Revejo-me na entrevista de Francisco Louçã (uma das melhores que lhe ouvi) ao DN e TSF em praticamente todos os pontos: o papel do BE na política nacional, a saúde, os rendimentos dos gestores, a educação e a escola, as incompatibilidades dos deputados, a liberdade interna no Bloco, o separar de águas em relação às características ideológicas do PS e do PCP, a posição em relação às experiências do socialismo real e a defensa intransigente da liberdade e da democracia, o comportamento que os partidos devem ter nos movimentos sociais…

Mas chegou a Lisboa e empanou. Em vez de salientar com entusiasmo e clareza o que já se conseguiu (e o que falta conseguir) no processo de integração de trabalhadores precários, na reestruturação das empresas municipais e no que se melhorou nas competências de gestão da zona ribeirinha (tudo exigências do vereador eleito pelo BE) e o trabalho específico na vereação de José Sá Fernandes, preferiu chutar para canto e deixar claro que não haverá coligação em 2009. Na verdade não era preciso. Não houve coligação em 2007 e é normal que volte a não haver. Parece-me bem: o Bloco deve ser avaliado isoladamente pelo seu trabalho. Mas o que passa para quem ouve e lê esta entrevista é outra coisa: que o BE vive mal com este entendimento para salvar Lisboa do caos em que se encontra. Como o PCP nunca viveu, numa situação muito menos urgente, apesar do discurso que agora faz.

Estes complexos em participar em projectos de poder, enquanto lá se está, enfraquecem o Bloco em vez de o fortalecer. Criam confusão em vez de clarificar. Alimentam desconfianças nos eleitores em vez de lhes dar confiança. Quem vota no BE tem de saber que o BE participa no poder com a mesma coragem, determinação e frontalidade com que faz oposição. E que defende o trabalho dos seus eleitos sem meias palavras.

Participar no poder, quando se faz um bom trabalho e se conseguem resultados (e o BE, com apenas um vereador, obrigou Costa a várias cedências e conseguiu que várias coisas fundamentais fossem clarificadas), é motivo de orgulho. Mesmo que seja difícil e se pague sempre um preço por isso. Ou então faz-se uma avaliação negativa do trabalho (é essa a avaliação do Bloco?) e abandona-se o poder ou retira-se a confiança ao eleito. O que não faz sentido é, em vez de publicitar o trabalho feito, retirar, através de um discurso dúbio, força política ao seu eleito, reduzindo o seu poder negocial e o seu espaço de manobra. É um suicídio político injustificável.

Resumindo: excelente entrevista na proposta, na avaliação e nos princípios. O problema é mesmo o medo do pecado do poder. E é pena.

Entrevista aqui. Com boas perguntas (relevantes e difíceis), o que não é habitual.

Sobre este assunto ler também Esquerda bloqueada.


Sem respostas to “O pecado do poder”  

  1. 1 1  lili

    Nem uma palavrinha sobre o ataque terrorista do narcogoverno da Colômbia,no Equador?Não é mainstream,nem chique falar disso.O Sporting é mais importante…

  2. 2 2  Patricia

    Não percebo qual a razão que levou a esta declaração acerca das coligações neste momento,já Sá Fernandes andou bem quando disse ser ainda muito cedo para se falar sobre este assunto.Afinal o BE quer estar sempre na oposição e tem medo de assumir as responsabilidades de participar numa solução de poder?

  3. 3 3  Otavio Afonso

    Meu voto vai mais tranquilo para um BE que não se mistura com esta gentalha socialista.
    Meu e de mais muitos simpatizantes, que com certeza querem um BE forte, no poder, mas sem ter de se converter a estas coligações que só o enfraquecem e causam confusão nas pessoas comuns. “Este vereador do Bloco falava tanto, era tão preocupado e agora calou o bico”.
    Achei francamente bem o Louçã referir isso. Muito pior seria dizer que vai ponderar alianças.
    Eu não teria dado o meu voto em Lisboa ao Sá Fernandes se soubesse que era para andar aos abraços com o António Costa e o PS.
    Para isso, mais valia ter votado na Helena Roseta. A “esquerda” socialista se demarca deste PS, não lhes dá a mão. Não anda para aí a negociar meia dúzias de jardins. E os precários sempre seria uma obrigação do Bloco, mesmo na oposição. O que vai ficar escrito é que o PS (e não o BE) resolveu a vida a estes, se resolver (porque de certeza que vai tudo ficar na mesma).
    Como contactarmos esta gente ao mesmo tempo que a “esquerda” socialista (Alegres e mais meia dúzia) sai?
    Gostavas que o BE ocupasse este espaço deixado pelos que saem do PS?

