«41,3% dos eleitores não querem ver reeditado o cenário de poder absoluto de um só partido. Maioria absoluta só em coligação. Os defensores da maioria absoluta pura e dura resumem-se a 13%. Um terço dos inquiridos (33%) não se importava mesmo que o próximo Governo fosse de maioria relativa.
Sondagem Expresso/SIC/Rádio Renascença/EurosondagemNa sondagem feita pelo “Expresso” a esmagadora maioria dos eleitores diz que preferia que o governo não tivesse maioria absoluta. E destes, a maioria preferia um governo de coligação. Entre outras leituras possíveis, tentemos ler isto como um recado para a esquerda vindo dos seus eleitores. Sem tirar daqui conclusões sobre o que o PCP, BE e PS deveriam fazer (uma coligação com Sócrates seria um absurdo político, quando os grandes argumentos contra este governo vêm justamente da sua esquerda), vale a pena reflectir, para lá das circunstâncias actuais, sobre um sentimento dominante numa grande parte do eleitorado de esquerda que nunca teve qualquer correspondência com as estratégias das direcções do PS do PCP e do Bloco. Muitos eleitores de esquerda gostavam que os partidos à esquerda do PS viessem um dia a assumir um papel de parceiro governativo ou pelo menos de força de pressão sobre os socialistas. Este sentimento existe em algum eleitorado do PCP e em muito eleitorado do PS e do BE. Mas a verdade é que, com o sectarismo do PCP, a cultura de contra-poder do Bloco e o centrismo patológico do PS é improvável que tal venha alguma vez a ser possível.
Não deixa de ser preocupante este divórcio entre a esquerda partidária e uma parte não negligenciável dos seus eleitores. A mesma que leva a que, para o Bloco, seja tão difícil ocupar um lugar que lhe seria natural: destino de grande parte do eleitorado descontente do PS, que dificilmente votaria PC e não vota à direita. O Bloco cresce em eleições e sondagens. Mas não passa a fasquia que assuste os socialistas e os obrigue a repensar a sua estratégia política. E era o único partido em condições para o fazer. Só que, para isso, o eleitorado socialista mais à esquerda precisava de acreditar que o BE quer mesmo um dia transformar os seus votos em poder. Nunca seria com Sócrates, todos sabemos e respiramos de alívio por isso. Mas o problema é que ainda é difícil acreditar que viesse a ser com alguém. E é isto que deixa a esquerda bloqueada enquanto projecto de poder e transformação política do país. E um dos principais objectivos do Bloco deveria ser desbloquea-la. Porque os eleitores de esquerda só se livrarão de líderes como Sócrates se acreditarem que pode aparecer, à esquerda de Sócrates, alguma alternativa.
43 comentários 1 Mar 08 em Bloco de Esquerda, Esquerda, PCP, PS43 respostas ao post “Esquerda bloqueada”
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- 2 Pingback on 25 Mai 2008 às 1:12




Excelente texto. É isso mesmo.
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Daniel, mas para si agora a verdade “absoluta” é o que dizem as sondagens?
Coitado do Obama se fosse acreditar em sondagens! De qualquer forma, essa mesma sondagem do Expresso indica que o PS voltaria a ter maioria absoluta se as eleições fossem hoje!
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À esquerda de Sócrates só uma alternativa dentro do PS. O BE é um contrapoder com importância e influência real em medidas reformistas. Se alguma vez estivesse no poder teria poucas alternativas. Ou adoptava uma postura de Estado antagónica aos seus princípios, ou por uma postura revolucionária que colocaria em causa todo o sistema. Se optasse pela primeira tornava-se um partido em falência. Se pela segunda… talvez colocasse o país em “falência” social.
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Justicialista, estou a tratar os números como um bom ponto de partida no debate. Não como verdade absoluta.
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Passo por aqui quase diariamente, mas nunca deixei rasto ou comentário. A unidade da esquerda é, hoje, uma utopia, até pelos motivos bem apontados: a noção de contrapoder do BE, o dogmatismo sectarista do PCP, o «centrismo patológico», mas também o desvio direitista do PS. A grande questão: vencerá o PS do bacharel Pinto de Sousa, com ou sem maioria absoluta? Boa semana.
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Há uma teoria, da qual infelizmente não retive o nome, que postula que uma multidão tem sempre razão mesmo que constituída por uma quantidade apreciável de ignorantes.
É por isso que no concurso “quem quer ser milionário” quando a pergunta é feita ao público em 90% das situações a resposta dada pelo mesmo é correcta.
