Neste concurso, um espectador disse ao telefone que estava com pressa porque tinha de ir trabalhar. A apresentadora respondeu: «Arbeit Macht Frei» (O trabalho liberta), frase inscrita nas portas de vários campos de concentração nazis. E lançou uma gargalhada, perante o silêncio da sua colega. Quando voltou para o ar, pediu desculpas. Tarde demais. Foi despedida.

Isto é num país que leva a memória a sério. Cá, qualquer esboço de indignação com qualquer alarvidade que se diga conta imediatamente com a ira da brigada politicamente incorrecta. Cá somos todos porreiros e nada é para levar muito a sério. Nem memória, nem o que se diz.

Sou dos que defende que a liberdade de expressão é o mais importante de todos os valores democráticos. A lei não deve proibir que se diga nada. Somos nós, cidadãos, que devemos reagir com indignação aos que insultam a nossa memória. Porque a indignação também é um direito fundamental. E quando deixamos de nos indignar as maiores enormidades passam a ser ouvidas como se de coisas naturais se tratassem.


Sem respostas ao post “As palavras são importantes”  

  1. 1 1  nuno magalhães

    podia ter lembrado que Paulo Portas também já usou a frase, e bem recentemente…

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    nuno, comentei isso aqui e ia sendo linchado por ter mau feitio.

  3. 3 3  teresa

    Bem… pode bem ter sio um momento de humor completamente inócuo, tipo nonsense, inspirado apenas no lado formal (como nos trocadilhos) e não no lado substantivo.
    Bolas, DO!!!
    Com você a censura ao Herman que aconteceu há uns anos passava mesmo, já reparou?
    Direito à indignção pois claro!

    Gatos, acautelem-se com este lado do Daniel…

  4. 4 4  ricardo

    Uma coisa é um político com responsabilidades dizer essa frase (e Paulo Portas num País decente nem deputado seria…), outra, bem diferente, é ela ser dita por uma apresentadora que, mais do que qualquer outra coisa, demosntrou ignorância. Sinceramente (e o Daniel que está sempre pronto a defender os direitos dos trabalhadores, e se mostra tantas vezes contra tudo o que é “excesso de zelo”, as opressões sobre os mais fracos, etc…), não acha que talvez tenha sido exagero despedir a rapariga? E se ela fosse despedida por usar uma T-shirt com o Che Guevara? O que diria o Daniel?…

  5. 5 5  Xico

    E se alguém, das novas gerações por exemplo, disser a frase porque a leu em Voltaire, e não faça a mínima ideia do que estava escrito sobre os campos de concentração?
    Conheço muito licenciado que o não sabe, mas se calhar leram Voltaire!
    Não é porque a frase estivesse escrita nos campos que a faz ignominiosa. Era porque se tratava de uma ironia macabra! Ali o trabalho significava a morte!
    Siceramente acho que foi excessivo o castigo, dada até a responsabilidade que se pode exigir a apresentadores de concursos e depois de um pedido de desculpas sincero!

  6. 6 6  Dalila

    Eu recordo-me do seu comentário em relação a Paulo Portas.Decerto é muito mais grave ser dito por um deputado do que por uma locutora de televisão.

  7. 7 7  Justicialista

    Daniel, haverá melhor exemplo da falta de memória do passado em Portugal, que as milhares de suásticas grafitadas por toda a grande Lisboa? Só aqui no meu bairro são umas 10.

  8. 8 8  Andre

    Eu já vivi na alemanha e conheço bem os alemães, eles não tem senso comum. Talvez por isso foram capazes de fazer o que fizeram e agora agem da maneira oposta, ou seja, nem sequer podem falar o trabalho liberta mais porque lembraram-se de por a frase na entrada de um campo de concentração. Mandavam-lhes fazer barbaridades e faziam-nas e agora mandam-nos ficar chocado com coisas ridiculas e eles ficam.

  9. 9 9  JoseMonti

    As Palavras e as Acções

    O mesmo se passa com quase tudo,
    neste Sítio.
    Do Banco de Ali-Babá (BdP)
    ao Banco da Iniciativa Empresarial (BCP).
    Na AR e há cerca de dois anos, o PCP terá pedido o envio dos estatutos do BdP.
    Tão assoberbados de trabalho como andam os deputados, devem ter-se esquecido do assunto.
    E não ter tido tempo para o reabrir.

