Oposição angolana, governo angolano e Grupo Espírito Santo criticaram as corajosas e certeiras declarações de Bob Geldof.


21 respostas ao post “E assim se sabe até onde chega o polvo”  

  1. 1 1  josé manuel faria

    Bob Geldof atira a matar sobre a real politik. Está de parabéns.

  2. 2 2  Carlos Barbosa de Oliveira

    Corajosas? Por amor de Deus, Daniel! Olhe, lá no meu Rochedo explico em dois post porque é que não foram nem corajosas nem certeiras. Se quiser ter o trabalho de lá ir, talvez me dê razão.

  3. 3 3  João Pedro da Costa

    Corajosas? O que é que o Geldof tem a perder com essas declarações certeiras (concordo, como é óbvio com o segundo adjectivo)? Absolutamente nada (pelo contrário, até ficou a ganhar). O mérito vai todo para o descuido do Grupo Espírito Santo. O seu a seu dono.

  4. 4 4  PR

    Errado K’mrd. Os tentáculos visíveis do Polvo. Andas desatento???

  5. 5 5  toix

    O grupo Espírito Santo, como bons capitalistas que são, sempre souberam jogar nos dois tabuleiros. Ainda o Savimbi era vivo, no tempo da guerra fria, um dos irmãos da família, o Bernardo (Bábá) já falecido, que era uma espécie de public relations do Grupo, reunia com alguma regularidade com o dirigente da Unita. Just in case… que ninguém adivinha o futuro.

  6. 6 6  luis

    Pretendo visitar um pais africano que viva em democracia e que esteja a crescer dez por cento ao ano.Podes indicar-mo Daniel?

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Que viva em democracia não é Angola de certeza. Não há liberdade de imprensa, há perseguição política e o presidente nem sequer foi eleito.

    E o crescimento não se tem traduzido em nada para uma grande parte da população. Basta olhar para os números da mortalidade infantil, por exemplo, que é 162 vezes superior àquilo que seria previsível face à dimensão da economia do país. Um país pobre com miséria é triste. Um país rico com tanta miséria é uma vergonha para quem o governa.

  8. 8 8  Robespierre

    Estas críticas fá-las qualquer um, não é preciso organizar concertos de centenas de milhões de euros para saber que Angola é uma cleptocracia.
    Este tipo de gente, estes multi-milionários pseudo-filantropos não me merecem o mínimo de atenção. Comecem estes Geldofs e estes Bonos a distribuir o seu rendimento pelos Angolanos.

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Robespierre, Geldof não é eleito e não tem mais obrigações do que qualquer cidadão. Tem de se perguntar a si mesmo: fez mais do que ele?

  10. 10 10  Francisco Crispim

    Acertou na “mouche”, Daniel.
    Dei-me ao incómodo de ir ver os posts do Barbosa Rochedo e concluí que a miséria intelectual tem sempre argumentos a esgrimir contra a democracia e o bom senso.
    É preciso topete!

  11. 11 11  Robespierre

    Não fiz nem deixei de Fazer, Daniel Oliveira. Mas não tenho a “mania” da filantropia e do altruísmo demagogo. Vai uma aposta que já ganhou mais uns cobres com estas tiradas?

  12. 12 12  The Studio

    Os remates do Barbosa Rochedo não são certeiros nem sequer ao lado. Sairam mesmo pela lateral.

    Quanto ao resto, esta é uma das raras ocasiões em que o Daniel tem razão. Angola até pode ter a economia a crescer a 10%… só que a riqueza produzida vai sempre parar ao bolso dos mesmos.
    Não é ser corajoso? Bem, quem mais com projecção pública é que fez tal afirmação? Esteve muito bem desta vez o Bobo Geldof.

  13. 13 13  Lagartaço

    Não percebo porque tanto alarido, o homem, afinal, só disse uma verdade inconveniente!

  14. 14 14  Sérgio Currais

    A pressão que pessoas como Geldof e Bono exercem sobre as instituições internacionais e os decisores políticos é cem vezes mais importante do que algum bem que poderiam fazer se um dia decidissem distribuir as suas fortunas. E eles, pelo menos, não as conseguiram a especular sobre o petróleo, a vender diamantes ou a traficar armas…

  15. 15 15  João Gomes

    The Studio,
    não é embirrar com O Daniel Oliveira mas ele só tem alguma razão.
    Da riqueza de Angola os maiores beneficiários são os ocidentais, Portugal incluído, mas à cabeça os Estados Unidos. É claro que a elite governamental se sabe governar e muito bem, como em qualquer país por mais democrata que se afirme.
    Luanda (não Angola) é, desde há algumas décadas, uma das cidades mais caras do mundo. Mas os principais hotéis, complexos habitacionais, restaurantes, etc, são propriedade de portugueses, espanhóis, franceses e de outras ditas democracias ocidentais, sem esquecer a exploração petrolífera e de diamantes a cargo de americanos, ingleses, russos, espanhóis, sul-africanos e israelitas.
    É óbvio que quem mais sofre com esta exploração desenfreada é a esmagadora maioria do povo angolano que, de facto, vive em condições desumanas.
    Muita gente dentro do MPLA tem tentado, sem sucesso, alterar este estado de coisas. Mas tem tentado, mas isso o Daniel Oliveira sempre desconhece.
    Assim como desconhece a proliferação de jornais e blogues anti-governamentais que se atrevem a dizer e a afirmar coisas (quase todas verdadeiras) de que não há exemplos nas democracias ocidentais. São perseguidos judicialmente? Pois são, tal como em Portugal e nesta encantadora europa…
    Verdadeiramente, o problema do Daniel Oliveira, é o MPLA, que no espírito dele, encarna todo o mal que assola Angola. Conhece, dele, alguma opinião, artigo, post, ou seja o que for, em que demonstre igual virulência relativamente à UNITA, esse modelo de organização democrática? Eu não, se existir serei o primeiro a pedir-lhe desculpa…