Passa-se o mesmo com a putativa vontade de o Bloco de Esquerda (desculpem escrever o nome por extenso, eles não gostam de ver publicitada a segunda palavra) vir a ser nalgum século futuro parte do poder.
Enquanto brincalhões que levam lenços tipo Arafat ou fotos gigantes para o parlamento são tolerados e até apreciados.
Mas quem é que no seu juízo perfeito acredita que eles conseguiam encontrar gente para formar uma espécie de governo e que conseguiam governar?
E aqui, o povinho sabe que não pode facilitar.
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Para lá dos males da esquerda portuguesa, a dificuldade em organizar e manter coligações governamentais em Portugal é um problema bem mais profundo. Radica no fazer política em moldes de querer, poder e mandar, nos discursos bairrista, nas discussões sobre os umbigos partidários uns dos outros e no argumento de uma vitória eleitoral equivaler a uma carta branca governativa. Assim não há negociação que se aguente, sem negociação não há compromissos, sem compromissos não há coligações viáveis.
Estranhamente, este estado de coisas torna-nos mais próximos da Rússia do que a localização geográfica alguma vez deixaria advinhar: lá a mentalidade é a de que o país não segue em frente sem um punho de ferro, cá fez-se passar a ideia de que a coisa não avança sem “maiorias estáveis”, que é como quem diz maiorias absolutas. Vícios de uma democracia saida do berço…
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A direcção do BE tem de começar a pensar em ser poder. A maioria dos seus eleitores querem isso. Tem de haver alternativa a este estado das “coisas”.
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A democracia portuguesa só atingirá a maturidade quando for governável e governada sem maiorias absolutas.
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O que deixa a “esquerda bloqueada enquanto projecto de poder e transformação política do país” é o facto de a esquerda, infelizmente, não ter nenhum projecto conhecido para o país.
Protestos, manifestações e resistência podem ser muito interessantes mas não são suficientes para construir uma via alternativa (basta ver o que acionteceu em Itália).
Acho que o Daniel Oliveira se limita a analisar as aritméticas do acesso às cadeiras do poder mas o problema não é esse; o que precisamos de saber é o que fará a esquerda se e quando aceder ao poder.
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“…(o BE)Mas não passa a fasquia que assuste os socialistas e os obrigue a repensar a sua estratégia política. E era o único partido em condições para o fazer.”
DANIEL,
sectarismo é o de quem não viu, por exemplo a mobilização militante que o PCP rganizou hoje.
Repito: organização assumidamente militante – feita por um partido que não se esgota na actividade parlamentar e autárquica.
Talvez a resposta militante de hoje, responda a algumas angústias que vem revelando neste seu blog com a intervenção e influência social dos militantes do PCP.
É possível e desejável uma alternativa à esquerda- é claro que é.
Essa alteranativa tem que ser abrangente – sim tem que ser.
Mas a alternativa à esquerda não pode passar por uma simples coligação governamental – essa alternativa passa pela realização de um projecto político progressista e socialmente avançado – coisa que com este PS ( e não há outro PS) é impossível de atingir.
Só pelo reforço das forças de esquerda na sua unidade e na sua diversidade- de que o PS não faz mesmo parte- se pode viabilizar políticas de esquerda para Portugal.
Soluções como a de Lisboa com o PS/BE são absolutamente de rejeitar!
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Pobre Daniel Oliveira
Mas algum português no seu perfeito juízo iria entregar o poder a um Demagogo e Populista como o Louçã ?
Aproveito para mandar um voto de apoio à Ministra da Educação pela sua capacidade de resistência face a uma das mais retrógradas e instaladas Classes Corporativas, como é a dos Professores.
Senhora ministra não ceda, não vacile !
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E que dizer a mais de 50 mil hoje na rua?Eram todos comunistas?…
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Já agora,Daniel,posso sugerir-lhe que lance aqui neste espaço,um inquerito sobre o assunto?Obrigado.
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O bloqueio da Esquerda deve se acima de tudo à fragmentação ideológica do P.S (partido de esquerda com politicas de direita) ao desnorte do P.C.P (perseguição/ expulsão do partido de todos os moderados e ou visionários de um comunismo sec. XXI) e da inconsequência do B.E (muita vontade na acção mas muita inconsequência nos resultados)
A coligação destes partidos só será viável quando o P.S acertar agulhas quanto ao socialismo que lhe dá o nome e deixar de sentir medo da sombra vulgo P.C.P. Já este, o P.C.P, deverá de uma vez por todas afirmar com todas as letras (para que não haja mal entendidos ou receios “esquerdistas”) de que não é nem nunca foi um partido eleitoralista e acabar de uma vez por todas com esta sangria intelectual tão nefasta ao partido mais antigo de Portugal que sempre primou pelo vanguardismo das ideias (que ironicamente é no presente apelidado de ortodoxo).
