Atacar a cultura de transgénicos de um agricultor é ir ao elo mais fraco da cadeia. Acredito mais na denúncia, mesmo que feita de forma espectacular, tendo em conta a lógica mediática, do que neste tipo de acções. Por várias razões:
1. Não se trata de defender o valor sagrado da propriedade. A precaução na defesa da saúde pública pode ser mais importante. Trata-se sim de não aceitar que se escolha como adversário o elo mais fraco da cadeia de produção. É a mesma lógica (mal comparada) que me leva a contestar que o centro do ataque ao narcotráfico seja o agricultor da coca.
2. Trata-se de aceitar que o direito à propriedade, não sendo um direito absoluto, é um direito que deve ser ponderado. E que só se justifica po-lo em causa se ao faze-lo se está a garantir, na prática, outro mais relevante. Aqui não se garantiu nada a não ser publicidade a uma causa que, esclareço, acho justa.
3. Aceitando a difícil tese de que se trata de um acto de desobediência civil, ela é injustificada já que não se esgotaram todas as formas de intervenção democrática e legal.
4. Formas de luta desta natureza, sendo extremas, só podem ser ponderadas (e mesmo assim evitadas) quando existe um consenso social sobre a matéria e este não encontra correspondência no poder político e económico. Não é o caso dos transgénicos, tema sobre o qual o debate em Portugal dá os primeiros passos.

Assim, acho que a acção do Movimento Eufémia Verde foi injusta e desproporcionada. Discordo, por isso, do Miguel Portas.

Acho inaceitável a utilização da expressão “ecoterrorismo” para definir este acto que aqui critico. A banalização da palavra “terrorismo” é a maior aliada dos terroristas.


Sem respostas ao post “O elo mais fraco”  

  1. 1 1  isabel faria

    Bem, Daniel, 3 minutos de diferença, não dava mesmo para nos copiarmos ..foi mesmo telepatia…e sim, concordo completamente com o teu post.

  2. 2 2  Samuel Quedas

    “Eufémea Verde” acho um primor de abuso e mau gosto.
    Verde ficaria a verdadeira Eufémia, se visse este grupelho de desocupados portugas e estrangeiros em férias, usarem-lhe o nome para esta palhaçada pseudo eco-qualquer-coisa de “esquerda”.
    Pode ser má-vontade da minha parte mas adorava ter visto os encapuçados a explicar o que é milho transgénico, a que é que pode fazer mal e porquê e, sobretudo, quem era realmente a tal Eufémia.
    Ah, e já agora, convinha alguém explicar aos “activos jovens” que o agricultor parece que tem tudo absolutamente legal. Portanto o que poderá estar errado é a lei e o legislador.
    Para contestar uma lei que esteja errada, dá-me ideia que se deve atacar o legislador e não o que cumpre a lei.
    Minudências…

  3. 3 3  Justicialista

    Sim, provou-se com o Presidente da Bolívia, Evo Morales, que os plantadores de coca são os mais inocentes de todo o círculo de tráfico de cocaína. Segundo a cultura índia, o uso da coca tem sobretudo usos medicinais, e mesmo que seja utilizada para a produção de estupefacientes, não são eles os responsáveis. Quanto aos trangénicos, admitindo que sou leigo na matéria, em princípio sou contra, mas admitindo que não tenho conhecimentos necessários sobre do que se trata para pronunciar uma opinião definitiva.

  4. 4 4  Sofia Ventura

    Parabéns pelo post.

    Tirou-me as palavras da boca.

  5. 5 5  Paulo

    Concordo com a sua posição, apesar de branda (se a compararmos com antigas indignações). Acho isto.

  6. 6 6  Serrano

    Eles que venham aqui a Tras-os-Montes fazer essa brincadeira se tiverem coragem… Quero ver quem se mete na terra desta gente. Ai quem vai precisar da protecçao da GNR sao eles, e sabendo disto, aqui nao metem os pés. Ca vos esperamos…

  7. 7 7  ze

    Concordo contigo; é um abuso, um disparate e um sinal de grave confusão nas mentes, verdes ou doutra cor; para o agricultor que estava no meio do caminho, um azar de todo o tamanho, tanto mais que os seguros agrícolas não costumam cobrir estes eventos, mediáticos ou não.

