Tem razão o deputado Paulo Rangel (do PSD) quando escreveu, ontem no “Público”, que esta intervenção de José Soeiro (do BE), concorde-se ou discorde-se dela, é das melhores que se fizeram nos últimos anos em comemorações do 25 de Abril. E cito Rangel porque ele foi autor, há dois anos, de outro excelente discurso sobre a qualidade da nossa democracia e os direitos cívicos. Aqui é Soeiro a ir para lá da espuma dos dias e a fazer uma intervenção de fundo sobre a escola e a democracia. Talvez a melhor resposta (involuntária) ao discurso beato de Cavaco sobre o suposto alheamento dos jovens em relação à política.
É importante repetir o óbvio: a democracia não é “assunto” pelo qual as pessoas se devam interessar. É uma prática diária. E quem, a cada momento, por razões de eficácia ou de saudosismo de uma autoridade perdida, quer reduzir a sua vivência nas escolas, nas empresas, no Estado ou no espaço público não se pode espantar quando os cidadãos (jovens ou não) tratam a democracia como uma coisa que lhes é estranha.
Por Daniel Oliveira 27 Abr 08 em Abril, Bloco de Esquerda, Democracia


É doloroso ver a reacção do parlamento a um discurso da qualidade inatacável que este apresenta, por muito diferente que seja a sensibilidade do receptor. Tudo o que resulta de um processo intelectual que vai para além da banalidade politiqueira cria desconforto, desconfiança e uma rejeição ignorante por parte dos nossos representantes.
O meu profundo agradecimento ao José Soeiro por tornar o meu 25 de Abril de 2008 mais consciente e, por isso, mais livre!
O 25 de Abril 34 anos depois:
A notícia é do semanário Sol, onde se escreve que o advogado de Binyam Mohamed, um dos presos em Guantanámos, escreveu a José Sócrates, pedindo informações sobre a passagem pelos Açores, no caminho entre o Médio Oriente e a prisão americana instalada em Cuba. O gabinete do primeiro-ministro, porém, não confirma ter recebido a missiva e o próprio já adiantou que não conhece a carta. «Eu não posso comentar uma carta que não conheço e que não me chegou às mãos. Quando chegar responderei naturalmente», declarou o primeiro-ministro aos jornalistas. Sobre o tema, Sócrates reafirmou: «O que tenho a dizer sobre essa matéria é o que disse ao longo dos últimos meses: O Governo português nunca foi contactado pelo governo dos Estados Unidos para autorizar nenhuma passagem de aviões». Na carta divulgada pelo semanário, o advogado Clive Stafford Smith diz saber que «Binyam foi transportado para Guantánamo no dia 20 de Setembro de 2004, no voo RCH 947, a partir da base das Lajes, Açores». O pedido e simples, no sentido do Governo fornecer «documentos que revelem o total ou parcial conhecimento das autoridades portuguesas sobre o facto do sr. Mohamed e de outros em situação semelhante terem passado por jurisdição portuguesa». O objectivo é provar que o prisioneiro apenas confessou ligações à Al-Qaeda por ter sido submetido a tortura em Marrocos e nos Estados Unidos. Clive Smith, fundador da organização Reprieve e representante de mais de 500 prisioneiros de Guantánamo, quer também informações relativas a um voo associado à CIA, o N379P, alegando que transportou cinco agentes secretos para o Porto, onde pernoitaram por uma noite, a 17 de Setembro de 2002. Acrescenta ainda que estes agentes terão vindo de Marrocos. E tem indicações de que, a 14 de Setembro de 2002, os mesmos agentes participaram em torturas ao seu cliente. «Estou a escrever esta carta na tentativa de evitar que seja necessário recorrer judicialmente para avaliar a acção ou inacção do Governo português neste caso», refere Clive Smith.
Viva a democracia.
Lindo!!!
Os velhos tribunos devem ter sentido um bocadinho de vergonha, não acham?