Quanto ao B.E, a sua juventude ou jovialidade (por vezes exacerbada) retiram conteúdo ás suas originais acções embora ideologicamente seja uma manta de retalhos ou seja um partido ideal para uma coligação, apenas e só!
No meu entender, a coligação da Esquerda só será possível quando os 3 partidos acima referidos tiverem a coragem de se “resolverem” internamente.
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Não faz sentido nenhum discutir esta questão em abstracto. As maiorias não têm de ser absolutas ou relativas. Tem é que SER POSSÍVEL fazer governos que governem, satisfaçam a maioria (é isso a democracia) e não provoquem guerras civis (o que não está implícito na condição anterior). Ora, à esquerda, em Portugal, não há nem nunca houve qualquer possibilidade de fazer coligações, porque os governos que delas saíssem não governariam, estariam sempre em crise. À direita, porém, isso é possível e já se tem feito. Estes é que são os insofismáveis dados do problema.
Podemos debater por que razão a esquerda não é coligável, se é porque o PS é “direitista”, se é porque a malta do BE é irresponsável, imatura e brincalhona (três vezes sim!), se é por o PC ser sectário, esclerosado e dogmático (quatro vezes sim!). Mas, qualquer que seja a resposta, os eleitores, que são quem manda, já perceberam que, se quiserem um governo de esquerda ou se NÃO QUISEREM um governo de direita, devem absolutamente evitar dar os seus votos a outros que não o PS, pela simples razão de que seriam votos para o lixo, uma vez que o BE, o PCP e o PS são imiscíveis como a água e o azeite e o resultado seria sempre o mesmo: um governo de direita. A actuação sectária e dogmática do PCP há 32 anos que o impede de voltar ao governo. Ainda não perceberam, os camaradas, que isso se tornou numa característica estrutural do PC: um partido que é bom que exista, que barafuste em certas situações (cada vez menos), mas em que NÃO SE VOTA. Algo como um partido-sindicato, um partido de obstrução. Um partido desses está condenado a desaparecer, que é o que já lhe está a acontecer, embora há muito tempo, numa morte lenta que não beneficia ninguém. O BE foi moldado por um molde semelhante: tudo bem, refilam, coisa e tal, contam umas graçolas, lançam a confusão. Mas governar, por favor, NUNCA! Pelas mesmas razões qie o PCP, o BE está condenado, para já, a não crescer mais do que isto que tem, e, depois, a desaparecer mais ou menos paulatinamente. A única solução é transformar-se, abrir-se a novas ideias e a novas camadas, ter um discurso responsável (INDISPENSÁVEL), afastar o Louça, partir de ideias e concepções de esquerda, mas muito diferentes das actuais.
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A direcção do BE tem de começar a pensar em ser poder…até para continuar a tirar o sono ao Fado!
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Uma coligação BE/PS era giro. Era mesmo a melhor maneira de esvaziar esse pequeno balão pós-Trotskista e acabar assim com uma das válvulas de escape preferidas do magnífico sistema. E na CML o ensaio está a correr tão bem!
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Acho que o BE devia pagar a uma (boa) empresa de sondagens um trabalho de campo que procurasse identificar exactamente o que impede as pessoas que votam tradicionalmente PS, mas que estão descontentes com Sócrates, de votarem BE. Talvez isso ajudasse mais o BE a ajustar o seu discurso, do que discussões por vezes um pouco estéreis em blogues, alimentadas por uma franja da população (que escreve e lê blogues) claramente distinta da maioria. Eu cá confesso a minha ignorância: não tenho a mínima ideia porque o “eleitorado mais à esquerda do PS” não vota BE, nem que fosse tacticamente para deitá-lo abaixo no PS.
É claro que BE e PCP deviam evitar ser percepcionados como estando sempre na defensiva, resistindo à mudança. É preciso criar uma mensagem positiva de mudança que mobilize as pessoas: sim, precisamos de mudar para melhor, mas não com base na receita neo-liberal, sim, estou contra essas mudanças, porque acho que as mudanças que devíamos fazer são estas.
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Alternativa à esquerda de Sócrates? Claro que há. O António Costa, o António Borges,…uma série de gente que está à espreita.
O PCP pode continuar a festejar a sorte de ser legal e o BE pode continuar à procura de mais causas perdidas nos anos 60 do século passado que ainda não tenham ido a referendo. Talvez a adopção por casais chimpazés homosexuais…
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O BE para ser poder não pode andar colado às corporações, a generalidade da população não gosta disso.