  10. 10 10  António Neto

    Não posso concordar, Daniel. Tratava-se de um programa em directo e a apresentadora pediu desculpas, admitindo que “tinha dito uma coisa estúpida”. Para além disso, tendo em conta o contexto, nota-se que foi um comentário totalmente inocente… Como tal, não vejo o porquê da indignação. A meu ver, só quando deixarem de acontecer coisas destas é que um país pode dizer que se livrou dos “fantasmas”. Tal como em Portugal, parece que na Alemanha isso ainda não aconteceu.

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    ricardo, defender os direitos dos trabalhadores não ignorar todos os outros valores. Como se percebeu pela gargalhada, a senhora sabia o que dizia. É normal que depois de o te dito, não pudesse continuar a dar a cara pelo canal de televisão. Saberá que ser apresentador de um programa não é propriamente o local de trabalho. As regras não são as mesmas e por isso os salários também não são os mesmos.

    De resto, o disparate da comparação entre o Holocausto e o Che Guevara fica com quem a faz.

  12. 12 12  Daniel Oliveira

    Os fantasmas cumprem uma função. Quanto mais não seja enquanto houver sobreviventes dos campos de concentração vivos. Nós é que somos muito lestos e tratamos o sofrimento alheio como coisa sem importância.

  13. 13 13  Fado Alexandrino

    A lei não deve proibir que se diga nada.

    Não sei se sim ou se não, o que sei é que o senhor no seu antigo blog estipulou uma série de leis que proibiam que se dissesse muitas coisas.

    Mas não é isso que está em causa.
    O que está em causa são algumas frases dos senhores anteriores comentadores que me causaram a maior perplexidade:
    Vejamos:

    E se alguém, das novas gerações por exemplo, disser a frase porque a leu em Voltaire
    o senhor acredita que as novas gerações lêem Voltaire?
    melhor exemplo da falta de memória do passado em Portugal, que as milhares de suásticas grafitadas
    Desculpe dizer-lhe Portugal não pode ter memória do nazismo, nunca aqui chegou e estes bandos de trapaceiros que se dizem tal, equivalem aos negros de capuz pela cabeça a imitar Los Angeles
    Mandavam-lhes fazer barbaridades e faziam-nas
    Coitadinhos!

  14. 14 14  saltapocinhas

    acho que o daniel tem razão: há coisa sque não devem ser ditas…
    talvez daqui a muitos anos, mas não agora, havendo ainda tantas pessoas vivas que viveram os horrores da guerra.

  15. 15 15  tric

    Por falar em Holocausto , em Portugal tambem houve um Holocausto( assassinio de um décimo dos cristãos portugueses) quando das invasões francesas e ninguem liga!!?? deve ser por o sangue judeu ter mais valor que sangue do tuga cristão …

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    Fado, as regras de um blogue são uma coisa, as leis da República são outra. Este espaço é meu. O País é de nós todos.

  17. 17 17  joao de miranda m.

    Também fiquei indignado. Não há direito de se despedir uma pessoa só por dizer uma bacorada. Os nazis estão vivos e são os patrões da rapariga que foi despedida. Nazis são também todos os que consideram que terá havido justa causa para o despedimento. Se descontextualizarmos “Arbeit macht Frei”, fica uma frase absolutamente inócua. Mas um despedimento nunca é inócuo, seja em que contexto for…

  18. 18 18  Xico

    Fado Alexandrino,
    Tem toda a razão. Foi a esperança que falou mais alto, que as novas gerações lessem Voltaire.
    Acabou por me fazer rir do meu próprio comentário.
    Olhe, no fundo tudo isto é triste… tudo isto é fado…

  19. 19 19  Pluralismo Democrático

    O João de Miranda M. foi o único que escreveu aqui algo de jeito. Obrigado João!

  20. 20 20  Nel

    O PNR já usou impunemente um cartaz decalcado do partido de Hitler.

  21. 21 21  José Maria Pimentel

    A.S. Não li os comentários, posso estar a repetir algo já dito.

    O Daniel mostra que ainda não purgou completamente o estilo comunista da sua pessoa.
    Não leve a mal, pois há um elogio implícito. Se não soubesse que se trata de uma pessoa culta, diria que a opinião que manifestou revelava pouca reflexão.