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    Octávio:
    1. Em relação aos precários, já não está tudo na mesma.
    2. Acho estraordinária essa fé nos alegristas. Tem visto o que se passa no Parlamento?
    3. Para que os socialistas que deixam de votar PS confiem no Bloco têm de saber que o Bloco quer participar no poder. Ou julga que se converteram à extrema-esquerda quando deixaram de votar no PS?
    4. Em Lisboa muda-se Lisboa e a mudança faz-se de coisas concretas. Esse desprezo pelo concreto (incluindo jardins e espaços públicos que as pessoas possam usar no seu tempo descanso) é o pecado de muita esquerda que depois se queixa que só hjá centros comerciais. A intervenção local faz-se de coisas pequenas e não apenas de grandes proclamações ideológicas.

  5. 5 5  Héliocoptero

    Complexos em participar em projectos de poder ou a política de barricada à portuguesa. O que acho mais ridiculo é Francisco Louçã dizer que não haverá coligação em Lisboa por o BE e o PS terem projectos políticos em confronto.

    A sério? Não me tinha apercebido que a existência dos dois partidos queria dizer que têm ideias diferentes. O conflito ideológico é parte integrande da democracia, mas onde é que a Suécia, a Dinamarca, a Alemanha e os Países Baixos já iam se isso alguma vez fosse motivo suficiente para evitar coligações. O que Francisco Louçã fez foi dar razão a quem diz que este país só se consegue governar com maiorias absolutas, já que a classe política parece ter horror ao meio-poder ou ao poder partilhado. Ignora a lógica do compromisso, do regatear político até se chegar a um meio-termo satisfatório para as partes envolvidas, e eis como até o Bloco manda pela janela fora o poder de negociação que pode ter numa coligação, dando ideia que acha melhor não implementar nenhuma proposta a implementar parte delas.

    Vai na volta foi por isso que Francisco Louçã quis “chutar para canto” em vez de salientar o trabalho feito: na política portuguesa, ou se tem tudo, ou não se tem nada; ou se governa sozinho para se poder fazer tudo, ou não se governa e não se faz.

  6. 6 6  António P.

    Felicito-o pela visão lúcida, Daniel.
    Como diz cabe a forças como o BE perceberem que não é pecado nenhum estarem no poder…no fim de contas não é esse um dos objectivos de qualquer força política democrática ? E assim os leitores poderão validar o BE pelo que aí faz mais do que por ser uma mera força de protesto.
    Esperemos para ver para onde Louçã se inclina.
    Cumprimentos

    P.S. : quanto aos Alegres e companhia é bom também ter uma atitude de combate aos mesmos até porque em última análise afectam mais o BE do que o PS ( vide últimas autárquicas de Lx )

  7. 7 7  JD

    Empenou em Lisboa, ou empenou na recusa da participação do Bloco na gestão do capitalismo em conluio com os social-democratas?

  8. 8 8  Manuel Leão

    Estou deveras admirado com o “pragmatismo” do Daniel. Inimaginável há uns tempos atrás.

  9. 9 9  Lino José

    Adoro ouvir estes tipos a discutirem estas coisas.

    Porque é que o Francisco Louçã é avesso ao Poder ? Porque é um Demagogo Populista esclarecido, e aí tiro-lhe o chapéu.

    Uma coisa é estar cá fora, sentado nos cadeirões almofadados da AR, a criticar e a debitar demagogia.

    Outra, completamente diferente, é governar, enfrentar os problemas concretos, na sua multiplicidade de váriáveis, muitas vezes difíceis de conjugar !