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O problema de fundo , são as politicas.
Os PS europeus defendem quase todos politicas neo-liberais, diminuição dos beneficios de Estado Social, pouco fazem para combater o desemprego, descobrem mezinhas como a Flexisegurança,que mais não é que o capitalismo selvagem do seculo XIX, agora com novas roupagens, e uma linguagem mais tecnocratica.
Em Portugal a situação ainda é mais agravada por uma prosmicuidade entre politica e negocios, somado a uma cada vez maior desigualdade social , bolsas de pobrezas preocupantes, baixas qualificações profissionais de muitos trabalhadores, em suma um caldo de cultura explosivo.
Como é possivel alguem que se quer de esquerda alinhar na visão politica de Socrates, que em nada se deferencia, do PSD.
Julgo que não é o momento de dizer, que se o PS não tiver maioria , o BE ou até o PCP deveriam estar disponiveis para viabilizar uma solução governativa.
O que se deve apontar ao eleitorado PS , e diariamente é alternativas de esquerda a estas politicas, e ser-se coerente com essa defesa.
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O engenheiro mentiroso vai-se dar mal nas eleições e vai piscar o olho ao Bloco, que é uma quantidade de pseudo-esquerdas que se detestam mutuamente mas que se uniu para juntarem os trapinhos com o PS do Sócrates mentiroso pelo cheiro a poder..
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Naturalmente que o PS não se irá coligar com dois partidos anti-democráticos como o PCP e o BE. Isso significaria que os eleitores da Esquerda democrática provavlmente não voltariam a votar PS. Além disso, seria interessante saber quais as políticas defendidas por esta “coligação de Esquerda”. Sim, porque BE e PCP limitam-se a pedir ao Estado que gaste mais dinheiro em políticas sociais sem fazer ideia de onde viria esse dinheiro. Lembram aquelas crianças de 3 anos a chatear os pais que querem o último modelo da barbie sem terem a mínima noçao se os pais têm possibilidades financeiras para a comprar ou não.
O PCP continua a viver em meados so Sec XIX, e o BE é o partido onde os filhos da burguesia brincam aos intelectuais. Nenhum dos dois é para levar a sério.
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Caro Rui, como vão os trabalhadores explorados na China em Cuba na Coreia, regimes que o seu partido o PCP, defende com unhas e dentes.
Será que o PCP quer o mesmo para os trabalhadores portugueses….
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Vi muitas camionetas de câmaras municipais CDU estacionadas na zona
Já dormia muito bem, mas agora colhida esta frase doutro post, ainda vou dormir melhor.
Os tempos em que na rua se gritava contra o social-fascismo, nunca morrerão.
Haverá sempre um militante de extrema-esquerda para os lembrar e pronto a matar um parceiro do lado em vez de olhar em frente.
Ainda bem, graças a Deus (pode colocar aqui Lenine se lhe apetecer).
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Pelos comentários que li,mais uma vez me lembro da frase de que não conheço o autor mas que traduz bem aquilo que se passa em Portugal,a direita une-se no poder a esquerda une-se na prisão
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“Como é possivel alguem que se quer de esquerda alinhar na visão politica de Socrates…” (corvo)
É intrigante, não é? Mas não é “alguém”, é a maioria dos eleitores, burros reaccionários.
OK, admitamos como verdade pacífica (que não é) que a política do PS não se distingue muito da do PSD. Mas não será por essa estranha razão que só o PS e o PSD governam o país? E para que servem partidos que não querem nem sabem governar? Para fazerem manifs e tristes figuras no Parlamento?
Quando estou triste e chateado, imagino o Louçã como ministro das Finanças e passa-me logo.
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O senhor Lino José continua a despejar o seu ódio aos professores. Digo-lhe que sou um “professorzeco” e não sou rico. O meu “carrito” tem já 150.000 Km.
Tenho quase 20 anos de serviço e nunca conheci estabilidade. Nunca trabalhei dois anos seguidos na mesma escola. Com 20 anos de serviço e a vida estabilizada fui colocado este ano a mais de 120 Km de casa. Quando comecei até achava normal ir para longe.
Demagogia é dizer que todos os professores estão colocados por 3 anos , como fez o Sócrates na TV, ou dizer que as escolas do 1.º Ciclo só funcionam em regime normal (manhã e tarde) desde que este Governo (“o melhor Governo dos últimos 30 anos”, podia lá ser outra coisa) tomou posse e nenhum jornalista o desmentiu. Porquê?
