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Não concordarei em muitas matérias que envolvem Israel e a Palestina com o que escreve Nuno Guerreiro Josué. Nem com alguma análise menos fria sobre o que se passa nos países muçulmanos. Ainda menos com alguma confusão entre quem se opõe a uma islamofobia crescente e aqueles que manifestam simpatia por ditaduras teocráticas. Sendo tudo assuntos que me interessam muito, estas discordâncias podem não ser um pormenor. Mas reconheço ao Nuno a seriedade intelectual no debate e não lhe encontro a intolerância religiosa e cultural que está presente num discurso político que tenta instrumentalizar contra culturas terceiras a história de um povo feita de uma coragem imensa e de uma riqueza cultural extraordinária.

É impossível falar de Portugal sem falar de judeus. No meu caso, é impossível falar do passado de parte da minha família sem falar de judeus. A cultura e a identidade portuguesa sem a herança judaica e muçulmana seria bem mais pobre. Que haja para aí uma extrema-direita “identitária” que não o perceba diz apenas muito sobre a sua ignorância em relação à história do país onde nasceram.

O Nuno tem um blogue sobre a cultura judaica no Mundo e em Portugal. Sobre tantos e tantos judeus que marcam o pensamento e a arte do nosso tempo E sobre a herança que os judeus deixaram nosso país. Uma herança que não é reconhecida por um discurso nacional que continua a associar a cultura portugueses quase exclusivamente ao cristianismo. Por ser um lugar onde se aprende sempre muito, a Rua da Judiaria é o blogue da semana. Fez quatro anos no dia 27 de Outubro.


Sem respostas ao post “Rua da Judiaria”  

  1. 1 1  tric

    “Que haja para aí uma extrema-direita “identitária” que não o perceba diz apenas muito sobre a sua ignorância em relação à história do país onde nasceram.”

    e a extrema-esquerda , esquerda , liberlismo do CAA & cpa., os valores gays etc , que deviam ter um pouco de mais respeito pela religião católica, o que é revelam? inteligência!!???

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  2. 2 2  Daniel Oliveira

    tric, pela minha parte não sou “nacionalista” e por isso a critica de incoerência e ignorância nesta matéria não me pode ser devolvida. E reconheço que o cristianismo e a Igreja Católica são fundamentais na história portuguesa. Nem sempre pelas melhores razões, incluindo o tratamento dado aos judeus no nosso país.

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  3. 3 3  Luís Lavoura

    Infelizmente é um blogue que tem andado muito menos ativo do que no passado.

    E portanto já não aprendemos muito nele.

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  4. 4 4  corvo

    Ritos judaicos, talvez, como existem ritos catolicos, budistas , taoistas, islâmicos.

    Agora cultura judaica o que é….

    As cancões sefarditas, o teatro de Praga, as piadas dos irmãos Marx, a pintura do Chagal….

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  5. 5 5  tric

    Ainda não consegui perceber, porquê é que os JUDEUS consideram o Napoleão Bonaparte, como o grande “Libertador” do povo judaico na Europa e em Portugal as invasões francesas provocaram a morte aproximadamente 120 000 “nacionalistas cristãos”, um décimo da população!

    Liberdade para os Judeus, neste caso traduziu-se como a morte de um décimo da população portuguesa(exclui-se os JUDEUS, evidentemente)!

    e o mais estranho ainda, é o silênciamento deste acontecimento !

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  6. 6 6  Tarzan

    Boa recomendação. O Nuno Guerreiro é de facto um grande blogger

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  7. 7 7  Xico

    A cultura portuguesa associada quase exclusivamente ao cristianismo, já diz tudo. O restante implícito pelo quase é judeu, muçulmano e pagão, sem dúvida! O que não se pode esconder é que Portugal é um país inventado e essa invenção é mérito da Igreja e de um homem! É o Portugal universalista e o dos descobrimentos.
    Quanto ao povo ele é ao mesmo tempo pagão, judeu e muçulmano.
    Pagão nas festas mesmo as religiosas, no culto dos santos, de Maria e do menino Jesus, judeu no comer e na simulação, muçulmano na poesia e no gosto pelo luxo! Ser cristão é a possibilidade de ser isso tudo, por isso rejeita dos judeus o ódio ao paganismo e a superioridade moral, e dos muçulmanos e judeus as restrições alimentares, quando estas já são tantas!
    E quanto ao grau máximo da cultura portuguesa essa é indubitavelmente a doçaria conventual, e essa, queira o Daniel ou não, é fruto do cristianismo. Só um milagre para juntar de tantas maneiras ovos e açucar!

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  8. 8 8  Guimarães

    Quem tenha lido um pouco da história de Portugal, constata que somos herdeiros de uma grande quantidade de povos, com a correspondente diversidade de cultos religiosos, pelo que qualquer afirmação de “raça” ou “religião” básica é indício da mais completa ignorância.

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  9. 9 9  Nuno neves

    Caro Daniel Oliveira,

    Saliento que o “vosso” discurso é sempre a realçar as minorias e esquecem-se sempre de outros povos que habitaram a península ibérica e a zona a que hoje apelidamos de Portugal.

    A chamada extrema-direita “identitária”, é identitária mas não é de extrema direita. Ninguém esquece o passado de Portugal, nem oculta a influência que a presença judaica ou islâmica tenham tido na construção de Portugal. A identidade é um processo mutável e em construção, felizmente não é estanque.

    Nós, os chamados identitários, tanto damos relevância a factos que tenhamos adquirido do cristianismo ou do paganismo. Ou mesmo do judaísmo ou do islamismo. Não queremos destruir traços, nem valores que tenham sido adquiridos dessas religiões e povos.

    Há um legado que queremos preservar para o futuro. E caro Daniel Oliveira, e se hoje temos um discurso que é considerado islamofobico é porque não desejamos que Portugal e a Europa percam valores que foram conquistados. Nós temos uma linha identitária, e como é natural seguimos a linha de identidade que consideramos a mais sensata.

    Como é referido no primeiro comentário, o catolicismo exerceu uma forte influência na construção de Portugal. Muitos dos valores, hoje defendidos por si e pelos seus companheiros do BE são anti-católicos. Isso, demonstra uma certa ignorância sua e dos companheiros… ou aí já demonstra inteligência?

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  10. 10 10  Arqueofuturista

    O Daniel Oliveira deveria ser mais rigoroso nas suas observações a esses tais “extremistas de direita” identitários, ou seja, a fim de evitar considerandos redutores, para bem do grau de veracidade do blog de que é autor, talvez fosse pertinente uma leitura atenta das posições identitárias sobre o nosso passado histórico, sobre aquilo que dizem e afirmam os identitários sobre as nossas raízes étnicas. Sempre me pouparia ter de aqui vir chamar-lhe a atenção.

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