Permitam-me o particular orgulho no meu antigo colega de curso.
Belo discurso! Perspectiva-se um grande deputado!
“ È importante repetir o óbvio “
E o obvio pode ter a ver com as belas intervenção de José Soeiro que na pratica se traduzem, dormir com o inimigo.
Quanto ao apelo de Cavaco, dê ele o exemplo e se calhar os moços começam a encarar a politica de forma diferente.
Com três reformas e um ordenado (desculpem se me enganei) lançar loas…porque lhe apetece.
Será que o jovem que não se interessam por politica viu com bons olhos o seu papelão na Madeira?? Se calhar não…porque andavam entretidos a resolver o problema dos
recibos verdes e a precariedade no emprego.
Agora ao contrário, será que Cavaco se interessa pela situação de vida dos jovens??? Claro que sim…pela dos próprios filhos, todos montados em risonhas carreiras. Ainda com tempo para ter 4 netos apenas da filha, reputada académica.
O óbvio Daniel, é que de belissimos discursos está o povo cheio.
curioso, ou não, é que o discurso de José Luis Araujo do BE em Famalicão, também é do melhor que ouvimos aqui por Famalicão.
Bolota: e de gente que a única coisa que faz é dizer que os outros só falam está o país a transbordar.
Não ouvi nem li nem me interessam nenhum dos discursos feitos lá na Assembleia da República.
Não mudam o curso da história como aliás se pode provar lendo os que os senhores deputados fazem há vinte, quarenta, cem anos no mesmo lugar.
São momentos de orgasmo intelectual para depois pendurarem nas lapelas.
Acontece que se está aqui a confundir democracia com cultura.
Todos os jovens sabem o que é a democracia que aliás utilizam em toda a sua pujança.
Que alguns, muitos, sejam ignorantes como calhaus advém daquilo que nos gostaríamos que eles soubessem e não daquilo que lhes interessa saber.
Pergunte-se a um rapazola o que é o MP3 ou como se sacam filmes da net e vejam lá se eles se enganam.
Perguntem-lhes onde há as melhores garinas e as bejecas são mais baratas e temos o roteiro da noite.
Para que é que lhes há-de interessar saber os nomes dos fulanos que há quase meio século ficaram aborrecidos com um decreto que lhes prejudicava a carreira e resolveram mudar de profissão?
Saber quem é o partido que de momento governa?
Ora adeus, o que é preciso é saber como ir para o fundo do desemprego!
“ e de gente que…”
Pois, é isso…Mas pode não ser o meu caso.
Do que disse, disse alguma mentira??? Se disse esclareça porque se calhar é esse o seu papel.
Já que entrou por ai, vamos ver os resultados destes e doutros magníficos discursos em 2009, quando a maioria for uma miragem e o BE como partido de poder em que se tornou for chamado a…
A transbordar está o país de fazedores de opinião, que alteram o discurso á medida de vá-se saber do quê…esses sim, se calhar, responsáveis por muita da bagunça e baixa
politica com que somos brindados todos os dias
Os Bolotas, parecendo o que outros são, são os que vão com uma língua de palmo alimentando todos estes discursos, cujo fundamento é ficar bonito na fotografia. Na pratica …
Apenas para que conste:http://www.tsf.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF191312
Um abraço
Miguel Sousa Tavares (Expresso):
«Eu faço parte de um grupo, só aparentemente minoritário, dos que não acham o dr. Alberto João Jardim “engraçadíssimo”. Não lhe acho mesmo piada nenhuma. Portugal já não é, felizmente, aquela tristíssima gente que vimos nas reportagens televisivas desta semana à espera da comitiva dos drs. Cavaco e Jardim. Aquilo é o Portugal no seu pior - inculto, ignaro, subserviente perante o poder, mendicante, reverente, alimentado a ‘sopas de cavalo cansado’ e vendendo o voto por um chafariz. E também não sou sensível àqueles supostos esgares de humor de Cavaco Silva, debitando banalidades grandiloquentes, quando desce ao ‘povo’, protegido por um eterno esquadrão de gorilas que jamais dispensa. Acho tudo aquilo uma fantochada, o Américo Tomás revisitado num país que eu desejo para sempre defunto e sepultado.»