Porque os jornalistas desconhecem, totalmente, o que é uma escola, como funciona, etc. Não sabem nada disso. Nadinha , mesmo…
E com essa ignorância vão dando razão aos Linos Josés e Miguéis Sousa Tavares deste país.
Eu quero lá saber de subir na carreira, eu quero é que me deixem trabalhar e não me apresentem , todos os dias, papéis para preencher. Como se isso resolvesse um único problema dos alunos!!!
O sr. Lino já viu o esquema da avaliação dos professores? Então veja. Informe-se…
O sr. Lino sabe o que são sumários no 1.º Ano de escolaridade (do 1.º Ciclo) ? Informe-se…
Digo-lhe já que não quero ser general, mas custa-me ser avaliado por sargentos, uma vez que , medindo a coisa por esses termos, eu já sou tenente-coronel.
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Fui ao blog do The Studio onde ele mantém uma curiosa lista de “partidos democráticos portugueses”, onde se juntam PCP e PNR mas não o Bloco. Ok The Studio foi gira a graça, agora vai lá tomar os medicamentos, vá.
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Concordo com o que díz. É uma pena que a esquerda não se una, mas acho, desculpe, de uma enorme arrogância e até insultuoso para os militantes do PS dizer “com Sócrates nunca!”, esquecendo-se, meu caro, que, se Sócrates está onde está é porque os militantes do PS assim o quiseram (e continuam a querer). Seria a mesma coisa que eu dissesse: “alianças com o Bloco tudo bem, mas com Louçã nunca!”. É por isso que assim nunca haverá uma união de esquerda. Veja o que se passou hoje em relação à Câmara de Lisboa: Louçã disse na TSF “alianças com o PS em Lisboa nunca mais” e, entretanto, Sá Fernandes já disse na TSF e na RTPN que a aliança está a correr muito bem, que ainda é cedo para pensar no futuro, mas há todas as condiçõesw para que a aliança se repita. Quer o Bloco continuar a achar que tem sempre razão em tudo? Ou pretende ser mais humilde (e mais inteligente…)?
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«Acho que o BE devia pagar a uma (boa) empresa de sondagens um trabalho de campo que procurasse identificar exactamente o que impede as pessoas que votam tradicionalmente PS, mas que estão descontentes com Sócrates, de votarem BE.»
Isso digo-lhe eu, se quiser. É algo que me parece demasiado evidente, mas o BE não tem uma política económica e financeira. Ah, é contra os malditos capitalistas. Mas o que define a total ausência de política é o fantasiosismo que é andar a propor e a lutar por ene causas, que essas sim, podem provocar simpatia em muitas pessoas, mas que económica e financeiramente são incompatíveis com a realidade. Para não dizer mesmo, completamente inviáveis. Demonstra ser um partido de causas e não um partido de políticas globais e contextualizadas. Tem, muitas vezes, um discurso político atraente, eloquente, mas falta-lhe isso. Resume-se a causas. Alguém sabe bem o que é que o Sá Fernandes defende? Esteve envolvido ali numas causas em Lisboa, plenamente convicto.
A isto acresce a ausência de renovação. Não têm gente na primeira linha. São sempre os mesmos. Daniel, Louça, Portas, Rosas, Drago, ultimamente o Sá Fernandes. E isto praticamente desde o início, sempre os mesmos. Quando foi fundado? 10 anos? Responderão que o PP, o PCP e alguns sindicatos também têm sempre os mesmos. Pois, e já mete nojo. O PP basta ver as sondagens. O PCP, enfim, ,mantém quase por uma questão de”clubismo”. E o BE, tem as causas. É o que safa. Há muita gente (pelo menos, que eu conheço) que pratica o voto útil no BE, precisamente pelas causas. É comparar bonecos em pleno parlamento. Exaltar pormenores, e esquecer-se de procurar transmitir uma política mais global, menos desarticulada. Não me parece que esteja a dizer nada de extraordinário. Desde o início que o BE se evidenciou – e cresceu – neste princípio. Mas como perguntava porque não cresce mais. É esta a resposta – a minha opinião -, não evoluíram a partir daí: e já o deviam ter feito à 4 ou 5 aninhos.
Não foram umas pessoas do BE, que, há alguns anos, disseram que não estavam lá para chegar ao poder? Não “roubam” mais votos, porque nem sequer se propõem a isso.
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«O sr. Lino já viu o esquema da avaliação dos professores? Então veja. Informe-se…»
Duarte, você viu um esquema? E que tal ver o decreto regulamentar, em vez de ver um esquema?
