Sem respostas ao post “Claríssima”  

  1. 1 1  Isabel

    Gostei imenso. Foi muito clara e objectiva. Só foi pena não estar aqui também a resposta da Ministra.

  2. 2 2  josé Manuel Faria

    Uma forte candidata à sucessão de Francisco Louça. Boa voz, incisiva, pertinente e gira. Ana Drago.

  3. 3 3  Manuel Leão

    Há pessoas que querem a toda a força fazer a avaliação - entre as quais a Ministra - mesmo que precipitadamente e sem condições.
    Parecem defender que mais vale uma má avaliação do que não fazer nenhuma.
    Para que serve uma má avaliação?

    Porque é que eu penso que o que eles querem é apenas um “troféu”? Qualquer que seja o modo como o “bicho” vai ser morto e quaisquer que sejam as regras.

  4. 4 4  Emanuel Ferreira

    Era interessante ver a argumentação da ministra, embora seja expectável o discurso habitual. Falta abordar as Novas Oportunidades e Ensino Profissional e a forma como estão a ser usados como engenharia financeira para pagar os salários dos docentes envolvidos. Podia ainda discutir-se as estatísticas publicadas pelo ministério esta semana. Também não é discutida a desigualdade provocada pelo sistema de avaliação e a maneira como este serve para “empurrar” os alunos para a aprovação sem se ter em conta as suas reais habilitações. Já há escolas a estabelecerem como objectivo, para docentes de matemática do 9º ano, os 90% de sucesso quando os próprios exames nacionais indicam que dificilmente se pode atingir os 70%.
    Finlamente e quanto ao estatuto do aluno, é ir a http://www.dren.min-edu.pt/OfCirc/2008/OfCirc_02_08.pdf e ver como o ministério, discretamente, fez um recuo burocrático levando a que alguns pontos do mesmo só sejam efectivos a partir de 1/9/2008…

  5. 5 5  Lino José

    Caro Maneul Leão

    O óptimo é inimigo do bom, o que significa que se vamos estar à espera do óptimo nunca faremos sequer o suficiente, ou seja, nunca faremos nada.

    Uma coisa já deu para perceber : neste momento, e desde há meses, ao nível da opinião pública, os problemas da educação estão centrados única e exclusivamente nos professores.

    Para a corporação dos professores a Educação resume-se a isto : “nós”, “nós”, “só nós” e “sempre nós”.

    Felizmente que para a Ministra não é assim e muitas medidas têm sido tomadas que demonstram isso.

    Só que para a corporação dos professores, por muito boas que sejam as medidas, e são-no para muitos sectores da sociedade, são sempre medidas “contra os professores”, são sempre uma “ofensiva contra os professores”, e todos aqueles chavões a que já deveríamos estar todos habituados (e vacinados !) nestes 30 anos de apagada tristeza.

  6. 6 6  Sei da Relva

    O actual goveno parece possuído por um espírito xamanista ou coisa que o valha. Erige uns totens, dá-lhes um nome (”TGV”, “Plano Tecnológico”, “Avaliação de Professores”) e eleva-os ao plano da infalibilidade divina.

    O caso da “Avaliação” é paradigmático. Uma vez erigido o totem, o governo não se preocupou em arranjar-lhe substância, isto é, em baseá-lo em regras claras e realistas que, no seu conjunto, promovessem um conjunto (pré-definido) de objectivos considerados importantes para o sistema educativo.
    Nada disso. Ao invés, a Sra Ministra e o Eng Sócrates limitam-se a invocar ad nauseam o nome mágico, e a classificar de malévolos incréus todos os que lhe apontam os (óbvios) defeitos.

  7. 7 7  Nuno

    Por favor!
    Obviamente q tem de haver avaliações da actividade docente e q nem todos os professores chegarão ao topo (ela chama-lhe quotas?).
    E pq é q nem todos os deputados do BE chegam a deputados? Será por haver QUOTAS os melhores estão em primeiro nas listas?
    A avaliação tem incorrecções? Os professores, pais, escolas, q contibuam para a melhorar em vez de serem apenas parte do problema apresentem-se como parte da solução! Espero q a ministra não recue!