  8. 8 8  Tonibler

    Quase, Daniel. Injusta e desproprocionada foi a actuação da polícia, porque o homem não merecia ver a sua vida destroçada por um bando de putos estúpidos e bem alimentados que nunca tiveram que fazer nada na vida. O teu post é, no mínimo, mole.
    Até porque todas as causas ambientalistas se viram claramente prejudicadas por este bando de cretinos riquinhos que não encontraram melhor ocupação de férias.

  9. 9 9  ze

    concordo contigo,daniel; disparates assim ajudam pouco

  10. 10 10  Tm

    O Daniel volta a acertar na mousse. Antes de andaram em radicalismos estes meninos deviam ter ido todos hoje a santa luzia ouvir o chico.

    Que o Dani não se reveja neste tipo de acções tudo bem, mas que ele ache que o que ele tem a dizer tenha alguma pertinencia é que me deixa espantado. Daniel, você é chato, moralista e bastante mais ignorante do que pensa.

  11. 11 11  a.pacheco

    Pelo menos , eu que me confesso leigo na matéria, soube que em Portugal, e com a autorização do Ministério da Agricultura, OGM podem ser livremente cultivados.

    E fico espantado, a U.E tem tido guerras de comércio com ou EUA por causa destes trangenicos, a importações de milho e trigo têm sido boicotadas, exactamente porque se desconhece em toda a profundidade, os maleficios destas sementes, geneticamente modificadas.

    Os defensores dos OGM , dizem que estas plantas são mais resistentes ás pragas, e por isso seria uma forma de erradicar em certas partes do globo, fomes endémicas.

    Que me conste, o Algarve não faz parte dessas regiões, onde exista uma fome endemica….

    Depois não me consta, que este tipo de sementes, se encontre na loja da esquina.

    Assim eu gostava de saber, quem aconselhou este agricultor, a plantar este tipo de milho….

    Que empresa lhe forneceu estas sementes….

    Que controle tem o governo português, e o Min. da Agricultura, sobre estas plantações.

    Se eu quiser cultivar por exemplo, canhamo, mesmo que com fins meramente industriais, estou sujeito as uma serie de normas e de controlos , só porque o canhamo, pode ser desviado para outros fins.

    Como é que plantações de sementes, geneticamente modificadas, com resultados imprevisiveis para as futuras gerações,têm um controlo, tão pouco cuidadoso….

    Além de que ninguem me tira da cabeça, que este senhor, não seja aquilo que diz ser, um mero agricultor.

    Um mero agricultor não utiliza este tipo de sementes.
    Um mero agricultor não tem fácilmente acesso a estas sementes.

    Um mero agricultor , é por natureza desconfiado em relação a inovações.

    Não estaremos perante um óbvio caso, de alguem que esteja a sevir de testa de ferro a uma grande multinacional americana , tipo Monsanto, e que seja uma forma de tentar entrar em Portugal com este tipo de cultura…

    Não falei da acção em si, para mim apesar de todo o seu folclore, teve um mérito tocou a rebate um sino.

    Talvez as questões que eu formulei, sejam isso sim a ponta de um icebergue, a merecer muita atenção…

  12. 12 12  

    gostava de ter dito isto

    “O proprietário pode dar-se por felizardo. Se em vez de milho trangénico tivesse plantado cannabis, os eco-zeladores não se teriam ficado por um hectare: tinham-lha fumado toda.

    - posted by dragão @”

  13. 13 13  ze

    Terceiro comentário a concordar - os outros foram rejeitados.

  14. 14 14  Fado Alexandrino

    A árvore não a floresta!
    Porque é que as televisões souberam e acharam importante estar lá?
    Porque é que os ambientalistas sabiam que podiam fazer o que fizeram impunemente?

  15. 15 15  JDC

    Caro Daniel Oliveira
    Agradeço-lhe por não seguir a bitola do comité central e dizer aquilo que todos vimos. Desobediência civil seria bloquear, por exemplo, a saída do milho colhido no final da plantação. Desobediência civil seria não deixar esse milho entrar numa fábrica de processamento. Destruir o sustento de um agricultor que nada fez de mal (a sua plantação era perfeitamente legal) é puro vandalismo, que neste caso tentam desesperadamente classificar de desobediência civil para que a causa subjacente não sofra.