«Esta viagem de Cavaco à Madeira serviu para me explicar, se eu não soubesse já, a razão pela qual jamais votei ou votarei neste homem. Porque, ao contrário do que ele parece pensar, não é o cargo que está ao serviço dele, mas ele que deveria estar ao serviço do cargo. E não esteve.»
Este é o sr. Silva a lidar com a democracia.
O estudo citado por cavaco, também diz isto:
“Os portugueses são claramente favoráveis a medidas que aumentem a presença de
mulheres na vida política, criem novos mecanismos de participação, personalizem o
sistema eleitoral e introduzam mecanismos de democracia directa ou semidirecta.(…) Os
jovens não se distinguem particularmente dos mais velhos a este nível, a não ser ao
revelaram-se mais apoiantes da democracia directa”.
Vale a pena ler (http://www.presidencia.pt/archive/doc/Os_jovens_e_a_politica.pdf)
Daniel, alguém tem de explicar que não interessa ensinar aos jovens o que foi o 25 de Abril, pois eles iriam rapidamente perceber que, por menos do que fez Marcello Caetano, há por aí muito político que hoje também teria de ser mandado para o exílio…
Por favor expliquem-me com é que os estrangeiros de fora conseguiram desenvolver-se e estar a anos-luz de nós?
Só de imaginar o atraso dos países nórdicos e da Europa Central, até me dá vontade de chorar, coitadinhos…
Como foram capazes de sobreviver sem a experiência da legitimidade revolucionária do PREC e sem o BE a abrir-lhes o caminho?
É extraordinário…foi com certeza milagre.
O discurso do Soeiro é como todos os cantos de sereia da política, sedutor mas trágico, tal como o discurso radical de direita contra os emigrantes e o seu perigoso discurso maniqueista. É um discurso de banalidades, nada que Cunhal não tivesse dito no dia seguinte ao 25 de Abril. E, então, como é que passamos do carácter tribunício dos discursos para as políticas concretas ? do meu ponto de vista, aprendendo com outras experiências e com os seus resultados. Assim, o discurso reformista e as políticas reformistas construiram na europa o modelo de bem-estar social, o discurso radical e revolucionário construiram a tirania, o despotismo e a miséria. Agora que o estado de bem-estar social está em crise devemos voltar ao radicalismo revolucionário de resultados tão nefastos, ou devemos prosseguir no reformismo ? Creio que este é o melhor caminho.
E este Soeiro não me disperta mais simpatia que os tipos que seguem as ideias, repito, as ideias de mário machado
tenho orgulho de ter sido colega de faculdade do zé. e de ter pintado murais contra a guerra no afeganistão com ele. fico satisfeita por ver homens como ele na assembleia; espero que ela não o manche.
Mas quem é este José Soeiro? Nunca ouvi falar dele. Tem algum currículo conhecido e digno?
Não penso que tenha sido eleito. Provavelmente é daqueles da rotação de lugares que pratica o BE.
Nem ia escrever nada mas com alguns destes comentários vai ter de ser. O discurso do Soeiro é mesmo muito bom. Primeiro, porque é uma boa reflexão sobre a democracia e a educação em Portugal. Depois, porque é combativo e o seu autor não tem medo das palavras. Por fim, porque, como vai dizendo o DO, foi a resposta que o discurso balofo do Cavaco merecia.
O facto de ver um jovem deputado de 24 anos a fazer este discurso, em comparação com as bestas que por aquela casa se sentam a pastar e mugir, demonstra bem como o discurso do Cavaco não vale nada. Não acrescenta nada ao que já se sabia e não diz o que devia ser dito.