  8. 8 8  ose Henriques

    Não vale! Gostava de ver como a Ministra respondeu! Presumivelmente como o Lino José, recorrendo à velha tactica da fuga para a frente. Mas, sem dúvida, esta ministra e este secretário de Estado estão entre os mais “amados” deste governo, e trocando as voltas ao Churchill podemos dizer que nunca tão poucos fizeram tanta asneira em tão pouco tempo.

  9. 9 9  Emanuel Ferreira

    Caro Lino José,

    Admito que neste momento vê um movimento corporativo, porque o é! Mas não veja nisso uma classe contra as medidas X ou Y. Eu, como muitos colegas, oponho-me a medidas feitas sobre o joelho e mal clarificadas. Acha que sou contra as aulas de substituição? Claro que não. Sou é contra os moldes como funcionam e à custa de quem funcionam. Imagine que a solução para reforçar o policiamento de uma cidade passava por colocar os polícias a trabalhar mais horas, pagando o mesmo com a desculpa que era uma função diferente. Em seguida vinha o ministro responsável para a TV, face às reclamações dos polícias, afirmar “não me digam que os polícias não querem fazer policiamento!”. Isto é apenas um exemplo, mas é assim que o ministério tem agido com os docentes.
    Já agora, se não forem os docentes a protestar contra as medidas do ministério, quem quer que seja? Os alunos? Os pais? Os médicos?
    Há medidas a serem tomadas cujo efeito imediato vai ser a aprovação de milhares de alunos que não vão atingir as competências desejadas e que no futuro irão sofrer lacunas graves. É a isto que o sistema proposto conduz. Claro que no imediato custa fazer ver a um pai, ou um aluno, que é mais importante poder reter um aluno que aprovar…
    Finalmente, no triângulo da educação há um vértice que continua esquecido e que é responsável por muitos dos problemas da educação de hoje: os pais e encarregados de educação. Tivesse a ministra a mesma teimosia que tem com os professores e tomasse as medidas necessárias e já nem estaria no lugar. Se calhar, nisto de espírito corporativo, os professores ainda são o elo mais fraco do sistema…
    Se ainda acha que a senhora quer o melhor e que nós somos mais um grupo corporativo que só olha aos seus interesses, passe os olhos por este artigo http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/186261 e perceba porque a revolta é grande e não se limita à avaliação ou às aulas de substituição!

  10. 10 10  Manuel Leão

    Sr. Lino José:

    O assunto levava muito tempo a expor.Vou tentar de forma telegráfica.

    Não o pretendo convencer, mas não acha estranho que:

    1- É objectivo do Ministério da Educação - e não é só de agora - melhorar as estatísticas do sucesso escolar (ou diminuir as do insucesso);

    2 - Um dos itens que têm sido avançados é que a classificação dos professores vai depender também dos resultados obtidos pelos alunos (isto é as notas);

    3 - A burocracia vai aumentar, devido a esta pressa em avaliar, numa altura em que só falta o 3º período.

    Resultado: elas, as notas, irão subir e as estatísticas ficarão mais compostas.

    E, os alunos ficam a saber mais? Acredita nisso?

    Por fim: eu dar-lhe-ia razão se estivesse em perspectiva uma boa avaliação. Como não sou perfeccionista, isso bastar-me-ia.
    Mas o problema é que se perspectiva um desastre.

    Faça-se uma avaliação bem planeada e ponderada com um mínimo de consenso.

    De uma má avaliação nunca poderá sair alguma coisa de bom.

    A única coisa boa seria o governo poder dizer: fizemos, pela primeira vez, uma avaliação de professores. Boa para o governo. E para o ensino?