    A apresentadora disse a expressão em jeito de piada, sem, claramente, a mínima intenção negativa (ingénua, talvez). Não vejo problema algum. Não faltou ao respeito de ninguém pois, que eu saiba, a piada surgiu do nada e não pretendia, consequentemente, “gozar” com alguém que tivesse vivido esses tempos.

    Confesso que julgava que Portugal ainda tinha muitos e tolos fantasmas do salazarismo, mas vendo o caso alemão recupero um pouco do orgulho… Um país com fantasmas destes tem mais hipótese de regressar ao passado do que um país maduro.

    Mais um pormenor: Esta é uma expressão que, se desligarmos da conotação histórica, pode fazer sentido e, mais, ser dita por qualquer pessoa, de tal maneira é ambígua. Por isso, de maneira nenhuma pode ser interpretada como um ofensa!

  22. 22 22  carlos martins

    O que eu acho preocupante é que uma frase dita por uma apresentadora (que até me parece meio tontinha) tenha este peso todo.
    Não teria metade da repercussão se não tivesse pedido desculpa nem depois ter sido despedida, presumo que só foi informada da demissão depois das desculpas, o que é muito mais estúpido e desrespeituoso do que a frase triste que a miuda viu num livro ou ouviu em criança sem sequer se lembrar se aquilo era conotado com algo mau ou bom.
    O riso não justifica absolutamente nada de relevante, pode ter acontecido porque viu a cara da colega ou porque se lembrou que se calhar aquela frase estava numa página difícil do livro de história.
    Se eu fosse ela pedia desculpa por ter pedido desculpa e uma indemnização. Depois pedia desculpa por ser um bocado tonta.

  23. 23 23  Afonso Reis Cabral

    A Alemanha não leva só a sua «memória a sério», o que me parece uma análise leviana, a Alemanha é um país tolhido pela memória. Pequenos episódios como o da apresentadora de televisão que foi despedida por ter dito em directo, por lapso, «o trabalho liberta» demonstram muito bem isso mesmo. Parece-me que só depois de muitas gerações é que a Alemanha se vai livrar do espectro nazi, se de facto isso for possível. De certa maneira, tendo em conta o contexto social, é compreensível que se despeça a apresentadora de televisão, mas não deixa de ser desumano e irracional, principalmente depois de a rapariga ter pedido desculpas. Nunca ouvi tantos entschuldigung, vê-se bem que a Alemanha ainda está dominada pelo medo.

  24. 24 24  O Trabalho liberta

    Foi despedida por isto? Vergonha! O complexo II Guerra Mundial na Europa é deveras ridiculo.
    Vejam é o estado do nosso país:
    http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=276040&idCanal=0&currPos=40

  25. 25 25  Daniel Oliveira

    A apresentadora não disse por lapso. Se não, porque riria? Disse por piada, como bem se percebe no vídeo. E a piada era a frase e o seu contexto. Caso contrário, onde estaria o motivo de riso?

    Conheço bem a Alemanha e compreendo que num país como Portugal, onde a nossa história é contada como se fosse um conto de fadas (colonizadores bozinhos, os primeiros a acabar com a pena de morte e a escravatura, demos novos mundos ao mundo), não se compreenda esta forma corajosa (e por vezes muito culpabilizante) de lidar com o passado. Talvez seja mais difícil de perceber em Portugal. Mas a forma como polacos, checos, franceses, holandeses ou dinamarqueses ainda olham para os alemães talvez ajude a perceber este sentimento.

    A verdade é que, ao contrário de metade da Europa que foi coniventete com o Holocausto e perseguiu, sem pensar mais no assunto, minorias (com os judeus sempre à cabeça), a Alemanha olhou e olha de frente para o seu passado. Não só para o nazismo, mas também para o Muro de Berlím. E nisso, não são complexados. São corajosos e consequentes. Claro que o fazem de forma dolorosa. Outros países aprendessem com eles. Talvez por isso se possa ver uma extrema-direita forte na Suiça, na Áustria, em Itália, em França, na Bélgica e até na Holanda, e isso não aconteça na Alemanha.

