Na campanha pela despenalização do aborto, nasceu, no campo do “sim”, um movimento que se distinguia dos restantes. Fora dos partidos ou da Igreja, era um movimento de profissionais numa classe que, em Portugal, não se distingue pelo envolvimento em combates cívicos. Um grupo de médicos (muitos deles jovens médicos) forma o Movimento Médicos pela Escolha. Mais de um ano depois o movimento continua a existir ((hoje é uma associação) e desde este mês tem um blogue para debater a aplicação da lei que aprovámos com o nosso voto. O Médicos pela Escolha é o blogue da semana.
Para a semana voltarei, espero eu, aos blogues regionais.
Por Daniel Oliveira 23 Mar 08 em Blogosfera



1 - O “instinto maternal” nem sempre se manifesta, e há mulheres que, de facto, não deviam ter filho nenhum porque não têm a mínima vocação para o assunto
2 - Há, normalmente, uma pressão familiar pata os “netinhos”
3 - É um direito de cada mulher optar por ter ou não ter filhos
4 - As condições económicas nem sempre são favoráveis, por muita vontade que a mulher tenha de ser mãe. Quem paga 400 ou 500 € por um infantário sabe isso muito bem
5 - Quem tem mães, tias ou avós dispostas a dar uma ajuda a criar os filhos não imagina o que é não ter absolutamente ninguém
6 - Muitos homens não querem “comer rebuçados com papel” e entendem que a pílula “estraga” as mulheres (não riam, porque já ouvi esta várias vezes no decurso do meu trabalho)
7 - Quem quer abortar, aborta. E, se preciso for, num vão de escada
8 - Com o aborto ilegal, quem é mais castigado são as mulheres com poucos recursos financeiros
9 - O aborto clandestino sempre interessou a alguns médicos que o faziam na sua clínica privada, e, por isso, eram os primeiros a assinar os abaixo-assinados contra essa “indecência”
10 - Finalmente, quem quer tapar o sol com a peneira??? A quem interessa, de facto, essa discussão? Como eu não tenho qualquer interesse económico na questão “aborto”, sou pelo respeito pela decisão consciente das mulheres, porque eu não estou lá, não sei que razões as movem, e, sobretudo, “cada um sabe onde o sapato lhe aperta”! O resto é treta, histórias da carochinha para ajudar meninos a adormecer.
Eu entendo todas essas razões. Compreendo, empatizo e considero-as.
Mas quando olho para os meus filhos, que como Mãe acho lindos, pergunto-me se teria o direito de privar o mundo da presença deles ou privá-los a eles da presença no mundo?
A vida, para além de muitos desgostos e muitas dificuldades, é um desafio que previligia quem vive.
Se a Natureza, por acidente, concebeu mais um ser, não será ele importante para o Seu equilíbrio?
Porque é que nunca se pensou a sério, num banco de adopção?
Parece-me digno de nota que numa altura em qeu se privilegia a medicina preventiva haja médicos que possam pôr o aborto como uma opção, consistindo ou num acto invasivo e cirúrgico ou num tratamento químico em alguém que está de perfeita saúde.
Parecia-me mais lógico que a tónica fosse a da prevenção, mesmo para quem considera lícito o aborto.
Ns minha opinião - que é minha - “Médicos a favor do aborto livre e pago” é uma contradição nos termos.
Cumprimentos
Luís
O que o meu caro Luis não é capaz de perceber é que os médicos, pelo menos os do MPE, não são a favor do aborto livre e pago - são a favor de um SNS capaz de dar resposta a este problema e muitos outros mais onde aliás tem dado a cara e voz. Problemas relacionados com a reprodução, com as DST’s, com o planeamento familiar….
Se calhar uma passagem pelo site do MPE e pelo blog não lhe fazia mal nenhum antes da verborreia literária