Um acordo entre o “Expresso” (onde escrevo) e o Arrastão (e mais alguns blogues), passarei a dar em primeira mão, todas as semanas, sempre que possível, alguns dos temas da próxima edição do jornal. Assim se começa o debate antes da própria publicação. Esta semana escolhi dois temas:

Eles andam aí!
A “transferência” de Jorge Coelho para a administração da Mota-Engil é só o último caso conhecido de um ex-membro do Governo que transita para o sector privado. Outros episódios desta novela são conhecidos: Joaquim Pina Moura, ex-ministro da Economia preside à Iberdrola, Valente de Oliveira, ex-ministro do Planeamento é também administrador da Mota-Engil ou Joaquim Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras lidera a Lusoponte. Mais do que uma questão legal, que não está em causa em nenhum dos casos conhecidos, há que debater o princípio moral. É o que procura fazer o Expresso na próxima edição mostrando onde estão hoje os ex-titulares de cargos políticos.
Faz sentido que ex-ministros ou ex-secretários de Estado trabalhem em sectores que tutelaram ? Lançamos a pergunta sobre se adianta alguma coisa a existência de um período de nojo. Fomos ainda tentar saber o grau de dependência das empresas em relação ao Estado e porque se tornam, para elas, tão atraentes as agendas e as redes de contactos dos ex-titulares de cargos políticos.

Reportagem na Casa Pia – Que modelo para os internatos?
Há seis anos o Expresso revelou ao país um escândalo de abusos sexuais. Agora faz uma reportagem sobre a instituição, o ensino e a formação que lá se pratica, como vivem os seus alunos e a forma como o caso marcou e está a modificar a Casa Pia.
A maior transformação ocorre ao nível do sistema de internato. Até aqui, o modelo utilizado na Casa Pia previa o internamento em lares situados dentro dos colégios. Os alunos viviam e estudavam dentro de um espaço circunscrito e pouco contacto tinham com o exterior. Com o escândalo, todo o sistema foi repensando e a nova resposta da Casa Pia passou a «seguir o modelo europeu», segundo a directora Joaquina Madeira, em que a preocupação da instituição quando acolhe uma criança é de começar logo a trabalhar a sua saída do lar. «Agora a Casa Pia começa a trabalhar também a família para que esta possa acolher de novo a criança», explica Joaquina Madeira, acrescentando que «o objectivo é que a criança permaneça pouco tempo no internato». As novas directrizes decidiram ainda que os lares devem situar-se fora dos colégios, em apartamentos ou moradias, com poucos alunos e maior número de educadores.
Mas este novo modelo não acolhe os votos favoráveis de toda a gente. Mestre Américo, o primeiro a denunciar casos de abusos sexuais dentro da instituição, tem dúvidas sobre este novo modelo e deixa um alerta no Expresso : «Os lares fora dos colégios não resolvem o problema da pedofilia. Os pedófilos não deixaram de existir, actuam é com mais cuidado».
Que modelo para os internatos?


Uma resposta ao post “Novo: no Expresso”  

  1. 1 1  manuel silva

    É um problema, mas que me parece não ter solução possível… Se aplicarmos um período de nojo muito maior do que o que existe ou a simples interdição de trabalhar na área que tutelaram, os cidadãos mais capazes (para mim, aqueles que têm uma experiência PRÁTICA de sucesso na área que vão tutelar) não poderão/quererão servir a causa pública e o país só terá a perder. Sobrarão teóricos (professores universitários, cientistas, investigadores, etc.) e políticos profissionais para nos governarem, o que não me parece positivo para a administração do país. A solução poderá estar numa sociedade civil mais forte e numa administração mais transparente que controle as actividades do estado.

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