  26. 26 26  Henrique Morais

    Tem toda a razao…Num pais onde um deputado diz acreditar que a Coreia do Norte e uma democracia ou que se diz que o fim da Uniao Sovietica foi uma desgraça para o mundo, é porque realmente as palavras contam muito pouco. A questao é o que aconteceria se alguem se referisse nestes termos em relaçao ao III Reich? Voltamos aos termos de comparaçao, mas é disto mesmo que se trata. A pedido dos paises de Leste, foi a votaçao no parlamento europeu uma lei que poibia qualquer manifestaçao de extrema-esquerda (tal como existe para a extrema-direita)….pois parece que chumbou. Quer-m parecer que o ser humano quanto mais para leste menos vale. Que o digam nao Coreia.

  27. 27 27  Daniel Oliveira

    Existe para a extrema-direita? Em Portugal manifesta-se em liberdade. Foi muito bem chumbada. Com pena sua, estou seguro.

  28. 28 28  Henrique Morais

    Granato-lhe que a sua proximidade com os extremos é muito maior que a minha. A blogosfera e o mediatismo tem esta particularidade. Voce esta muito mais exposto que eu, logo eu conheço-o melhor a si que voce a mim. Mas se voce diz ate posso gostar de Hitler e de arroz de cabidela. Nao sei porque esta conversa, quando voce sabe perfeitamente que ha limitaçoes muito maiores a partidos de extrema-direita que aos de extrema-esquerda. Acho muito bem que haja para os dois lados. A historia e feita pelos vencedores.

  29. 29 29  Afonso Reis Cabral

    Eu, ao contrário do Daniel, sou mais compreensivo, não vejo no riso da apresentadora um sinal de gozo, mas sim de imediata atrapalhação pela gaffe que cometeu, situação imediatamente explicada pela própria num sentido pedido de desculpas em directo. Entschuldigung, disse ela três vezes… No entanto, se quer dar novas tonalidades ao que está pintado a cores claras, só posso depreender daí a influência recorrente da sua costela inquisitória.
    A comparação da situação alemã com Portugal é, felizmente, forçada e até ridícula. Foram duas realidades socio-políticas incomparáveis, mesmo que ambas sob ditaduras de direita. No entanto, se quer comparar, pode-se dizer sem qualquer sombra de dúvida que a história de Portugal foi um conto de fadas.

  30. 30 30  nuno magalhães

    voltando ao portas, paulo. freitas do amral disse há tempos que tinha deixado o partido que fundou ao sentir que muitos dos seus simpatizantes estavam próximos da extrema-direita. portas, paulo, sabe bem onde pode ir buscar votos. adapta o discurso à clientela. até por isso tivémos um tipo como o meu homónimo a secretário de estado, quando no tempo do guterrismo cada declaração sua era um tiro na tolerância e a favor da discriminação.

  31. 31 31  Daniel Oliveira

    Henrique Morais, mas onde é que eu disse que você gostava de Hitler? Apenas disse o que acabou de confirmar: que gostava de impor limitações. Quanto à proximidade em relação aos extremos, nem respondo.

    Mas reconheço-lhe razão: a história é feita pelos vencedores. O que faz com que uma pessoa de esquerda, que defende os meios democráticos e pacíficos de intervenção política, o parlamentarismo, a regulação do mercado e um cumprimento do papel social do Estado seja vista como extremista. Enquanto os que defendem a guerra como forma primeira de resolução dos conflitos internacionais, a limitação das liberdades cívicas em favor da segurança e o confronto entre civilizações como grelha de análise do Mundo, sejam olhados como democratas e moderados.

  32. 32 32  Vítor

    Temos que nos indignar! Nem que seja contra a ignorância ou o lapso das pessoas. Não vá esta gentalha pôr-se com ideias, tal como os suíços ou austríacos.

  33. 33 33  carlos martins

    Era riso de nervos! Nada a ver com piada ou malfeitoria.

  34. 34 34  Alexandre

    Daniel Oliveira,

    Tomo a liberdade de o citar de memória numa entrevista que deu na rádio:

    «Em relação aos cartoons da Dinamarca, acho que é mais interessante desafiarmos os nossos próprios tabus e por isso gostaria de ver os tabus católicos postos em causa porque é mais difícil.»

