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Sobre a Independência do Kosovo, que hoje é declarada, escrevi no final do ano passado, no “Expresso”: «Num continente desenhado a sangue, de que os Balcãs são o mais trágico e recente exemplo, qual o critério que torna admissível que uma Nação passe a ser um Estado independente? (…) Se as acções do UÇK foram toleradas ou mesmo aplaudidas, por corresponderem a um combate ‘patriótico’, qual é o último argumento contra a ETA e a Armata Corsa?» (ler texto aqui). Já todos percebemos qual é o critério: ter os aliados certos, sobretudo do lado de lá do Atlântico. Se assim for, até as relações próximas com fundamentalistas muçulmanos deixam de ser um problema. E as garantias dos direitos futuros das minorias étnicas deixam de ser uma preocupação. Porque há boas minorias étnicas e más minorias étnicas.


Sem respostas ao post “Depende”  

  1. 1 1  Manuel Leão

    O grafismo da “Coca-Cola” é sugestivo.

    Palavras para quê?

    Saberá a UE onde se está a meter?

  2. 2 2  Massa Mansa

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  3. 3 3  Pedro Gomes

    Depois de aberta a caixa de Pandora, vamos ver como irá evoluir o mapa geopolítico da região… Além disso que razões terão os Bascos, os Catalães e outros para não declararem unilateralmente a sua independência?

  4. 4 4  Dalila

    Efectivamente tenho visto nas manifestações no Kosovo pessoas com bandeiras dos EUA,o que é um pouco estranho.Ontem ouvi em vários noticiários Cavaco Silva a pronunciar-se sobre esta assunto de uma forma muito prudente.Há algum tempo um oficial portugues que se encontra na missão das NU naquela zona,dizer que económicamente o Kosovo não tinha nenhuma viabilidade,estão já a ver quem vai pagar,nós e os outros cidadãos da UE.

  5. 5 5  Gabriel Silva

    «qual o critério que torna admissível que uma Nação passe a ser um Estado independente?»

    a vontade das populações abrangidas.

  6. 6 6  samuéli

    Deixa, Daniel, que algum dia os patriotas do Iraque também verão a sua independência, depois do roubo, da humilhação e terror que, arbitrariamente, houveram de passar.

    Um dia, quando o rooms e o bush fizerem há muito tijolo e o blair for um buraco negro, como o gordo e amfíbio cherne de um país amigo do kosovo.

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Gabriel, parece-me um excelente critério. Vamos a um referendo no País Basco ou não? Escusa de se adivinhar. Dá-se o direito a votar.

  8. 8 8  Gabriel Silva

    «dizer que económicamente o Kosovo não tinha nenhuma viabilidade»

    Timor não deveria ser independente? Também não tinha viabilidade.
    que viabilidade económica tem Portugal?

    «Além disso que razões terão os Bascos, os Catalães e outros para não declararem unilateralmente a sua independência?»

    a única razão, e perfeitamente legitima para o não terem feito até agora, é porque os seus eleitores assim decidiram não o fazer, preferindo votar em partidos, autonómicos, é certo, mas sem pretensões, até hoje á independencia.

  9. 9 9  Justicialista

    É um direito de TODOS os povos o DIREITO À AUTO-DETERMINAÇÃO. Sinceramente Daniel, não apoiou o direito de Timor-Leste ser independente? Qual foi o seu critério? Serem de maioria cristã?? Parece que nesta matéria, infelizmente, não é muito coerente.

  10. 10 10  pedro almeida

    Concordo com o Justicialista: a autodeterminação é o critério.
    Já não percebo como se pode equacionar a “luta” da Eta num país onde existem liberdades e direitos cívicos com a situação pavorosa em que mergulhou a ex-Yuguslávia.
    Também em Portugal existe uma legislação anacrónica sobre o direito à reinvidicação pela independência duma qualquer região nacional, e nesse capítulo o regime das autonomias espanhola vai muito mais longe. Mas daí a legitimar a “luta armada”…

  11. 11 11  JC/Gato Maltês
  12. 12 12  Luís Marvão

    “qual o critério que torna admissível que uma Nação passe a ser um Estado independente?»

