Cavaco, que, quando Alberto João Jardim disse que não cumpria a lei do aborto, pondo em causa o Estado de Direito e o resultado de um sufrágio democrático, remeteu o assunto para os tribunais, indigna-se agora com uns miúdos tontos que destruiram um hectare de milho.

Pacheco Pereira, que quando “skins heads” mostraram armas na televisão e disseram que pretendiam utiliza-las minimizou o caso e tratou-o como um fetiche da esquerda, representa agora o seu papel predilecto: o de cabo de polícia. Vasco Graça Moura, esse, volta à rábula do costume: pede a queda de toda a gente, do sargento da GNR ao primeiro-ministro.

Por mim, disse o que achava deste acto idiota que envenena o importante debate a fazer em Portugal sobre os transgénicos. Sobre a acção da polícia, não espero que use da violência de cada vez que tenha um caso à frente. Espero que use a força de forma proporcionada ao valor em causa, como define a lei e as boas práticas policiais num Estado de Direito.

Sobre o ministro da Administração Interna, que chama a isto de terrorismo (esperemos que não se leve a sério, caso contrário temo pela nossa segurança) e o ministro da Agricultura, que insinua o envolvimento de um partido da oposição nesta palhaçada, nada há a dizer. Quando se governa mal, um fait-divers dá imenso jeito.

Dito isto, espero que os activistas do Eufémia Verde (que raio de nome!) tenham aprendido alguma coisa com esta infantilidade. Mas duvido. Por fim, o meu amigo Miguel Portas, com o qual discordei na sua primeira reacção ao sucedido, escreve um novo post sobre o assunto. Mais ponderado. E tem a coragem de dizer que se enganou. Coisa rara na política, vista como sinal de fraqueza e não de inteligência.


Sem respostas ao post “Indignações selectivas”  

  1. 1 1  João Pedro Dias

    Estou perfeitamente de acordo consigo Daniel, mas também não se podem esquecer as indignações selectivas à esquerda…o que não foi o seu caso!
    Quanto ao Pacheco Pereira ao meter no mesmo saco os “betinho mal criados” e os energumenos nazis,como ainda agora o acabou de fazer no seu blogue, acho que começa a levar longe demais a sua aversão ao politicamente correcto.

    [Responder]

  2. 2 2  sarkozy

    Caro Daniel

    concordo com o texto, apenas dois apontamentos, em relação a Pacheco Pereira era preferível a designação de “cabo de esquadra” expressão vulgar para o efeito, a cabo de polícia que é uma função que não existe no seio da PSP.

    Quanto a Miguel Portas, obviamente que ele não se enganou, recuou perante a evidência das críticas a um partido que, com dificuldade, mas está, a dar os primeiros passos na aprendizagem democrática. O que só demonstra que, ao contrário do que disse pulido valente, o futuro não é assim tão promissor. Acredito que cheguem lá, mas demora tempo. mesmo assim, nesta matéria, o mais bem preparado, de facto, é você mesmo. Quem sabe se não é mesmo por si que começa?

    [Responder]

  3. 3 3  JV

    Como se Miguel Portas tivesse outro remédio, isolado como estava – nem Louçã teve a falta de discernimento de se pôr ao seu lado. A falta de contenção diante de um primarismo à la PREC que lhe avivou memórias teria de ser rectificada cedo ou tarde, sob pena de, em qualquer altura, se o assunto fosse violência, lhe lembrarem este pequenino incidente.
    Um pequeno pormenor de linguagem: é engraçado o modo como o Bloco já tenta semear a ideia de que «isto foi uma coisa de miúdos». O soundbite é este, miúdos: não foram vândalos, não foram assaltantes, nem sequer foram manifestantes -«miúdos», tão-só, aqui como no Sem Muros.
    Pois bem, DO: então propõe que em vez de os ferrarmos na cadeia os mandemos para a cama sem sobremesa depois de um bom ralhete?

    [Responder]

  4. 4 4  Pisco

    Penso que os transgénicos não fazem mal à saúde de ninguém, excepto ao campo de golf que lhe fica ao lado, que possivelmente se quer também expandir para lá; mas que a atitude de passividade da GNR e da PSP, face às agressões e constantes violações diárias da lei, apenas espera a chegada do fim do mês para receber o ordenado,tendo para isso que recorrer às multas:
    PELA LEI E PELA GREI
    Para cumprir um seu dever
    Faz a Guarda Republicana
    Parar tudo o que se mexer
    Qu’é p’ra lixar um sacana!
    -
    O homem era de Cabreiro
    Era um bom trabalhador
    Por o fazer um dia inteiro
    Sentiu o pobre grande dor!
    -
    Levou ao Centro de Saúde
    A esposa do homem aflito
    E disse que Deus me ajude
    Ajuda-me ò Deus Bendito!
    -
    O pobre com grande ânsia
    Derivada dessa grande dor
    Seguiu logo na ambulância
    Com a mulher e o condutor!
    -
    Saem d’Arcos de Valdevez
    Seguem para Ponte de Lima
    Mas a tal GNR que lhes fez
    Foi cair-lhes logo em cima!
    -
    A luz de emergência ligada
    Ao ser ligada pelo condutor
    Fez logo o GNR da brigada
    Tratar logo da grande dor!?
    -
    O Condutor sopra o balão
    Soldado com formalidades
    Deixa morrer um cidadão
    Que vivam as autoridades!
    -
    Cunhado de Cesário Gomes
    Que é uma pessoa bestial
    Vai sem dizer feios nomes
    Vai colocá-los em tribunal!
    -
    Com todo um contratempo
    Que nesse caminho se deu
    Doente não chega a tempo
    Chega ao Hospital, morreu!
    -
    Não tomes anti depressivos
    Nem nada para a ansiedade
    Qu’os GNR são agressivos
    E só zelam sua mensalidade!

    -
    De tudo isto que vos inferna
    De zelar p’la lei e p’la grei
    O D’Administração Interna
    Levem prá terra do não sei!
    -
    Pisco

    [Responder]

Leave a Reply