Por Pedro Sales
O Luís Rainha já chamou a atenção para o mau gosto, quase indescritível, do novo anúncio do BCP. Sendo certo que a coisa parece saída de um pesadelo cor de rosa de La Feria, o que me faz mesmo confusão é tentar perceber quem é que, no actual contexto financeiro, se lembrou que a melhor imagem para um banco seria um anúncio inspirado na mais famosa cena do Titanic? É por estas e por outras que as acções do BCP mal dão para comprar uma bica ao balcão. Enquanto o Santander faz um anúncio lembrando que é “Solid as a Rock”, o maior banco privado português gasta rios de dinheiro associando o seu nome a uma das imagens de maior instabilidade e turbulência, um barco no meio do oceano…
30 comentários 22 Dez 08 em Banca


Das coisas piores que se tem visto em publicidade na TV.
Não só a parte simbólica do barco como a estética La Féria contribuem para o desastre.
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Ridículo e saloio, é o que é. Li não sei onde que foi o Armando Vara que validou esta coisa — não sei se é verdade, mas diz bem com o deslumbre sem gosto que se lhe atribui. Quanto ao queridinho que protagoniza, mais a queridinha pouco à vontade… Bem, não vale a pena dizer mais nada.
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Para o caso de não saberem. As campanhas de publicidade, se efectuadas c/ profissionalismo, obedecem a uma estratégia definida pelo cliente, neste caso o Banco. Além disso, são, ou devem ser, pré e pós testadas, medindo a compreensão e adesão do público-alvo aos valores que comunicam, bem como o modo como estão a influenciar o mercado e de que modo estão a fazer evoluir a percepção que os clientes e não clientes têm sobre as várias dimensões do próprio Banco (neste caso) . A campanha até pode ser mtº má, péssima. Mas possuem vocês elementos para o concluir? São profissionais do sector? Que relevância tem a vossa opinião se os testes de mercado o não comprovarem?
Cumprimentos
JC
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JC,
Se é o mercado que avalia a qualidade do anúncio, não se preocupe que ele já deu a resposta.
“Os portugueses depositaram 1,2 mil milhões de euros no banco estatal em Outubro, no pico da crise. Quase cinco vezes mais do que o normal”, Diário Económico de 17 de Dezembro.
Estes números foram conseguidos à custa dos bancos privados, especialmente do principal concorrente da Caixa: o BCP. Mesmo não havendo ainda números, parece que a tendência se reforçou em Novembro.
O problema que os bancos enfrentam, principalmente os privados, é o da falta de confiança. O Santander percebeu o problema e adaptou a sua mensagem aos tempos que vivemos. A metáfora utilizada pelo BCP, e não é preciso ter conhecimentos de publicida, mas de literatura que é a minha área de formação, é uma desgraça. Faz lembrar o Titanic e remete para um meio instável e turbulento.
Mas isso sou eu, claro, que não sou um génio da publicidade como os profissionais que fizeram esta obra-prima.
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Será transversal a este post, Pedro, mas esta notícia tem algo de ” inquietante “.
Boa noite.
http://bandeiranegra1.wordpress.com/2008/12/22/as-habituais-distraccoes-das-luminarias-de-servico/
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Não vale a pena esconder. O anúncio é mesmo mauzinho!
A começar no barco que é pindérico, no menino que canta vestido de lavrador de início do século passado, da quantidade de malta com bonés num mar de plástico azul engelhado, dum timoneiro a precisar de óculo, da Bárbara a exibir a cobertura dos pulmões num vestido de chita brilhante dum mau gosto digno do Guiness, duma vela em losango que parece um papagaio de papel, é tudo muito foleiro, muito desajeitado, que dá uma imagem dum banco a nadar em dificuldades, que já nem dinheiro tem para fazer reclames em condições.
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JC, não é preciso ser profissional do sector para avaliar o mau gosto e o ridículo de um anúncio. Também não é preciso ser profissional do sector para perceber que na actual conjuntura o anúncio se presta unicamente para a chacota. (Vamos ver os próximos Contra-Informação e Gatos Fedorentos…) Finalmente, os profissionais do sector enganam-se muitas vezes; não faltam por aí (aí, quer dizer, em todos os países) campanhas completamente despropositadas. Que raio de argumento é esse: deve ser bom porque eles devem ter pensado no assunto?