    Mas uma coisa eu gostaria de ver : como é que ele resolveria o problema do desemprego e dos baixos salários em 2 anos. Já estou farto de perguntar isto a vários bloquistas ilustres e ainda nenhum me respondeu.

  10. 10 10  Daniel Oliveira

    Lino José, ouvir o senhor falar de demagogia e populismo só me dá vontade de rir. Basta ler os seus comentários para perceber que nessa matéria é especialista: «sentado nos caldeirões almofadados da AR…» O seu estilo dá lições ao PNR ou ao MRPP.

  11. 11 11  JD

    De acordo com o Lino José. Os deputados do BE deviam levar cadeiras de piquenique para mostrarem que são pelo povo! :-))

  12. 12 12  CavaloSentado

    Como a Lili não pude deixar de notar a ausência de qualquer comentário sobre o ataque terrorista do narcogoverno da Colômbia, no Equador, mas creio que para o Daniel isso são “trocos”…

    De Hugo Chavez retenho a seguinte frase:

    “Israel, que é outro instrumento do imperialismo, fez incursões no Líbano, faz incursões quase que diárias na Faixa de Gaza, mata, sequestra, bombardeia, destrói, e o mundo fica calado. Será que a Colômbia vai ser Israel da América Latina?”

  13. 13 13  JR

    esta do pecado do poder faz lembrar uns certos comentários do portas num programa da rtp e cujo vídeo está no youtube: dizia ele que era “geneticamente contra o poder”. será que no dia em que o louçã chegar ao poder - batam na madeira 3 vezes - se vai dedicar àcultura da fotocópia e da digitalização de documentos?

    sabe bem recordar. http://br.youtube.com/watch?v=14yM2ioAHRc

  14. 14 14  xatoo

    Analizando a alegada bondade de intenções do Bloco (refiro-me ao “de esquerda” não ao “Central”), há qualquer coisa que me intriga. Com a gravidade actual da situação em Portugal o BE escolheu em Congresso como tema prioritário de acção “o Ambiente” - que raio; então e a particpação portuguesa em guerras alheias, o Cavaco militarista da Nato, o estado de degradação do emprego e dos serviços públicos, não deveriam estar numa posição mais urgente?
    Este metodologia revela, embora por enquanto veladamente, que a condescendência do BE com um PS (obviamente, à la Al Gore) tem propósitos nada isentos de interesse.
    As coligações futuras, que nos pretendem servir, serão mais do mesmo, embora com roupagens progressistas (contra o Portas, o Santana e outros “centristas” do mesmo jaez

  15. 15 15  Fahrenheit

    É,de facto,uma excelente entrevista,muito clarificadora.Para descanso dos votantes e simpatizantes do BE,fica a indicaçao de que nao havera coligaçao para as legislativas com o PS…

  16. 16 16  josé Manuel Faria

    Excelente post, Daniel. Vais receber uma recriminação da Comissão Política.

  17. 17 17  Fado Alexandrino

    Peço desculpa, não fui ouvir a entrevista do Grande Líder, por vários motivos entre os quais saliento o de seja lá o que for que ele diga, está completamente desfasado da realidade que é a União Europeia.
    Porquê?

    Ora é muito simples, ideologicamente Louça é um marxista e a Europa já se viu livre desse flagelo portanto em todas as medidas que o Grande Líder queira impor, e digo impor porque para um marxista nada se obtêm pelos votos mas sim por outros meios, a marca socialismo está sempre presente.
    Ora acontece que o bom povo português desde o 25 de Novembro de 1975 que disse muito claramente que a deriva comunista não lhe interessava.
    Lá está, não devia ter havido votações porque a vanguarda é que sabia.

    É claro que a última coisa que o Bloco de Esquerda quer é ser alguma vez poder.
    È muito melhor a posição de treinador da bancada mandando bitaites do que estar no banco sujeito a levar com uma garrafa na moleirinha porque ali é a doer.

    Eu sei que não é nada bonito lembrar as origens marxistas desta agremiação e valha a verdade que eles bem a escondem.
    Será que lhe perguntaram lá na TSF se ele ainda o é?