«Digo-lhe já que não quero ser general, mas custa-me ser avaliado por sargentos, uma vez que , medindo a coisa por esses termos, eu já sou tenente-coronel.»
Quer ser avaliado por quem? Por entidades externas? Por agricultores, economistas, comerciantes e engenheiros? Não quer ser avaliado por alguém que percebe alguma coisa da realidade das escolas? Mas não está indignado com os “sr. Lino”s do país? Quer que sejam eles a avalia-lo?
A melhor forma de esses “sargentos” desaparecerem, é precisamente através da avaliação – pelo reconhecimento do mérito. É que por mais que não seja, você, se trabalha como diz que trabalha, devia ser dos tais que estaria a saltar de alegria, por ir passar a existir avaliação digna desse nome. E digo passar… porque sabe perfeitamente que elas são/eram inconsequentes.
Leia a lei. Aposto que muitos colegas seus nem sequer a leram ainda e andam aí ao frio à toa…
É que é tão à toa, tão à toa, que não percebem que isto até é um direito do professor – o de ser avaliado. Esteja feliz meu caro. Sai à rua e manifeste o seu contentamento por se pretender fazer uma reforma que valorize o mérito – se realmente você é como diz ser.
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Jam, desculpe, mas não diz nada de útil. Obviamente é apoiante de Sócrates, ou pelo menos simpatiza com o homem. A sua opinião sobre o porquê do sentido do voto dos “simpatizantes-PS” que não gostam de Sócrates, mas que não querem votar BE/PCP, é por isso inútil. Tenta adivinhar com base nos seus preconceitos. Diga-me lá: acha que os “simpatizantes-PS” que se manifestam por melhores salários, contra o fecho de serviços de saúde e escolas, estão mesmo preocupados com macropolíticas económico-financeiras insustentáveis ou mal-pensadas?!… Geralmente um pouco de humildade só faz bem.
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Viana,
O JAM, simpatizante de Sócrates ou não tem toda a razão no que diz. Senão esclareça-nos, quais são as políticas económicas e financeiras do BE e do PCP? Como seria a economia do país se algum desses partidos formasse governo?
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Caro Jam: digo e repito: os jornalistas não percebem nada de escolas. Não sei se percebeu que eu sou professor do 1.º Ciclo (antiga primária).
Disto eu percebo alguma coisa. Não sou mais nem menos do que os outros.
Nem é a avaliação que me chateia. É a papelada.
É demais… Todos os dias há um papel ou vários papéis para assinar.
Mas os tais que estão nos tachos e nunca quiseram dar aulas acham bem a avaliação e depois toca de mandar papelada para a gente assinar. Isso não resolve um único problema dos alunos!!
Também lhe quero dizer, por mais que isso seja retrógrado e não “moderno” , que só deve passar quem souber. E os alunos e muitos pais não querem saber de nada. Não fazem um mínimo esforço. Eu, quando estudante, tinha que fazer algum esforço. Hoje é o facilitismo total, com a ajuda dos papéis. É isso que me chateia mais..
Mas outra parte da minha revolta tem a ver com o facto de ser o eterno sacrificado nas listas de colocação. Vou sempre para longe ( ou quase sempre) , quando outros ordenados atrás de mim ficam perto.
E é sempre… no tempo do Santana fui parar a 80 Km de casa por causa daquele concurso maluco do computador.
Este ano vim parar a mais de 120 Km.
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Jam e Lino Jose,
falemos então de avaliações e professores. Aviso desde já que não sou professor e por isso não me atirem esse “argumento”.
Espero honestamente que esta Ministra sai e rapido! Já acompanho este processo a mais de um ano. E quando digo que “acompanho” falo em ler os decretos de lei, os projectos de lei, e opiniões (se forem ao meu blogue tenho uma pasta para isso). Tenho pena que os partidos politicos não tenham feito a discussão na sede própria e na altura própria e só agora (que vem nos media) é que se começaram a interessar.
O problema desta avaliação já vem de trás, do tempo em que escolheram os avaliadores (professores-titulares) que não foi pelo mérito de ser professor (nem sequer mérito de avaliador, mas isso é uma opinião pessoal). Portanto, não foi garantido que os avaliadores são os melhores e o processo de avaliação deixa de ser defensável.
Depois li o decreto que legisla a avaliação e não se retira uma unica conclusão de jeito relativo ao processo, só se fica com a noção dos “guidelines” dessa mesma avaliação. O que vai ser espectacular é que este tipo de avaliação vai levar a que mais alunos passem, pois será um dos indicadores. O que deixará de certo o nosso primeiro ministro contente pois poderá ir ao parlamento dizer que ele é um espectáculo.
