-africanos que estão a maltratar os negros moçambicanos e zimbabweanos não o fazem por eles serem negros mas porque acreditam que eles lhes estão a roubar os empregos. A isto eu chamo pobreza e não racismo. Pelo que me é dado saber, a queda do appartheid não conseguiu melhorar a vida da maioria dos negros sul-africanos. Há talvez uma élite que acedeu ao poder - político e económico - mas a esmagadora maioria dos negros continua, de uma forma ou outra, afastados do bem-estar.
Parece que a luta de Mandela e de outros, não teve ainda sucesso.
Na África do Sul , como em muitos otros países africanos (e não só) uns (poucos) comem, os outros (a esmagadora maioria) só cheiram, e ainda assim, nem todos se podem dar a esse luxo.
Enfim, é o mundo que temos.
Embora não concorde em praticamente nada com o Terreblanche, pergunto-me se não terá uma certa razão. África era bela ( e ainda é) limpa e pacifica mas havia quem se esforçasse para a manter assim.
Note-se que isto que se passa na SA não se passa em Angola pois o governo angolano têm ( e ainda bem) mão na situação.
José Henriques
Muito obrigado.
Gosto imenso de ler as suas intervenções, são sempre isentas e claras com uma perspectiva abrangente e com aquele toque de modernidade das amplas liberdades democráticas.
Se já se pudessem ver em três dimensões seriam de cristal para condizer com as paredes de vidro.
Em África não é a primeira nem a segunda nem a centésima vez que as etnias em confronto depois de terem fisicamente morto o adversário, matam-no também espiritualmente comendo-lhe um órgão do corpo, sendo o mais apetitoso o coração ou o fígado.
Mas shiuu! Isto não de pode dizer porque não pode acontecer.
O Bokassa, Imperador com as palmas de tantos dirigentes brancos da Europa civilizada fazia-o mas como tinha diamantes ninguém via.
As maiores barbaridades que se viram e vão continuar a ver na Libéria e noutras libérias por todo o continente mostram bem o que o ódio no seu estado mais puro pode fazer.
Se o senhor alguma vez tivesse assistido a um batuque (não esses do folclore mas um verdadeiro) e pudesse acompanhar o ritmo do tambor com o ritmo do álcool que se vai bebendo e tivesse observado a catarse religiosa em que aquilo tudo se transforma dava-lhe um conselho cinematográfico:
-Tenha medo, tenha mesmo muito medo!
Isabel, desculpa lá, mas o Hitler definia a “raça ariana” pela cor, sim senhora. Não era estritamente pela cor da pele, era por um misto de cor de pele, cor de cabelo, cor de olhos e formato geral dos traços físicos (forma do nariz, forma do crânio, esse tipo de coisa), mas o “racismo ariano” tem precisamente a mesma origem do racismo branco tradicional face às outras raças.
E sim, a xenofobia é o ódio ao outro em geral. O racismo é uma forma de xenofobia, tal como o são coisas como a homofobia, mas há xenofobia que não é nem racista nem homofóbica. Neste caso há uma xenofobia nacionalista violenta: não temos xhosas contra zulus ou tswanas e sim sul-africanos contra imigrantes vindos de países limítrofes, que até podem pertencer à mesma tribo (em África as tribos são frequentemente transfronteiriças). É um caso típico de xenofobia motivada por questões económicas que conhecemos bem demais na Europa. Tem frequentemente toques de racismo, mas é quase sempre principalmente outra coisa.
Acho que há muito exagero, neste post do Daniel, porque o moralismo turva o entendimento.
Também é hilariante a discussão a que se entregaram alguns comentadores, a de saber se o racismo dos negros é “pior” do que o dos brancos, e vice versa. Isto assemelha-se à discussão bizantina do sexo dos anjos.
Podemos invectivar aqueles sul africanos, que sem dúvida cometeram actos atrozes, mas isso, a mais das vezes, é um exercício espúrio, tão-só para ficarmos de bem com a nossa consciência (de um lado, eles, os xenófobos, e do outro, nós, os civilizados, os tolerantes).
Mais difícil é aceitar que aquilo a que chamamos xenofobia por vezes irrompe violentamente no seio dos agrupamentos humanos, sendo traço sombrio da nossa condição.