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    Fado, felizmente os jornalistas desta vez foram um pouco mais elaborados do que o senhor. O senhor é que ainda vive nos anos 70 e um pouco desfasado do Mundo.

  19. 19 19  xatoo

    fica a indicaçao (em palavras) de que”nao havera coligaçao para as legislativas com o PS”
    coligação prévia,
    mas no dia seguinte,,, só eles sabem
    também já conhecemos essa manobra

  20. 20 20  Daniel Oliveira

    caro xatoo, Sá Fernandes foi muitíssimo claro nas últimas autárquicas. Foi aliás o único que disse o que faria e em que condições. Nem podia ser de outra forma.

  21. 21 21  Fado Alexandrino

    Daniel Oliveira

    Muito obrigado pelo retrato à la minute que faz de mim.
    Mas por favor esclareça-me, O Grande Líder e por arrastão o Bloco de Esquerda, são ou não marxistas?

  22. 22 22  Minhoto

    Concordo com o Lino josé, faz lembrar-me o que passou já vai uns anitos, qd o Louçã estava lá no patata-patati e vai um tipo qq na reunião do bloco
    e pergunta algo como ” sim mas como?” e o
    Louçã que não estava nada á espera diz “então…” com a sua retórica bem estudada no politiques e vai o outro á recarga ” mas como?”, como fazer? e não saiu nada, vira o disco toca o mesmo.

  23. 23 23  Sapka

    Eu não vi a entrevista do querido líder, mas por razões de saúde, gastrite a evoluir para úlcera. Em contrapartida, quando quero relaxar um bocado, imagino o Louçã super-ministro, nas pastas das Finanças, Economia e Trabalho. As soluções dele para o desemprego são à custa das finanças públicas e da economia, as soluções dele para a Economia são letais para o emprego e para as finanças, as soluções dele para as Finanças acabavam com a economia e o emprego, conduziam novamente às nacionalizações e punham o país a ferro e fogo. Claro que o gajo comprava um Mercedes blindado de cor vermelha, fechava as televisões privadas e convidava o Chavez para almoçar às terças e sextas.

  24. 24 24  Miguel Madeira

    “O Grande Líder e por arrastão o Bloco de Esquerda, são ou não marxistas?”

    A falha lógica no seu raciocinio é o “por arrastão” - mesmo que o coordenador da comissão politica (imagino que seja o que quer dizer com “grande líder”) seja marxista (como é), onde é que isso implica que o Bloco de Esquerda seja marxista?

    Uma analogia: imagine-se que o PP tinha um líder monárquico (não sei se não é o caso) - isso significava que o PP passava a ser monárquico?

    Ou que em 1998 o PS era contra a legalização do aborto (o líder era)?

  25. 25 25  Dândi

    Fado Alexandrino, falando por mim, eu cá sou militante do Bloco, anarquista de coração, marxista de cabeça e desgraçadamente do Sporting. Mas também simpatizo com o Vitória de Setúbal (working class).

  26. 26 26  Ou Tempura ou Morus

    Quando toda a gente já tiver percebido o farisaísmo do Sr. Louçã, o Sr. Oliveira ainda cá andará tecendo louvoures.

    Quando toda a gente já tiver interiorizado a inépcia do Sr. Fernandes, o Sr. Oliveira ainda lhe reservará encómios. Mesmo depois do Sr. Louçã já ter percebido.

    Em compensação, uma manifestação no Largo do Rato repugna ao Sr. Oliveira. Por ser demasiado partidária. Quando as tias de Cascais se juntarem na Avenida às Peixeiras comunistas o Sr. Oliveira ainda criticará que não se deixe o PS resolver o problema da educação nacional como um caso interno do partido. Ou como um motivo para a Menina Drago aparecer no Canal Parlamento. Mesmo depois de o Sr. Fernandes já ter percebido.

    Somos um país de vocações. Temos missionários para todos os postos.

  27. 27 27  Daniel Oliveira

    Quanto mais anónimo mais forte no adjectivo. É quase ciência certa.

  28. 28 28  PD

    Sapka, o seu comentario esta’ genial. Mas tambem me divertem muito esta divagacoes existenciais do pessoal BE. Prognosticos so’ apos o final do jogo, mas para mim o Daniel vai estar no governo PS em 2009. Venha la’ o desmentido.

