Cavaco, que, quando Alberto João Jardim disse que não cumpria a lei do aborto, pondo em causa o Estado de Direito e o resultado de um sufrágio democrático, remeteu o assunto para os tribunais, indigna-se agora com uns miúdos tontos que destruiram um hectare de milho.
Pacheco Pereira, que quando “skins heads” mostraram armas na televisão e disseram que pretendiam utiliza-las minimizou o caso e tratou-o como um fetiche da esquerda, representa agora o seu papel predilecto: o de cabo de polícia. Vasco Graça Moura, esse, volta à rábula do costume: pede a queda de toda a gente, do sargento da GNR ao primeiro-ministro.
Por mim, disse o que achava deste acto idiota que envenena o importante debate a fazer em Portugal sobre os transgénicos. Sobre a acção da polícia, não espero que use da violência de cada vez que tenha um caso à frente. Espero que use a força de forma proporcionada ao valor em causa, como define a lei e as boas práticas policiais num Estado de Direito.
Sobre o ministro da Administração Interna, que chama a isto de terrorismo (esperemos que não se leve a sério, caso contrário temo pela nossa segurança) e o ministro da Agricultura, que insinua o envolvimento de um partido da oposição nesta palhaçada, nada há a dizer. Quando se governa mal, um fait-divers dá imenso jeito.
Dito isto, espero que os activistas do Eufémia Verde (que raio de nome!) tenham aprendido alguma coisa com esta infantilidade. Mas duvido. Por fim, o meu amigo Miguel Portas, com o qual discordei na sua primeira reacção ao sucedido, escreve um novo post sobre o assunto. Mais ponderado. E tem a coragem de dizer que se enganou. Coisa rara na política, vista como sinal de fraqueza e não de inteligência.
Sem comentários 21 Ago 07 em Anarcas



Estou perfeitamente de acordo consigo Daniel, mas também não se podem esquecer as indignações selectivas à esquerda…o que não foi o seu caso!
Quanto ao Pacheco Pereira ao meter no mesmo saco os “betinho mal criados” e os energumenos nazis,como ainda agora o acabou de fazer no seu blogue, acho que começa a levar longe demais a sua aversão ao politicamente correcto.
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Caro Daniel
concordo com o texto, apenas dois apontamentos, em relação a Pacheco Pereira era preferível a designação de “cabo de esquadra” expressão vulgar para o efeito, a cabo de polícia que é uma função que não existe no seio da PSP.
Quanto a Miguel Portas, obviamente que ele não se enganou, recuou perante a evidência das críticas a um partido que, com dificuldade, mas está, a dar os primeiros passos na aprendizagem democrática. O que só demonstra que, ao contrário do que disse pulido valente, o futuro não é assim tão promissor. Acredito que cheguem lá, mas demora tempo. mesmo assim, nesta matéria, o mais bem preparado, de facto, é você mesmo. Quem sabe se não é mesmo por si que começa?
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Como se Miguel Portas tivesse outro remédio, isolado como estava – nem Louçã teve a falta de discernimento de se pôr ao seu lado. A falta de contenção diante de um primarismo à la PREC que lhe avivou memórias teria de ser rectificada cedo ou tarde, sob pena de, em qualquer altura, se o assunto fosse violência, lhe lembrarem este pequenino incidente.
Um pequeno pormenor de linguagem: é engraçado o modo como o Bloco já tenta semear a ideia de que «isto foi uma coisa de miúdos». O soundbite é este, miúdos: não foram vândalos, não foram assaltantes, nem sequer foram manifestantes -«miúdos», tão-só, aqui como no Sem Muros.
Pois bem, DO: então propõe que em vez de os ferrarmos na cadeia os mandemos para a cama sem sobremesa depois de um bom ralhete?
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Penso que os transgénicos não fazem mal à saúde de ninguém, excepto ao campo de golf que lhe fica ao lado, que possivelmente se quer também expandir para lá; mas que a atitude de passividade da GNR e da PSP, face às agressões e constantes violações diárias da lei, apenas espera a chegada do fim do mês para receber o ordenado,tendo para isso que recorrer às multas:
PELA LEI E PELA GREI
Para cumprir um seu dever
Faz a Guarda Republicana
Parar tudo o que se mexer
Qu’é p’ra lixar um sacana!
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O homem era de Cabreiro
Era um bom trabalhador
Por o fazer um dia inteiro
Sentiu o pobre grande dor!
-
Levou ao Centro de Saúde
A esposa do homem aflito
E disse que Deus me ajude
Ajuda-me ò Deus Bendito!
-
O pobre com grande ânsia
Derivada dessa grande dor
Seguiu logo na ambulância
Com a mulher e o condutor!
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Saem d’Arcos de Valdevez
Seguem para Ponte de Lima
Mas a tal GNR que lhes fez
Foi cair-lhes logo em cima!
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A luz de emergência ligada
Ao ser ligada pelo condutor
Fez logo o GNR da brigada
Tratar logo da grande dor!?
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O Condutor sopra o balão
Soldado com formalidades
Deixa morrer um cidadão
Que vivam as autoridades!
-
Cunhado de Cesário Gomes
Que é uma pessoa bestial
Vai sem dizer feios nomes
Vai colocá-los em tribunal!
-
Com todo um contratempo
Que nesse caminho se deu
Doente não chega a tempo
Chega ao Hospital, morreu!
-
Não tomes anti depressivos
Nem nada para a ansiedade
Qu’os GNR são agressivos
E só zelam sua mensalidade!
-
De tudo isto que vos inferna
De zelar p’la lei e p’la grei
O D’Administração Interna
Levem prá terra do não sei!
-
Pisco
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