  11. 11 11  Pedro Freitas

    Das melhores intervenções que tenho ouvido sobre o momento que se vive na Educação. Ana Drago mostra algo essencial, compreende a complexidade do sistema educativo e da organização da escola. Infelizmente muitos dos que têm opinado sobre as recentes medidas do Ministério só mostram o seu desconhecimento da realidade fazendo afirmações completamente desfasadas do que se passa no interior das escolas.
    Dois aspectos importantes focados por Ana Drago. Em primeiro lugar a avaliação dos professores. Este ministério tem ganho nesta questão o tal discurso do ou estão connosco ou estão contra nós, rotulando tudo e todos de corporativistas como os milhares de professores que estão contra este sistema fossem todos uns interesseiros a defender a sua capelinha. Só é possível estar contra este novo sistema, colocar entre os parâmetros de avaliação dos professores as notas que estes dão aos alunos, para além de criar sucesso escolar mascarado, é a total inversão do paradigma da escola. Na cabeça dos fazedores desta lei o aluno tem más notas porque o professor é o mau da fita, como se aluno fosse completamente passivo na sua nota. Devo dizer que como aluno já tive dezenas de professores, e uma coisa garanto por muito melhor que o professor seja, por excelente que o apelidemos tem que haver resposta e interesse por parte dos alunos, sem isso, sem esse estimulo que não nasce e se cria de um dia para o outro nada se altera.
    Ana Drago foca ainda a questão do Estatuto do Aluno e vejamos um caso absurdo desta lei. Imaginemos um aluno que esteve verdadeiramente doente e não pode vir durante três semanas às aulas. Como deixou de haver diferenciação entre faltas justificadas e injustificada, este aluno, se não quiser chumbar, quando regressar à escola terá um batalhão de exames a todas as disciplinas à sua espera, isto para além da óbvia dificuldade que é recuperar o ritmo da matéria. Ou seja um aluno nesta situação é equiparado e posto ao mesmo nível do aluno que falta apenas porque lhe apetece. Mas parece ser esta a justiça deste Ministério!

  12. 12 12  laranjalima

    A Ana Drago fala com clareza porque fez aquilo que a honestidade intelectual recomenda:informou-se. Se vocês soubessem o que é hoje a vida nas escolas coravam de vergonha pelo que têm escrito sobre professores e Educação. A escola, os professores e a Educação estão, há anos, reféns das más políticas. A autonomia é um mito! simplesmente não existe. Não porque as escolas o não desejem, mas porque o ME não deixa ( a mim faz-me sempre lembrar a Constituição de 1933 onde Salazar criou uma Constituição formalmente democrática, mas depois se permitia criar leis especiais …). O modelo de avaliação é um monstro que vai engolir o que resta de substância na Escola Pública (se não quiserem esperar para ver, estudem-no a fundo e digam qualquer coisinha!!!).

    PS: Aconselha-se a consulta ao dicionário para ver a definição de CORPORAÇÃO.

  13. 13 13  Justicialista

    O meu governo do BE seria composto pelos seguintes Ministros:

    Primeiro-Ministro: Francisco Louçã
    Ministra da Educação: Ana Drago
    Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa: Miguel Portas
    Ministro da Economia, Finanças, Emprego e da Solidariedade: Daniel Oliveira
    Ministro do Ambiente: Fernando Rosas

    Estou a avaliar melhor outros protagonistas do BE para completar o governo.

  14. 14 14  Levy

    Que maravilha! Melhor era impossível. Senti-me um bocadinho compreendido. Finalmente alguém que fala do assunto, mas que o estudou antes, e por isso sabe do que está a falar.
    Há no entanto uma coisa que muita gente ainda não percebeu: o professor, passa a ser avaliado pelos resultados dos seus alunos. O que vai contar SÃO AS NOTAS QUE ELE PRÓPRIO DEU aos alunos. Esta-se mesmo a ver onde é que isto vai dar…

  15. 15 15  DA

    Deixemo-nos de demagogias!!!

    Esse item evolução dos resultados escolares tem um peso minimo, vale tanto como qualquer um destes:

    “.Correcção científico‐pedagógica e didáctica da planificação das actividades lectivas
    .Promoção da auto‐avaliação dos alunos
    .Outro a estipular pelo Agrupamento /Escola não agrupada

    .Utilização dos resultados da avaliação dos alunos na preparação, organização e realização das
    actividades lectivas.
    .Observância na avaliação dos alunos dos critérios indicados pela administração educativa ou
    aprovados pelos órgãos competentes do Agrupamento/Escola
    .Cumprimento dos objectivos, orientações e programas das disciplinas ou áreas curriculares
    leccionadas
    .Diversidade, adequação e correcção científico‐pedagógica das metodologias e recursos utilizados”

    Acham que um Professor que nos restantes itens seja mau, terá neste uma boa classificação?