MAS ONDE É QUE SE PODE LER O DISCURSO DO SOEIRO?
Isabel, a ignorância é triste, só por si! Mas a ignorância arvorada sabe-se lá a quê, é por defeito, apenas, estupidez. Então os regimens do Norte da Europa caíram dos céus aos trambolhões? Não me parece… aliás julgo que por essa Europa agora tão “democrática” houve uma guerrinha com umas largas centenas de milhar de mortos. Chega-lhe para Prec ou precisa de mais. E sobre o BE, posso-lhe dizer que sendo relativamente jovem em Portugal, vem de uma família política com uma bela história a nível do movimento operário e socialista europeu ( e não só ). Leia Orwell, por exemplo…
“O discurso do Soeiro é como todos os cantos de sereia da política, sedutor mas trágico, tal como o discurso radical de direita contra os emigrantes e o seu perigoso discurso maniqueista…”- Don Vito, eu acho que você não ouviu o discurso do Soeiro. Porque se ouviu, e diz o que disse, ou fumou coisas estragadas ou caiu num caldeirão de ácidos quando era novo…
Dizer o que nos vem à cabeça só para tentar denegrir, demonstra falta de nível e pouca inteligência, o que é muito mau!
Justicialista, pelos comentários que o vejo fazer neste blogue, não é só o J. Soeiro que você desconhece. Mas, já agora, diga-me o nome de 40 deputados das bancadas PS e PSD, para nos cultivarmos todos…
Isabel, a ignorância é triste, só por si! Mas a ignorância arvorada sabe-se lá a quê, é por defeito, apenas, estupidez. Então os regimens do Norte da Europa caíram dos céus aos trambolhões? Não me parece… aliás julgo que por essa Europa agora tão “democrática” houve uma guerrinha com umas largas centenas de milhar de mortos. Chega-lhe para Prec ou precisa de mais? E sobre o BE, posso-lhe dizer que sendo um partido relativamente jovem em Portugal, vem de uma família política com uma bela história a nível do movimento operário e socialista europeu ( e não só ). Leia Orwell, por exemplo…
“O discurso do Soeiro é como todos os cantos de sereia da política, sedutor mas trágico, tal como o discurso radical de direita contra os emigrantes e o seu perigoso discurso maniqueista…”- Don Vito, eu acho que você não ouviu o discurso do Soeiro. Porque se ouviu, e diz o que disse, ou fumou coisas estragadas ou caiu num caldeirão de ácidos quando era novo…
Dizer o que nos vem à cabeça só para tentar denegrir, demonstra falta de nível e pouca inteligência, o que é muito mau!
Justicialista, pelos comentários que o vejo fazer neste blogue, não é só o J. Soeiro que você desconhece. Mas, já agora, diga-me o nome de 40 deputados das bancadas PS e PSD, para nos cultivarmos todos…
ficamos tão contentinhos com os elogios da direita(e dos da direita) que perdemos o jeito.
E vai daí logo passamos ao elogio reciproco.
Como no “triunfo dos porcos” já não se sabe quem discursou, se foi o Paulo soeiro se o Jose rangel ?
Rui Manuel Ventura: eu sou dos que acha que há pessoas decentes de direita e pessoas indecentes de esquerda. Elogio quando tenho que elogiar. E não é difícil verificar que o meu elogio ao discurso de Paulo Rangel não é nenhuma troca. Fi-lo no Expresso há um ano. Pode ver aqui nos arquivos do Arrastão.
meu caro Amigo(premita-me que o trate assim)eu tambem acho que há pessoas decentes de direita e pessoas INDECENTES de esquerda, especialmente aqueles que comparam o momento actual em termos de liberdade de expressão , práticas de liberdade ou em conquistas sociais com “um regresso ao passado”
e outras palermices identicas revelando que ou não percebem o presente ou (de certeza) não conheceram o passado.
De qualquer forma sei que em causa a Liberdade,
escolheria-mos o mesmo lado da barricada.