Voltando aos trágicos acontecimentos ocorridos na África do Sul, penso que não é difícil vê-los à luz de um contexto em que a disponibilidade de mão-de-obra, normalmente associada à indústria, leva à depreciação dos salários, gerando tensões entre diferentes grupos (aqui falamos, grosso modo, de autóctones versus imigrantes). Não estou a dizer que os indivíduos, no interior destes grupos, tenham todos o mesmo comportamento feito de intolerância para com o “Outro”, mas que boa parte deles se entrega a tais práticas, sem dúvida.
Enfim, o que vimos na África do Sul não é assim tão diferente do que se passava na Europa industrial do século XIX, em que não raro os industriais recorriam a mão-de-obra imigrante (por exemplo, polaca) para reduzir a capacidade de luta da força de trabalho local. Isto ocorria, assaz , em contextos de greves prolongadas. E fazia alastrar a xenofobia. Atenção, não estou a dizer que a xenofobia é apenas causada pela depreciação dos salários, num contexto em que vários grupos étnicos concorrem por um emprego, mas apenas que me parece, à luz do que li, ser o factor maior no caso Sul Africano. Por isso, acho espúrias as analogias com o tempo do Apartheid, a não ser no caso de um discurso moralista, de auto-suficiência… Para contentamento do autor.
“Lavadex
20 Mai 2008 às 11:27
E ainda falam mal do PNR…pobres coitados, à vista desta gente, eles são uns anjinhos…
Eu sempre fui da opinião que nós - “os brancos” - somos de longe muito menos racistas(…).”
O Lavadex teve o prazer de nos premiar com o comentário mais racista desta série! Mas no fim ainda se tenta emendar com: “O racismo é péssimo ponto final”, mas já vai tarde. Este tipo de comentário faz lembrar aquele que é muitas vezes proferido pelos retornados das antigas colónias: “Eu não sou racista, eu até tinha um empregado preto”.
Obviamente que a situação que se passa na África do Sul não pode ser comparada com a do resto do Mundo. E é pena que algumas pessoas não percebam que a gravidade dos actos é consequência da situação em que as pessoas vivem. Como é óbvio os actos de um Skinhead de classe média dos Olivais não pode ser comparada com a de um Sul Africano que vive num bairro de lata de Joanesburgo, que mal tem o que comer e que no Verão mal água tem para beber, porque ela é desviada para abastecer as piscinas dos ricos…
Enquanto na Europa o racismo é ideologia, não vem da necessidade mas sim da estupidez. Em países pobres ele vem do desespero e da ignorância. Enquanto o segundo se resolve com a melhoria das condições de vida, o primeiro não parece ter solução possível.
«Porque quem escolhe o mais fraco para descarregar a sua revolta é tão opressor como o que o oprime»
Frase enigmática. «Revolta»? «opressor»?
o Daniel faz paralelismos desnecessários e, apesar de condenar, neste caso tenta encontrar motivações. Isto só tem uma explicação: barbárie.
Eis porque a comunidade internacional não pode ter receio de não pactuar com regimes ditatoriais: porque esse silêncio tácito acaba por transformar-se numa factura cara para todos. No limite, pactuar com ditaduras ou nada fazer para as condenar é alimentar indirectamente a violenta explosão social e a xenofobia. É o que está a acontecer por se ter tolerado o Sr. Mugabe durante tantos anos.
Não parecendo, a sociedade sul-africana pós-apartheid é profundamente marcada por tensões raciais. Em várias frentes: brancos pouco tolerantes para com negros, negros pouco tolerantes para com brancos, etnias negras pouco tolerantes para com outras etnias negras, ocidentais que desdenham outros ocidentais, muçulmanos pouco tolerantes com judeus e negros e vice-versa. A própria imprensa espelha esta tensão racial, o que ao mesmo tempo não deixa de ser um sinal positivo de pluralismo editorial e de liberdade de imprensa numa sociedade que a seu tempo apostou tudo na ideia de democracia.
Conheço bem a África do Sul e conheço bem o que foi o apartheid.
Primeiro há esta ideia de que o racismo dos brancos é mais “humano” que o dos negros.
Que é uma ideia primariamente, não diria racista, mas diria disparatada. Nada torna mais “humana” a intolerância entre sérvios e albaneses por serem brancos. No fundo, os nacionalismos desatinados revelam sempre a sua faceta ultra-intolerante.