  16. 16 16  Von

    Ouvi ontem a posição do Miguel Portas e estava com uma curiosidade imensa de ouvir a sua. Embora não estejamos de acordo em muitas situações e admitindo concordar consigo em outras tantas, neste caso, gostava de acentuar o agrado com que li o seu post. Porque, a sua opinião é mesmo sua, porque a sua opinião é mais importante do que a de um partido e porque de uma forma ou de outra não segue o trilho da carneirada. Bem haja pela sua honestidade.
    E em tom de resposta ao Miguel Portas (embora não seja o local correcto), que lhe reconheço qualidades (acho até que o seu programa da RTP2 de cariz histórico o revelou qualitativamente de uma forma pouco usual, dada a excelencia do mesmo), seria quase o mesmo que um não fumador, sentindo-se atingido em termos de saúde por um fumador sentado a seu lado, lhe arrancasse o cigarro pisando-o com decisão, partindo em seguida para uma revista minuciosa do mesmo fumador, procurando o resto do maço, para o inutilizar igualmente (embora assumindo a comparação exagerada, embora irónica)

    Cumprimentos

    Von Barata

  17. 17 17  pedro oliveira

    ainda bem que discorda do Miguel Portas!

  18. 18 18  nils

    Também sou de esquerda. E de certo modo, ambientalista, ainda que não tenha infrmação suficiente para julgar os transgênicos. E tenho de discordar com o Miguel Portas exactamente por isso. Simpatizo, assim, com o que aqui escreveu.
    Bem esteve o Pacheco Pereira em perguntar-se se activistas contra esta União Europeia, esteticamente encobertos, poderão por isso entrar-lhe em casa e partir-lhe os frutos do trabalho. Queimar-lhe, vá lá, os livros “nocivos” pelos quais estuda esta nova Europa que lhe paga as contas!
    Sem invocar a inviolabiidade da propriedade privada e a intocabilidade dos bens alheios (motivos pelos quais esta discussão tem sido feita com argumentos de direita) tenho de apelar à esquerda, à minha esquerda, pela dignidade de quem trabalha.
    Isso é que é ser de esquerda, dignificar o trabalho e quem produz… O suor deste proprietário e de quem com ele trabalha vale tanto como o de quaisquer outros que façam agricultura biológica. E todos sabemos os preços que atingem no mercado estes alimentos mais saudáveis que muitos que trabalham não podem pagar. Os filhos de uns e outros sofrem das mesmas necessidades, todos temem o frio e a fome. O resto são balelas! Para verdes, estes ecologistas estão demasiado podres!

  19. 19 19  Daniel Arruda

    Se vamos discutir ideologia então eu até poderia compreender esta posição da associação. Não é com leis que se muda o capital e o caminho para a revolução terá de ser forçosamente assim. Mas será que estamos num processo revolucionário ou talvez num Pré processo. Não me parece. 1º há que ganhar a opinião pública e não foi isso que esta acção fez. Muito antes pelo contrário. Por esta ordem de ideia vamos invadir e destruir todos os Mc Donalds ou Burger King deste país ao inves de educar as pessoas que o excesso de fast food faz mal? Vamos bombardear as fábricas de armamento ou dizer que a guerra não é solução?
    Repito, para mim ideologicamente tenho de estar de acordo com a acção pois o caminho será esse, mas não posso concordar que nesta altura se tenha usado esta forma. Porque é contraproducente e porque dá trunfos ás reacionarices de Portas, Mendes e companhia que aproveitaram logo para desviar o assunto para o acessório como foi a acção das forças políciais e de como se poder aumentar a repressão sobre estes actos.
    Para terminar que intrepretei assim as palavras do Miguel e não vejo dessa forma discordancia de maior. Mas provavelmente fui eu que li mal o texto.

  20. 20 20  coincidencias

    no mesmo fim de semana há um ataque ecologista à propriedade privada e um comicio com a presença de Francisco Louçã tudo a menos de 100 km de distância.

    Coincidência?

  21. 21 21  Nelson Peralta

    Alinho no mesmo ponto de vista.

    Mas gosto de comparar este caso de desobediência civil com o de Barrancos há uns anos! Há actores que mudaram o lado da barricada!

    Agora que esta acção em Silves foi deplorável não há dúvidas! Apenas se discute a destruição e não os OGMs.

  22. 22 22  Pluralismo Democrático

    Engraçado.

