
Naquelas séries de postais ilustrados para coleccionistas organizadas por temas da vida quotidiana que a marca Abrupto costuma lançar, entremeadas por poesia sortida seleccionada de forma mais ou menos aleatória para acrescentar prestígio junto dos professores primários, têm surgido agora umas pinturas muito catitas, pondo a arte ao serviço de uma nobre causa política, com um sugestivo título: “A ver se aprendem: o que é ceifar”. Embora a Europa desconfie um pouco destas alianças entre intelectuais engajados e o campesinato, o interessantíssimo projecto pedagógico de Pacheco Pereira deveria merecer o financiamento da PAC.
Por Daniel Oliveira 24 Ago 07 em Blogosfera


O Abrupto nao tem de ser o u’nico a divulgar pec,as de arte:
http://obitoque.blogspot.com/2007/08/ver-se-aprendem-o-que-governar.html
Daniel Oliveira,
E se em vez de estar a olhar para as pinturas e ler poemas, respondesse de forma séria ás notas de JPP sobre os “verdeufémios” e o BE?
Ou será que não reparou nelas?
Eu, por principio, só debato com quem quer debater e como todos sabem Pacheco Pereira não entra em debates na blogosfera. É uma opção tão respeitável que eu a respeito absolutamente: não debato com Pacheco Pereira.
Mas mesmo que assim não fosse, não faço ideia como responder a insinuações. E ainda menos a obsessões. Em matéria psicanalítica evito envolver-me. Não estou credenciado para isso.
Acho o Pacheco Pereira uma pessoa inteligente tal como o Vasco Graça Moura. Todavia quer um quer outro não conseguem perder os ares de mestres-escola que de vez em qdo do alto do púlpito repreendem a burguesia radical.
Q essa burguesia prefere o Prof.Louça e o Mestre Boaventura é talvez o q deixa estes senhores um pouquito tristes.
Para qdo a reconciliação?
Daniel,
parece-me que o JPP não precisa de subsidios nenhuns para fazer o que faz. Como me parece também que o “engajamento” de JPP com o campesinato, não só não é falso, como sugere no seu texto, como não é de agora.
Ora veja (na wikipédia para ser mais rápido):
“É autor das seguintes obras:
As lutas operárias contra a carestia de vida em Portugal: a greve geral de Novembro de 1918 (1971);
Questões sobre o movimento operário português e a revolução russa de 1917 (1971);
Elementos para o estudo da origem do movimento operário no Porto: as associações mutualistas (1982);
Notícias históricas do concelho e vila de Boticas, de L. de Figueiredo da Guerra - recolha, organização e notas (1982);
Conflitos sociais nos campos do sul de Portugal (1983);
Estudos sobre o comunismo: boletim de estudos interdisciplinares sobre o comunismo e os movimentos comunistas (1983–) (dir.);
1984: a esquerda face ao totalitarismo, com João Carlos Espada (1984);
A Federação Nacional dos Trabalhadores Rurais (1912–1926): síntese da comunicação (1985); ”
Quer o Daniel Oliveira dar nota aos seus leitores sobre os seus engajamentos, para vermos quem tem mais legitimidade?
helena, os meus engajamentos são públicos e os de JPP também. Sou militante de base do Bloco de Esquerda e seu ex-dirigente e fui militante do PCP. Pacheco Pereira é militante de base (penso que é hoje esse o seu estatuto) do PSD e seu ex-dirigente e foi militante maoista. Dito isto, não percebo bem onde quer chegar.
Na verdade, nesta obra, as personagens estão a “respigar” e não a “ceifar”.
Isto é: estão a apanhar o trigo que foi preterido ou esquecido por quem antes ceifou aquele campo. Era / é uma prática muito comum entre os trabalhadores rurais, pobres e sem terra.
No futuro vai deixar de ser, porque “com milho trangénico em frente, é pão para toda a gente!”
(Diz-se é que não é aconselhavél misturar o consumo de milho trangénico com alcool. Faz mal ao fígado ou lá o que é)
Além de muitas outras coisas, Pacheco Pereira tem em relação a si as seguintes vantagens: é um académico conceituado e respeitadíssimo em todos os quadrantes e com obra publicada. Só tem o hábito de falar sobre o que conhece e tem uma opinião respeitada, embora nem sempre se concorde com ele: mas, certamente, tem uma Opinião.
Outros há, nomeadamente o Daniel, cuja argumentação tem a habitual profundidade da de um intelectual de mesa de café, que opina sobre tudo e sobre nada. Sabe fazer mais do que a má-língua do quanto pior melhor?
Sebastião Dias, falávamos de engajamento. Eu seguramente não chego aos calcanhares de Pacheco Pereira, até porque não tenho um motor de busca especializado em poesia. Quanto ao mais, como vem aqui quase todos os dias comentar o que escrevo, tenho de concluir que não dá nenhum valor ao tempo que tem. E eu também não, que me dou ao trabalho de lhe responder.
O Sr Daniel tem razão no seu post. JPP fala de ceifar a partir do seu portátil. Pretende ensinar os outros a ceifar? Mas q sabe ele do assunto? O ter escrito sobre camponeses faz dele um camponês?
Uma coisa é fazer, outra é descrever e outra é admirar.
Fiquem-se pela admiração a Pacheco Pereira!
Creio que Sebastiao Dias, tal como eu, passa aqui todos os dias porque é o sitio ideal para ficarmos a saber a opiniao de intelectuais de cafe, pertencentes ao quadrante politico contrario. Não se ofenda Daniel, respeito a sua inteligencia, mas muitas vezes não lhe percebo a coerencia!!!
Acho uma piada a estes meninos e meninas da direita a defenderem as suas damas (calão dread); Vasco Pulido Valente, Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura, a senhora Maria José Nogueira Pinto…
De intelectuais está o inferno cheio.
E digo mais, para os poemas do Pacheco Pereira bastou a performance do milharal, um dos maiores poemas feitos em Portugal. Porque um poema vivo.
E se tanta gente de direita anda por aqui, onde estão nas eleições?
eh,
A VER SE APRENDEM: O QUE É CEIFAR
rayo de sintaxe, de pontuation y construção!
Ela canta, pobre ceifeira
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar. (…)
tal no tempo de Salazar, que é que era, como o diz aí Pessoa e Silva Porto, na imagem regalada do “Abrupto”, sem injustiças nem violência, à Pacheco e Marques Mendes, com toda a gente feliz, à PSD!
Antonio, pior que o intelectual de café é quem pára na mesa ao lado para os ouvir. Não se rebaixe dessa maneira, homem. Junte-se aqui, beba uma bica e diga lá o que pensou hoje.
Nao sendo figura publica, nem tendo qualquer blog, creio que me posso dar a esse luxo…
Que comentário mais mesquinho.
Daniel, há uma grande semelhança entre o Daniel e o Pacheco Pereira: é que são ambos grandes intelectuais excepto o Daniel, que não tem motor de busca de poesia no seu blog.
Quanto ao facto de eu perder ou não perder tempo a comentar no seu blog, eu acho que os meus comentários não são tempo perdido, antes pelo contrário: tenho a certeza que, dentro das minhas humildes capacidades, eu, assim como muitos outros, contribuímos para que a sua batalha pela procura de coerência seja uma batalha diária e sem tréguas. Eu sei que é difícil comentar tudo e todos a toda a hora. A certa altura as coisas confundem-se e às duas por três estamos a defender o casamento entre duas espigas de milho transgénico ao mesmo tempo que organizamos acções para acabar com as plantações de transsexuais em Portugal. Tilt!