Afinal sobrevivem ainda uns restos da memória comunista em Vital Moreira. Infelizmente não é a defesa da segurança social ou dos direitos dos trabalhadores. Nestas matérias, Vital Moreira rendeu-se aos encantos do “realismo” socrático. É a simpatia pelo MPLA, a caracterização idílica que faz de uma “democracia ” sem presidente eleito e à espera de eleições legislativas há 17 anos (se quer comparar com outros países africanos pode começar pelos restantes PALOP) e a repetição da velha fórmula simplista para caracterizar quem diz o óbvio sobre a situação em Angola. Vital Moreira está enganado e sabe-o. Não são apenas os velhos amigos da UNITA ou os saudosistas do colonialismo (pela minha parte, não me incluo seguramente em nenhum dos grupos) que sentem repulsa por o que se passa em Angola. Na verdade, qualquer pessoa com alguns valores de esquerda (ou apenas algum sentido da decência) sabe o que vê quando vê José Eduardo dos Santos e a sua trupe.


22 respostas to “Velha fórmula”  

  1. 1 1  maisum

    …mais esses indefectíveis democratas banqueiros,lavadeiras sem descanso!mais as negociatas dessa classe dos empresários àvant garde da democracia liberal(?),portuguesa,francesa,suiça e tutti quanti.A não esquecer!Portanto, se há corrupção não são só os angolanos com tb a suposta superioridade emanada da Europa dos Kosovos….

  2. 2 2  Francisco Crispim

    Nada disso é surpreendente para quem se lembra (e eu lembro-me muito bem…) do comportamento estalinista de Vital no Parlamento.
    Há certas coisas que nunca mudam.

  3. 3 3  jcd

    Daniel

    O que é que o comunismo têm a ver com “direitos dos trabalhadores”, para lá da retórica?

    É que das 40 vezes que estiveram no poder, logo se viu o que acontecia aos tão propalados ‘direitos’…

  4. 4 4  Arquiduquesa de Grayskull

    The oldest trick in the book é mesmo apelidar de “tradicional lobby anti-MPLA com apoios nos media, com raízes na descolonização” aqueles que publicamente criticam a miséria social, humana e política que grassa em Angola. Que estas críticas não têm a ver com os interesses de angola ou de portugal já tinhamos percebido. Mas associar as críticas públicas de alguns jornalistas à retórica mais que estafada do colonialismo dá no mínimo que pensar. Pretendem-se neutralizar críticas arremessando o mito do colonialismo e da metrópole opressora o que é lamentável.

    É isso um país com liberdade de imprensa?
    Onde, alguns artigos e um programa de televisão a 12000 Km de distância suscitam uma resposta violenta e despropositada que chega a assumir tons de ameaça por parte de um jornal suspostamente independente?!…

  5. 5 5  nuno oliveira

    Lá vêm eles com o fel do costume… o estalinismo para ali, os restos da memória comunista…, o que é que o comunismo tem haver com os trabalhadores….. enfim, qualquer dia vir aqui ao arrastão só mesmo para poder rir com tanta estupidez!!!!

  6. 6 6  Carlos Barbosa de Oliveira

    Esta história de Angola, desencadeada pelas declarações de BG, faz-me uma certa comichão.
    Em primeiro lugar, porque ver a esquerda babada perante a coragem de BG me faz cócegas. ( Nem BG foi corajoso,- sseria se o dissesse em Angola- nem reconheço na sua pretensa cruzada verde muito mais do que oportunismo).
    Em segundo lugar, porque quem ousa discordar de BG é logo acusado de comunista.
    Finalmente, porque as afirmações de BG além de arrogantes e populistas encerram, no meio de algumas verdades, também muitas mentiras e sobre isso ninguém parece querer pronunciar-se.
    Já agora, só uma pergunta: em que medida é que as acusações de BG contribuíram para consciencializar as pax para a causa ambientalista, que foi o propósito da sua vinda cá?
    Ah, pois, isso agora não interessa nada!