    Acho piada que, por exemplo, no caso portucale, o santa-portas-nobre-guedes tenha mandado abater centenas de sobreiros (espécie protegida), violando a lei e constituindo um verdadeiro crime ambiental. Ninguém ficou indignado, ninguém quis saber. E aqueles sobreiros eram o ganha-pão de, certamente, mais do que UM agricultor.

    E agora, uns putos excitados com ideias revolucionárias resolvem, mal e porcamente, tentar mexer com a opinião mediática, deitando abaixo parte, repito, PARTE de uma plantação de milho transgénico mono810 (da monsanto, claro), e de repente ficam todos indignaíssimos porque era o ganha-pão de alguém.

    Que hipocrisia de todo o tamanho, valha-me deus. Aposto que se tivessem visto exactamente a mesma reportagem, num canal qualquer holandês, ou austríaco, etc. ou num documentário, devidamente contextualizado, achariam o máximo e até diriam: ‘bem feita para o gajo! quem é que lhe mandou semear milho transgénico!’

  23. 23 23  leonel

    Que engraçado, agora a direita é contra algo tradicional como a agricultura à antiga. Afinal onde estão esses conservadores de direita? Os defensores da agricultura à portuguesa?
    Reparo que alguns ao menos perservam a virilidade com ameaças do género “se fosse na minha terra dava-lhes porrada”.
    Pobre direita eternamente paradoxal.

  24. 24 24  Alexandre Lagoa

    Creio que há um outro lado possível de ver esta questão do milho trangénico - o que ficou, de facto, na ordem do dia, não foram os alimentos trangénicos, mas sim o “ecoterrorismo”. A quem serve isso, numa altura em que está para rebentar a discussão sobre o nuclear?

    A minha opinião aqui: http://cafepuroarabica.blogspot.com/2007/08/por-outro-lado.html

  25. 25 25  Samuel Quedas

    “O Daniel volta a acertar na mousse. Daniel, você é chato, moralista e bastante mais ignorante do que pensa.”

    Posted by: Tm | agosto 20, 2007 12:20 AM

    Grande Tm
    Apesar de estar completamente nas tintas para o que você pensa do Daniel (tal como ele, presumo), o que eu queria era agradecer-lhe o aviso de que o gajo tinha acertado na “mousse”. Ainda fui a tempo de me desviar e não ficar todo cagado de chocolate…
    Como vê, amigo, TODOS somos mais ignorantes do que pensamos.
    Cumprimentos.

  26. 26 26  tm

    Caro Samuel.

    serei eu mais parvo por escrever “mousse” em vez de mouche ou você por não perceber que era de propósito?

    um pouco ignorantes seremos concerteza todos, desprovidos de esperteza menos.

  27. 27 27  Manel

    É curioso analisar a linguagem dos políticos, coisa que o Daniel também é. Quando é do nosso lado, é paninhos quentes e fazer passar… Você disse que discordava da acção por ser contraproducente, não disse que discordava por ser uma selvajaria. Imagino o que teria dito se fossem manifestantes anti-aborto a atacarem uma clínica… Não se pode depreender portanto que o Bloco não está a condenar claramente o ataque? Caro senhor, repito aqui a pergunta que deixei no blog do Dr. Miguel Portas: os fins justificam os meios ou os meios contaminam os fins? E se o agricultor tivesse defendido a tiro a sua propriedade ou se tivesse morrido do AVC? E outra pergunta que ainda ninguém respondeu: quem são os dirigentes, quem teve a ideia, o que fazem, e de que vivem, qual é a credibilidade que têm? Para mim, isto é uma luta entre multinacionais, de um lado os dos negócios, do outro os dos ideais, todos sem olhar a meios, a todo o custo pelo triunfo da vontade.

  28. 28 28  GMaciel

    Hummm… vejamos, se bem entendi, o mais importante é descobrir quem está por detrás desta acção dos verde eufémios (que raio de baptismo) o facto de se ter invadido e vandalizado propriedade alheia é de somenos importância.
    Porreirinho! Então sugiro que sejamos mais radicais ainda: em nome do aquecimento global e seguindo a lógica da desobediência civil, vamos pegar em marretas e desatar a partir os Audis, BMWs, Mercedes, SAABs, Porches e afins. Afinal, são carros de luxo, não de trabalho, pelo que apenas são poluidores.
    Hein, que acham??? Bora lá??? :( Haja pachorra!

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