
Paulo Pinto Mascarenhas já tornou pública a sua posição sobre o Nobel da literatura. Nunca leu mas é contra. Como na ortodoxia comunista, a política determina a arte. No caso, a avaliação da sua qualidade. Afinal de contas, a gaja é feminista. Dali não pode vir boa coisa e a razão do reconhecimento só pode ser ideológica.
Que fique esclarecido: lamentavelmente, ainda não li nada de Doris Lessing. Quase só tenho ouvido elogios. Mas nestas matérias não confio na opinião de ninguém. Afinal de contas, pessoas que respeito e de gosto em geral inatacável andaram anos a tentar vender-me o neo-realismo português.
Por Daniel Oliveira 13 Out 07 em Arte


Daniel Oliveira, que tem todo o direito a gostar e a não gostar do que quiser,acaba com este «post» de acrescentar um ponto de bom-tom ao seu currículo : uma piada pública ao malfadado neo-realismo português.
Sem, ao menos, ser capaz de perceber que, para além dos gostos ou não gostos actuais ou passados, essa corrente pesou na sociedade portuguesa e pesou no sentido da formação de uma consciência antifascista e do progresso da luta pela liberdade.
alexandre, claro que entendo. Por isso mesmo é que não confio nos carimbos de qualidade. Porque sei que outros critérios pesam.
Vai gostar, Daniel, experimente começar com o “A Erva Canta”.
A opiniao do Paulo Pinto Mascarenhas é tão importante como o vazio que que preenche a sua caixa craniana…
O Nobel da literatura ideal para esse senhor era o “como se ergue um Estado” ou “Mein Kamfp”.
oh, e não gostou, Daniel?
talvez porque, muito novo, não entendeu patavina, quanto mais amadurou!…
Pelo que li a senhora já não é comunista, é uma ex-comunista.
A «boca» do Daniel em relação ao neo-realismo português parece-me estranhamente simétrica da posição do Paulo Pinto Mascarenhas que ele aqui critica. Está na moda dizer mal do neo-realismo, à mistura com muita ignorância. Acontece que algumas obras do neo-realismo não são estimáveis apenas pela postura de resistência dos seus autores. O neo-realismo em Portugal legou-nos dois grandes escritores: o Manuel da Fonseca e o Alves Redol, e, se este último apresenta uma qualidade irregular, são dele dois dos grandes romances portugueses do século XX: «A Barca dos Sete Lemes» e o «Barranco de Cegos». Pergunto-me se o Daniel alguma vez leu estes livros…
Nao conheço a obra da senhora,mas ela regeitou o ròtulo de feminista(vi e ouvi na tv)tu que provavelmente leste a obra là saberàs.
Você está cada vez mais reaccionário. Depois de apoiar a bem-pensância nacional a dizer mal do Che, do regimen cubano, do Chavez e de outros agora até se mete com o neo-realismo português, que tem de facto grandes escritores. E eu até tenho votado BE, mas francamente, com as suas opiniões tenho-me que precaver.
Jorge Nascimento Fernandes, a minha opinião sobre o neo-realismo PORTUGUÊS não é política. É literárias. Por isso, dizer que é reaccionária, de esquerda ou de direita é disparatado.
Jorge do Nascimento Fernandes, o seu comentário é um perfeito disparate.
O sr. Daniel Oliveira , tem uma opinião negativa, ( aliás não é o único), sobre a qualidade literária de muitas obras do chamado neo-realismo .
Mas o que é que isso tem a ver, com as opções partidárias do sr Daniel…
Será porque eu gosto e muito do Celine, que por isso serei de extrema-direita, e defensor de teorias anti judaicas?
Ou porque gosto da Mãe do Gorki, que lá por isso vá defender a forma como este escritor se comportou perante Estaline….
Aliás gosto bastante do Barranco de Cegos.
Ingénuos comentadores, o Daniel de Oliveira quando fala do neo-realismo em bloco não está a dar uma opinião literária sobre uma corrente estética, está a exprimir, de modo taxativo, como ele costuma arrumar questões bastante mais complexas, a opinião dominante da bem-pensância nacional sobre o neo-realismo. Ele não disse que não gostava de certos romances e que gostava de outros. Ele arrumou o neo-realismo naquela categoria das coisas de que não se deve gostar, pela mesma razão com eu enumerei os políticos e regimens à esquerda que ele também não gosta. Ou seja, a opinião do Daniel de Oliveira é ideológica e não estética.
Quanto aos escritores reflectirem ou não as ideias do seu tempo e nem por isso deixarem de ser bons escritores é uma posição antiga. Já Marx referia que Balzac, sendo reaccionário e monarquista, retractava extremamente bem a sociedade do seu tempo. Portanto essa conversa comigo não pega.
Eu li os livros de ficção científica dela e achei uma seca de morte (tinha muita reflexão filosófica anti-guerra e pouco de científico). Questão de gosto suponho