Como é evidente a África do Sul, como região economica e politicamente mais estável, paga o preço social de situações despóticas como a do Zimbabué, ou de situações de pobreza como a de Moçambique. Com milhões de refugiados políticos e sociais nas cinturas externas das grandes cidades (maioritarimente ocupadas por ocidentais imigrantes) a fome começa a apertar e quando a fome aperta a xenofobia alastra.
Eis porque a comunidade internacional não pode ter receio de não pactuar com regimes ditatoriais: porque esse silêncio tácito acaba por transformar-se numa factura cara para todos.
Pois e.
Ele ha muitas maneiras de aniquilar vidas.
E ja se sabe que as vidas dos pobres valem muito pouco.
Assim sendo esta nossa sociedade de consumo e de belos anuncios na Tv mais de automoveis de e nao de luxo, carrinhos de compras e barbies mais kens assenta o seu desmedido poder de compra sobre os cadaveres desses que para alem de nao terem nome
nem importancia, nao tem tambem quem os proteja. Assim e natural que o medo de mais privaçoes os lance uns contra os outros e pois, e sempre o mais fraco que cai.Neste e em todos os outros casos, os que caem sao sempre muitos.
Mas nao vale a pena gastar muita massa cinzenta para tentar perceber qual e o fenomeno que faz com que os mais desgraçados se agridam uns aos outros e se eliminem numa confusao de horror e sangue.
O nosso bom povo , tao feliz na escolha de pensamentos tem aquele excelente proverbio que diz–”em casa onde nao ha pao todos gritam e ninguem tem razao”.E simple entao, os que tudo querem ter descobriram uma maxima proxima que do ponto de vista pratico lhes da um enorme sucesso nesse plano de ganhar mais com o infortunio e a solidao e desespero de todos os que nao pertencem a classe.E pobres nao pertencem a classe dos vencedores.Nem brancos pobres , quanto mais negros pobres.
De modo que a receita para o ganho e muito facil de adaptar.Inventam-se umas crises e quanto mais proximas da falta ou escassez de alimentos , melhor e depois acrescentam-se mais uns aumentos dramaticos aos custos do petroleo e e ve-los a atirarem-se uns aos outros , porque ja se sabe- se e para morrer antes ele do que eu.E com a enorme vantagem de os por todos a pagar mais pelo que deveria ser acessivel a todos e ganhar ainda mais milhoes.Depois ariram-se umas vagas codeas para aliviar impostos chamndo a isso caridade social ou belo gesto humanitario ; o que quiserem e esta feito.Nesta coisa do medo e do horror somos todos iguais e nao me espanta que os negros da africa do sul se estejam a atirar sangrentamente contra os seus irmaos moçambicanos porque veem neles o perigo imenso da morte pela fome e essa realidade recorda-lhes o terror nao muito longinquo e nada resolvido do imenso inferno racista que por ali existiu e continua a existir, passe embora o sonho de mandela e seus seguidores.
Quem deve estar sorrindo de satisfaçao sao todos os senhores de poder e ideias sobre tons e cores para quem todo este imenso genocidio dever dar a certeza de que muito em breve o mundo se revelara bem mais simples do ponto de vista racial porque a continuar assim nao deve faltar muito para que o mundo se transforme num lugarzinho insuportavel onde so os que tem dinheiro podem compra saude amor e comida e onde podem tranquilamente passear entre pares sem receio que um pobrezinho lhe toque ou implore um pouco de comida ou lhes suje o carrinho de primeira .
Falta saber se esse mundo tera lugar para nos os parentes pobres dessa gente ou se como no tempo tambem nada longinquo do estafermo hitler e seus apaniguados, nesse lugar so caberao os primos e enteados.
E que ser branco ja nao e garantia de saude, se acompanhando esse estatuto nao houver uma continha no banco para comprar bens essenciais e quem tiver sonhos a esse respeito que se guarde porque tera por certo cada vez maiores desilusoes . E pelo caminho que esta coisa do petroleo e dos cereais e dos anuncios cada vez mais sombrios da escassez que nos ameaça e muito embora tudo isso nao passe para de mim , senao de meros atrevimentos e arrogancias de gente que apenas visa o lucro e nada mais do que o lucro e que tudo faz para ganhar o mais possivel ainda que sobre a morte de milhares, a verdade e que sao esses que tem o poder da vida e da morte sobre nos todos independentemente da cor de pele ou cabelo que tenhamos e independentemente da cor com que os nossos olhos veem o mundo ele transformar-se -a por certo num lugar cada vez pior para olhar.