    Pois eu também acho fácil que questione a extrema-direita e não os seus próprios tabus de esquerda. Gostava de um dia o ver falar da memória do estalinismo e da necessidade de memória.

    O seu tom de quem ter a verdade no bolso e está de dedo em riste, a apontar os outros, retira-lhe valor à (elevada) substância das suas intervenções. Como pode garantir que a rapariga o fez deliberadamente? Como pode garantir que o seu riso não foi um riso nervoso de quem ficou incomodada e surpreendida com a referência que acabara de deixar cair? Presunção de inocência, Daniel…

    Defender a liberdade de expressão é, justamente, defender a liberdade de expressão às ideias que mais repugnamos. Não o vi defender a liberdade do cartaz (abjecto) do PNR. Sabe que a política de limitação da liberdade de expressão dos neo-nazis lhe dá força? Força para eles se vitimizarem e relativizarem a diferença da liberdade de expressão entre a ditadura e a democracia.

    E já agora, só de esquerda e gosto muito de o ler.

  35. 35 35  nuno magalhães

    mas qual é a semelhança da extrema-esquerda com a extrema-direita. a extrema-esquerda não discrimina ninguém, não defende a superioridade de ninguém, não defende uma elite vocacionada por questões divinas a dirigir os outros, não defende a intervenção armada sobre outros povos ou seus adeversários, não extermina outros povos e adversários por pensarem de forma diferente. não há qualquer simetria.

  36. 36 36  Henrique Morais

    Daniel Oliveira

    Infelizmente a politica não é assim tao linear nem a direita se resume à politica de Bush.
    Quanto as limitaçoes, sim algumas sao necessarias. Partindo do principio que ha diferentes conceitos de liberdade, algum papel regulador tem de existir e este normalmente nao agrada a toda a gente.

  37. 37 37  João Antunes Mendes

    Daniel, meios pacíficos tais como os do Verde Eufémia?Como os da Carbonária? Eu até o admiro por alguma distância que tem aos extremos, concordo, mas há que reconhecer que em Portugal os extremismos de esquerda são muito melhor aceites que os de direita, tal como no EUA os de direita são mais bem aceites que os de esquerda(basta ver o post sobre o Jonah Goldberg).

  38. 38 38  Fado Alexandrino

    nuno magalhães

    Foi uma pena Stalin, Pol Pot, Fidel & Outros não terem, em tempo útil, lido as suas considerações.
    Penso mesmo que o senhor, depois de reler o que escreveu, se vai sentir um bocadinho constrangido.

  39. 39 39  nuno magalhães

    A extrema esquerda não se distingue pelos métodos violentos, mas sim pelos conceitos de igualdade e de propriedade.

  40. 40 40  Henrique Morais

    Nuno Magalhaes… A extrema-esuqerda exterminou a propriedade privada e a liberdade religiosa, que sao provavelmente as mais antigas liberdades do homem. Sim, tambem perseguiu homossexuais e deficientes, bem como judeus, catolicos, budistas e qualquer tipo de crença. Tambem invadiu outros povos pela via armada e tentou destruir bases culturais e povos. Há ate demaisada simetria…Os extremos tocam-se

  41. 41 41  Xico

    Nuno Magalhães
    Olhe que você tem queda para humorista.
    Ironia fina a sua! Sim senhor!
    Tal como Pol Pot, a extrema esquerda não defende a superioridade de ninguém. Na defesa da igualdade, vai destruindo o que teima em ser diferente! O modelo de igualdade é que é superior! Basta ser o definido pela extrema esquerda!
    Métodos violentos? não! Umas bombas que matam rápidamente e sem dor!!!

  42. 42 42  João Antunes Mendes

    Nuno, considera as nacionalizações pacíficas? Não acha que há uma violência quando se retira a alguém algo, que por direito lhe pertence?
    Acha que a tomada de poder pela via armada é pacífica?
    Acha que a limitação dos direitos de livre expressão quando usados contra a ideologia que defende é pacífica?
    Porque quando falamos de extremos é disto que tratamos, mesmo que não seja com isso que o Nuno se identifique…