Mas levanto uma questão: Neste processo de avaliação onde é que ficou a qualidade do ensino? Desde há um ano para cá tudo o que se fala é números, mas a qualidade? Que raio de ensino é este onde o melhor professor do ano passado não deve dar aulas à bastante tempo (pelo menos a avaliar pelo curriculum dele).
Cresci com a noção (que agora parece errada) que o professor era aquela pessoa que ensinava e não a que dirigia uma escola, ou um director de turma, ou outra função que não fosse ensinar.
E julgo que esses deveriam ser os parametros para avaliar professores e para que estes pudessem subir na sua carreira, parametros ligados à capacidade de ensinar e não mais.
Mas o mais irritante é ver pessoas a aplaudir uma Ministra cobarde e incompetente. Passo a fundamentar: cobarde porque para implementar uma reforma decidiu atacar uma àrea especifica dos professores: os que têm mais anos de carreira, aqueles que mais uns anos sairiam do sistema. Ataques esses a todos os níveis deploráveis. Incompetente, pois não demonstrou competências suficientes para efectuar uma reforma necessária de forma sustentável.
Sobre este tema ainda tenho mais para dizer mas fico a aguardar uma resposta para não me alongar.
Daniel,
interessante análise só gostaria era de ter visto respondido as minhas duvidas sobre este tema…
[Responder]
Sr. Stran:
Exactamente.
Ainda há dias uma professora me disse quase “ipsis verbis” o que consta do seu comentário. E disse mais: que vai ser avaliada por alguém que confessou não saber como o irá fazer. Acontece que não são professoras da mesma disciplina. Só que à outra calhou em sorte ser professora titular
Disse, também, que para poder cumprir a crescente burocracia – inerente às suas tarefas na escola – e assistir às reuniões previstas, acabará por prejudicar os alunos e a família.
[Responder]
Ok, o BE ter responsabilidades no poder… mas com quem? Está assente que não é com o Sócrates, com o Menezes e com o Portas parece-me fora de questão, então será com o Jerónimo? Não percebo, Daniel, estás a delinear uma táctica abstrata que de certeza não tem aplicação nos próximos anos, pelo menos. Uma táctica que não tem aplicação é um aborto político. Não te quero ofender, claro!
[Responder]
Três comentários sobre o problema da avaliação de desempenho dos professores úteis para os que defendem a bondade (a qualidade, o rigor e a justiça) do modelo que agora está a ser implementado, mas não só para esses:
1– Fixação de percentagens máximas para os dois níveis superiores de avaliação.
A justificação aparente para a existência deste limite consistirá em impedir que, mercê do tão propalado corporativismo, todos os professores sejam considerados excelentes ou muito bons. Que confiança pode merecer um modelo que contém em si mesmo esta suspeita original face ao modo como será aplicado e aos agentes em quem é delegada a missão de o aplicar?
Por outro lado, a existência de um número máximo de avaliações superiores é um disparate completamente indefensável. Imaginemos que, no primeiro dia de aulas, um professor dirigindo-se à sua turma, dispara: “Meus caros, decidi que apenas 10 por cento dos alunos obterá uma classificação superior a 16 valores. Apreciarei com toda a atenção o vosso trabalho, esforcem-se o mais que puderem, mas, na pauta final, apenas um em cada dez ultrapassará a fasquia que eu determinei. Paciência.” Pois claro, parece uma daquelas histórias que se contam sobre mestres cuja idade, a doença ou a maldade pura conduziram a um estado de delírio e loucura. Como se avaliaria um professor que aplicasse a regra da fixação de percentagens máximas de classificação acima de um determinado nível aos seus alunos?
2 – Professores titulares são os avaliadores. Não é verdade, nem todos. Mais, pode até acontecer (e acontece) que os resultados do igualmente contestável concurso para professor titular, sejam mandados às urtigas, cabendo a função de avaliador ao professor que obteve a pior classificação nesse concurso.
Esbarramos frequentemente com o arbitrário e o absurdo nas esquinas neste modelo que sustenta a ambição expressa de, finalmente, separar o trigo do joio. Pode acontecer (e acontece) que o avaliador possua menores qualificações (decisivas para o desempenho docente) que o avaliado (mais baixa classificação académica, mais baixa classificação profissional, menor experiência de leccionação na área pedagógica em causa, grau académico inferior, menores qualificações pedagógicas e científicas – alguns destes aspectos ou todos eles simultaneamente). O que poderá inferir-se sobre o rigor e a seriedade de um modelo de avaliação de desempenho num hospital em que cabe a um médico menos qualificado avaliar um outro muito mais habilitado?