    E já agora, só mais uma coisinha…

  7. 7 7  alice

    Daniel…eles passaram-se, ve la isto http://www.angola24horas.com/?pg=noticia&id=941

  8. 8 8  alice

    Não precisaremos de ir muito longe, em vésperas natalicias 2007, o Presidente da Assembleia Nacional, Roberto de Almeida, fez uma rápida retrospectiva acerca do estado do Estado Angolano ao “AngolaPress”. Entre as inemuras afirmações o lider parlamentar refere, a proposito da conquista da paz e da moderação (verbal creio eu) dos deputados na AN, que - passo a citar: “ Essa meta[a da moderação] foi conseguida graças à imposição de uma certa autoridade da presidência da Assembleia Nacional sobre os posicionamentos de alguns deputados nos debates parlamentar. “Foi um período em que tivemos que impor uma certa autoridade e não deixar que as coisas passassem para além de certos limites”,
    O presidente da Assembleia Nacional explicou que, embora reconhecendo o direito à liberdade de expressão dos deputados, era preciso ter o cuidado não permitir que as ideias por eles defendidas durante os debates fossem além do admissível.
    Creio Não haver grandes conclusões a tirar, poderão ler o artigo integral aqui: http://www.angolapress-angop.ao/noticia.asp?ID=583448

  9. 9 9  Henrique Morais

    “Na verdade, qualquer pessoa com alguns valores de esquerda (ou apenas algum sentido da decência)…”

    Bom, se for de direita acaba-se a decencia, o direito dos trabalhadores e tudo o resto…

  10. 10 10  João Gomes

    Mas que grande cruzada sobrevoa Angola. Escrevam para dizer mal, quanto mais mal melhor! Se querem dizer algo que de algum modo se pareça como benefício da dúvida do regime angolano estejam calados, porque foram isto ou aquilo ou são cegos ou intelectualmente desonestos se não mesmo de direita.
    Calem-se, porque a cruzada não vai parar. E suspeito que vai continuar até às eleições e para lá delas para jurarem a pés juntos que houve batota. Ou não, se a UNITA ganhar…

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    Henrique Morais: eu disse de esquerda OU APENAS com algum sentido decência, o inclui muitas pessoas de direita

  12. 12 12  Arquiduquesa de Grayskull

    No fundo, o direito à opinião não é uma questão nem de esquerda nem de direita. Diz respeito a todos nós, conservadores ou liberais, comunistas ou democratas-cristãos. Compreendo que seja útil politizar o debate, sobretudo para todos aqueles que não gostam que certas ideias sejam defendidas para lá do admissível. A conferência do BES era sobre Futuro Sustentável e não sobre “a causa ambientalista”. Parecendo que não, são coisas diferentes. Curioso é perceber que há quem ache que a opinião de cada um deva estar condicionada a quem lhes paga o ordenado.

  13. 13 13  Carlos Barbosa de Oliveira

    João Gomes: Alguma esquerda revê-se em BG, como um resquício do Maio de 68 que traiu. O Bg funciona como o Kompensan!
    Arquiduquesa: acusei o toque, por isso lhe respondo. Não se trata de obedecer a quem lhe paga ( isso é o que faz toda a gente que trabalha por conta de outrem…) mas de ser coerente.
    Se o Futuro Sustentável não tem a ver com a causa ambientalista e novos padrões de produção e consumo com ela relacionadas, então vou ali e já venho, tá?

  14. 14 14  Arquiduquesa de Grayskull

    Carlos Barbosa de Oliveira,

    os jornalistas e colunistas trabalham por conta de outrem e são bom exemplo de uma classe que se espera que não “obedeça” à opinião de quem lhes paga.

    Mas afinal que sabe você acerca das preferências ideológicas daqueles que defendem o direito a Bob Geldof dar a sua opinião sobre Angola? Fez um estudo? Uma sondagem? No fundo, em que se baseia para aferir que quem defende o direito de Geldof se expressar é “de esquerda” e que quem acha que Geldof perdeu uma boa oportunidade para estar calado é “de direita”? Se pensar bem, em coisa nenhuma.

    “em que medida é que as acusações de BG contribuíram para consciencializar as pax para a causa ambientalista, que foi o propósito da sua vinda cá?”

    Bob Geldof não veio a Lisboa sensibilizar as pax para a importância da reciclagem ou da sociedade ponto verde nem a conferência do BES era sobre isso. Geldof não veio a Lisboa para explicar que o tetrapak deve ser colocado no ecoponto amarelo ou que as pilhas usadas não se devem deitar no lixo. O conceito do “futuro sustentável” convoca a causa ambiental mas não se esgota nela. Tem a ver nomeadamente com a questão energética. E aqui entram todos os países produtores de energias que devem ser interlocutores interessados no problema. Sobretudo aqueles cuja pobreza social os torna mais expostos à realidade do futuro insustentável….. é por aí…