    “a vontade das populações abrangidas”.

    Depende, Gabriel, do que entende por vontade. Se vontade for o poder ou a capacidade para… de acordo. Mas se por vontade entender desejo ou aspiração, então o critério é o de ter os amigos certos, dotados da tal vontade…
    Um pouco de História, meu caro.
    Já agora, Gabriel, essa vontade também é atributo dos sérvios kosovares. Ou só vale para os albaneses kosovares?

  13. 13 13  Simão Agostinho

    A quem serve a independência e porque a apoiam os EUA. Julgo serem estas as questões chave para compreender o processo.

  14. 14 14  Gabriel Silva

    Caro Daniel,

    «Vamos a um referendo no País Basco ou não?»

    Claro, porque não?
    Aliás, dá-me a ideia que tal é feito de 4 em 4 anos, quando os eleitores locais tem votado em partidos autonómicos e não nos partidos independentistas….

    Uma das questões, pouco referidas aiás, da Eta e dos alguns dos seus «companheiros» independentistas, é que eles defendem um critério puramente étnico, racista, pois no aseu entendimento apenas os bascos de língua, de s«angue», de tradição, poderão votar. Só esses seriam «bascos». Todos os outros, que lá nasceram ou que lá vivem não teriam direito a tal escolha e deveriam sujeitar-se á vontade daquela minoria. O que julgo inaceitável.

    Caro Luís Marvão,

    «Já agora, Gabriel, essa vontade também é atributo dos sérvios kosovares?»

    Evidentemente que sim. Se eles pretenderem constituir-se como comunidade política, isto é, decidirem por eles mesmos se pretendem ficar no Kosovo, na Sérvia ou serem independentes, terão todo o direito a fazê-lo.

    Daí, por exemplo que entenda ser um erro e mesmo um abuso a nova bandeira do Kosovo, ao utilizar o mapa do território como simbolo «nacional», pois que não será certo que tal território assim se mantenha muito tempo.

  15. 15 15  Xico

    Só uma questão.
    O País Basco já era antes do estado espanhol
    A Catalunha já era antes do estado espanhol
    Timor Lorosae já era antes da Indonésia
    Kosovo é território sérvio onde as minorias se transformaram em maiorias por acrobacias das potências estrangeiras. Falar de desejo de independência de há 500 anos é para rir. Os descendentes dos Kosovares de há 500 anos não quiseram a independência, agora!
    Transformar-se de um estado autónomo da Sérvia num protectorado americano ou europeu, não é propriamente a minha ideia de independencia!

  16. 16 16  marilu

    O UÇK era considerado uma org terrorista com laços muito fortes à al-Qaeda,ao tráfico de droga e armas e mulheres,depois com o advento de Bush ficaram democráticos.Mas,aconselho-o a ler Michel Chossudovsky.
    Sempre houve correlações muito fortes entre o terrorismo afegão e a Casa Branca,agora é que não interessa nada,mas mesmo nada q a opinião democrática(or else) saiba disso.
    Ah,as FARC’s é que são terroristas donde deduzo que não trata do escoamento da droga dos gringos…………

  17. 17 17  JARDIM (O BANANEIRO)

    VIVA A REPÚBLICA DAS BANANAS DA MADEIRA!

  18. 18 18  João Barreto
  19. 19 19  Luis

    Sr Xico, não colocou questao nenhuma…

    De qualquer forma, deixo uma não-resposta à sua não-questao: A maioria dos habitantes do Kosovo não se está a revoltar, muito menos de forma armada, contra a prespectiva de proto-colonialismo Europeu (talvez porque a mae-albania também já está nessa situação).

    Agora contra o fazer parte da Sérvia sim, revoltaram-se. Tanto de forma armada, com o UÇK como votando em partidos independentistas.

    Ora uma entidade teritorial e etnica declara, atraves de processos democraticos, a sua auto-determinação. O anterior “soebrano” desse territorio e população não se pode/quer opôr à mesma auto-determinação.
    Quid?