  29. 29 29  Daniel Oliveira

    PD, mal estaria se o desmentisse a si.

  30. 30 30  PD

    Forca Daniel. Tem o meu apoio. Daniel para o Governo.

  31. 31 31  Daniel Oliveira

    PD, você é sempre a mesma cantiga? Não varia. Seja qual for o assunto?

  32. 32 32  PD

    Daniel, acredite que gostaria de o ver num governo PS. Acho que o Daniel seria uma mais valia para esse governo. Pelo que o Daniel escreveu neste post, e noutros que tenho lido, penso que seria a evolucao natural. O Daniel quer a “esquerda” no poder, a governar. Acho que isso so’ sera possivel num governo PS. O lider do BE nao quer ser poder (eu acho que ele quer, mas nao quer dizer que quer). Se ele efectivamente nao quiser, entao e’ o Daniel que tem de escolher o que quer.
    Mas por favor corriga-me se eu estiver errado.

  33. 33 33  Daniel Oliveira

    Está corrigido.
    1. Não tenho qualquer ambição de ser ministro. Nem me parece que tenha talento.
    2. Não quero o BE no poder com Sócrates, como resulta claríssimo de uns posts que escrevi a baixo. Com Sócrates no governo, quero o BE bem na oposição.

  34. 34 34  PD

    Bem, ministro…eu nao me esticava tanto…
    Mas como e’ que esta’ a espera de ser poder sem Socrates ? Com Antonio Costa ?
    Nao estou a perceber…acho que tenho de ir dormir. Boa noite.

  35. 35 35  Fado Alexandrino

    They who dream by day are cognizant of many things which escape those who dream only by night
    Edgar Allan Poe

    Eu sei que a pergunta é inoportuna e a resposta queima os lábios.
    E por isso alguns e mesmo Daniel Oliveira preferiram ou ignorá-la ou emular o treinador do Sporting que encontrando-se no quarto lugar a caminho do quinto prefere salientar o orgulho que tem na equipa que comanda, com tranquilidade.

    Acontece que a resposta definiria qual o modelo de sociedade que o putativo candidato a governar o país tem como modelo para o mesmo.
    Ou mesmo se tem algum modelo ou algum projecto para além de frases feitas e ideias lindas e abstractas.
    E por isso ela não pode ser dada.

  36. 36 36  corvo

    Não há divergências entre Sá Fernandes e o BE, Sá Fernandes já o disse com toda a clareza.

    As politicas do BE para Lisboa e as de Sá Fernandes são em tudo coincidentes.

    Há sim nuances sobre o futuro de uma possivel reedição desta experiência de Lisboa.

    Mas o futuro a Deus pretence….

  37. 37 37  zé manel

    Curioso.
    Com Sócrates não. Mas com… ou com…humm…talvez.
    Então e a política?
    As propostas e os projectos políticos?

  38. 38 38  João Dias

    Eu também ouvi a entrevista de Louçã e não cheguei às mesmas conclusões, é por isso que cada vez me parece mais importante ser claro nas palavras e tentar não extrapolar em demasiado em relação a elas. Aquilo que ouvi, foi uma demarcação clara de coligação com um governo Sócrates, o que considero lógico e aceitável. Uma coligação com este PS tinha dois cenários possíveis, o PS mudava para políticas à esquerda, o que me parece excelente mas o Socas não me parece para aí virado, ou o BE invertia para políticas à direita, o que me parece lamentável, para mim eleitor de esquerda.

    Não podemos ser levianos nesta coisa das coligações, o BE não pode aceitar coligar-se com um partido cujo programa é minar os serviços públicos para servir os interesses privados. Mas um PS que aceitasse políticas de esquerda, seria uma excelente opção para coligação, mas esse não é o cenário, nem Louçã afastou claramente o cenário de coligação com forças de esquerda. A questão que se tem perceber, é que neste momento o PS é uma força de direita, e nesse aspecto o Bloco só se pode opor ao PS. Se o PS inflectir para a esquerda a conversa é outra.

