“La Liste de Carla” é o pior filme que vi no Doclisboa. Um documentário burocrático. Marcel Schupbach conseguiu ter acesso à vida quotidiana no tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia e da sua procuradora, Carla Del Ponte. Uma oportunidade excelente ou para se embrenhar no difícil mundo da justiça internacional ou para revisitar os crimes da Bósnia. Era suposto mostrar-nos os mecanismos políticos, a pressão diplomática e o jogo do gato e do rato com os governos da Croácia e da Sérvia. No fim, o documentário é pueril, desinteressante e até um pouco básico. Nunca vai para lá do evidente. Nenhuma reflexão sobre a possibilidade ou impossibilidade de julgar a guerra e sobre a justiça dos vencedores e dos vencidos. Muitíssimo cansativo e repetitivo. Não traz nada de novo.
Aconselho vivamente “It’s Always Late for Freedom”, de Mehrdad Oskouei, sobre um reformatório no Irão e as relações de amizade que se estabelecem entre crianças presas; “In the North”, de Chen Lei, sobre um chinês toxicodependente que sai de Changai para o campo e aí começa a tentativa de, com a sua mulher e filha, reconstruir a vida (os momentos de intimidade entre os três são deliciosos) e, acima de todos os outos, “A Father’s Music”, de Igor Heitzmann, filho do famoso maestro Otmar Suitner, da Orquestra Filarmónica de Berlim. Um homem com duas mulheres (uma no Ocidente e outra a Leste) e um realizador que tenta reencontrar o seu pai através da música. Dos que vi até agora, é seguramente um dos que merece o prémio para Competição Internacional. Não vi “Le Papier ne Peut pas Envelopper la Braise”, de Rithy Panh, sobre uma casa de prostituição em Phnom Penh, mas a julgar por o que ouvi depois da sessão deveria te ido ver.
Sem comentários 23 Out 07 em Balcãs, Cinema, Direitos Humanos, Justiça, doclisboa




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