  43. 43 43  Alexandre

    Daniel Oliveira,
    Tomo a liberdade de o citar de memória numa entrevista que deu na rádio:
    «Em relação aos cartoons da Dinamarca, acho que é mais interessante desafiarmos os nossos próprios tabus e por isso gostaria de ver os tabus católicos postos em causa porque é mais difícil.»
    Pois eu também acho fácil que questione a extrema-direita e não os seus próprios tabus de esquerda. Gostava de um dia o ver falar da memória do estalinismo e da necessidade de memória.
    O seu tom de quem ter a verdade no bolso e está de dedo em riste, a apontar os outros, retira-lhe valor à (elevada) substância das suas intervenções. Como pode garantir que a rapariga o fez deliberadamente? Como pode garantir que o seu riso não foi um riso nervoso de quem ficou incomodada e surpreendida com a referência que acabara de deixar cair? Presunção de inocência, Daniel…
    Defender a liberdade de expressão é, justamente, defender a liberdade de expressão às ideias que mais repugnamos. Não o vi defender a liberdade do cartaz (abjecto) do PNR. Sabe que a política de limitação da liberdade de expressão dos neo-nazis lhe dá força? Força para eles se vitimizarem e relativizarem a diferença da liberdade de expressão entre a ditadura e a democracia.
    Se se auto-proclama como indefectível da liberdade de expressão, porque exerce censura nos comentários do seu blog, sendo já a segunda vez que coloco este comentário?
    E já agora, só de esquerda e gosto muito de o ler.

  44. 44 44  Rui Dantas

    Já ouvi vários alemães a lamentarem-se de, ainda hoje, não poderem dizer que gostam do seu país, ou que têm orgulho de serem alemães. Isto é complexo, não é coragem.

    E despeçam o Benigni, também..

  45. 45 45  Fado Alexandrino

    nuno magalhães

    Presumo que a sua intervenção era-me dirigida, e assim digo-lhe, com toda a franqueza, vá dizer isso aos milhões de mortos que aqueles senhores fizeram, a não ser que não os julgue de extrema-esquerda ou então esteja imbuído do espírito da quadra, onde nada fica mal porque é Carnaval!

  46. 46 46  Zorze

    É a primeira vez que comento no seu Blog. E logo num post com trinta e tal comentários, por isso fica bem escondido na selva.
    Vejo algumas vezes o Eixo do Mal. Mas gostei da sua posição-força em relação às declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados. Muito bem !
    É verdade que nem sempre concordo consigo, mas, você demonstra alguma consistência mental. Continue.
    http://extrafisico.blogspot.com

    Zorze

  47. 47 47  Manuel Leão

    É um perigo banalizar determinadas palavras e conceitos. Acabam por deixar de ter sentido.
    E é por isso que há quem acabe por fazer humor com aquilo que foi “o horror”. E já vi piadas desse tipo em programas de televisão. E já vi alarves a rirem-se disso.

  48. 48 48  Alexandre

    «Sou dos que defende que a liberdade de expressão é o mais importante de todos os valores democráticos.»

    Daniel Oliveira

    «1 - De teor racista ou homofóbico ou que façam a apologia do fascismo ou do nazismo (E DO ESTALINISMO OU DO POL POT?);
    2 - Que se traduzam num apelo à violência ou que façam ameaças ao dono deste blogue ou a terceiros;
    3 - Insultuosos;
    4 - Difamatórios ou que revelem a vida privada de terceiros;
    5 - Com assinaturas falsas usando o nome de figuras públicas ou de outos participantes na blogosfera;
    6 - Que sejam publicitários ou apenas pretendam anunciar blogues;
    7 - Que pela sua repetição ou dimensão pretendam dificultar a leitura da caixa de comentários;
    8 - Que não cumpram a lei;
    9 - Que não tencionando participar no debate apenas pretendam mostrar desprezo ou ódio pelo autor do blogue ou por outros comentadores»

    «Daniel Oliveira»

    Quando confrontado com esta contradição, diz:

    «O blog é meu.»

    Daniel Oliveira

    Uma citação apenas:

    «Sê a mudança que queres ver no mundo.»

    Gandhi

  49. 49 49  Daniel Oliveira

    Não, Alexandre, não trato o Mundo ou o País como se fosse o meu blogue. Essa é a visão de um totalitário. Não aceito ouvir um racista. Mas não faço nada para que ele se cale. Ele é livre de falar e não aceito uma lei que o proiba de falar. Eu sou livre de criar os meus espaços. Sou militante de um partido. Não aceito um fascista no meu partido. Faço mal?