    Já agora, era bom que lessem as fichas

    http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/PDF/Docente/AvaliacaoDesempenho/AvaliacaoDesempenho_Anexo_VII.pdf

    http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/PDF/Docente/AvaliacaoDesempenho/AvaliacaoDesempenho_Anexo_XIII.pdf

  16. 16 16  Nuno Góis

    Por vezes temos de dar o braço a torcer e o meu está torcido. Grande intervenção, simples, clara e exigente… Parabéns Ana Drago!

  17. 17 17  Laura

    DO MELHOR MESMO.
    Eu, que nem sou BE, já tinha feito publicidade q.b. noutras paragens. E não so professora…

    Prestação superior a vários níveis:
    - claríssima (o título do post é um facto!)
    - incisiva do início ao fim, quase (mas não) castigadora
    - metódica e concentrada
    - séria, consistente, credível (estudo prévio…)
    - viva e chamativa (sem odor a pastor luterano…)
    - sem cair na agitação excessiva, no agitprop habitual do meio, na má criação.

    O tom e a substância perfeitos.
    Uma tribunícia de 6 estrelas, admito com todo o gosto.

    NOTA
    Para estas coisas tem outra coisa muito boa, que é inata e por isso ou se tem, ou não se adquire:
    (quem fala em público ou anda pelos tribunais sabe):
    - Eufonia e boa colocação de voz. Boa dicção.
    (também interessa, ai não!)

    O video no youtube é 1 recorde de visionamentos, por alguma razão será.

    MARQUEM ESTA MULHER

  18. 18 18  Lino José

    Uma vez que não trabalho na área da educação não posso falar sobre isso pelo que recorro do que ouço a pessoas de diferentes quadrantes.

    E o que ouço é que

    1 - Tem de haver avaliação !

    2 - Para alguns o sistema de avaliação é bom para outros nem por isso, mas para todos é imprescindível que haja um sistema de valiação.

    3 - As notas dos alunos são um de vários parâmetros e, se elas são resultado das notas dadas pelos professores e das notas dos exames nacionais. De resto, não me parece que um BOM professor se socorra do artificio de dar boas notas para subir na classificação. Se não fôr bom professor o sistema detecta-o no conjunto dos outros parâmetros.

    4 - A comparação entre professores de escolas inseridas em meios diferentes não se põe uma vez que a classificação é dada no contexto de cada escola.

    5 - Para alguns especialistas que eu tenho ouvido este modelo de avaliação é perfeitamente fazível, está ao alcance de qualquer professor e deve ser mesmo implementado, ainda que passando por uma fase de teste.

    Isto são algumas das conclusões a que cheguei ouvindo e lendo várias fontes.

    Mas o problema não é esse, o problema é a atitude corporativista (no mau sentido !) dos professores que, perante qualquer mudança, partem imediatamente para uma atitude de confronto (o termo em esquerdês é “luta”) e vão para as negociações com o ministério com uma postura de mente fechada e de braço de ferro.

    Isto tem sido assim ao longo dos ultimos 30 anos, com todos os governos, todos os ministros e todas as politicas, culminando sempre na exigência de demissão do/a ministro/a !

    E isso é inadmsíssivel ! Os ministros estão lá por via do voto de TODOS os portugueses. Estão lá para executarem essa dificilima tarefa que é governar. Para TODOS ! Nenhuma classe profissional se pode arrogar o direito de demitir ministros (quando não governos) e de exigirem para si o direito de inverter e de determinar politicas, coisa que a grande maioria dos portugueses não pode fazer.

    Aquilo a que os professores chamam diálogo eu chamo de exigência de cedência sistemática por parte do ministério.

    Uma coisa que me faz impressão é não haver uma estrutura associativa dos professores, apartidária (!!!!), verdadeiramente dialogante, um interlocutor sério, que soubesse exigir mas também ceder e não essa coisa aberrante, irritante mesmo, conflituosa, incapaz de dialogar, produtora de chavões sem sentido e de manifs trauliteiras, ao serviço de um partido totalitário, que é a Fenprof !