  16. 16 16  Minhoto

    Ó Daniel Oliveira não acha que está com uma atitude paternalista? Ó sr João Gomes as empresas que exploram Angola no sector economico são as que têm o know-how, se os locais não investem em educação alguém têm de fazer o negócio, não esquecer que estes países são soberanos e escolhem
    as suas políticas como bem lhes apetece, agora têm razão em dizer que o problema do Daniel Oliveira é o MPLA (sem contudo conhecer a frágil realidade africana onde um pais como Angola precisa de um partido forte e sem alternância no governo pois se assim não fosse descambava em guerra tribal) pois ainda no outro dia veio o Jeronimo de Sousa de Angola com as habituais felicitações a este partido, o BE anda ansioso…

  17. 17 17  Telmo

    Robespierre
    8 Mai 2008 às 15:57
    “Comecem estes Geldofs e estes Bonos a distribuir o seu rendimento pelos Angolanos.”

    Isso seria dar peixe a quem não sabe pescar, não é mais importante e inteligente tentar modificar a forma de actuar daqueles que têm a responsabilidade de dar “a cana de pesca” para as pessoas poderem pescar?

  18. 18 18  Rui Maio

    A mim, estas declarações de Bob Geldof fazem lembrar aqula anedota sobre a 1ª Guerra Mundial.

    Nas trincheiras portuguesas 2 soldados conferenciam:
    - Eh pá, como os alemães se chamam todos Hans, nós gritamos “Oh Hans!” e quando um deles puser a cabeça de fora abatemo-lo!
    - Boa ideia! Oh Hans!
    Um dos alemães põe a cabeça de fora e é imediatamente abatido pelo português. (Gáudio para os lusos.)
    Passados 30 segundos, o português grita novamente: - “Oh Hans!”
    Mais um alemão sai da trincheira para ver o que se passa e é abatido.
    Os alemães, percebendo a estratégia dos portugueses, gritam: “Oh Manel!”
    Do lado dos lusos silêncio absoluto, ninguém sai da trincheira. Mas ao silêncio segue-se um grito: - “És tu , Hans?”
    O pobre alemão responde, com a cabeça de fora da trincheira: - “Sou!” - e é abatido….

    Ora, no caso em questão, Bob Geldof gritou: “Criminosos!” e, imediatamente, os criminosos puseram a cabeça de fora.

    P.S. - Pena é que não estivesse nenhum atirador nas redondezas…

  19. 19 19  Neubauten

    Adorei:
    “Estas críticas fá-las qualquer um, não é preciso organizar concertos de centenas de milhões de euros para saber que Angola é uma cleptocracia.
    Este tipo de gente, estes multi-milionários pseudo-filantropos não me merecem o mínimo de atenção. Comecem estes Geldofs e estes Bonos a distribuir o seu rendimento pelos Angolanos.”
    Não concordo, mas fez-me rir.

  20. 20 20  vt

    Corajosas e certeiras, sem dúvida, meu caro Daniel. Mas o nosso amigo Geldof não é o primeiro a fazer esta denúncia: há vários anos que, aqui mesmo em Portugal, o Fausto diz a mesma coisa. Assim, por exemplo: «Não houve independência [de Angola]. Há é uma maior dependência daquele país, porque a independência é qualquer coisa que vem ao encontro da felicidade dos povos, e não o que possa contribuir para a sua infelicidade prolongada. E o pior é que não se vê uma meta que ponha fim a este sofrimento todo, às situações escandalosas de corrupção que toda a gente conhece! É um poder de tal maneira ávido das suas percentagens e negócios que esqueceu o povo! (…) A Angola colonial era mais feliz do que esta! Não posso dizer outra coisa, fui lá ver, com os meus próprios olhos, constatei. Na Angola colonial não vi meninos abandonados porque as mães africanas não abandonam os seus filhos. E agora, o que é que se passa? A guerra acabou! A pacificação em princípio está feita, porque os grupos guerreiros chegaram a acordo, estão quietos; mas sentados na mesma mesa, no mesmo banquete.»
    A entrevista integral está publicada no “actual” do meu site (não é publicidade, é mesmo só informação) e, embora já tenha 3 anos, permanece tão actual como quando foi feita. Porque, infelizmente, a má sina dos angolanos está longe de ser diferente.
    Grande abraço e que não te doa a caneta.

  21. 21 21  Lavadex

    Há 40 anos atrás…país moderno q.b. e organizado mais equilibrado (de um certo ponto de vista) mas dominado pelos brancos.
    Hoje…país atrasado e desorganizado e super desequilibrado mas não dominado por “brancos”.
    Qual a melhor realidade? Gostava de saber…
    Criminosos? Claro que sim…e cá em Portugal? Santinhos? Claro que não!

    Infelizmente é tudo igual por esse mundo fora…

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