  50. 50 50  Alexandre

    Impressiona-me a facilidade com que usa a palavra «totalitário», «fascista», «disparate», «idiota», «absurdo».

    Já que usou a palavra totalitária, permita-me que é próprio de um estalinista descredibilizar o argumento em função da descredibilização do interlocutor e nã do argumento per se.

    Porque não não exclui comentários nazis, fascistas e estalinistas?

  51. 51 51  Daniel Oliveira

    «Não, Alexandre, não trato o Mundo ou o País como se fosse o meu blogue. Essa é a visão de um totalitário.»
    Estou a dizer que se o fizesse era um totalitário. Não faço ideia se o faz, logo não me referia assim. Cumprimentos que agora só me interessa a supe terça-feira.

  52. 52 52  JV

    Uma coisa que não cheguei a perceber: o Daniel concordou ou não com o despedimento de uma pessoa só porque fez uma piada de mau gosto? Lá que se indignou, isso eu percebi: mas achou bem o que a estação de televisão fez?

  53. 53 53  Daniel Oliveira

    Um apresentador fazer uma piada de mau gosto na televisão não é mesmo que uma recepcionista ou um operário fazer uma piada de mau gosto. É como dizer que se despediu um piloto de aviões só porque bebeu um copito antes da viagem, ou que se despediu um médico só porque se enganou no tipo que ia operar. Cada profissão tem as suas obrigações. Parra uma apresentadora de um concurso, são muito poucas. Uma delas, seguramente: não mandar piadas de mau gosto no ar.

  54. 54 54  JV

    Isso é estranho vindo de quem escreveu o que abaixo se transcreve:

    “Miguel Sousa Tavares, no “Expresso”, em Março, sobre os cartoons de Maomé, que foram publicados em jornais que por sua vez foram vendidos na rua e a propósito do qual não houve qualquer decisão judicial:

    «Mas no meu código de valores - que é o da liberdade - não proíbo que outros o façam, porque a falta de gosto ou de sensibilidade também têm a liberdade de existir.»

    Miguel Sousa Tavares, no “Expresso”, hoje, sobre os cartoons dos príncipes das Astúrias, que foram publicados num jornal que por sua vez foi apreendido e a propósito do qual houve uma decisão judicial:

    «Mesmo que por absurdo se quisesse reduzir tal matéria ao exercício da liberdade de expressão, ela deverá sempre terminar onde começa o mau gosto.»

    Por mim, recordo, defendi a publicação de uns e do outro. Os primeiros tinham objectivos políticos que não me agradavam e disse-o. O segundo tinha objectivos políticos que me agradavam e demonstrei-o. Os primeiros chegaram à rua e ainda bem. Os segundos não chegaram à rua e isso é grave. Por mim, publiquem todos os cartoons, de bom e de mau gosto, que eu goste ou que eu deteste. Terei sempre a liberdade de me indignar, mas nunca defendendo que a liberdade de expressão dos outros termina onde começa o que me parece de mau gosto.”

    Fonte: http://arrastao.org/democracia/ha-mau-gosto-e-mau-gosto-ha-liberdade-de-expressao-e-liberdade-de-expressao-ha-censores-e-censores/

    Afinal há o direito de exercer alguma forma de coacção sobre uma pessoa pelo simples facto de ter feito uma piada de mau gosto, seja essa coacção a censura ou o despedimento?
    Trata-se exactamente da mesma coisa, Daniel: num caso e noutro temos pessoas que disseram ou desenharam coisas que lhe desagradam. Num, achou que exercer represálias sobre o artista, censurando-o, era errado; no outro, diz que exercer represálias sobre a apresentadora, despedindo-a, já se aceita. Onde é que há aqui um átomo de coerência?

  55. 55 55  JV

    É como dizer que se despediu um piloto de aviões só porque bebeu um copito antes da viagem, ou que se despediu um médico só porque se enganou no tipo que ia operar

    Comparações absurdas: a apresentadora podia passar o resto do dia a fazer humor negro que não punha a vida de ninguém em risco, como o médico ou o aviador do seu exemplo. Nem o Daniel Oliveira mais susceptível de todos os Daniéis Oliveira sobre a terra corria o risco de ter um enfarte do miocárdio só porque ouviu uma ténue alusão ao nazismo.