Essa gente e gente sem alma ou espirito, cujo coraçao foi substituido ha geraçoes por uma maquina de criar odios e divisoes de toda a natureza para quem a vida humana so tem valor se puder gerar lucros.
E e porque existe muita gente dessa que o mundo, o mundo onde todos deveriam viver em paz e com abundancia se esta rapidamente a transformar no inferno de sangue e horror onde apenas a noticia da morte continua sempre actual.
Muito discretamente lá foram levando o problema para uma questão económica.
Acho bem, nada pior do que quando os sonhos se evaporam.
Parece que há três milhões de desalojados do Zimbabwe na África do Sul.
Mas porque razão é que foram para lá?
Não era a ex-Rodésia do Sul uma das nações mais produtivas de África a quem chamavam O Celeiro?
Parece que também lá andam muitos moçambicanos.
Mas não era Moçambique que tinha a maior plantação de chá do mundo, e também o maior palmar do mundo e ainda a maior plantação de cana do açúcar do mundo.
E porque é que isso hoje não existe?
Havia um horror que era o Soweto.
Já desapareceu?
No bairro de Hillbrow onde se situa a torre da televisão o nível de criminalidade era o mais alto do mundo em 1970.
Mas havia o apartheid, e agora já melhorou?
Daqui a bocadinho com Obama em presidente, perde-se um dos bombos de festa em quem se batia com muita alacridade.
E depois, em quem é que se vai bater?
Só resta mesmo o Scolari.
Caro Pedro,
Não vou perder tempo a defender o meu comentário de qualquer acusação menos fundada da sua parte. Sei muito bem o que defendo e o quanto condeno o racismo e todas as formas de opressão.
A minha afirmação foi feita em tom irónico e um tanto provocador. Apenas isso!
Outro aspecto é sobre o que diz um comentário de uma “bloguista” que afirma que deixaram a situação no Zimbabué chegar ao ponto a que chegou…ora bem, não entendo!
Quererá isto dizer que devemos intervir? Quererá dizer que somos “superiores” e que devemos ensinar os bons modos e direitos humanos ao regime do Zimbabué? Isto pode ser considerado racismo ou não?!
Uma coisa é certa e não tenho problema nenhum em não ser o politicamente correcto que muita gente pelos vistos quer demonstrar ser.
Uma sociedade deverá ser liderada pelos fortes de espirito e por mentes clarividentes. Deste modo será uma sociedade próspera, em paz e organizada de modo a ser eficiente. O problema é que nem cá (Portugal) conseguimos alcançar isto.
A afirmação usada anteriormente ” eu não sou racista, até tinha uma empresaga” - ou algo do género…nesta altura havia a fome que há neste momento? Havia a injustiça que há neste momento? Havia a violação dos direitos humanos que há neste momento? No zimbabué vivia-se bem melhor antes de se lembrarem de invadir as propriedades dos ingleses e de os terem morto…e mais, é incrivel como se dá cobertura a tais pessoas. Caro Pedro, o problema aqui não é o racismo, é a incapacidade de organização e de auto-libertação destas pessoas…Será utópico pensar que em algumas zonas de África um dia reinará a paz e a prosperidade das populações de nações inteiras e não apenas dos governantes.
“Mas havia o apartheid, e agora já melhorou?”
Melhorou Fado, melhorou muito. Hoje existem leis que permitem que os meninos negros possam frequentar a mesma escola pública que os meninos brancos. Essa é a grande melhora. Quem conhece a África do Sul sabe que as gerações mais novas (as crianças) têm um discurso de tolerância que dá dez a zero ao discurso intolerante das gerações mais velhas. De resto, a democracia sul-africana é um facto. A tolerância levará gerações. Mas, toda a gente vota. Há sindicatos. Há vários partidos. Há vários jornais. Há vários grupos de comunicação social. Há economia de mercado (para o bem e para o mal).
Quanto à ideia que implicitamente defende de que a prosperidade económica da ex-rodésia só foi possível com um governo colonialista, lembro-lhe apenas que a actual prosperidade económica sul-africana não conta com o apoio de nenhum governo colonialista, e logo essa teoria cai por terra.