    A Ministra de Educação e a sua equipa têm feito aquilo que todos os outros antes dela já deveriam de ter feito : pôr a Fenprof no seu devido lugar e dar-lhe a (pouca) importência que ela realmente merece.

  19. 19 19  Tiago

    Se isto é a média de prestação da rapariga podem dar umas férias ao FL, tipo de um par de anos. Ela pode perfeitamente carregar as relações públicas do partido com os mass media, garantindo substância.

  20. 20 20  Joca

    O Lino José deve viver noutro planeta. Mas como narra o velho ditado, dele será o Reino dos Céus…

    Como já aqui tenho dito, Ana Drago é das poucas pessoas que estão no Parlamento e realmente ENTENDEM de Educação. Para mim não é surpresa nenhuma.

    Quanto aos trauliteiros que se arrepiam quando vêem cidadãos descerem à rua para gritarem a sua indignação, paciência. Assim vai ser, sempre que houver injustiças. Habituem-se.

    Uma última deixa para os mais distraídos: não sei se já repararam, mas nos últimos 30 anos caíram nas escolas reformas do ensino cada uma mais absurda do que a anterior. E os professores foram obrigados a cumprir, mesmo com o espírito do soldado Schveik. Que avaliação foi feita DE CADA UMA dessas reformas? ZERO!
    Pois agora só a eles, professores, é que são pedidas contas? Onde estão, entre outros, os “brilhantes” ex-ministros Manuela Ferreira Leite, Augusto Santos Silva, Diamantino Durão, Couto dos Santos, etc, etc? Aposto que se riem por dentro e aplaudem a ministra actual, contentes por verem que há gente sempre pronta a atear fogueiras na praça pública para resolver traumas antigos.

  21. 21 21  Stran

    Meu caro Lino José,

    “1 - Tem de haver avaliação !”
    Já existe avaliação. É ineficiente e será substituida por outra ineficiente.

    “2 - Para alguns o sistema de avaliação é bom para outros nem por isso, mas para todos é imprescindível que haja um sistema de valiação.”
    Ainda só li elogios de pessoas ligadas ao ministérios.

    “3 - As notas dos alunos são um de vários parâmetros e, se elas são resultado das notas dadas pelos professores e das notas dos exames nacionais. De resto, não me parece que um BOM professor se socorra do artificio de dar boas notas para subir na classificação. Se não fôr bom professor o sistema detecta-o no conjunto dos outros parâmetros.”
    Como é que o sistema o vai detectar? Já leu bem as fichas de avaliação?

    “4 - A comparação entre professores de escolas inseridas em meios diferentes não se põe uma vez que a classificação é dada no contexto de cada escola.”
    Pelo mesmo motivo não existirá paralelo entre as várias avaliações (o grau de dificuldade poderá mudar consoante a escola, e talvez consoante o professor) mas essas avaliações serão vitais na subida de carreira desses professores, criando assim possibilidade de injustiças.

    “5 - Para alguns especialistas que eu tenho ouvido este modelo de avaliação é perfeitamente fazível, está ao alcance de qualquer professor e deve ser mesmo implementado, ainda que passando por uma fase de teste.”
    Aqui está a minha grande dúvida, se for implementado este ano, qual é a fase de implementação? Julgo que ainda será só a atribuição do objectivos para os próximos 2 anos. Se alguém souber que me responda.

    Além de ouvir opiniões deveria ler os DL para poder entender toda a questão. Não é só a avaliação que é o problema, mas todo o processo desde inicio.

    O problema aqui não é de corporativismo, esse foi o “chavão” que a ministra utilizou (e que muitos “engoliram” sem sequer pensar um segundo) para tentar tirar força negocial aos professores. O problema é que utilizou em demasia e agora prova-se que mente quando quer dar a noção de que apenas por teimosia ou por inactivismo é que os professores estão contra.