  56. 56 56  Daniel Oliveira

    JV, a senhora até podia não aparecer e não punha a vida de ninguém em risco. A comparação é esta: as pessoas têm obrigações minimas em cada profissão. As dela são poucas, quase nenhumas. Não as cumpriu.

  57. 57 57  Nel

    Penso que é contraditório defender a liberdade de expressão e concomitantemente sanções (neste caso, o despedimento) para quem profere o que nos desagrada.

    Se assim é, a liberdade de expressão enquanto valor fundamental da democracia, é apenas um conceito etéreo.

  58. 58 58  JV

    Penso que é contraditório defender a liberdade de expressão e concomitantemente sanções (neste caso, o despedimento) para quem profere o que nos desagrada.

    O Nel, com esta afirmação, acerta na mouche: não é obrigação profissional de pessoa nenhuma ter um sentido de humor que se coadune com os padrões de «bom gosto» do Daniel Oliveira. Por muito que isso lhe custe, a julgar pela retórica enfatuada, ainda não é o dono do Mundo, e o que escreve não faz lei.
    A apresentadora de televisão em causa chegava atrasada ao emprego? Faltava? Criava mau ambiente de trabalho? Tratava mal os telespectadores? Não, tanto quanto sei: simplesmente, um dia, fez uma brincadeira que chateou o Sr. Director. Ora, o Sr. Director, julgando ou que era provedor da moral pública, ou que a sua empresa era um quintal, decidiu usar a preeminência hierárquica que detém para mandar a senhora para o desemprego.
    Muito monárquicos ficaram com o fígado em pantanas quando Herman José satirizou D. Duarte Pio fazendo-o passar por um indivíduo desajeitado e subserviente em relação á mulher; muitos católicos consideram de mau gosto as brincadeiras que se fizeram no Levanta-te e Ri sobre essa religião: agora convença uns e outros de que atacar o conceito deles de bom gosto é aceitável, mas o seu já não se pode!
    Não é obrigação profissional de nenhum homem ou mulher estar preocupado com as susceptibilidades que pode ferir. Trabalhe na televisão ou noutro sítio qualquer. Se há um beato que tem uma crise de fígado quando se diz mal do adeus à Virgem, azar dele; se há um monárquico que se indigna porque o Herman José caricatura D. Duarte Pio, problema dele; e se o Daniel não gosta de ouvir brincadeiras com slogans nazis, mais mal é seu: quer criticar? À vontade. Mas se quer defender retaliação sobre alguém só porque tem um gosto que lhe parece duvidoso, está a tomar uma atitude exactamente igual à que criticou a Miguel Sousa Tavares.
    Se amanhã Fátima Lopes ou Sónia Araújo fizerem uma piada com expressões como «cá vamos cantando e rindo» ou «ditosa Pátria que tais filhos tem» enquanto apresentam o seu programa, não assiste qualquer direito à direcção da SIC ou da RTP de as demitir. O Daniel pode ficar de fígados revolvidos - mas vai ter de comer calado. Se não quer o Ricardo Araújo Pereira na rua porque se mete com a Igreja Católica e o Herman porque chateia os monárquicos, tem de se habituar a viver num Mundo onde a sua concepção de moralidade também pode ser ferida. Será tarde para aprender este valor elementar da Democracia - mas, como diz o Povo e bem, é melhor tarde do que nunca.

  59. 59 59  Daniel Oliveira

    «Tratava mal os telespectadores?»
    Sim. Os sobreviventes do Holocausto.

  60. 60 60  JV

    Ricardo Araújo Pereira, afinando pela mesma bitola, trata mal os Católico. Herman José também. E os monárquicos. E os portistas (se se quiser ver no Zé Estebes uma caricatura depreciativa, fazendo do típico portista um bebedolas). Isso não é argumento.

  61. 61 61  Nel

    Obrigado, JV.

  62. 62 62  Alexandre

    Esta longa troca de mails veio mostrar à saciedade que auto-proclamar a liberdade de expressão é um consolo para o nosso ego - mas, que no fundo, quando a ferida dói, somos todos menos democratas do que julgamos ser.

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