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Mas tem a Bárbara, pá!
lol.
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Bom, Pedro Sales, vou tentar explicar-lhe.
É exactamente a perda de clientes que refere, em favor da “Caixa”, que torna necessária a campanha, no sentido de inverter a tendência negativa do negócio. Se o conseguem ou não, veremos. Aliás, todo o anúncio me parece focado na tentativa de comunicar “confiança”, “envolvimento”. Se me perguntarem qual o valor fundamental que o anúncio transmite era isso que eu responderia. Mas a minha opinião é apenas uma; vale o que vale. Os testes dirão se é esse o valor fundamental comunicado e se essa minha opinião é correcta.
O ponto claramente negativo do anúncio, em minha opinião, é a possível falta de ligação memorização/marca. Quem vê um anúncio tende a memorizar apenas uma parte do que vê e se essa parte não estiver ligada á marca isso pode ser negativo. Aquilo que, em princípio, me parece os consumidores irão memorizar é apenas”o rapaz a cantar” ou “a Bárbara Guimarães”. Esse parece-me ser um ponto bem negativo, por não estar directamente relacionado c/ a marca, mas que também os testes deverão ter, ou não, concluído. Isto, claro está, se tudo foi feito c/ o profissionalismo desejável.
Percebido? Espero que sim.
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José Nogueira:
Eu tb acho o anúncio piroso, de mau-gosto, como acho os do “Tide”, da “Planta”, etc. Mas estes (“Tide” e “Planta”) são, comprovadamente, excelentes anúcios, com provas dadas. Mas eu não faço parte do grupo-alvo! E se pode prestar-se à chacota, isso terá saído no teste. Se efectivamente foi testado e eu espero que sim. Se não o foi é, pura e simplesmente, um risco e uma falta de profissionalismo da gestão do Banco
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JC,
Você consegue olhar para aquele horror visual e vislumbrar confiança?
Se todos os anúncios são feitos por profissionais, deduzo que são todos perfeitos e impossíveis de merecer um reparo crítico? Ou mesmo os profissionais não têm opinião antes de conhecer os resultados dos grupos de foco?
Pode ser defeito meu, mas eu olho para aquele horror visual e a última coisa que vislumbro é “confiança” e “envolvimento”. Bem vistas as coisas, e aqui concedo-lhe razão, talvez seja mesmo esse o desejo de metade dos espectadores ao ver os últimos segundos daquela tortura… Mas, mais uma vez, o desejo de “envolvimento” também não tem nada a ver com o banco.
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Das 6 ou 7 pessoas que comentaram, só houve 1 que teve uma opinião não-negativa. A “percepção” do público, a julgar por esta má amostra, não está a ser muito favorável.
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O que o JC secalhar não percebe é que este anúncio específico do BCP é apenas um entre muitos que já andam a rasar o mau gosto e o popularucho há um rôr de tempo. Os do Jorge Gabriel são igualmente maus de tão parvinhos e saloios. Precisamente desde o Jorge Gabriel que aquilo anda a descambar.
Tanto dinheiro e não sabem contratar alguém com ideias de jeito, tsk tsk.
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“Os portugueses depositaram 1,2 mil milhões de euros no banco estatal em Outubro, no pico da crise. Quase cinco vezes mais do que o normal”, Diário Económico de 17 de Dezembro.”
E os contribuintes pagam muito mais. Vamos para o 3º aumento de capital em pouco mais de uma ano (este de 1000 milhões de euros) e já se arranjou o esquema da venda das participações para dar liquidez à CGD.
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Mas eu já critiquei o anúncio e exprimi a minha opinião, ou não? Só que não por ser piroso, etc, etc, mas do ponto de vista técnico, da eficácia de comunicação. V. não vislumbra “confiança” e etc, contrariamente ao que eu lá encontro. Por isso é que digo que a minha, e a sua, opinião valem o que valem. Existem testes e técnicas de realizar os testes e analisar os seus resultados. O que me parece é que o seu testemunho poderá estar enviesado (o termo técnico é “biassed”) por uma opção apriorística em favor da “Caixa” enquanto banco público. Isso acontece frequentemente e deve ser tido em conta nos testes.