  15. 15 15  Luís Marvão

    E no entanto Vital Moreira tem razão, Angola desfruta hoje de estabilidade política e de crescimento e económico invejáveis, para os padrões da África Austral. Não obstante as profundas, e moralmente inaceitáveis, desigualdades sociais, o país lá vai trilhando o seu caminho, vive-se melhor, há progresso, não querer ver isso é prova de sectarismo. Por exemplo, o saldo migratório de Angola é hoje positivo, se isso não é prova de progresso…
    Sim, é verdade que há partidos políticos e imprensa ferozmente crítica do governo. Por isso, é demagógico dizer que o país é uma autocracia. Não estou a dizer que seja uma democracia, apenas tão-só que a realidade não é a preto e branco, a não ser para os cruzados, espírito de que parece imbuído Daniel Oliveira, já que se arroga no direito de dizer-nos, a nós que somos de esquerda, como nos deveremos sentir perante criaturas como o “Dos Santos e a sua trupe”

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    Luís Marvão, de facto, se há pessoas de esquerda para quem até a dinastia norte-coreana é tolerável porque não há de ser a concentração de poder económico numa família e a riqueza e o desperdício pornográficos da nomenclatura angolana rodeada de miséria por todos os lados?

    Não, a realidade nunca é a preto e branco. Mas é escusado que o que para algumas pessoas é preto na generalidade dos países passe a ser branco quando o governo diz que tem alguma coisa a ver com o socialismo.

    Por isso repito: nenhuma pessoa de esquerda pode deixar de se escandalizar com a injustiça social em Angola e com o facto do chefe de Estado ser a pessoa mais rica do país, distribuindo a riqueza pelos amigos e família. Nenhuma pessoa de esquerda pode deixar de se escandalizar com o facto de, perante o fim da guerra num país que tem todas as riquezas naturais possíveis e o aumento exponencial do petróleo, que inundou Angola de dinheiro, a maioria dos angolanos viva quase na mesma. Nenhuma pessoa de esquerda pode deixar de se escandalizar com o que foi o casamento da filha de Eduardo dos Santos e o que são as despesas alarves da sua mulher quando vai ao estrangeiro. Nenhuma pessoa de esquerda pode deixar de escandalizar quando o crescimento cria multimilionários na elite política angolana e mantém mais de 60% da população urbana abaixo do limiar de pobreza. Claro que podem fazer um ar ofendido e dizer que eu não tenho o direito de dizer o que devem pensar. Pois bem, pensem o que quiserem, Mas quando falarem de justiça social eu tenho direito de deixar de os levar a sério

    Tudo isto me parece tão evidente que me sinto revoltado por ter de dizer isto a pessoas de esquerda e que passam a vida a dar lições de purismo ideológico aos outros.

  17. 17 17  Luís Marvão

    O Daniel parece ter-me confundido com um indefectível admirador do camarada Jerónimo…Daí as alusões à Coreia do Norte e ao purismo ideológico. Enfim, são as suas grelhas de leitura, o gosto de rotular.
    E, atenção, no meu comentário refiro as desigualdades sociais como sendo “moralmente inaceitáveis”.
    Pela sua grelha, quem, sobre Angola, não alinha no discurso catastrofista, só pode ser um comunista impenitente ou um adepto da Real Politik.

  18. 18 18  l.R.

    O Vital tal como o J.Magalhâes eram os bébés
    do P.C.P., é vê-los ….mas um ,o “CONTROLEIRO
    MAGALHÃES”,ainda faz o seu papel,é dele a ideia,
    do cartãozinho do cidadão!!!Ele á coisas que nunca
    desaparecem…Por muitos fatinhos,perfumes e
    barbinhas ,ela está lá,escondida,mas não sai.

  19. 19 19  joão lucas

    felicitação pelo blog e bom debate

  20. 20 20  Alentejano

    Ninguém percebeu o Vital, o que ele quiz dizer foi:
    “Para Angola Já e em Força”, mudam-se os tempos……

  21. 21 21  Arquiduquesa de Grayskull

    De uma semana para a outra, melhoras de estilo no Jornal de Angola:

    http://www.jornaldeangola.com/

    “José Ribeiro |

    If I were a rich man

    Se fosse rico, organizaria uma excursão a Malanje. Para nos conhecermos melhor, falarmos com propriedade do que somos.
    Partiria com toda a gente, de automóvel, muito cedo, para fugirmos ao bloqueio do trânsito causado pelas obras de reconstrução. Pela estrada nacional, por Viana, e para Sudeste, em direcção ao Dondo. Veríamos as demarcações de novas indústrias que estão a nascer.
    Passaríamos por Catete e Maria Teresa, e aproveitaríamos para parar em Zenza do Itombe. No Zenza, ali onde os colonos organizavam as colunas para o mato, mas onde esta semana ia eu a dormir, descansado, sem receio nem preocupado com os ataques que nos vêm de Lisboa, ao lado do velho Garcia, seguro ao volante do Land Cruiser, apesar de, como eu, não ter pregado o olho, depois de uma noite em claro no jornal.
    Subiríamos, nas calmas, o Morro do Binda, inferno que já não nos traz os suores frios de antigamente. O perigo do morro morreu, derrotado pela vaga das obras de reconstrução.
    Iríamos em direcção a Malanje, por quilómetros e quilómetros de estrada recuperada, com sinalização vertical, horizontal e tudo o resto. Encontraríamos, no caminho, os pedreiros nacionais e os expatriados portugueses e chineses, que dão o que devem, para a reabilitação da estrada, e protecção da via da ravina perigosa, que não perdoa no tempo da chuva forte, e que obrigará a muito trabalho de manutenção. Isto mais tarde.
    Mas antes, diria aos meus convidados que não perdoo Bob Geldof por não ter organizado um Live Aid para Angola, quando as crianças de Malanje mais precisavam, quando a província estava sitiada e os pais as atiravam para dentro do primeiro avião para Luanda, onde acabariam por tornar-se meninos e meninas de rua, à mercê de funcionários internacionais atacados pelo sexo de crise. O PAM foi-se embora já lá vão quatro anos e mesmo sem Plano Marshal, sem Conferência de Doadores e com promessas não honradas, a reconstrução do país continua, de vento em popa. Há seis anos, quando as rações do PAM não chegavam para tanta fome, precisávamos de um grande concerto de solidariedade. Ele não veio. Agora, a paz já cá está, é tarde, e só restam as vozes das más consciências.
    Mostraria as crianças e os jovens de mochila às costas que hoje nos quimbos já vão à escola, e nos acenam com um sorriso. Pararíamos em Cassualala, onde nos daríamos de maracujá, de banana-maçã, de banana-pão, laranja, tangerina… é muita vitamina C para matar a sede, que ajuda a prevenir doenças e faz os miúdos crescer fortes e saudáveis. Mas são também números que ainda não ganham direito de entrar nas estatísticas do desenvolvimento humano. Porque ainda não há estudos. E, pelos vistos, nem interessa, a muito boa gente, que entrem. Para, quando convier, tenham armas com que arremessar ao nosso Governo.
    Em Cacuso, comeríamos o inhame, a batata-doce e a mandioca cozida, ao lado do orgulhoso administrador. O administrador diria como vai o seu município, onde não falta água potável, nem luz eléctrica, de onde se vêem ao longe as torres de alta tensão vindas da barragem de Kapanda, já ao serviço da economia, e onde as extensões de terra cultivada garantem já muito sustento e emprego. As multidões que antes se plantavam diante dos centros de assistência humanitária evaporaram-se. Parece que todo o mundo tem agora com que se ocupar.
    Trocaria algumas ideias com os meus convidados sobre o desenvolvimento sustentável e a globalização, dois bons conceitos que dão jeito, se a intenção é ir atirando o pó para debaixo do tapete. Cá por mim, prefiro a ideia de desenvolvimento controlado. Falaríamos da hipocrisia de um Ocidente a transbordar de riqueza, mas que nega a partilha, o acesso dos produtos de exportação africanos aos seus mercados, arruinando milhares de famílias em África, da degradação moral que atravessa os media europeus, invadidos pela pornografia, pela homossexualidade e pela violência, do silêncio comprometedor dos poderes seculares, que não enfrentam os grandes e exigem por vezes o impossível aos pequenos.
    Levaria, finalmente, toda a gente a Kalandula, às grandes quedas de água de Angola. De passagem, à saída de Malanje, daria ainda para ver os novos eucaliptos plantados no lugar dos que, no tempo da guerra e da penúria de combustível, foram sacrificados, a favor da lenha e do carvão. Acabaríamos todos com uma grande ginguingada de cabrito, com o afável e clarividente Governador de Malanje, Cristóvão da Cunha, se este não se importasse é claro, com gindungo à justa medida, acompanhado de maruvo, vinho, uísque ou o que fosse que apetecesse a cada um. Quem quisesse, poderia até arrotar, no fim, que nisso, somos como os malaios, significa que o pitéu caiu bem e ficam incomodados se não sai. Mas com discrição, que fica bem.
    Se fosse rico, a sério, faria uma excursão a Malanje. “

  22. 22 22  Niet

    Ao contrário do que se diz, creio que Vital Moreira ” entrou”, há muito ou há pouco tempo, no sistema despótico, piramidal e implacável do Capitalismo. Periférico e dependente, é certo. Mas VM - como os seus dilectos companheiros do “PC”,o malogrado Veiga de Oliveira,o actual ministro das Obras Públicas, e outros- assumiu a escatologia do suplício diferencial entre o marxismo vulgar e o estalianiano, derivando para a apologia sem fim do capitalismo integral…A seguir, com toda a atenção

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