Quanto a Moçambique, que não conheço, pelo que vou lendo e sabendo há sinais de progressos sociais. Que ainda não beneficiam a totalidade da população. Mas sobretudo a nível político há sinais na educação e na economia que fazem crer que Moçambique está finalmente no caminho certo.
Lavadex,
Criticar Mugabe e o seu regime, e achar que a comunidade internacional não apenas a nível público mas sobretudo a nível privado não o devia ter tolerado não é “ser racista”. Não sou pessoa de relativizar a condição humana. isto é, para mim é evidente que tenho o dever de defender o respeito pela condição humana. E isso não é “ser superior”. Nem é ensinar o que são “bons modos”. Nem é ser clarividente. Nem é ser forte de espírito. É acima de tudo um respeito que devemos a nós próprios. Relativizar o valor da vida e subjectivar os direitos humanos é ser muito mais intolerante do que decidir objectivá-los e reinvindicá-los. Acho que devemos “intervir” na questão do Zimbabué, acho. Não necessariamente da forma militar. Mas exercendo pressão pública para que Mugabe resigne, e se façam eleições livres. Porquê que haviamos de ter constrangimentos em defender a democracia?
Racismo é achar que os direitos humanos dos africanos merecem menos atenção do que os direitos humanos dos europeus, dos americanos ou dos asiáticos.
Arquiduquesa de Grayskull
Ma’am
Conheci razoavelmente bem os três países envolvidos (África do Sul, Rodésia e Moçambique).
Faz-me uma profunda tristeza verificar o que podiam ser e o que são.
É verdade que as nações africanas não existem porque são divisões artificiais.
Enquanto isso não for resolvido nunca haverá paz e progresso.
É claro que ter dirigentes corruptos, assassinos e canibais não ajuda nada.
Em vez do seu saudável optimismo eu vejo que a situação só tenderá a piorar, porque cada vez os recursos serão pior explorados e explorados apenas por alguns.
Talvez daqui a quinhentos anos se encontre uma solução, quando já todos estiverem na Europa a viver do Rendimento Mínimo Garantido.
Esqueceu-se de dizer é que esses racistas mauzões, depois quando chegam à Europa, são vitimas dos mauzões brancos, que inventam arrastões para lhes darem má imagem.
Claro que esta noticia com acontecimentos, que alguns chamam racistas (racismo entre elementos da mesma raça?), promove inteiramente os propósitos do multiculturalismo, mesmo sendo os sul africanos a queimarem outros africanos (como é omitido nos média, para as pessoas sem conhecimentos de geografia, ler racistas queimam africanos parece outra coisa), certa comunicação social consegue fazer com que os europeus se sintam culpados disso. E claro os israelitas também são culpados disto, porque não se deixam arder.
Multiculturalismo é achar que os direitos humanos dos europeus merecem menos atenção do que os direitos humanos dos africanos, muçulmanos ou asiáticos.
Fado Alexandrino,
É certo que em África prosperidade económica quase nunca se traduz em bem-estar social. Mas o meu pessimismo em relação a África, não chega ao ponto de achar que o regime do apartheid era melhor que o regime actual. Ou que a única alternativa viável a Mugabe era o regime colonialista. De resto, e apesar de todas as suas fragilidades sociais, são enormes as diferenças entre o Zimbabué e a África do Sul, ou entre Cabo Verde e Angola. Uma dessas diferenças é a forma como os seus governantes chegam ao poder e lá se mantêm.
Exmo Senhor,
Corre na internet um ataque à minha pessoa, através da “clonagem” do meu nome, e-mail e endereço de blogue.
Como poderá verificar, a assinatura em meu nome não é verídica uma vez que não dá acesso ao Open ID.
Peço que apague todos os comentários no seu blogue com o meu nome uma vez que apenas visa denegrir a minha imagem.
Antecipadamente grato.
Com as mais cordiais saudações,
Vitório R. Cardoso
Exmo(a). Senhor(a),
Solicito que sejam apagados todos os comentários assinados com o nome “vitório rosário cardoso” uma vez que foram publicados por um “clone”, que tem como intenção de denegrir e difamar.
Este caso já está a ser seguido pelas autoridades policiais competentes.
Atenciosamente,
Vitório R. Cardoso
Dear Sir/ Madam,
Please delete all comments signed with the name “vitório rosário cardoso” because are not published by the original author but by a “clone” that only aims to damage my reputation.
This case is already followed by the police authorities.
Thank you for your attention,
Vitório R. Cardoso