Já nos cruzamos muitas vezes em actividade política. Soube agora que ganhou o Prémio Nacional do Professor. Sei que há um júri mas não conheço os critérios. Ainda assim, fico contente por ele. Tem um blogue: o lado esquerdo. Tem um nome: Arsélio Martins. E é professor de matemática na Escola Secundária de José Estêvão, em Aveiro. Não conheço as suas capacidades pedagógicas. Mas do que leio são as de qualquer bom professor: bom comunicador, gosta de dar aulas e os alunos gostam dele. Mais de meio caminho andado.
Por Daniel Oliveira 14 Nov 07 em Blogosfera, Educação


SILÊNCIO CULPADO disse…
Perante uma grande sacanice que está a ser feita sobre alguns professores que não recebem vencimento,têm horários d e12 horas ou estão a recibos verdes sugere-se que todos os blogues publiquem a notícia que está no http://cegueiralusa.com
Um activista politico (de esquerda) ganha um premio politico. Muito bem!
Ja agora, para eliminar a (improvavel) hipotese de o ter ganho por amiguismo, quem atribui o premio? Quem faz parte do juri? Quais os criterios de seleccao? Foram considerados todos os professores?
E’ que a (mais que improvavel) possibilidade de ele ter recebido o premio mais pela sua actividade politica do que pelos meritos enquanto professor seria muito grave.
mas o melhor blogue dele e de mais dois carolas é este ,o melhor blogue geometria Português (tbem só conheço este!), recorrendo ás novas tecnologias,
http://geometrias.blogspot.com/
Conheci o Arsélio, com o qual não partilho totalmente as simpatias politicas, como formador de professores. As suas capacidades de comunicador, o seu conhecimento cientifico, o seu dominio de ferramentas pedagógicas, mas acima de tudo o seu entusiasmo eram contagiantes.
Já lá vão 10 anos (conheci-o no leirimat 98) e o respeito com que lidou com os estagiários (em que me incluia) fizeram-me nunca mais esquecer aquele senhor que sacudia o cachimbo enquanto espalhava o seu entusiasmo numa conversa de café após a sua intervenção)
Marcou-me profundamente.
Concordo com o prémio
acredita que é bom professor
estudei no jose estevao e ele era na altura tb director do conselho e ja na altura se destacava.
felizmente nesse liceu tive o previlegio de ter grandes professores
Carlos Pinto, partir do principio que quem tem actividade política enquanto cidadão não se pode destacar nas suas funções profissionais é inacreditável.
Daniel Oliveira, não parti de príncipio nenhum. Parece-me é muito suspeito que num concurso de regras obscuras, em que, obviamente, não são analisados todos os candidatos, ganhe um também conhecido pela sua intervenção política. Tenho a certeza que se o vencedor fosse de outra ala política o Daniel seria o primeiro a ter as mesmas suspeitas
Ao ler a notícia no Público Online acerca do prémio que foi atribuído ao professor de Aveiro, não deixei de ficar surpreendido ao constatar que foi dirigente da Fenprof. Digo isto porque perante o ataque à classe docente levado a cabo por este ministério da educação, o que se exigia era a recusa do prémio, ou no mínimo uma crítica à política «educativa» economicista e com fins estatísticos deste governo. Até porque o melhor prémio que um professor pode receber é verificar que os seus alunos aprendem e se mostram interessados nas aulas e na aprendizagem – o que é algo cada vez mais difícil tendo em conta as características burocráticas que a profissão está cada vez mais a adquirir.
Perante a crescente degradação e desvalorização da profissão de professor, a aceitação do prémio acaba, assim, por expressar uma concordância com a via seguida por esta ministra, que insulta e despreza os professores para ganhar a população - como ela diz.
Ao mesmo tempo que elimina a possibilidade dos professores evoluírem na carreira, e elimina a possibilidade dos contratados ( que são professores profissionalizados, mas que para a ministra são «meros» diplomados) poderem exercer a profissão, a ministra inventa estes prémios e estas campanhas de marketing e publicidade para transmitir a ideia de que a profissão até é valorizada. Ora, isto é um insulto a todos os professores, e é, por isso, que me admiro de ver alguém que tem (ou teve) ligações aos sindicatos (à fenprof, ainda por cima) concorrer e aceitar este prémio, quando o espírito anti-sindical deste governo é por demais evidente.
Depois é natural que muitos entendam que não vale a pena fazer greves. É que chega-se à conclusão de que se anda a fazer o papel de idiota útil.
Parabéns ao professor pelo prémio, mas tenho pena que o tenha aceite.
Não o conheco mas colegas mim que já foram ensinadas por ele, recomendam.
“Carlos Pinto, partir do principio que quem tem actividade política enquanto cidadão não se pode destacar nas suas funções profissionais é inacreditável.
Posted by: Daniel Oliveira”
Pois, e o Daniel a deturpar o que o Carlos Pinto disse. Inacreditável.
Acho que aqui ninguém conhece o Arsélio Martins, eu conheço. E dizer que aceitou o prémio aceitando regras obscuras, é mesmo estar completamente por fora da situação. Não, não estou a assacar responsabilidades a ninguém, estou apenas a rectificar algumas afirmações. O Arsélio já virou as costas a muita coisa, já disse muitas vezes ‘não’ porque pensa que não faz mais do que aquilo que incumbe a qualquer profissional. Toda a sua prática até hoje o comprova, quando não havia prémios a ganhar. Desta vez ‘candidataram-no’ e ele aceitou. E eu, que o conheço, sei que as razões não podem ser as da cedência.
Entendo bem as reticências do Luís Miguel, mas também não posso deixar de considerar que mostrar que há excelência nos sectores menos gratos ao patronato é uma boa política. Não se pode deixar apenas aos afilhados o que, não só cabe por inteiro aos enteados, como distorceria a realidade distribuindo louros por quem menos os merece.