  20. 20 20  Barbosa

    Daniel disse um dia que se não deixarmos entrar os emigrantes pela porta eles entram pela janela.
    Pois bem os esfomeados dos albaneses entram de qualquer maneira na provincia Sérvia do Kosovo.
    Foram ficando e procriando, mas como qualquer ser humano sempre lembrando as suas raizes e RELEGIÂO Albanesa. Tendo a maioria vê-se o que aconteçe, roubam uma provincia ao país que os acolheu, destruiram muitos mosteiros e muitos Sérvios foram obrigados pelo medo a fujir das suas terras.
    Conclusão: Venham os emigrantes, de preferencia os que tenham costumes e línguas diferentes das nossas. Não é Daniel?
    Agradecia uma resposta com a mão na consciência.

  21. 21 21  Xico

    Sr. Luís
    Só votaram na independencia porque alguém lhes aquece as costas!
    Quando chegar a altura de pagar as consequências dos actos, sejam eles pequenos ou grandes, cá estamos todos para o fazer!
    Não estamos em Massada. E quando se acabar a poção mágica da coca-cola, caímos todos dentro do caldeirão!
    Os séculos XIX e o XX deveriam ter ensinado alguma coisa…
    Esperemos que os ingleses da praia da luz não peçam a independência,… porque creio bem que a dávamos!

  22. 22 22  André

    Vivo em Espanha e tenho acompanhado o ambiente por estes lados relativamente à questao kosovar.

    Creio que a sua comparaçao é demasiado redutora. Omite que a vertente social dos dois independentismos em questao é profundamente distinta. A força motriz que conduziu à actual situaçao política no Kosovo foi essencialmente demográfica. No País Basco nao se trata disso. Muito pelo contrário: sabe-se que a opiniao separatista (a julgar pelos resultados de eleiçoes locais, e apesar de o Elendhakari ser nacionalista, que é a tendência para votar num presidente de comunidade que mais defenda os interesses locais que acontece em muitas comunidades autónomas) é francamente minoritária e que a ETA
    (e associados, como Batasunas e PCTV) neste momento nao passa de um grupo de miúdos com o “Síndrome de Peter Pan”. As praças fortes do separatismo estao reduzidas a uma: Hernani. Nao houve uma guerra com “limpezas étnicas”, nao houve massivas transladaçoes de populaçao. O sentimento nacionalista basco é uma coisa muito mais rebuscada, que nasce de um coquetel de repressao franquista, vitimizaçao basca, exacerbaçao da extrema-direita, movimentos sindicalistas radicais, etc. A ETA teve entre os seus impulsionadores a igreja local (adivinhe-se por quê). Entre os argumentos da identidade basca defendem-se coisas tao ridículas como “a raça, onde todos sao Rh+”, ou (e isto é coisa repetida entre os mais exaltados nacionalistas), que sao uma raça superior à raça ibérica. Chegam a dizer que descendem de extra-terrestre, baseando-se nas dificuldades académicas em encontrar o rasto histórico do Euskera. Uma coisa é proteger e cultivar a cultura local pelo valor que representem. Outra coisa é proteger e cultivar a cultura local CONTRA, EM CONFRONTAÇAO com…. No caso basco, contra algo que nao existe; um eterno ciclo de vitimizaçao.

    Posto isto, nao vejo o que tem a palhaçada do nacionalismo basco a ver com esta declaraçao de independência (unilateral), que se segue a uma guerra de exércitos, uma campanha de limpeza étnica, e, mais remota, a preponderância da etnia albanesa entre a populaçao.

  23. 23 23  Isabel Coutinho

    “Os séculos XIX e o XX deveriam ter ensinado alguma coisa…” (Xico)

    Pois … mas não ensinaram nada. Aliás, já nem se ensina História, nem em Portugal, nem na UE. Os próprios “políticos” já não entendem nada de História. Para não falar nos Americanos, claro.

  1. 1 Fotografia kosoviense « Vejo tudo e não morro | Valor decrescente de uso do amor

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