Pode mesmo acontecer (e acontece) que o avaliador seja totalmente alheio à área pedagógica do avaliado. Pode acontecer (e acontece) que, por exemplo, um professor de Artes Visuais sem qualquer formação adequada, venha assistir, na sua qualidade de avaliador, às aulas de um professor de Educação Musical ou de Educação Física (ou o contrário, claro) e, pasme-se, pronunciar-se depois sobre o desempenho científico e metodológico observado – isto num contexto supostamente sério com consequências decisivas para a progressão na carreira do professor avaliado – eis que o arbitrário e o absurdo entram de novo em cena.
3 – Existem condições para levar a cabo uma avaliação eficaz, justa e equilibrada do desempenho dos professores. Só uma profunda ignorância sobre o funcionamento interno da maioria das escolas pode levar a acreditar nesta piedosa afirmação. Essas condições não existiram no passado e não existem agora. Pelo menos enquanto o apreço pelas estatísticas desprovidas de conteúdo, pelo sucesso falseado que se serve cinicamente nas manchetes dos telejornais, se sobrepuser a um interesse genuíno pela melhoria efectiva, real, da qualidade do ensino público; pelo menos enquanto a tutela fomentar ou deixar que se desenvolvam e se instalem nas escolas os pequenos poderes, convenientes, sem dúvida, mas que, no seu duplo afã de repartirem pelas sequiosas cortes de apaniguados, amigos, comparsas, cúmplices e alguns cândidos distraídos, umas pobres migalhas de privilégio, enquanto perseguem e votam ao ostracismo as poucas vozes críticas e lúcidas, criam à sua volta um imenso oceano de mediocridade, de conformismo e de intimidação. Estes problemas nem sequer são de agora, constituem uma dimensão frequentemente esquecida mas estrutural de muitas escolas. Uma situação que progressivamente se foi agravando nas últimas décadas. Alguns argumentarão que o novo modelo de avaliação será justamente o toque de finados deste estado de coisas criando condições para que a qualidade seja por fim reconhecida e assuma gradualmente o protagonismo e a liderança. Mesmo que o modelo fosse um exemplo de virtudes e clarividência e não o feixe de disparates mal cosidos que de facto é, seria pouco sensato manter uma perspectiva optimista sobre o assunto. No interior de muitas escolas não estão reunidas as condições para uma avaliação justa dos professores porque os processos, as instâncias, os métodos e os protagonistas não mudarão. Quem aplicou e manobrou os anteriores processos de avaliação e de distribuição de responsabilidades pedagógicas, vai continuar a fazê-lo agora na maioria dos casos, aproveitando, no presente como no passado, todas as oportunidades que as geralmente mal pensadas reformas proporcionam (e a actual é um campo fértil neste domínio como alguns indícios publicamente conhecidos deixam antever), para continuar a arranjar as coisas à sua maneira e imagem. Pode acontecer (e acontece).
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“Ora, à esquerda, em Portugal, não há nem nunca houve qualquer possibilidade de fazer coligações, porque os governos que delas saíssem não governariam, estariam sempre em crise. À direita, porém, isso é possível e já se tem feito. Estes é que são os insofismáveis dados do problema.” Sapka
Caro amigo, embora a história do nosso país o contradiga quanto à inviabilização da coligação da esquerda em Portugal (lembro Mário Soares que se colou ao PC após o 25 de Abril e depois roeu a corda dando o dito por não dito aliando se à reacção ao ponto de incentivar uma guerra civil) ou quando o Abecassis e mais tarde o Sampaio e porque não o Soares filho que, com a participação activa, desenvolveram uma Lisboa terceiro mundista em uníssono para uns parâmetros aceitáveis no que respeita ao que deve ser uma capital Europeia.
Talvez essa falha de conhecimento histórico possa passar incólume mas dar a entender que uma coligação de direita é mais viável é como publicitar orgulhosamente a sua ignorância. Então e as crises sociais profundas dos governos do Cavaco (a Ponte 25 Abril; Marinha Grande; etc…) O Durão Barroso (incapaz de governar foge para um tacho melhor) a coligação PSD/ PP (com a corrupção a atingir o auge da nossa breve democracia, lembro Portucale; Submarinos; etc…) a palhaçada do governo “interino” do Santana.
Realmente, quando não sabemos os nossos defeitos dificilmente saberemos melhorar as nossas virtudes.
Aquele abraço
A.R.A
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