Bom, horas de ir dormir!
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JC,
Não tenho uma opção “opção apriorística em favor da “Caixa”. Mais a mais até sou cliente do BCP.
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Oh André Campos, v. acha que 6 ou 7 leitores do “Arrastão” são uma amostra válida? Não vale a pena. Boa noite.
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JC, o Luís rainha é profissional do sector. Eu fui. Ele disse e eu reafirmo: esta campanha é péssima, seja qual for o seu objectivo. Se era argumentos de autoridade, mesmo para dizer o óbvio, que estava a precisar…
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Ainda não tinha visto.
Tenho o comando sempre à mão e mal começam os anúncios carrego para outro canal.
Epá, epá, tem a Bárbara Guimarães.
Vou ver em televisão que sempre se vê melhor e digo já, gosto e gosto.
Mantenho a conta na CGD, desculpem.
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É o típico fehlleistung, nem mais nem menos.
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Fixei o olhar numa loira, em segundo plano, que faz uns esgares de sofrimento atroz. Parece que está a ter uma crise hemorróidas fulminantes, ali em cima daquela espécie de jangada La Feria.
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Hepa, pensem o que quizerem do raio do anúncio, mas agora compararem o Titanic com um mal desenhado veleiro de 15m, isso levo a mal.
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Luís Vicente,
A comparação não é entre os barcos. É a pose dos personagens, na proa do barco de braços abertos para o vento. Carregue no link e perceberá.
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Caro JC
Eu sou profissional do sector e no “sector” garanto-lhe que toda a gente está a rir que nem uns perdidos
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Caro Daniel (a si respondo pois merece-me alguma consideração):
Mas onde me viu, nos meus comentários, defender o anúncio ou achar ele era bom? Se ler bem, até achei ele tinha um grave problema de base. Limitei-me apenas a tentar analisá-lo de forma baseada e estruturada e não por ser piroso, etc. Tal como disse, os do Tide e da Planta (ou do Omo) tb o são e são excelentes. Outros, que toda a gente acha fantásticos, nunca funcionam!
Mais 2 notas: não sou profissional de PUB. mas de gestão com carreira sobretudo na área de mktg (em multinacionais, já agora). E estou farto de ver péssimas campanhas serem defendidas por criativos de Ag. de Pub. como sendo as melhores do mundo; quanto á campanha do Santander é óbvio para quem a vê que se destina a um target diferente tentando resolver um problema diferente.
Bom, para terminar, informo sou cliente da “Caixa”, nunca tive conta no BCP nem defendi a privatização da “Caixa”. Defendi, inclusivamente, a intervenção do Estado no BCP e a nacionalização do BPN. Tb acho que os responsáveis deste último devem ser investigados criminalmente.
Bom Natal, caro Daniel, e um 2009 bem longe da crise.
JC
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Ó JC, você acha que eu estava a falar a sério? De resto, isso de «amostras válidas» é muito duvidoso. Mas isso é outra conversa.
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JC,
mas acredita mesmo que uma barca aparecendo por entre o nevoeiro com uma espécie de almas penadas incute confiança?
é que todo o cenário, barca, nevoeiro, figuras amontoadas num pequeno espaço, remete para contos ou estórias de almas penadas.
Se não fosse a Bárbara Guimarães no final, aquilo até podia dar para arrepiar.
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Parece a capa do meu livro de leitura da Terceira Classe, mas com mamas. Muito bonito mas sinto a falta de tubarões a rondar o bote.
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Pois a mim, desde o início, o anúncio do «Solid as a Rock» também me parecia fruto de um lapso freudiano, porque o associava imediatamente ao Northern Rock, um dos primeiros bancos a ser nacionalizado. «O banco britânico Northern Rock, nacionalizado em fevereiro, após sofrer uma crise de liquidez, obteve nos seis primeiros meses do ano perdas atribuídas líquidas de 592,2 milhões de libras (cerca de US$ 1,158 bilhão), e espera-se que se mantenha no vermelho até 2011».
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Curioso ninguém achar estranha a contratação da Sra. Carrilho para os anúncios da banqueta dos kamaradas Vara e Santos …
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