    Mas para mim o que a Ministra demonstrou não foi coragem, mas sim cobardia. Ao contrário do que afirma ela atacou o elemento mais fraco do triângulo que constitui uma escola.

    Os três vectores são:

    1-Professores-gestores (os directores de escola e outros afins);
    2-Educadores e alunos;
    3-Professores (aqueles que ensinam).

    Os primeiros (os que estão mais politizados e que menos ligam a dar aulas) foram promovidos a professores-titulares e os segundos (enfase nos educadores) vão passar a poder criar regulamentos internos da escola (com a nova lei de autonomia).
    Quanto aos professores propriamente ditos, esses viram a sua carreira ser denegrida pela ministra.

    Como vê o ataque foi ao elo mais fraco desta relação, não existiu coragem mas sim cobardia nesta actitude. E na ansia de querer mostrar trabalho, deixou cair qualquer preocupação com a qualidade do ensino. Consegue-me dizer duas medidas que directamente tenham incrementado a qualidade do ensino?

    Além de que o voto que dei a este governo não foi certamente para esta Ministra actuar da forma como actua. Se o voto dá alguma autoridade a alguém então, eu como votante do PS nas ultimas eleições, tenho toda a legitimidade para pedir a demissão da Ministra! (esta conclusão deriva da sua linha de raciocinio e que não concordo).

    Só não entendo uma coisa no seu raciocinio, se anteriormente tudo estava mal, porque é que concorda com um sistema que reforça exactamente as pessoas que estavam no poder anteriormente? Por lógica deveria acontecer precisamente o contrário, não acha?

  22. 22 22  Lino José

    Meu amigo os professores e os restantes funcionários públicos fazem a taruliteirada que fazem ( de facto, quem insulta e ofende são eles não é a ministra !) porque têm um patrão santo.

    Vivem numa redoma, protegidos, o salário para eles tem de haver sempre nem que se tenha de sacrificar até ao tutano os restantes portugueses, o emprego está mais do que garantido para a vida, se a economia fôr abaixo para eles é indiferente, o estado nunca vai à falência, não se deslocaliza e, portanto, dão-se ao luxo de serem arrogantes, mal-educados, trauliteiros e de pretenderem mandar no chefe.

    O que nenhum deles faz, sentido-se ofendido pela tutela, é sair, ir à procura de outro emprego. Isso nenhum deles faz pelas razões que acima indiquei.

    Eu queria-os ver numa empresa privada a fazerem um décimo do que estão a fazer com a Ministra, perante decisões das chefias !

    A Ministra recuar oum, pior ainda, demitir-se ou ser demitida por pressão de arruaceiros é um insulto.

  23. 23 23  Joca

    Muito bem, Lino José, se o seu problema é gostar de ver todos obedecerem cegamente ao chefe, sem fazerem ondas e muito menos protestos e greves, pode desde já mudar-se para a Coreia do Norte ou para a Birmânia. Acolhê-lo-ão de braços abertos. Até porque nesses seus paraísos, os professores estão “dispensados” de pensar, pois há quem “pense” por eles, como Maria de Lurdes Rodrigues quer fazer por cá. E pessoas capazes, como Ana Drago, não estarão lá para o incomodar, pois não têm o direito de se fazer ouvir.

  24. 24 24  /me

    A mim o que me faz confusão é a inveja e o espírito mesquinho de tantos que atacam e claramente exageram os “privilégios” dos professores. (e eu não sou profefssor)

    E esta tática de colocar os professores em causa em vez de colocar a qualidade de ensino em causa é suicida. Para além de que a qualidade do ensino se deve medir de forma não manipulável… Por exemplo, podíamos ter como referência o ranking do ensino feito pela OCDE…

    Excelente, a participação da Ana Drago.

  25. 25 25  Stran

    Caro Lino,

    Julgo que o Joca respondeu-lhe muito bem. Mas vejo que gosta de demonstrar a sua ignorância: “o emprego está mais do que garantido para a vida” - esta frase denota que vive num passado que já não é real. A precariedade que afecta a população em geral também atinge os professores. Faça um check up ao vida actual e depois venha dar a sua opinião, senão estaremos a discutir coisas bastante diferentes: você um passado, e eu um presente.

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