    “…o trabalho específico na vereação de José Sá Fernandes, preferiu chutar para canto e deixar claro que não haverá coligação em 2009.”

    Louçã foi interpelado no sentido de enunciar se o caso de Lisboa era um tubo de ensaio para uma coligação PS-BE, e este não chutou ao lado, respondeu directamente que não era, e contextualizou isso muito bem fazendo o contraponto entre o programa de esquerda do Bloco e as medidas de direita do governo Sócrates. Se o repórter tivesse perguntado sobre Lisboa em concreto, aí seria chutar ao lado, mas como o caso Lisboa serviu apenas para falar de uma putativa coligação em 2009 parece-me que Louçã até foi bastante concreto e conciso…sem se esquivar aquilo que era verdadeiramente a pergunta.

    P.S. Como era um registo aúdio, espero não estar enganado, mas penso que ter sido fiel ao seu conteúdo.

  39. 39 39  Fado Alexandrino

    João Dias

    A maneira como o senhor vê uma coligação entre o BE e o PS, dizendo que o BE isto e mais aquilo, faz-me lembrar o meu caso pessoal.

    Eu também gostava muito de passar uma noite com a Soraia Chaves, acontece é que ela nem sequer sabe da minha existência.

  40. 40 40  João Dias

    Meu caro amigo, arrisque, não fique é sentado à espera que ela imagine que você existe.

    Apesar de tudo, a minha visão da coligação PS-BE é uma coisa mais sólida e mais séria, não é uma aventura de uma só noite.

    P.S. Se também quiser falar de política, não tenho nada contra.

  41. 41 41  Lidador

    “falha lógica no seu raciocinio é o “por arrastão”

    MM,. a falha lógica no seu raciocínio, é que equivalea partidos individualistas com partidos assentes numa lógica colectivista.
    Os partidos ditos de esquerda, rejeitam, por definição a separação indivíudo/colectivo, porque acham que o indivíduo é apenas uma peça pouco relevante do sistema.
    Certamente leu Marx, caro MM.
    Ora então diga lá em que parte é que o Profeta admite a importância da acção individual no devir da História.
    Sou todo ouvidos…

  42. 42 42  JR

    “Eu também gostava muito de passar uma noite com a Soraia Chaves, acontece é que ela nem sequer sabe da minha existência.”

    Fado Alexandrino, não seja por isso.

    Conheço a Soraia muito bem. Se quiser, posso apresenta-lo.

    Mas seguindo o conselho do joão dias, vamos falar de política. Se o PS caisse na asneira de se coligar com um partido de extrema esquerda como é o BE, seria o equivalente à minha mulher pôr-me um grande par de cornos.

    Mesmo assim, preferia esta última opção. pelo menos havia alguém que gozava.

  43. 43 43  Fado Alexandrino

    Muito obrigado João Dias e JR.

    Não pretendo ser apresentado a Soraia Chaves pela simples razão de que depois de me apertar a mão iria ter com alguém que, dando talvez o mesmo prazer, juntasse um bom par de diamantes oferecido durante um jantar no XL.
    Não sou alto, nem belo, nem rico nem forte, para que é que ela me havia de querer quando tem tantos com quem andar?

    É exactamente o caso da putativa aliança para Governo entre BE e PS.
    Mesmo que apresentados formalmente pois presumo que neste momento só se conhecem por fotografia qual era o interesse de um em se casar com o outro.
    Para o BE seria como aqueles meninas do shopping que são postas por conta mas têm que continuar ao balcão e não podem apresentar aos pais o namorado porque este não quer. Serve mas estão sempre à espera do verdadeiro amor.
    Para o PS seria como aqueles senhores da construção civil que têm uma amante mas não querem e alias nem podem deixar que isso se saiba porque estraga a reputação.
    Portanto era um amancebamento contra natura, não servia a nenhum e ainda dava ocasião a que o pároco da aldeia viesse para o púlpito transformar estas badalhoquices em caso nacional.

  44. 44 44  Diana luz

    Ola fado alexandrinu e mesmu verdade que cunheçes a soraia chaves actriz? E que o meu grande e unico sonho e conhecela, ate choro. :( rxp

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